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Em novembro do ano passado, uma notícia fez o mundo das artes, que já andava em crise existencial, deitar de vez no divã: a condenação, a nove anos de prisão, de Bernardo de Mello Paz, o fundador do Instituto Inhotim – museu de arte contemporânea que é um dos mais visitados do País –, por lavagem de dinheiro referente ao período em que fora proprietário do conglomerado Itaminas, de mineração e siderurgia. Paz tem ainda uma dívida com o governo do Estado de Minas, também consequência de sua atividade na mineração. O montante chegou a R$ 500 milhões, mas, com a adesão a uma lei estadual que dá desconto para devedores, esse valor caiu para aproximadamente R$ 150 milhões.

m busca de autonomia: no Instituto Inhotim, para depender menos dos recursos das leis de incentivo e para se blindar de polêmicas envolvendo seu fundador, Bernardo Paz, existe a procura por patronato diversificado. Imagens: Divulgação.m busca de autonomia: no Instituto Inhotim, para depender menos dos recursos das leis de incentivo e para se blindar de polêmicas envolvendo seu fundador, Bernardo Paz, existe a procura por patronato diversificado. Imagens: Divulgação.

Para quitar a dívida, o fundador do Inhotim chegou a oferecer obras de arte em exposição no museu. Segundo o instituto, a negociação estabelece que as obras permanecerão no museu, em comodato, sem possibilidade de serem removidas. Antonio Grassi, diretor executivo do Instituto Inhotim, diz que além de investimentos de Paz e da verba obtida com a visitação, o Inhotim é financiado pelo governo de Minas e pela Lei Rouanet. Mas, para ter mais autonomia e depender menos de recursos de seu fundador e das leis de incentivo fiscal, a instituição tem adotado uma série de estratégias. “Nosso trabalho de captação, de como podemos garantir a sustentabilidade de Inhotim, vem sendo feito bem antes dos fatos recentes. Queremos sensibilizar e criar vínculos permanentes com patrocinadores também pessoas físicas”, explica Grassi. “Bem mais brasileiros doam para o MoMA do que para instituições daqui”, compara, referindo-se ao Museu de Arte Moderna de Nova York. Um dos projetos para estimular patronato é o apadrinhamento de obras. Há dois anos, o Instituto começou a testar esse novo modelo de gestão com o patrocínio da construção da galeria da fotógrafa suíça naturalizada brasileira Claudia Andujar, para a qual 25 pessoas contribuíram, cada uma, com R$ 25 mil reais. Hoje, do orçamento anual de R$ 35 milhões, 90% dos recursos vêm de patrocínio direto, Lei Rouanet e bilheteria. Bem diferente do início de Inhotim, quando, há dez anos, Paz arcava com a maior parte desse valor.

“Bem mais brasileiros doam para o MoMA do que para instituições daqui”, diz Antonio Grassi, Museum Of Modern Art. Foto: Divulgação.“Bem mais brasileiros doam para o MoMA do que para instituições daqui”, diz Antonio Grassi, Museum Of Modern Art. Foto: Divulgação.

As notícias envolvendo o Inhotim foram traumáticas por arranharem a imagem de um dos marcos culturais e turísticos do Brasil e por deixarem evidentes as vulnerabilidades da gestão cultural no País. Em tempos de crise econômica, quando a cultura é uma das primeiras áreas a sofrer com cortes, é bom saber que arte e planejamento andam de mãos dadas. O Fundo Nacional da Cultura (FNC), por exemplo, que é um dos pontos da Lei Rouanet e que representa o investimento direto do Estado no fomento à cultura, “só vem esvaziando”, alerta Eduardo Saron, diretor do Instituto Itaú Cultural. Ele diz que o FNC, que apoia principalmente os projetos com maior dificuldade de captação junto a empresas privadas – caso dos projetos fora do eixo Rio-São Paulo –, não vem recebendo o repasse originalmente previsto de 3% das loterias federais. “A Caixa Econômica acaba enviando para o Planejamento, que não manda para a Cultura”, reclama. “Cerca de R$ 1,5 bilhão deixou de ser repassado da loteria para a cultura.”

Os modelos de gestão cultural no Brasil são variados, mas a maioria ainda depende de recursos estatais. Algumas instituições contam, majoritariamente, com recursos do governo; outras são ligadas a empresas privadas; e há as que têm modelos híbridos de recursos estatais e privados, fazendo um balanço de recursos governamentais, da Lei Rouanet e de fontes como bilheteria, patronato e cessão de espaços. Mas há ainda um caminho alternativo, dos endowments, que são fundos patrimoniais privados de longo prazo.“O mundo cultural precisa aprofundar o debate sobre os endowments. A Lei Rouanet é importante, mas não dá para ser a principal fonte de recursos”, afirma Saron. “Hoje as empresas trabalham com base em um capitalismo de metas, visando o curto prazo. Deveríamos abrir mais espaço para o capitalismo de propósitos, de compromisso com a sociedade.”

Capitalismo de propósito: o diretor do Instituto Itaú Cultural, Eduardo Saron, alerta para a deficiência nos repasses governamentais e defende um maior compromisso com a sociedade. Foto: Claudio Gatti.Capitalismo de propósito: o diretor do Instituto Itaú Cultural, Eduardo Saron, alerta para a deficiência nos repasses governamentais e defende um maior compromisso com a sociedade. Foto: Claudio Gatti.Ainda raro no Brasil, o financiamento de instituições culturais por meio de endowments é bastante comum no exterior. Nos Estados Unidos, esses fundos mantêm equipamentos diversos, de universidades a museus, como o Smithsonian Institution, em Washington, e a Boston Symphony Orchestra. Constituir um endowment, porém, não é tão fácil. É preciso arrumar a casa antes. Esses fundos são geridos como os do mercado financeiro, por isso é preciso ter uma política sólida de governança, gestão e boas práticas. Os rendimentos são usados na manutenção da instituição e no desenvolvimento de projetos, garantindo a previsibilidade e a continuidade dos recursos. Depois de um tempo, o dinheiro é devolvido aos doadores e novos recursos são captados.

Por aqui, o caso pioneiro e mais emblemático de constituição de endowment foi o do Museu de Arte de São Paulo (Masp). O museu, que estava à beira da falência em 2013, corria o risco de fechar as portas e ter seu acervo de mais de oito mil obras estatizado. A solução envolveu várias frentes. Uma delas foi a criação do fundo de endowment, cuja meta, segundo Heitor Martins, diretor-presidente do Masp, é chegar a R$ 40 milhões. Outra ação foi renegociar a dívida, de R$ 35 milhões, com os credores. Para aumentar a arrecadação também foi criado um novo estatuto para o museu, ancorado em governança e tomando como base os modelos do MoMA e do Metropolitan, em Nova York. O estatuto deslocou o poder de decisão da assembleia de associados para um conselho deliberativo, formado por 80 empresários e investidores. Cada um desses empresários, como Alfredo Setubal, presidente da Itaúsa; Flávio Rocha, presidente da rede Riachuelo; e Roberto Sallouti, presidente do Grupo BTG Pactual, tomou para si o compromisso de uma doação inicial de R$ 150 mil, além de R$ 35 mil anuais. A área de captação de doações e patrocínios do Masp, para pessoas física e jurídica, arrecadou R$ 50 milhões de 2014 a 2017. Com todas essas ações, o faturamento do Masp quadruplicou e chegou a R$ 40 milhões, virando superavitário, já que as despesas do museu são de R$ 38 milhões. “Isso tudo tem a ver com a comunidade valorizar o que tem, se envolver com o museu dentro de um espírito coletivo”, conclui Martins. “A questão financeira é um meio. Nosso objetivo é contribuir para a cultura e ter exposições de qualidade.” Segundo ele, o Masp deve fechar o ano com 410 a 430 mil visitantes, a segunda maior da história da instituição.

A área de captação de doações e patrocínios do Masp, para pessoas física e jurídica, arrecadou R$ 50 milhões de 2014 a 2017. Foto: Divulgação.A área de captação de doações e patrocínios do Masp, para pessoas física e jurídica, arrecadou R$ 50 milhões de 2014 a 2017. Foto: Divulgação.Outro caso raro de endowment no Brasil é o do capitaneado pelo artista Marcos Amaro, herdeiro de Rolim Amaro, o lendário fundador da TAM. Amaro, que deixou o mundo empresarial para se dedicar às artes, já expôs em vários países e criou a Fundação Marcos Amaro, uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interese Público) com um acervo de mais de 600 obras. Um dos projetos da fundação, chamado de Memorial da Escultura Contemporânea Latino-Americana (Mescla), envolve um parque de esculturas e um espaço chamado Fábrica São Pedro, ambos no interior paulista. Apesar de ainda não concluídos, já estão abertos para visitação. O fundo de endowment criado por ele soma R$ 10 milhões, com recursos próprios. “No momento esse montante é suficiente para viabilizar o projeto, mas a ideia é abrir para mais investidores”, diz ele. “No total, o investimento na Fundação será de R$ 50 milhões a R$ 60 milhões em cinco anos.”

Criatividade

Um exemplo bem-sucedido de criatividade na gestão de museus, em tempos de escassez de dinheiro público, é o do Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba. Sob comando da executiva Juliana Vellozo Almeida Vosnika, o terceiro maior museu do País, com acervo de 4 mil obras e faturamento de R$ 15 milhões em 2017, está conseguindo reequilibrar suas finanças. Isso porque a participação de recursos públicos no faturamento caiu de 90%, em 2015, para 70%, no ano passado.

Entre as estratégias adotadas estão a abertura de um café dentro do museu, a terceirização do estacionamento (uma área nobre no centro da capital paranaense) e locação de espaços do MON para eventos. “Tivemos de reinventar nosso modelo de negócio, diversificando as fontes de receita”, afirma Vosnika, que também lançou um programa de parcerias, chamado de Sou Patrono. As doações de grandes empresários paranaenses alcançaram, em 2017, R$ 220 mil. Um ano antes, na estreia do programa, foram doados R$ 200 mil. “Com o apoio de doadores, novas entradas de dinheiro em caixa e maior participação da sociedade em nosso dia a dia, estamos conseguindo superar as dificuldades.”

Arte e luxo: na Pinacoteca de São Paulo, com Paulo Vicelli como diretor institucional, eventos badalados e linhas de produtos com trabalhos exclusivos de artistas ajudam a incrementar um fundo de obra de arte contemporânea. Imagens: Divulgação.Arte e luxo: na Pinacoteca de São Paulo, com Paulo Vicelli como diretor institucional, eventos badalados e linhas de produtos com trabalhos exclusivos de artistas ajudam a incrementar um fundo de obra de arte contemporânea. Imagens: Divulgação.A gestão híbrida, na qual a arrecadação vem de outras fontes além do repasse estatal, é, de fato, o modelo que tem ganhado cada vez mais espaço entre as instituições. Na Pinacoteca do Estado de São Paulo (Pina), que virou organização social de cultura no final de 2005, o governo ainda provê a maioria dos recursos – 60% do total, voltados principalmente para os custos fixos, como água e luz, e as exposições de longo prazo ou permanentes. Os 40% restantes, que precisam vir de captação, são investidos nas exposições temporárias, que costumam atrair mais público e repercussão na mídia, segundo Paulo Vicelli, diretor de relações institucionais da Pinacoteca. Quando Vicelli chegou na Pinacoteca, em 2012, o processo de atração de recursos ainda era tímido. “Não havia uma abordagem comercial, com prestação de contas”, lembra. Mas nos últimos cinco anos, com uma série de ações de governança e novas abordagens junto ao público, aumentou, em mais de 50%, o montante captado. “De pessoa jurídica, via Lei Rouanet e patrocínio direto, recebemos R$ 12 milhões, e de pessoa física, aproximadamente R$ 1 milhão”, conta Vicelli. O dinheiro desses patronos, explica, vai para um fundo de obra de arte contemporânea.

Para “fisgar” doadores, a Pinacoteca promove eventos como o Pinaball, um baile com a presença de celebridades que aconteceu em 2015 para comemorar os 110 anos da instituição. Na ocasião, foram lançados produtos com apelo de luxo, como uma linha de joias inspirada na arquitetura do prédio e uma edição limitada de uma caixa de gravuras com trabalhos inéditos doados por artistas que fizeram história na Pinacoteca, como Beatriz Milhazes, Leda Catunda e Jac Leirner. Em 2016, foi a vez de promover um álbum de fotografia com trabalhos, criados especialmente para a Pinacoteca, de artistas como Sofia Borges e Vik Muniz. Cada exemplar custava R$ 30 mil. Uma parte dos recursos com a venda do álbum – que totalizaram R$ 1,5 milhão – foi usada para comprar uma obra histórica de Belmiro de Almeida (1858-1935), “Menino com Bandolim“. A meta para o próximo ano, segundo Vicelli, é arrecadar R$ 16 milhões.

O museu é pop: o Museu da Imagem e do Som (MIS), dirigido por Isa Castro e Jacques Kann, chegou a ter um público dez vezes maior com mega exposições e de apelo popular, como uma sobre o apresentador Silvio Santos. Foto: Gabriel Reis.O museu é pop: o Museu da Imagem e do Som (MIS), dirigido por Isa Castro e Jacques Kann, chegou a ter um público dez vezes maior com mega exposições e de apelo popular, como uma sobre o apresentador Silvio Santos. Foto: Gabriel Reis.

Já no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, do orçamento de R$ 23 milhões, R$ 13 milhões vieram de repasse do governo e R$ 10 milhões de bilheteria e cessão de espaços – como o do restaurante, da loja e do estacionamento -, além de patrocínio por meio de leis de incentivo. Ao contrário da Pinacoteca e do MAM, a cultura do patronato pessoa física não tem peso na arrecadação. Mas as bilheterias, sim. Em 2010, o público geral da instituição era de 61 mil pessoas. Nos anos seguintes, o museu ganhou holofotes com mega exposições, como as do Tim Burton, Silvio Santos e Castelo Rá-Tim-Bum – essa última com público recorde de 410 mil pessoas. A exposição atualmente em cartaz conta a trajetória do cantor e compositor Renato Russo, morto em 1996. Foram mais de dois anos de pesquisa e produção, com cerca de três mil itens retirados do apartamento do artista, conta Isa Castro, diretora cultural do museu. Ao sair da exposição, o visitante encontra itens relacionados ao músico na loja e jantar no restaurante do espaço. “Queremos que o visitante tenha uma experiência completa”, diz Jacques Kann, diretor de gestão e finanças do MIS. “Antes, poucos conheciam o museu. Agora a história é outra – os cobradores de ônibus, quando passam aqui na frente, dizem ‘ponto MIS’. É isso o que queremos, desmistificar e democratizar o acesso à cultura.”

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Por Rachel Rubin e Hugo Cilo na Istoé Dinheiro.

A soma negra de 509 mortos nas estradas portuguesas em 2017 e as mais de 25 mil vidas perdidas, em 2016, nas rodovias que atravessam a União Europeia reforçam a necessidade de uma mobilidade focada na redução da sinistralidade. E é esse um dos principais objetivos dos vários projetos europeus na área da construção de veículos autônomos e de sistemas de comunicação inteligente entre veículos e entre veículos e infraestruturas, como o C-ITS - Cooperative Intelligent Transport Systems.

"Os veículos elétricos e autônomos terão grande impacto na segurança rodoviária a longo prazo", explica Francisco Ferreira, especialista em segurança rodoviária e transportes, que durante vários anos colaborou com a Comissão Europeia nestas áreas. "A perspectiva que tínhamos na Comissão era de zero acidentes no futuro", sublinha.

Segundo a European Transport Safety Council, tecnologias que conferem autonomia aos veículos - como o controle eletrônico de estabilidade (ESC), a frenagem de emergência autônoma (AEB) e o assistente de velocidade inteligente (ISA) - já estão prevenindo acidentes e mortes nas estradas. Contudo, ainda faltam estudos que demonstrem o sucesso dos veículos autônomos diante de diferentes cenários, condições meteorológicas e na coexistência com os carros tradicionais, pedestres e ciclistas.

Quando a tecnologia substituir o motorista, os carros é que vão ler a sinalização que regula o tráfego nas cidades. Diante deste cenário, Ana Raposo, secretária-geral da AFESP - Associação Portuguesa de Sinalização e Segurança Rodoviária, alerta para a necessidade de investimento na conservação dos sinais de trânsito nas estradas. "É absolutamente urgente analisar e implementar pré-requisitos na infraestrutura rodoviária na componente da sinalização. Os carros autônomos só vão poder fazer a leitura da estrada se a sinalização estiver lá", salienta. Para a especialista, Portugal ainda se encontra longe das boas práticas a nível de sinalização e "os potenciais benefícios dos veículos autônomos podem acabar por aumentar os riscos caso não haja sinalização".

Quando a tecnologia substituir o motorista, os carros é que vão ler a sinalização que regula o tráfego nas cidades. Imagem: Shutterstock.Quando a tecnologia substituir o motorista, os carros é que vão ler a sinalização que regula o tráfego nas cidades. Imagem: Shutterstock.Portugal é um dos três países europeus que vão receber testes de carros autônomos já em outubro deste ano, no âmbito do projeto Autocits. Por enquanto, ainda falta legislação que permita a circulação de veículos sem motorista, mas é um caminho que vem sendo trilhado há mais de um ano e as expectativas são muitas. "Mais de 90% dos acidentes ocorrem por intervenção humana e 60% são provocados pelos motoristas. A condução autónoma pode garantir mais segurança", destacou Jorge Jacob, presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), durante um encontro internacional do Auto Cits em Portugal. Os dilemas éticos com que um carro autônomos pode se deparar - se bater em outro carro ou atropelar um pedestre - são algumas das questões que ainda prometem gerar debate acirrado.

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Por Catarina Cruz no Diário de Notícias.

Não só de spray e tintas vive a arte urbana. Fios coloridos e agulhas também se transformam em matéria-prima nas mãos de artistas que levam o crochê para a arquitetura da cidade. Este movimento artístico tem nome: é o “yarn bombing” (bombardeio de fios, em tradução livre). A designer e empresária Jeniffer Padilha integra o Coletivo Mãos Urbanas, que leva esse tipo de intervenção para Curitiba.

Prédio histórico da UFPR recebeu as cores da grande peça em crochê em 2016. Foto: Samira Neves / ACS UFPR.Prédio histórico da UFPR recebeu as cores da grande peça em crochê em 2016. Foto: Samira Neves / ACS UFPR.Desde criança Jeniffer tem o crochê como hobby e levar essa atividade para a arquitetura é algo gratificante para ela. “O crochê é uma forma de chamar atenção. Às vezes, a pessoa passa por vários locais da cidade e não vê um objeto, mas se você coloca algo de crochê, ela vai olhar. Você redireciona o olhar da pessoa”, conta. “Se ninguém nota uma estátua e você coloca um cachecol nela, todo mundo vai olhar”.

Sacada da Casa Hoffmann foi um dos locais decorados pelo coletivo. Foto: Coletivo Mãos Urbanas / Reprodução/ Facebook.Sacada da Casa Hoffmann foi um dos locais decorados pelo coletivo. Foto: Coletivo Mãos Urbanas / Reprodução/ Facebook.

No ano passado, as obras coloridas do coletivo transformaram temporariamente o cenário de Curitiba, incluindo a fachada do prédio histórico da UFPR, bancos de madeira da Reitoria e a sacada da Casa Hoffmann. Uma árvore em frente ao Museu Alfredo Andersenrecebeu apetrechos rendados e foi muito elogiado pelos funcionários da instituição. “É um museu que quase não tinha visitantes, e o crochê chamou atenção para ele”, lembra Jeniffer.

Intervenção feita no Museu Alfredo Andersen. Foto: Valeria Tessari / Divulgação.Intervenção feita no Museu Alfredo Andersen. Foto: Valeria Tessari / Divulgação.

Arte de guerrilha

Karen Dolorez transforma suas inquietações em arte urbana. A artista visual residente de São Paulo é designer por formação, mas foi no crochê que encontrou sua verdadeira paixão. Suas obras envolvem questionamentos relacionados à ocupação de espaços públicos, arte de guerrilha, feminismo e amor. “Fico muito feliz quando consigo passar uma mensagem através da arte e quando tenho uma resposta das pessoas na compreensão e especialmente na identificação com o meu trabalho. Perceber que de alguma forma as pessoas se identificaram, se inspiraram e vão conseguir sair do lugar que estão é muito gratificante”, diz Karen.

Karen usa o crochê como instrumento para expressão artística pessoal. Foto: Reprodução.Karen usa o crochê como instrumento para expressão artística pessoal. Foto: Reprodução.

Sua história com a arte manual começou na infância, quando sua mãe a ensinou a crochetar. “Quando retomei o crochê foi incrível, pois vi ali uma maneira de me expressar, de falar de coisas que não conseguia e também de me conectar com pessoas que eu não alcançava”, conta a dona das agulhas.

Feminismo é um dos temas principais abordado nas obras da artista. Foto: Lucas Cella Hirai.Feminismo é um dos temas principais abordado nas obras da artista. Foto: Lucas Cella Hirai.

Assim como os grafites que são eventualmente cobertos por tinta ou outras intervenções, a relação das obras de crochê com a cidade também pode ser efêmera. Uma vez que está na rua, a peça está sujeita a modificações. “Quando a obra é tátil, como a de crochê, a duração da obra pode ser ainda menor, alcançando a média de uma semana”, revela Karen. Ela lembra sua tristeza da primeira vez que viu que uma de suas obras havia sido retirado da rua. Depois, passou a ver essa espécie de relação como uma resposta inerente a esse tipo de trabalho.

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Instalação interativa

O escritório Choi + Shine Architects criou belas instalações interativas para o Light Marina Bay Festival, evento sobre sustentabilidade realizado em março deste ano em Cingapura. Batizadas como The Urchins (“Ouriços”), as imensas bolas de crochê foram costuradas à mão por 50 pessoas.

A instalação recebeu iluminação especial durante a noite. Foto: Choi+Shine Architects.A instalação recebeu iluminação especial durante a noite. Foto: Choi+Shine Architects.

Ao longo do dia e das diferentes posições do sol, a instalação criava um lindo jogo de luz e sombras. As bolas gigantes também se moviam com o vento ou quando os visitantes as tocavam.

Obras permitiram a interatividade com o público. Foto: Choi+Shine Architects.Obras permitiram a interatividade com o público. Foto: Choi+Shine Architects.

Casas Cor de Rosa

A artista Olek, de Nova York, é conhecida por envolver grandes superfícies em crochê. No ano passado, ela revestiu duas casas inteiras com linhas cor-de-rosa. As instalações, na Suécia e na Finlândia, foram feitas para chamar atenção para a situação dos refugiados que foram forçados a deixar suas casas para fugir dos conflitos de seus países.

Refugiados ajudaram a produzir a instalação. Foto: Reprodução.Refugiados ajudaram a produzir a instalação. Foto: Reprodução.

Casa em Avesta, na Suécia. Foto: Reprodução.Casa em Avesta, na Suécia. Foto: Reprodução.

Para Olek, a casa rosa é símbolo de um futuro melhor, de esperançae ajuda mútua, em que todos tenham um local para chamar de lar. “Nossa casa rosa é sobre jornada, não apenas sobre uma obra de arte. É sobre nós nos reunindo em comunidade. É sobre um ajudar o outro. Na pequena comunidade de Avesta, na Suécia, nós provamos que juntos somos mais fortes, que podemos fazer qualquer coisa acontecer juntos”, contou a artista em seu site.

Good vibes e feminismo

Foto: Reprodução / Instagram.Foto: Reprodução / Instagram.

A artista Julia Riordan deixa as ruas mais divertidas com o uso de peças em crochê. Ela espalha obras de estilos diversos por estruturas urbanas, incluindo mensagens good vibes e feministas. A maioria de suas obras são instaladas em Estocolmo, na Suécia, cidade em que reside. Porém, a artista sempre deixa sua marca em outras cidades europeias quando está viajando.

Foto: Reprodução / Instagram.Foto: Reprodução / Instagram.

Julia começou a se aventurar no mundo do crochê e tricô com apenas dez anos. Desde então, ela não parou de explorar o que poderia criar com as linhas coloridas. “Eu estudei em um curso intensivo de tricô em Brighton, onde eu aprendi a costurar usando uma máquina. Foi muito bom estar em um ambiente tão criativo, eu nunca tinha experimentado nada parecido”, contou a artista em entrevista ao portal Radar Collective.

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Por Stephanie D'Ornelas especial para o Haus da Gazeta do Povo.

A volta ao Brasil - e aos congestionamentos paulistanos - foi o ponta pé inicial do que se transformou no primeiro serviço de carona compartilhada em bicicletas do mundo. Espécie de "uber de bicicleta", o Bikxi (pronuncia-se ‘baiquici‘) nasceu quando o hoje empresário Danilo Lamy, 30 anos, voltou de uma temporada de três anos trabalhando no mercado financeiro em Nova York (EUA).

"Me deparei com o tempo perdido, todo aquele estresse. Morava perto de uma ciclovia e resolvi tentar usar a bicicleta", lembra Lamy.

Para encarar o percurso de mais de dez quilômetros veio a bicicleta elétrica como aliada. "Eu não só chegava mais disposto, mais feliz, mas também em metade do tempo que levaria de carro. E essa foi a chave: por que não está todo mundo andando de bicicleta?", conta o economista, que mesmo antes da volta ao Brasil já pesquisava o universo das startups e tinha o desejo de empreender.  

O nome Bikxi, que mistura as palavras bike e táxi, resume a ideia: um sistema de transporte compartilhado, assim como o Uber ou o Cabify, mas que usa como veículo a bicicleta. Outra diferença em relação ao Uber é que os veículos elétricos são da empresa e não dos condutores, e os ciclistas são treinados pela companhia.

Inspiração asiática

Ao incentivar os colegas a pedalar, Lamy entendeu melhor quais as restrições que o modal enfrenta numa cidade como São Paulo: falta de segurança - em relação ao risco de acidentes e assaltos - e a carência de locais para guardar a bicicleta e trocar de roupa antes do expediente. "Veio a ideia de juntar o melhor dos dois mundos: a carona compartilhada e a bicicleta", afirma. 

A primeira inspiração foram os tuk-tuks, tipo de triciclo, motorizado ou não, bastante comum no sudeste asiático. Foto: Divulgação.A primeira inspiração foram os tuk-tuks, tipo de triciclo, motorizado ou não, bastante comum no sudeste asiático. Foto: Divulgação.

A primeira inspiração foram os tuk-tuks, tipo de triciclo, motorizado ou não, bastante comum no sudeste asiático. "Mas eu buscava uma proposta diferente, não queria que o passageiro ficasse como numa carroça puxada pela bicicleta. Assim, não haveria a experiência da bicicleta", conta. 

Além disso, seu formato ocuparia a ciclovia inteira. "Veio a ideia de usar uma bicicleta dupla, que dá todos os benefícios, pois a preocupação era criar algo que fosse bom para quem está usando, para quem está conduzindo e para as pessoas ao redor", reforça.

A bicicleta foi desenvolvida exclusivamente para o serviço. São dois bancos de couro, sistema elétrico de pedal assistido, bagageiro, porta-luva e pedais independentes para o passageiro pedalar se ele quiser. A empresa também oferece ao passageiro o capacete, touca higiênica e capa de chuva.

Como funciona?

As bicicletas circulam por um trecho de mais de 20 quilômetros conectado por ciclovias e ciclofaixas entre o Ceagesp, na Vila Leopoldina, Zona Oeste da capital, e a Ponte do Morumbi, na Zona Sul.

O principal eixo é a ciclovia da Avenida Faria Lima, que interliga importantes centros comerciais e de escritórios da cidade, como Pinheiros, Vila Olímpia e região da Berrini. "Tem muita empresa, muito congestionamento e muita saída das estações de trem. Nossa ideia é também criar essa conexão, essa solução do último quilômetro", explica Lamy. 

Bikxi é o primeiro transporte compartilhado que utiliza bicicletas duplas e elétricas. Imagem: Reprodução.Bikxi é o primeiro transporte compartilhado que utiliza bicicletas duplas e elétricas. Imagem: Reprodução.O objetivo é integrar modais. "É para distâncias curtas. Em vez de ficar naquele miolo, preso, o passageiro vai de bike. Ele pode estacionar num lugar mais longe e pegar a bicicleta, ou ficar mais longe de táxi", explica. 

Atualmente são dez bicicletas que atuam de segunda-feira à sexta-feira das 7 horas às 20h30 e conduzidas em turnos por 20 ciclistas.

Rota atual liga a Vila Leopoldina ao Morumbi. Em breve o serviço chegará à Av. Paulista. Reprodução/Bikxi.Rota atual liga a Vila Leopoldina ao Morumbi. Em breve o serviço chegará à Av. Paulista. Reprodução/Bikxi.Os passageiros podem solicitar a bicicleta pelo aplicativo, como nos serviços de carona em carro ou táxi, e fazer o pagamento também pelo app.

É possível também pedir a bicicleta na própria via. Nesse caso, o pagamento é feito com cartão, já que os condutores não levam dinheiro.

O cálculo do valor cobrado é feito somente pela distância percorrida. "A analogia com Uber é inevitável e em termos operacionais é bem parecido", compara Lamy, que explica, porém, que não há cobrança da bandeira, apenas dos quilômetros de fato percorridos. O foco, inclusive, é nas corridas de até sete quilômetros.

O valor do serviço é de 2,15 reais por quilômetro rodado, com tarifa mínima de 3,50 reais. Para um efeito de simulação, um passageiro que pegar o Bikxi na saída da Estação Faria Lima do Metrô, em Pinheiros, com destino à Avenida Juscelino Kubitschek, no Itaim Bibi, gastará por volta de 5 reais. O ônibus sairia por 4 reais. 

O aplicativo foi lançado no fim de setembro e já foram mais de 7 mil corridas, com uma alta taxa de usuário recorrente, explica Lamy. Ainda há gargalo de oferta nos horários de pico, por isso a meta do empresário neste ano é aumentar a frota e reduzir o tempo e espera dos usuários.

Outro ganho, além do tempo do passageiro, é para o meio ambiente. Segundo o empresário, desde que o serviço entrou em operação três toneladas dedióxido de carbono deixaram de ser emitidas, conta feita com base nos quilômetros que deixaram de ser rodados por automóveis.

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Por Dimalice Nunes em Carta Capital.

A fabricante de automóveis japonesa Nissan anunciou nesta quarta-feira, 3, que está trabalhando em um novo carro que poderá se conectar com o cérebro do condutor. A tecnologia, chamada de “brain-to-vehicle” (cérebro para o veículo, ou B2V na sigla em inglês), permite é que o carro receba os sinais cerebrais do motorista e antecipe suas reações antes mesmo de ele tomar uma ação ao conduzir o veículo.

A interface neural, que melhora o tempo de resposta e também controla a cabine do carro com base nos sinais captados do cérebro, será uma das atrações que a empresa irá levar em um simulador para a feira de tecnologia Consumer Electronics Show, que acontece na próxima semana, em Las Vegas, nos Estados Unidos. Na prática, o condutor usa uma touca com sensores que captam a atividade cerebral enquanto ele está dirigindo.

A montadora apresentou uma prévia da tecnologia B2V antes da feira, na qual demonstrou que ela pode melhorar o tempo de resposta de 0,2 até 0,5 segundos. Apesar de o tempo parecer insignificante, ele pode fazer uma grande diferença na estrada, onde um segundo a mais na hora de tomar uma decisão pode resultar em acidentes graves.

A tecnologia permite que o carro receba os sinais cerebrais do motorista e antecipe suas reações. Foto: Nissan / Divulgação.A tecnologia permite que o carro receba os sinais cerebrais do motorista e antecipe suas reações. Foto: Nissan / Divulgação.

A interface neural, melhora o tempo de resposta e também controla a cabine do carro com base nos sinais captados do cérebro. Foto: Nissan / Divulgação.A interface neural, melhora o tempo de resposta e também controla a cabine do carro com base nos sinais captados do cérebro. Foto: Nissan / Divulgação.

A montadora demonstrou que a tecnologia pode melhorar o tempo de resposta de 0,2 até 0,5 segundos. Foto: Nissan / Divulgação.A montadora demonstrou que a tecnologia pode melhorar o tempo de resposta de 0,2 até 0,5 segundos. Foto: Nissan / Divulgação.

A montadora japonesa diz que também quer usar a tecnologia para melhorar aspectos não diretamente relacionados à direção, como detectar aspectos do carro ou do trajeto que causam desconforto nos motoristas. Além disso, recursos de realidade aumentada poderão ser utilizados pela montadora no futuro para alterar trechos da estrada ou bloquear elementos que atrapalham a visão dos condutores. 

Se a Nissan de fato conseguir antecipar ações como frear, acelerar e fazer curvas, ela pode avançar muito no desenvolvimento de sistemas avançados de assistência ao condutor. Com a tecnologia e os dados coletados, a empresa pode também ajudar a migrar de forma mais segura a direção semi-automática para a de veículos completamente autônomos.

Assista o vídeo “Introducing Nissan's Brain-to-Vehicle Technology at CES 2018“ e saiba mais!

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Da Redação do Link em O Estado de S.Paulo.

Uma das primeiras ações do tipo começou em agosto de 2015 em São Paulo. A então cineasta Ana Luísa Correard, de 29 anos, decidiu oferecer bicos de serviços de manutenção após desconforto com um funcionário que fez reparos na sua casa. "Estava sozinha e ele perguntava onde estavam meus amigos, que horas voltariam. Fui reclamar no Facebook e várias amigas falaram que passavam pelo mesmo problema."

Para ajudar as amigas, ela se ofereceu para fazer serviços. O bico durou dois dias. E a publicação sobre o assunto repercutiu na internet, alcançando mil compartilhamentos. Em 15 dias, ela largou o emprego. Criou a empresa Mana Manutenção e já acumulou 2,5 mil clientes, com uma equipe de oito mulheres.

A habilidade com serviços de manutenção Ana Luísa aprendeu com o avô. Hoje suas clientes são mulheres jovens "que querem incentivar outras mulheres a trabalharem em qualquer área que seja", segundo ela. "Essas mulheres têm filho novo, moram sozinhas e, normalmente, optam por uma prestadora de serviço mulher pela segurança que isso traz."

Com o crescimento da empresa, Ana Luísa e a sócia começaram a compartilhar na internet vídeos e cursos básicos de elétrica, hidráulica, pintura e manutenção. Em janeiro, vão lançar um aplicativo.

A celebrante de casamentos Bárbara Nascimento, de 32 anos, já contratou um serviço semelhante: o Manas à Obra, também de São Paulo. "Quando descobri que tinham mulheres fazendo, fui atrás", conta ela, cujo marido viaja muito. "Não confio em ficar sozinha com outros homens em casa."

A coach Patrícia Andrade, de 53 anos, pensou na família ao pedir o socorro feminino. "São pessoas com quem íamos conviver o tempo todo por 50 dias. Precisa ser um serviço com carinho, paciente", diz ela, que mora com o filho de 17 anos. Após a reforma da fiação elétrica, ficou impressionada com a "limpeza" da equipe comparada a outras experiências do tipo.

Já há serviços do tipo em pelo menos nove capitais: São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Recife e Belém.Foto: Estadão. Já há serviços do tipo em pelo menos nove capitais: São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Recife e Belém.Foto: Estadão. PublicidadSegundo a dona do Manas à Obra, Priscila Vaiciunas, a clientela não é só feminina. "Quando é um homem que me procura e não conheço, tenho de ‘stalkear’ (pesquisar sobre ele na internet) o cara para ver se não tem nenhum tipo de problema", explica ela, de 32 anos.

A demanda masculina, diz, geralmente é de quem estuda muito e não domina pequenos reparos. "Tem também os casados que ficam com receio de por homem estranho porque têm mulher ou filho em casa."

Brasil afora

Em Salvador, a museóloga May Barros se inspirou no modelo já iniciado em São Paulo para criar a empresa Entre Minas. Os serviços mais pedidos são instalar prateleira, consertar descarga, trocar torneira e resistência de chuveiro. Em dois anos, ela atendeu mais de 500 pessoas e hoje trabalha com outras duas moças - em 2018 a equipe deve crescer.

No Rio de Janeiro, o público da empresa Ela Repara é, na maioria, de mulheres que moram sozinhas. A proprietária e mecânica Isis Pioneli, de 27 anos, conta que grande parte tem renda mais alta e vive com certa independência. A iniciativa foi criada há pouco mais de um ano, após uma experiência ruim de Ísis no emprego. "Tive de ouvir: ‘você não vai dar conta do trabalho igual aos outros homens dão.’"

Hoje, ela acredita que mesmo as mulheres ainda veem esse tipo de empresa com certa desconfiança. "Ainda acham que não vamos conseguir ou que não sabemos fazer", afirma Isis, cuja irmã é formada em Eletrotécnica e a mãe, em Edificações. 

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Por Juliana Diógenes em O Estado de S. Paulo.