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A soma negra de 509 mortos nas estradas portuguesas em 2017 e as mais de 25 mil vidas perdidas, em 2016, nas rodovias que atravessam a União Europeia reforçam a necessidade de uma mobilidade focada na redução da sinistralidade. E é esse um dos principais objetivos dos vários projetos europeus na área da construção de veículos autônomos e de sistemas de comunicação inteligente entre veículos e entre veículos e infraestruturas, como o C-ITS - Cooperative Intelligent Transport Systems.

"Os veículos elétricos e autônomos terão grande impacto na segurança rodoviária a longo prazo", explica Francisco Ferreira, especialista em segurança rodoviária e transportes, que durante vários anos colaborou com a Comissão Europeia nestas áreas. "A perspectiva que tínhamos na Comissão era de zero acidentes no futuro", sublinha.

Segundo a European Transport Safety Council, tecnologias que conferem autonomia aos veículos - como o controle eletrônico de estabilidade (ESC), a frenagem de emergência autônoma (AEB) e o assistente de velocidade inteligente (ISA) - já estão prevenindo acidentes e mortes nas estradas. Contudo, ainda faltam estudos que demonstrem o sucesso dos veículos autônomos diante de diferentes cenários, condições meteorológicas e na coexistência com os carros tradicionais, pedestres e ciclistas.

Quando a tecnologia substituir o motorista, os carros é que vão ler a sinalização que regula o tráfego nas cidades. Diante deste cenário, Ana Raposo, secretária-geral da AFESP - Associação Portuguesa de Sinalização e Segurança Rodoviária, alerta para a necessidade de investimento na conservação dos sinais de trânsito nas estradas. "É absolutamente urgente analisar e implementar pré-requisitos na infraestrutura rodoviária na componente da sinalização. Os carros autônomos só vão poder fazer a leitura da estrada se a sinalização estiver lá", salienta. Para a especialista, Portugal ainda se encontra longe das boas práticas a nível de sinalização e "os potenciais benefícios dos veículos autônomos podem acabar por aumentar os riscos caso não haja sinalização".

Quando a tecnologia substituir o motorista, os carros é que vão ler a sinalização que regula o tráfego nas cidades. Imagem: Shutterstock.Portugal é um dos três países europeus que vão receber testes de carros autônomos já em outubro deste ano, no âmbito do projeto Autocits. Por enquanto, ainda falta legislação que permita a circulação de veículos sem motorista, mas é um caminho que vem sendo trilhado há mais de um ano e as expectativas são muitas. "Mais de 90% dos acidentes ocorrem por intervenção humana e 60% são provocados pelos motoristas. A condução autónoma pode garantir mais segurança", destacou Jorge Jacob, presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), durante um encontro internacional do Auto Cits em Portugal. Os dilemas éticos com que um carro autônomos pode se deparar - se bater em outro carro ou atropelar um pedestre - são algumas das questões que ainda prometem gerar debate acirrado.

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Por Catarina Cruz no Diário de Notícias.

Não só de spray e tintas vive a arte urbana. Fios coloridos e agulhas também se transformam em matéria-prima nas mãos de artistas que levam o crochê para a arquitetura da cidade. Este movimento artístico tem nome: é o “yarn bombing” (bombardeio de fios, em tradução livre). A designer e empresária Jeniffer Padilha integra o Coletivo Mãos Urbanas, que leva esse tipo de intervenção para Curitiba.

Prédio histórico da UFPR recebeu as cores da grande peça em crochê em 2016. Foto: Samira Neves / ACS UFPR.Desde criança Jeniffer tem o crochê como hobby e levar essa atividade para a arquitetura é algo gratificante para ela. “O crochê é uma forma de chamar atenção. Às vezes, a pessoa passa por vários locais da cidade e não vê um objeto, mas se você coloca algo de crochê, ela vai olhar. Você redireciona o olhar da pessoa”, conta. “Se ninguém nota uma estátua e você coloca um cachecol nela, todo mundo vai olhar”.

Sacada da Casa Hoffmann foi um dos locais decorados pelo coletivo. Foto: Coletivo Mãos Urbanas / Reprodução/ Facebook.

No ano passado, as obras coloridas do coletivo transformaram temporariamente o cenário de Curitiba, incluindo a fachada do prédio histórico da UFPR, bancos de madeira da Reitoria e a sacada da Casa Hoffmann. Uma árvore em frente ao Museu Alfredo Andersenrecebeu apetrechos rendados e foi muito elogiado pelos funcionários da instituição. “É um museu que quase não tinha visitantes, e o crochê chamou atenção para ele”, lembra Jeniffer.

Intervenção feita no Museu Alfredo Andersen. Foto: Valeria Tessari / Divulgação.

Arte de guerrilha

Karen Dolorez transforma suas inquietações em arte urbana. A artista visual residente de São Paulo é designer por formação, mas foi no crochê que encontrou sua verdadeira paixão. Suas obras envolvem questionamentos relacionados à ocupação de espaços públicos, arte de guerrilha, feminismo e amor. “Fico muito feliz quando consigo passar uma mensagem através da arte e quando tenho uma resposta das pessoas na compreensão e especialmente na identificação com o meu trabalho. Perceber que de alguma forma as pessoas se identificaram, se inspiraram e vão conseguir sair do lugar que estão é muito gratificante”, diz Karen.

Karen usa o crochê como instrumento para expressão artística pessoal. Foto: Reprodução.

Sua história com a arte manual começou na infância, quando sua mãe a ensinou a crochetar. “Quando retomei o crochê foi incrível, pois vi ali uma maneira de me expressar, de falar de coisas que não conseguia e também de me conectar com pessoas que eu não alcançava”, conta a dona das agulhas.

Feminismo é um dos temas principais abordado nas obras da artista. Foto: Lucas Cella Hirai.

Assim como os grafites que são eventualmente cobertos por tinta ou outras intervenções, a relação das obras de crochê com a cidade também pode ser efêmera. Uma vez que está na rua, a peça está sujeita a modificações. “Quando a obra é tátil, como a de crochê, a duração da obra pode ser ainda menor, alcançando a média de uma semana”, revela Karen. Ela lembra sua tristeza da primeira vez que viu que uma de suas obras havia sido retirado da rua. Depois, passou a ver essa espécie de relação como uma resposta inerente a esse tipo de trabalho.

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Instalação interativa

O escritório Choi + Shine Architects criou belas instalações interativas para o Light Marina Bay Festival, evento sobre sustentabilidade realizado em março deste ano em Cingapura. Batizadas como The Urchins (“Ouriços”), as imensas bolas de crochê foram costuradas à mão por 50 pessoas.

A instalação recebeu iluminação especial durante a noite. Foto: Choi+Shine Architects.

Ao longo do dia e das diferentes posições do sol, a instalação criava um lindo jogo de luz e sombras. As bolas gigantes também se moviam com o vento ou quando os visitantes as tocavam.

Obras permitiram a interatividade com o público. Foto: Choi+Shine Architects.

Casas Cor de Rosa

A artista Olek, de Nova York, é conhecida por envolver grandes superfícies em crochê. No ano passado, ela revestiu duas casas inteiras com linhas cor-de-rosa. As instalações, na Suécia e na Finlândia, foram feitas para chamar atenção para a situação dos refugiados que foram forçados a deixar suas casas para fugir dos conflitos de seus países.

Refugiados ajudaram a produzir a instalação. Foto: Reprodução.

Casa em Avesta, na Suécia. Foto: Reprodução.

Para Olek, a casa rosa é símbolo de um futuro melhor, de esperançae ajuda mútua, em que todos tenham um local para chamar de lar. “Nossa casa rosa é sobre jornada, não apenas sobre uma obra de arte. É sobre nós nos reunindo em comunidade. É sobre um ajudar o outro. Na pequena comunidade de Avesta, na Suécia, nós provamos que juntos somos mais fortes, que podemos fazer qualquer coisa acontecer juntos”, contou a artista em seu site.

Good vibes e feminismo

Foto: Reprodução / Instagram.

A artista Julia Riordan deixa as ruas mais divertidas com o uso de peças em crochê. Ela espalha obras de estilos diversos por estruturas urbanas, incluindo mensagens good vibes e feministas. A maioria de suas obras são instaladas em Estocolmo, na Suécia, cidade em que reside. Porém, a artista sempre deixa sua marca em outras cidades europeias quando está viajando.

Foto: Reprodução / Instagram.

Julia começou a se aventurar no mundo do crochê e tricô com apenas dez anos. Desde então, ela não parou de explorar o que poderia criar com as linhas coloridas. “Eu estudei em um curso intensivo de tricô em Brighton, onde eu aprendi a costurar usando uma máquina. Foi muito bom estar em um ambiente tão criativo, eu nunca tinha experimentado nada parecido”, contou a artista em entrevista ao portal Radar Collective.

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Por Stephanie D'Ornelas especial para o Haus da Gazeta do Povo.

A volta ao Brasil - e aos congestionamentos paulistanos - foi o ponta pé inicial do que se transformou no primeiro serviço de carona compartilhada em bicicletas do mundo. Espécie de "uber de bicicleta", o Bikxi (pronuncia-se ‘baiquici‘) nasceu quando o hoje empresário Danilo Lamy, 30 anos, voltou de uma temporada de três anos trabalhando no mercado financeiro em Nova York (EUA).

"Me deparei com o tempo perdido, todo aquele estresse. Morava perto de uma ciclovia e resolvi tentar usar a bicicleta", lembra Lamy.

Para encarar o percurso de mais de dez quilômetros veio a bicicleta elétrica como aliada. "Eu não só chegava mais disposto, mais feliz, mas também em metade do tempo que levaria de carro. E essa foi a chave: por que não está todo mundo andando de bicicleta?", conta o economista, que mesmo antes da volta ao Brasil já pesquisava o universo das startups e tinha o desejo de empreender.  

O nome Bikxi, que mistura as palavras bike e táxi, resume a ideia: um sistema de transporte compartilhado, assim como o Uber ou o Cabify, mas que usa como veículo a bicicleta. Outra diferença em relação ao Uber é que os veículos elétricos são da empresa e não dos condutores, e os ciclistas são treinados pela companhia.

Inspiração asiática

Ao incentivar os colegas a pedalar, Lamy entendeu melhor quais as restrições que o modal enfrenta numa cidade como São Paulo: falta de segurança - em relação ao risco de acidentes e assaltos - e a carência de locais para guardar a bicicleta e trocar de roupa antes do expediente. "Veio a ideia de juntar o melhor dos dois mundos: a carona compartilhada e a bicicleta", afirma. 

A primeira inspiração foram os tuk-tuks, tipo de triciclo, motorizado ou não, bastante comum no sudeste asiático. Foto: Divulgação.

A primeira inspiração foram os tuk-tuks, tipo de triciclo, motorizado ou não, bastante comum no sudeste asiático. "Mas eu buscava uma proposta diferente, não queria que o passageiro ficasse como numa carroça puxada pela bicicleta. Assim, não haveria a experiência da bicicleta", conta. 

Além disso, seu formato ocuparia a ciclovia inteira. "Veio a ideia de usar uma bicicleta dupla, que dá todos os benefícios, pois a preocupação era criar algo que fosse bom para quem está usando, para quem está conduzindo e para as pessoas ao redor", reforça.

A bicicleta foi desenvolvida exclusivamente para o serviço. São dois bancos de couro, sistema elétrico de pedal assistido, bagageiro, porta-luva e pedais independentes para o passageiro pedalar se ele quiser. A empresa também oferece ao passageiro o capacete, touca higiênica e capa de chuva.

Como funciona?

As bicicletas circulam por um trecho de mais de 20 quilômetros conectado por ciclovias e ciclofaixas entre o Ceagesp, na Vila Leopoldina, Zona Oeste da capital, e a Ponte do Morumbi, na Zona Sul.

O principal eixo é a ciclovia da Avenida Faria Lima, que interliga importantes centros comerciais e de escritórios da cidade, como Pinheiros, Vila Olímpia e região da Berrini. "Tem muita empresa, muito congestionamento e muita saída das estações de trem. Nossa ideia é também criar essa conexão, essa solução do último quilômetro", explica Lamy. 

Bikxi é o primeiro transporte compartilhado que utiliza bicicletas duplas e elétricas. Imagem: Reprodução.O objetivo é integrar modais. "É para distâncias curtas. Em vez de ficar naquele miolo, preso, o passageiro vai de bike. Ele pode estacionar num lugar mais longe e pegar a bicicleta, ou ficar mais longe de táxi", explica. 

Atualmente são dez bicicletas que atuam de segunda-feira à sexta-feira das 7 horas às 20h30 e conduzidas em turnos por 20 ciclistas.

Rota atual liga a Vila Leopoldina ao Morumbi. Em breve o serviço chegará à Av. Paulista. Reprodução/Bikxi.Os passageiros podem solicitar a bicicleta pelo aplicativo, como nos serviços de carona em carro ou táxi, e fazer o pagamento também pelo app.

É possível também pedir a bicicleta na própria via. Nesse caso, o pagamento é feito com cartão, já que os condutores não levam dinheiro.

O cálculo do valor cobrado é feito somente pela distância percorrida. "A analogia com Uber é inevitável e em termos operacionais é bem parecido", compara Lamy, que explica, porém, que não há cobrança da bandeira, apenas dos quilômetros de fato percorridos. O foco, inclusive, é nas corridas de até sete quilômetros.

O valor do serviço é de 2,15 reais por quilômetro rodado, com tarifa mínima de 3,50 reais. Para um efeito de simulação, um passageiro que pegar o Bikxi na saída da Estação Faria Lima do Metrô, em Pinheiros, com destino à Avenida Juscelino Kubitschek, no Itaim Bibi, gastará por volta de 5 reais. O ônibus sairia por 4 reais. 

O aplicativo foi lançado no fim de setembro e já foram mais de 7 mil corridas, com uma alta taxa de usuário recorrente, explica Lamy. Ainda há gargalo de oferta nos horários de pico, por isso a meta do empresário neste ano é aumentar a frota e reduzir o tempo e espera dos usuários.

Outro ganho, além do tempo do passageiro, é para o meio ambiente. Segundo o empresário, desde que o serviço entrou em operação três toneladas dedióxido de carbono deixaram de ser emitidas, conta feita com base nos quilômetros que deixaram de ser rodados por automóveis.

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Por Dimalice Nunes em Carta Capital.

A fabricante de automóveis japonesa Nissan anunciou nesta quarta-feira, 3, que está trabalhando em um novo carro que poderá se conectar com o cérebro do condutor. A tecnologia, chamada de “brain-to-vehicle” (cérebro para o veículo, ou B2V na sigla em inglês), permite é que o carro receba os sinais cerebrais do motorista e antecipe suas reações antes mesmo de ele tomar uma ação ao conduzir o veículo.

A interface neural, que melhora o tempo de resposta e também controla a cabine do carro com base nos sinais captados do cérebro, será uma das atrações que a empresa irá levar em um simulador para a feira de tecnologia Consumer Electronics Show, que acontece na próxima semana, em Las Vegas, nos Estados Unidos. Na prática, o condutor usa uma touca com sensores que captam a atividade cerebral enquanto ele está dirigindo.

A montadora apresentou uma prévia da tecnologia B2V antes da feira, na qual demonstrou que ela pode melhorar o tempo de resposta de 0,2 até 0,5 segundos. Apesar de o tempo parecer insignificante, ele pode fazer uma grande diferença na estrada, onde um segundo a mais na hora de tomar uma decisão pode resultar em acidentes graves.

A tecnologia permite que o carro receba os sinais cerebrais do motorista e antecipe suas reações. Foto: Nissan / Divulgação.

A interface neural, melhora o tempo de resposta e também controla a cabine do carro com base nos sinais captados do cérebro. Foto: Nissan / Divulgação.

A montadora demonstrou que a tecnologia pode melhorar o tempo de resposta de 0,2 até 0,5 segundos. Foto: Nissan / Divulgação.

A montadora japonesa diz que também quer usar a tecnologia para melhorar aspectos não diretamente relacionados à direção, como detectar aspectos do carro ou do trajeto que causam desconforto nos motoristas. Além disso, recursos de realidade aumentada poderão ser utilizados pela montadora no futuro para alterar trechos da estrada ou bloquear elementos que atrapalham a visão dos condutores. 

Se a Nissan de fato conseguir antecipar ações como frear, acelerar e fazer curvas, ela pode avançar muito no desenvolvimento de sistemas avançados de assistência ao condutor. Com a tecnologia e os dados coletados, a empresa pode também ajudar a migrar de forma mais segura a direção semi-automática para a de veículos completamente autônomos.

Assista o vídeo “Introducing Nissan's Brain-to-Vehicle Technology at CES 2018“ e saiba mais!

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Da Redação do Link em O Estado de S.Paulo.

Uma das primeiras ações do tipo começou em agosto de 2015 em São Paulo. A então cineasta Ana Luísa Correard, de 29 anos, decidiu oferecer bicos de serviços de manutenção após desconforto com um funcionário que fez reparos na sua casa. "Estava sozinha e ele perguntava onde estavam meus amigos, que horas voltariam. Fui reclamar no Facebook e várias amigas falaram que passavam pelo mesmo problema."

Para ajudar as amigas, ela se ofereceu para fazer serviços. O bico durou dois dias. E a publicação sobre o assunto repercutiu na internet, alcançando mil compartilhamentos. Em 15 dias, ela largou o emprego. Criou a empresa Mana Manutenção e já acumulou 2,5 mil clientes, com uma equipe de oito mulheres.

A habilidade com serviços de manutenção Ana Luísa aprendeu com o avô. Hoje suas clientes são mulheres jovens "que querem incentivar outras mulheres a trabalharem em qualquer área que seja", segundo ela. "Essas mulheres têm filho novo, moram sozinhas e, normalmente, optam por uma prestadora de serviço mulher pela segurança que isso traz."

Com o crescimento da empresa, Ana Luísa e a sócia começaram a compartilhar na internet vídeos e cursos básicos de elétrica, hidráulica, pintura e manutenção. Em janeiro, vão lançar um aplicativo.

A celebrante de casamentos Bárbara Nascimento, de 32 anos, já contratou um serviço semelhante: o Manas à Obra, também de São Paulo. "Quando descobri que tinham mulheres fazendo, fui atrás", conta ela, cujo marido viaja muito. "Não confio em ficar sozinha com outros homens em casa."

A coach Patrícia Andrade, de 53 anos, pensou na família ao pedir o socorro feminino. "São pessoas com quem íamos conviver o tempo todo por 50 dias. Precisa ser um serviço com carinho, paciente", diz ela, que mora com o filho de 17 anos. Após a reforma da fiação elétrica, ficou impressionada com a "limpeza" da equipe comparada a outras experiências do tipo.

Já há serviços do tipo em pelo menos nove capitais: São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Recife e Belém.Foto: Estadão. PublicidadSegundo a dona do Manas à Obra, Priscila Vaiciunas, a clientela não é só feminina. "Quando é um homem que me procura e não conheço, tenho de ‘stalkear’ (pesquisar sobre ele na internet) o cara para ver se não tem nenhum tipo de problema", explica ela, de 32 anos.

A demanda masculina, diz, geralmente é de quem estuda muito e não domina pequenos reparos. "Tem também os casados que ficam com receio de por homem estranho porque têm mulher ou filho em casa."

Brasil afora

Em Salvador, a museóloga May Barros se inspirou no modelo já iniciado em São Paulo para criar a empresa Entre Minas. Os serviços mais pedidos são instalar prateleira, consertar descarga, trocar torneira e resistência de chuveiro. Em dois anos, ela atendeu mais de 500 pessoas e hoje trabalha com outras duas moças - em 2018 a equipe deve crescer.

No Rio de Janeiro, o público da empresa Ela Repara é, na maioria, de mulheres que moram sozinhas. A proprietária e mecânica Isis Pioneli, de 27 anos, conta que grande parte tem renda mais alta e vive com certa independência. A iniciativa foi criada há pouco mais de um ano, após uma experiência ruim de Ísis no emprego. "Tive de ouvir: ‘você não vai dar conta do trabalho igual aos outros homens dão.’"

Hoje, ela acredita que mesmo as mulheres ainda veem esse tipo de empresa com certa desconfiança. "Ainda acham que não vamos conseguir ou que não sabemos fazer", afirma Isis, cuja irmã é formada em Eletrotécnica e a mãe, em Edificações. 

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Por Juliana Diógenes em O Estado de S. Paulo.

Nos últimos anos, o avanço tecnológico inspirou a retomada da cultura do “Faça você mesmo”, e muitos espaços dedicados a ensinar as pessoas a fabricarem os seus próprios produtos começaram a proliferar na capital paulista. Em São Paulo, existem aproximadamente 25 espaços que oferecem aos chamados “makers” (nome dado às pessoas comuns que gostam de criar os seus próprios produtos) cursos ou ferramentas que auxiliam na produção própria de acessórios, roupas e objetos para decoração.

O “Faça você mesmo” tem origem no conceito americano do DIY – “Do It Yourself” -, muito associado ao movimento punk, nos anos 70, e ao cenário da música alternativa e à produção mediática independente, tais como os fanzines e as rádios piratas, por exemplo.  O fato é que este comportamento tomou força no mundo inteiro e, no Brasil, vem crescendo desde meados dos anos 2000. 

Com tantas possibilidades de interação entre os inventores, e o crescimento de uma cultura que tem na democratização a palavra-chave para a criação de diversos produtos, as empresas estão transformando as suas organizações, realizando cada vez mais inovações que possam ser abertas, democráticas e compartilhadas. Grandes montadoras, como a Renault, por exemplo, têm recorrido às tecnologias abertas para o desenvolvimento de protótipos. E outras empresas de segmentos diversos também têm investido nessa mudança de cultura organizacional.

Imagem / Reprodução.Conceitos inovadores estão associados ao sucesso de empresas globais segundo pesquisa da Revista Forbes. O que faz a diferença para os inovadores de sucesso? Para começar, de acordo com a pesquisa, todos compartilham o que podemos descrever como um conjunto básico de capacidades de inovação, os chamados "table-stakes":

- Na fase de idealização, elas tem uma capacidade de obter informações sobre as necessidades dos clientes e uma compreensão da relevância potencial das tecnologias emergentes.

- Na fase de desenvolvimento do produto, uma capacidade de se envolver ativamente com os clientes para comprovar a validade dos conceitos e avaliar o potencial e os riscos do mercado e a capacidade de alavancar as plataformas de produtos existentes em novos produtos.

- Na fase de comercialização, a capacidade de trabalhar com usuários-piloto para implementar produtos com cuidado, mas rapidamente, e para coordenar toda a organização para um lançamento efetivo.

Uma das empresas que há algum tempo já trabalha e estimula a prática do conceito do “Faça você mesmo” é a Leroy Merlin. O site da rede, por exemplo, disponibiliza um canal no qual apresenta vídeos com dicas atualizadas para quem tem o desejo de criar e inovar, por conta própria, em sua casa. 

Recentemente, a empresa inaugurou a loja da Marginal Tietê, unidade que foi ampliada para proporcionar mais inovação e facilidade aos consumidores Imagem Instagram / Zodio.paulistas. De olho no movimento “maker”, e com a proposta de compartilhar ideias e inovações com os seus clientes, a nova unidade chega ao mercado com a Loja Zôdio, uma das bandeiras do Grupo Adeo, controlador da Leroy Merlin, cuja logomarca enfatiza a frase: “Ouse ser Você”. 

A proposta é a autenticidade, e que pretende oferecer ao consumidor tudo o que ele precisa para criar o seu próprio lar. Na Leroy Merlin, a Loja Zôdio inspira a “vivência de paixões”. Isso significa que será possível caminhar por dentro de uma casa montada, fazer aulas de crochê ou tricô, ou participar de um ateliê culinário, colocar a mão na massa e depois sentar-se a mesa de jantar para experimentar a comida. 

Neste ano, a Leroy Merlin também lançou um canal do YouTube chamado "Casa de Verdade", que tem como principal objetivo gerar um conteúdo prático e didático para quem quer mexer na casa com as próprias mãos.

Escapar do stress das grandes cidades, da vida moderna, e colocar a mão na massa para a criação de produtos inovadores. Os consumidores de hoje estão em busca de originalidade e as empresas que modificarem a sua cultura organizacional para investirem no segmento “maker” terão processos cada vez mais rentáveis, ágeis, criativos e apaixonantes. 

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Por Juliana Welling da Redação.

 


Este conteúdo é um oferecimento Leroy Merlin.