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São Paulo São Negócios

Um espaço para pequenos empreendedores ou trabalhadores autônomos que buscam a estrutura de um escritório bem equipado ao mesmo tempo em que reduzem seus custos estruturais. Esta seria uma boa definição para explicar o conceito de coworking até um ano e pouco atrás. Não mais. Hoje, nesses espaços é cada vez mais comum a presença de equipes de grandes empresas trabalhando em conjunto com pequenos times de startups.

A explicação dessa mudança passa pela necessidade de as empresas estarem mais perto das startups, atualmente uma importante fonte de inovação para o mercado. E também por ela incentivar dinâmicas mais criativas em departamentos corporativos não tão habituados a este tipo de abordagem em seus processos, geralmente os mais tradicionais. Nos coworkings, o fracasso de uma ideia é bem aceito, até cultuado, como acontece no Vale do Silício. Com isso, a aposta de uma empresa em um possível bom negócio ainda em estágio inicial, ou o desenvolvimento de um serviço/solução que ela acredita não ter o tamanho necessário para incorporar à sua estrutura, tornam-se mais leves para os gestores da empresa. Resumindo, a experimentação é bem-vinda.

Há ainda uma questão geracional. Em um mundo em que a eficácia do ambiente de trabalho é bastante questionada, os coworkings surgem como alternativa. Em geral, quem trabalha neles exalta a diversidade do ambiente, com pessoas de diferentes áreas e empresas dividindo o mesmo espaço. Não é à toa, nos coworkings tudo é pensado para proporcionar o compartilhamento de ideias e relacionamento das empresas. Muito negócio é feito nos corredores, muita troca de cartões. Regras de compartilhamento, que valem para as salas de reunião e também para o café e mesas de refeição divididos entre todos, também corroboram para um comportamento mais solidário entre as pessoas.

Muitas empresas no Brasil já entenderam o recado. Listo algumas só para dimensionar o tema: Visa, EDP Brasil, Bradesco, Itaú, Telefônica, Porto Seguro…

O CUBO, espaço de coworking do Itaú e do fundo de venture capital Redpoint. Foto: Alexandre Albieri.

Na outra ponta, a movimentação na estruturação de novos coworkings é intensa. Sobretudo em São Paulo, o grande centro corporativo da América Latina, e que naturalmente concentra a maior parte dos espaços em funcionamento no país. Em março deste ano, a startup de coworking We Work, fundada em 2010 nos Estados Unidos e hoje avaliada em US$ 20 bilhões, anunciou o início de suas operações no Brasil. Já conta com quatro unidades em São Paulo e três no Rio de Janeiro. O CUBO, espaço de coworking do Itaú e do fundo de venture capital Redpoint eventures na capital paulista, anunciou em agosto seu plano de expansão. Vai quadruplicar sua capacidade, mudando-se para um prédio de 12 andares e com espaço para abrigar até 210 equipes de trabalho. Seu principal concorrente, o Bradesco, vai na mesma linha, com a inauguração do Habitat. Um espaço com 22 mil metros quadrados que se propõe a fomentar a co-inovação. O Plug, também de São Paulo, já abriu uma unidade em Boston, nos Estados Unidos, em busca de empresas e pequenos empreendedores interessados em negócios no Brasil.

O Plug, também de São Paulo, já abriu uma unidade em Boston, nos Estados Unidos. Foto: Bianca Bellucci.

Para quem tem mais de 40 anos, o conceito do coworking nem sempre é tão claro. Mas imagine para um millenial que tem, naturalmente, uma concepção mais alternativa ao modelo de trabalho e que já nasceu com uma autonomia tecnológica maior que as demais gerações. Para ele, o escritório tradicional não faz diferença, o drive de resultados que ele busca independe da mesa envidraçada do chefe. E as empresas que não entenderem isso vão sofrer. Pois, no fim, elas precisam estar com seus times e produtos atualizados para este perfil de cliente.

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Vitor Perez, sócio da Kyvo consultoria de inovação. *Artigo publicado originalmente no StartSe.

Na manhã desta segunda-feira (11/12), a empresa de Mark Zuckerberg inaugurou em São Paulo o seu primeiro centro para inovação do mundo, batizado de Estação Hack. Sim, é um daqueles ambientes descolados que são a marca do Vale do Silício: luzes de neon azul, sofás confortáveis e um teto com toque de arquitetura industrial. Mas aqui, o objetivo maior é o impacto social positivo. Localizado na Avenida Paulista, em uma área exclusiva dentro do WeWork, o espaço contará com cursos gratuitos de programação, além de uma aceleradora para startups nacionais. 

A iniciativa atuará em três frentes: os cursos de programação, cursos para empreendedores e a aceleração de startups. Ao todo, serão 7.400 bolsas para jovens brasileiros. Desse número, 3.000 são voltadas específicamente para pequenos empreendedores. "Numa economia cada vez mais digital, ter acesso às ferramentas digitais pode ser decisivo para essas empresas", disse Diego Dzodan, vice-presidente do Facebook para América Latina, durante a inauguração.

Já para a primeira etapa de aceleração de startups, foram selecionadas 10 empresas de impacto social, a partir de mais de 760 inscritas. A intenção é apoiar iniciativas que aliem tecnologia e uso de dados para o desenvolvimento de comunidades. Elas são divididas em cinco áreas: empregabilidade, serviços financeiros, educação, microempreendedorismo e engajamento cívico (conheça cada uma delas abaixo).

"O nosso objetivo aqui na Estação Hack é ajudar na preparação de milhares de jovens para as profissões do futuro", afirmou Dzodan. "Queremos retribuir o Brasil, que abraçou o Facebook. Essa iniciativa é nossa maneira de apoiar o ambiente de inovação."

Aline Cardoso, secretária municipal de Trabalho e Empreendedorismo, parabenizou a empresa e agradeceu a escolha de São Paulo, frisando a "riqueza do ecossistema" da cidade. Ela destacou a importância da Estação Hack em dar oportunidades para jovens em regiões periféricas da cidade. "Talento não tem classe social e não tem bairro de preferência — esses talentos não podem se perder", afirmou.

A COO do FacebookSheryl Sandberg, também falou sobre a inauguração da Estação Hack em seu perfil na rede.

"Pessoas de todos os lugares merecem a chance de aprender sobre o mundo digital e ter melhores empregos, por isso iniciamos programas de treinamento ao redor do mundo, da Índia aos EUA. Aos nossos parceiros e à população de São Paulo, que nos ajudaram a inaugurar a Estação Hack: muito obrigada! Estamos gratos por todo suporte da comunidade e ansiosos para ver todas as coisas maravilhosas que vocês farão"

O projeto foi anunciado em agosto. Tal movimento de abertura de espaços voltados à inovação por grandes empresas tem crescido em São Paulo. O centro empreendedorismo e tecnologia Cubo, do Itaú Unibanco, completou dois anos em 2017 e anunciou sua mudança para uma sede que poderá abrigar até 210 startups e 1.200 residentes. O Bradesco, por sua vez, também prepara seu próprio espaço de coworking: o Habitat, no bairro da Bela Vista.

Conheça as 10 primeiras startups a serem aceleradas na Estação Hack:

1. Banco Maré: oferece serviços bancários para regiões de difícil acesso.

2. Diaspora.Black: plataforma de hospedagem focada em viajantes e anfitriões interessados em promover a cultura negra.

3. Kunla: plataforma permite que mãos trabalhem de forma autônoma como retrutadoras para empresas.

4. Muove: identifica ineficiências em finanças municipais e indica ações de melhoria a gestores públicos.

5. Pluvi.On: alerta populações sobre evento climáticos extremos, como enchentes e deslizamentos.

6. Redação Online: solução que viabiliza correções de redações preparatórias para o vestibular.

7. Simbiose Social: otimiza a gestão de recursos das Leis de Incentivo e permite buscar projetos.

8. SmartSíndico: app ajuda síndicos e moradores de condomínios a fazer administração do local.

9. TAQE: jogo prepara profissionais para o mercado de trabalho de forma lúdica.

10. Youtrendz: marketplace para exposição de produtos de pequenos empreendedores gratuitamente.

Para mais informações sobre o Estação Hack, acesse a página oficial do espaço no Facebook.

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Da Redação com informações de Edson Caldas da Época Negócios. *Todas as fotos, Estação Hack no Facebook.

A produção em série dos chamados veículos autônomos, que não precisam de motoristas, deve começar em 2021, e com ela a revolução econômica e urbana que vai transformar a vida nas cidades e em seus arredores.

Start-ups, multinacionais e gigantes da web como Google multiplicam as parcerias neste mercado automobilístico do futuro. A Alphabet, grupo de empresas que detém o Google, lançou em 2016 a companhia Waymo, especializada no desenvolvimento de equipamentos para veículos autônomos.

Os carros conectados são equipados com sensores e programas desenvolvidos para detectar pedestres, veículos e qualquer tipo de movimentação na área de circulação a uma distância que equivale à área de quase dois campos de futebol. Os algoritmos que formam esse programa antecipam comportamentos que possam causar acidentes, como um ciclista que atravessa na frente do carro, que para, freia ou diminui a velocidade diante do risco.

Primeiros testes em ruas públicas

O projeto que teve início em 2009, passou por diversas etapas, e neste ano os veículos autônomos começaram os testes em ruas e estradas públicas. Esta nova tecnologia, desenvolvida por diferentes empresas e em diferentes níveis, terá um impacto em diversos setores públicos e privados. A começar pela indústria automobilística, cujos investimentos serão dirigidos principalmente aos softwares utilizados nos carros.

As transportadoras também serão diretamente afetadas. Especialistas preveem rapidamente o aparecimento de caminhões sem motorista, o que representa uma economia de centenas de bilhões de dólares anuais para as companhias.

Waymo revelou a minivan Pacifica totalmente autônoma da Chrysler Hybrid. Foto: Waymo.Adaptação das infraestruturas, fim do pedágio e das auto-escolas são apenas alguns dos exemplos do que essa revolução vai provocar. Além disso, cerca de 90% dos acidentes também são causados por erros humanos. Com a popularização dos softwares dos carros e a queda dos preços, a tendência é que as seguradoras desapareçam.

Hoje alguns carros já oferecem ao motorista funcionalidades até bem pouco tempo inimagináveis. Uma delas é a manobra para estacionar o carro, que já pode ser realizada de maneira autônoma por alguns veículos, como explica Guillaume Devauchelle, diretor de pesquisa e inovação da empresa automotiva francesa Valeo, em entrevista à RFI.

“O veículo autônomo já está praticamente entre nós. As próximas funções que vão chegar ao mercado, em 2020, são a direção autônoma nos engarrafamentos, por exemplo, onde não há farol, pedestres ou ciclistas. E também nas estradas, a 130 km por hora. Paradoxalmente é mais viável, porque a estrada é perfeitamente sinalizada.”

Paris testa mini-vans sem motorista

Dois veículos autônomos totalmente elétricos ficarão em serviço por seis meses no Bois de Vincennes em Paris, França. Foto: Jean-François Mauboussin / RATPA companhia pública de transportes parisiense, a RATP, já realizou vários testes com veículos sem motorista. O último aconteceu em novembro, entre duas estações situadas no Bois de Vincennes, parque situado na entrada ao leste de Paris, e durou um fim de semana.

Produzidas pelo construtor francês Easymile, as mini-vans EZ10 são totalmente elétricas e têm seis assentos. Matthieu Dunand, diretor de inovação da empresa, explica que esse tipo de veículo é destinado principalmente aos trajetos mais curtos. “Pode ser usado para acompanhar o passageiro até o destino final, quando, por exemplo, eles pegaram o metrô ou o RER, e graças às vans poderemos conduzi-los até ou trabalho ou até mesmo em casa”, diz.

“Também poderá ser usado em locais fechados, como campus universitários ou conglomerados de empresas e ser adotado em áreas menos populosas, que podem se adaptar facilmente aos serviços de vans.” O executivo afirma, entretanto, que a ideia não é substituir a longo prazo os meios de transporte clássicos, como metrô, ônibus ou trem. Pelo menos por enquanto.

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Por Taíssa Stivanin na Radio France Internationale.

Um espaço na Vila Madalena, coração boêmio de São Paulo, chama atenção de quem passa. Tamanho movimento por ali tem uma explicação: o espaço vende alimentos orgânicos pelo preço que foi adquirido do produtor ou da distribuidora.

Você já pensou em pagar R$ 1,30 no expresso? E R$ 0,50 num cafezinho coado? Esses são preços cobrados no Instituto Chão (Rua Harmonia, 123, Pinheiros). O valor inclui apenas o custo para eles. Para que a ideia continue em prática, porém, os clientes são convidados a pagar R$ 0,33 a cada R$ 1,00 do valor […] Segundo os sócios, a ideia não é gerar lucro e sim tornar os orgânicos mais acessíveis à população.

Feira completa no Instituto Chão: o ativismo passa por carregar caixas todos os dias. Foto: Breno Castro Alves

As frutas e verduras orgânicas expostas na entrada do local também funcionam com o mesmo esquema. Há opções como berinjela, abobrinha, melancia, mexerica e melão. Quem quiser contribuir mensalmente com o Chão, pode pagar R$ 60,00 ao invés de acrescentar os R$ 0,33 a cada compra.

Cinco dos sete associados do Instituto Chão em 2015: Luiz Fernando Schreiner, Thiago Gardia, Carol Morelli, Vitor Mortara e Vladimir Paternostro. Foto: Breno Castro Alves.

A iniciativa surgiu com os amigos de infância Thiago Guardia e Fabio Mendes e logo ganhou o apoio de mais de cinco sócios. Segundo eles, a lógica de negócios do Chão é ao contrário. Quanto mais gente estiver comprando, mais barato vai ficar, porque a logística fica mais fácil para os produtores.

Chegaram a pensar numa empresa de gestão de resíduos, reciclagem, depois surgiu a ideia de lidar com plantas ornamentais, que todos gostaram. Porém, ao pesquisarem melhor o cenário, entenderam que a demanda maior mesmo é por alimentação.

 parte interna acomoda os produtos artesanais, um balcão e o caixa. No corredor externo, vendem-se espécies ornamentais e cerâmicas de Cunha, SP. Foto: Gabriel Chiarastelli.

Encontraram um setor onde os pequenos produtores são historicamente mal remunerados. Os grandes varejistas trabalham com padronização de formato e cor dos vegetais, qualquer variação vira descarte. Também pagam pouco e geralmente em consignação, o que sobra é responsabilidade do agricultor buscar e dar conta das perdas.

Horta no sítio do Toninho. Foto Reprodução / Instituto Chão.Os gastos do Chão ficam expostos em um quadro negro pendurado acima do caixa. Ali, estão discriminados o preço gasto com frete, salários e taxas de cartão. A fonte de renda do instituto são os próprios frequentadores do local, que podem contribuir com o necessário para cobrir os custos operacionais ou com quanto puderem para a manutenção do projeto.

O Instituto Chão pratica a transparência para conscientizar o público sobre a proposta do espaço. Foto: Divulgação.

Na loja da Vila Madalena, é possível encontrar uma variedade de hortifrútis, chocolates, óleos, bebidas, queijos e patês, tudo mais em conta.

Serviço

Instituto Chão
Rua Harmonia, 123 - Vila Madalena - São Paulo/SP
De segunda a sexta das 8h às 13h30.
Sábado das 8h às 15h.
Site passa por manutenção.
Siga a página do Facebook.

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Da Redação.

Você pode ter milhares de reais guardados em sua garagem sem saber. Mas, ainda que saiba, esse dinheiro todo nunca mais estará em suas mãos. Ao menos não 100% dele.

O site 'Meu carro é um monstro' calcula o quanto um carro custa - e já custou - por mês, por semana e por ano. Colocando o modelo, o ano de fabricação e o ano de compra, é possível simular o quanto já se perdeu de dinheiro e até mesmo a quantidade de poluentes que foi jogada no meio ambiente pelo veículo.

Supondo que um Gol, da Volkswagen, modelo 1.6, fabricado e comprado em 2013 por R$ 27.543,00 reais (a plataforma já diz o valor do veículo na época da compra. Só é preciso preencher os campos do modelo, ano de fabricação e ano de compra).

Hoje, dois anos depois, os gastos com o veículo no total já teriam alcançado R$ 85.138,20. Ou R$ R$ 1.807,41 por mês. O cálculo é feito baseado em gastos como combustível, impostos, seguro, manutenção e estacionamento.

Considerando-se que a renda média mensal do brasileiro foi de R$ 2.033 reais no ano passado, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), um carro popular ainda representa um custo bastante elevado para o bolso do brasileiro.

Além dos custos em reais, o site informa a quantidade de poluentes que já foi jogada na atmosfera pelo veículo, de acordo com a quilometragem e a periodicidade da manutenção e troca de óleo. No caso desse exemplo, em dois anos, 10,8 toneladas de CO2 já foram jogadas na atmosfera. "Plante 65 árvores que fica tudo certo", sugere o serviço.

O site

Automóveis emitem gás carbônico e são grandes poluentes. Imagem: Getty Images.

Criado pelo empreendedor e engenheiro eletrônico Israel Lot, a plataforma, surgiu após a percepção dele, de que as pessoas têm dificuldade me saber, de fato, o quanto custa para ter um carro. "Por estar envolvido no mercado de veículos, percebi que as pessoas muitas vezes não sabem o quanto custa o carro delas", diz Lot. "E, em muitos casos, elas não sabem também como calcular isso". Junto com outros dois sócios, Lot tem uma rede de compartilhamento de veículos em Curitiba (PR), o Fleety.

Bem humorado, o site é simples e fácil de navegar. No final das contas, é apresentado o nome do 'monstro' que leva o veículo. No caso do Gol, a criatura foi batizada de 'Volkisvagum Golium'. "O estilo de vida nosso consumista não é sustentável e tem muita gente repensando essa forma de consumo nossa", diz Lot. "O carro é o segundo bem mais valioso depois da casa, mas diferente da casa, ele não é um ativo, é um passivo. O dinheiro empregado do carro vai se perder ao longo do tempo".

Israel Lot diz que a reação das pessoas é bastante positiva. "Ontem mesmo alguém me disse que poderia ter 300.000 reais guardados se não tivesse aquele carro", conta. É um número que assusta".

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Marina Rossi no Cidades Inteligentes do El País.

Infelizmente, o racismo ainda se manifesta de várias maneiras na sociedade. Mesmo depois de tantos anos, pessoas negras ainda precisam lutar por mais espaço e igualdade. Foi por isso que a bibliotecária Ketty Valencio, de 34 anos, criou a Livraria Africanidades, especializada somente em literatura de autoras negras.

A ideia de Ketty é dar visibilidade para obras alternativas da literatura negra, especialmente as que ainda não são tão reconhecidas. Entre as estantes da livraria estão: feminismo, ficção, não ficção, poesia, religião, nacionais e ciências sociais. Tudo focado na cultura negra. Além disso, Ketty também percorre eventos e festivais literários.

A livraria começou na forma digital, mas agora também ganha espaço em uma loja física. O novo espaço – inédito até então no país – conta com um acervo de 200 títulos diferentes e a decoração traz trabalhos das grafiteiras Gabi Bruce, Nene Surreal e Linoca, que seguiram a temática de livraria.

“Nossa intenção é a celebração, já que criar um espaço de acolhimento e fortalecimento é uma forma de resistir. A maioria dos espaços que sempre estamos é de dominação masculina, de controle e queremos o oposto, ou seja, o espaço trará segurança para que possamos realizar atividades juntas, favorecendo a autonomia e o protagonismo”, destaca Ketty.

Formada em biblioteconomia, Ketty é também pesquisadora, pós-graduada em gênero e diversidade sexual na Unifesp e MBA-Bens Culturais: Cultura, Gestão e Economia na FGV faz curso de especialistas de Cultura, educação e relações étnico-raciais na USP e após sete anos trabalhando em bibliotecas, investiu no próprio negócio e conta com um viés inédito: o protagonismo das mulheres negras na literatura mundial.

Um breve passeio pelo site e é possível encontrar livros de autoras como Alice Walker, Angela Davis, Jarid Arraes, Maria Firmino, Noémia de Sousa, entre outras.

De acordo com ela, a inauguração da livraria em um espaço físico é também uma forma de fazer política. “É algo inconsciente e pensando na minha trajetória de vida, lembro que eu só queria vender uns livros escritor por autores e autoras negras. Parece simples e ao mesmo tempo é algo que as pessoas acham revolucionário. Estou reivindicando a minha representatividade e isso parece ser uma coisa tão transgressora, ainda que não devesse ser”, enfatizou.

Além da livraria física, Ketty possui também um site, com o acervo da livraria, que permite a compra virtual e também o pagamento parcelado e traz títulos que dificilmente são encontrados nos grandes magazines ou livrarias online, fazendo, mais uma vez um recorte que preza pela inclusão de autores independentes, pouco conhecidos e/ou acessados.

A livraria possui estantes como feminismo, ficção, não ficção, poesia, religião, nacionais, ciências sociais, entre outras, mas tudo voltado à cultura negra. Além do site, Ketty também percorre eventos e festivais literários, evidenciando o formato que se propõe a ser acessível e viável.

“Algo que eu acredito é que quando uma mulher avança, todas avançam. Não adianta eu avançar sozinha e não trazer comigo outras mulheres, até porque, dentro de mim habitam várias mulheres, algumas que fazem parte da minha família, do meu sangue e outras que passaram por mim, algumas que eu não conheci, mas que estão comigo e para onde eu for, vou levá-las. Quero escrever uma nova história, as próximas gerações que virão e as que estão aqui tem que ser diferente, tem que ter condições de vida plena e se eu e outras mulheres conseguirmos ajudar, meu sonho vai ser desenvolvido. Espero que consigamos”, pontua.

Sobre a empreendedora

Ketty Valencio, de 34 anos, criou a Livraria Africanidades, especializada em literatura de autoras negras. Foto: Lucas Hirai / Instagram.Ketty Valêncio é de família negra, vive na zona Norte de São Paulo, é formada em biblioteconomia, pós-graduada, foi membro do Coletivo de Mulheres Matilde Magrassi de Guarulhos, realiza um cineclube feminista e uma roda de conversa também em Guarulhos. Em 2014, foi uma das editoras da revista Mulheres de Palavra, com a participação de várias protagonistas do movimento hip-hop.

Serviço

Livraria Africanidades
Endereço: Rua Aimberê, 1.158, Perdizes – São Paulo, SP
Informações: http://www.livrariafricanidades.com.br/ 
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Por Jéssica Balbino do Margens.