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Os icônicos ônibus de dois andares que circulam por Londres em breve moverão à base de borra de café. O projeto demonstrativo do biodiesel está sendo elaborado pela startup britânica de energia limpa Bio-bean, em conjunto com a Shell. As informações foram divulgadas pelo Bloomberg Technology.

As empresas produzirão seis mil litros do novo combustível por ano. "A borra do café possui um alto teor de óleo: 20%. Então, realmente é uma coisa excelente para se produzir biodiesel", afirmou o fundador da Bio-bean, Arthur Kay, em entrevista ao portal americano.

Há muita pressão pública no uso de alimentos para a produção de combustíveis, como os casos do milho e da cana de açúcar nos Estados Unidos e na América do Sul. Então, as empresas estão focando no uso de resíduos para fazer uso na produção. Além da borra do café, óleo de cozinha usado e plantas não comestíveis estão sendo estudados e usados como alternativas.

A startup já possui parceria com produtoras de café britânicas, como a Costa Coffee e a Caffe Nero, para reutilização das borras. De acordo com Kay, são 500 mil toneladas de borras descartadas anualmente no Reino Unido. O resíduo será convertido em biodiesel na fábrica da empresa em Cambridgeshire e misturado com diesel comum. Em seguida, será enviado para um tanque central onde os ônibus de Londres reabastecerão.

O resíduo será convertido em biodiesel e misturado com diesel comum. Foto: Bio-bean  / Divulgação.O resíduo será convertido em biodiesel e misturado com diesel comum. Foto: Bio-bean / Divulgação.

Arthur Kay fundador da empresa Bio-bean em Londres. Foto Shell / Divulgação.Arthur Kay fundador da empresa Bio-bean em Londres. Foto Shell / Divulgação.

A Bio-bean tem planos de expansão para Europa, Estados Unidos, e até mesmo o Brasil. No entanto, precisaria do apoio de empresas locais em todos lugares. A startup foi fundada em 2013 e recebeu financiamento do governo britânico, Shell e investidores privados.

"Estamos basicamente procurando lugares onde bebem uma grande quantidade de café", disse o fundador. "Nossos planos de expansão primários são baseados em torno de onde existem fábricas de café."

Assista: como o café e uma idéia brilhante estão ajudando os ônibus a ter energia!

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Fonte: Bloomberg Technology. Original (Inglês): https://bloom.bg/2hNxCUO

O BMW Group acaba de divulgar seu projeto “BMW Vision E³ Way”. Trata-se de um conceito de “mobilidade visionária”, segundo a empresa, concebida não somente para enfrentar especificamente os desafios vivenciados pelas megacidades – como congestionamentos de veículos e poluição do ar -, mas como também fornecer soluções simples e eficazes.

O modelo é composto por uma estrada elevada para veículos de duas rodas movidos à eletricidade, como as e-bikes, e alguns modelos lançados pelo grupo (BMW Motorrad Concept Link e o recém-lançado BMW Motorrad X2 City). Estas “estradas elevadas” ligariam grandes centros urbanos.

O modelo foi desenvolvido pelo Escritório de Tecnologia do BMW Group em Xangai, na China, e prevê a utilização de vias suspensas sobre rodovias já existentes, proporcionando capacidade adicional de tráfego.

Denominado “BMW Vision E³ Way” – o E³ significa ‘elevado’, ‘elétrico’ e ‘eficiente’ –, o projeto teria “custo de construção reduzido e oferece uma alternativa ideal para usuários que se deslocam em trajetos de até 15 quilômetros de distância”, garante o grupo BMW.

O projeto utiliza um sistema de rampas que ligam a malha rodoviária convencional a estações de metrô, acessos de trânsito e centros comerciais.

Imagem: BMW Press / BMW Group.Imagem: BMW Press / BMW Group.

Ele só pode ser utilizado por veículos de duas rodas, que funcionam eletricamente, ligando os principais centros de tráfego em aglomerações urbanas. Isso aponta para a inexistência de colisões envolvendo automóveis. Na verdade o risco de acidentes é atenuado ainda por conta do limite de velocidade, definido a priori em 25 km/h.

O “BMW Vision E³ Way” é explicitamente concebido apenas para conceitos de mobilidade única e à base de eletricidade, frisa o grupo.

Para o Dr. Markus Seidel, Diretor da BMW Group Technology da China, a “BMW Vision E³ Way” abre uma nova dimensão da mobilidade em aglomerações superlotadas – eficiente, conveniente e segura.

Imagem: BMW Press / BMW Group.Imagem: BMW Press / BMW Group.

“Isso funciona simplesmente criando espaço para o tráfego de duas rodas com emissões zero. Na China, mais de um bilhão de pessoas viverão nas cidades até 2050. O país se tornará a incubadora global de inúmeras inovações de mobilidade, como a BMW Vision E 3 Way,” acrescenta Seidel . Afinal, ele garante, “em nenhum outro lugar existe uma necessidade urgente de ação”.

O projeto “BMW Vision E³ Way” foi elaborado em colaboração com a Universidade de Tongji, em Xangai. Dirigido pelos Professores Jun Ma, vários departamentos da Universidade, como “Escola de Estudos Automotivos”, bem como a “Faculdade de Design e Inovação”, estiveram envolvidos no projeto.

Imagem: BMW Press / BMW Group.Imagem: BMW Press / BMW Group.Conveniencia e segurança 

Segundo o grupo BMW, o projeto não é apenas rápido e seguro de usar, ele também é conveniente.

“Aqueles que ainda não possuem um veículo aprovado para o BMW Vision E³Way ainda podem usar a instalação de forma espontânea por meio de um esquema de compartilhamento que fornece veículos de aluguel em cada ponto de acesso. A estrada elevada é amplamente coberta, garantindo proteção contra chuva e calor, bem como ventilação suficiente. Um sistema de resfriamento com água de chuva purificada cria temperaturas agradáveis: isso também pode ser usado para limpar a superfície da estrada à noite”, afirma o texto de divulgação do projeto futurista.

Os sistemas de rampas e escora são usados para conectar a via elevada (E³ Way) à rede rodoviária regular, às estações de metro, e a outros hubs de tráfego e até a shopping centers. Ao mudar a mobilidade de faixa única para o seu próprio nível espacial, a via elevada faz comutação diária não apenas mais rapidamente, como também de forma mais segura. A segurança está garantida pelo fato da via ser usada exclusivamente por veículos com duas rodas elétricas, o que impede as colisões entre os carros. “Além disso, existe um sistema elaborado de pistas que separa o tráfego de filtragem do tráfego flutuante: até que a velocidade de viagem tenha sido alcançada, os dois se fundem”, explica o texto do grupo BMW.

Com informações do BMW Blog (inglês) e Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte no blog Diário do Transporte.

Se você está procurando a melhor cidade do mundo para viver, você terá novos argumentos em mãos. A EasyPark, startup europeia tem uma contribuição bem fundamentada e lançou um novo ranking das cidades "mais inteligentes" do mundo.

Segundo o relatório, estar preparada para futuro significa ser uma "cidade inteligente", o que atualmente é uma tendência. "Com o desenvolvimento da tecnologia, a sociedade está se transformando e cada vez mais se desenvolvem estudos para coletar dados tráfego urbano, níveis de poluição e o uso de energia, como o objetivo de tornar as cidades mais seguras, saudáveis e eficientes", aponta o documento.  

O aplicativo norueguês EasyPark, classificou 500 cidades ao redor do mundo com base em sete critérios amplos:  transporte e mobilidade, sustentabilidade, governança, economia, inovação, qualidade de vida e percepção externa.

Eles são subdivididos em outras 19 categorias como estacionamento inteligente, caronas compartilhadas, trânsito, transporte público, energia limpa, prédios inteligentes, planejamento urbano, educação, ecossistema empresarial, rede 4G, pontos de wi-fi, velocidade da internet, acesso online a serviços governamentais, nível de uso de smartphones, como a cidade está se tornando inteligente, qualidade de vida, participação cidadã, descarte de lixos e projeção ambiental. Para chegar a média final, todas as notas são somadas e divididas por 19.

Estocolmo, capital da Suécia, ocupa o terceiro lugar, a maior cidade da Suíça, Zurique, ocupa o quarto lugar, e Boston completa os cinco primeiros. Foto: City of Stockholm.Estocolmo, capital da Suécia, ocupa o terceiro lugar, a maior cidade da Suíça, Zurique, ocupa o quarto lugar, e Boston completa os cinco primeiros. Foto: City of Stockholm.

A capital da Dinamarca, Copenhague ocupa o primeiro lugar na lista das cidades mais habitáveis, classificando-se como um lugar que tornou a vida "mais suave ... através da digitalização" com base na gama de índices que vão do número de espaços verdes na cidade, o nível de desenvolvimento da habitação, o congestionamento do trânsito, a facilidade de acesso à internet, o nível de educação, o número de startups registradas e até a participação dos cidadãos nas eleições.

Copenhague não recebeu nota 10 em nenhuma categoria, mas com uma pontuação média de 8,24 em todas as categorias, encabeçou a lista de 500 cidades analisadas. Cingapura ocupa o segundo lugar no top10 que é dominado por cidades européias, mas também inclui duas cidades dos EUA - Boston e San Francisco.

Estocolmo, capital da Suécia, ocupa o terceiro lugar, a maior cidade da Suíça, Zurique, ocupa o quarto lugar, e Boston completa os cinco primeiros. A capital de Massachusetts, EUA, apareceu fortemente em todos os três critérios de sustentabilidade e foi a única cidade em todo o índice a alcançar a pontuação 10 em educação e inovação econômica.

Tóquio, no Japão aparece em sexto lugar no geral, antes da sétima colocada São Francisco (foto). Foto: The New Economy,Tóquio, no Japão aparece em sexto lugar no geral, antes da sétima colocada São Francisco (foto). Foto: The New Economy,
Tóquio, no Japão aparece em sexto lugar no geral, antes da sétima colocada São Francisco embora a “casa“ do Vale do Silício tenha batido todas as cidades no índice pelo critério de velocidade na internet. O hub tecnológico californiano foi o único a marcar um 10 perfeito nessa categoria específica.

A metrópole holandesa Amsterdam ocupou o oitavo lugar no geral, seguido de perto por Genebra, a segunda entrada da Suíça no top 10. Melbourne da Austrália completou a lista.

O ranking mais baixo na lista foi a capital alemã, Berlim, ganhando o 13º lugar, Londres do Reino Unido ficou no 17º e a metrópole francesa Paris no 20º lugar. O Canadá estava bem representado na mistura com Vancouver (11), Montreal (16) e Toronto (19), todos agarrados no top 20. Enquanto isso, Nova York e Washington D.C. ficaram para trás ao obter o 24º e 28º lugares, respectivamente.

A primeira brasileira na lista é São Paulo, que está na 80º posição com uma média final de 4,35 pontos. A segunda é Rio de Janeiro, na 86º posição, com 4,07 pontos.

Acesse o ranking da EasyPark.

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Por Damien Sharkov na Newsweek (I
nglês).

O fim do ano já chegou e com ele a nossa vontade de happy hour praticamente todos os dias. Pensando nessa ideia coletiva é que acontece entre os dias 14 e 26 deste mês a segunda edição do World Class Drink Festival, no qual mais de 150 casas de São Paulo, Rio e Brasília terão drinks exclusivos a R$ 25. 

Inspirado nas questões ambientais e climáticas, o tema para criação dos drinks em 2017 é sustentabilidade. A iniciativa promove a compreensão de como os bartenders podem se tornar mais sustentáveis no seu trabalho e os bares podem se tornar mais eficientes com a consciência sustentável nos drinks, não só evitando o desperdício de insumos e priorizando o uso de 100% dos ingredientes em cada receita, mas também de energia, água, tempo e espaço.

Além dos drinks especiais, o projeto traz experiências como aulas de coquetelaria e uma ação compre-ganhe com cards colecionáveis de drinks. O festival, parte da plataforma World Class, maior competição de coquetelaria do mundo, tem como objetivo desenvolver a coquetelaria no Brasil, que vem crescendo anualmente.

Integram também a programação do World Class Drink Festival aulas de drinks e experiências de harmonização com gastronomia. Nessas aulas, os interessados aprendem os segredos do preparo de drinks clássicos. Um exemplo é a de gim-tônica, realizada em parceria com a Schweppes.

Destaques

World Class Drink Festival 2017: drinks pelo preço promocional de 25 reais. Foto: Divulgação.World Class Drink Festival 2017: drinks pelo preço promocional de 25 reais. Foto: Divulgação.

No Rio de Janeiro, o bar Vizinho aparece entre os destaques. O Nosso, também participa do evento. Já em Brasília presença garantida do restaurante contemporâneo Universal, onde a chef Mara Alcamim pilota os fogões.

Entre os endereços paulistanos participantes do World Class Drink Festival estão as três casas da Forneria San Paolo, os bares Trabuca e Torero Valese e o restaurante Sal Gastronomia, do Masterchef Henrique Fogaça. Outras atrações, todas no Itaim Bibi, são o Méz, o Marakuthai, da chef Renata Vanzetto, e o Moma – Modern Mamma Osteria. Em Campinas, participa o Seo Rosa.

Durante as duas semanas do festival, os consumidores poderão voltar para casa com segurança. Através de uma parceria Drink Festival e 99, o festival vai oferecer R$15 de descontos nas corridas, promovendo o consumo responsável. É só seguir o perfil da @worldclassbr no Instagram para descobrir quais bares fazem parte e todos os detalhes dessa novidade!

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Da Redação.

Terceira edição do evento internacional em SP está marcada para os dias 22 e 23 de novembro. Foto: Caddah / Divulgação.Terceira edição do evento internacional em SP está marcada para os dias 22 e 23 de novembro. Foto: Caddah / Divulgação.

O What Design Can Do São Paulo – WDCDSP volta ao Brasil destacando o impacto social do design. A conferência anual se dedicará à questão mais importante de nosso tempo: as mudanças climáticas. Palestrantes de renome de todas as disciplinas do design farão parte do evento e irão explorar o papel que o design pode cumprir. Em paralelo, a Violência contra a Mulher segue sendo tema de pesquisa.

Neste ano, o evento será mais dinâmico do que nunca, com um expressivo conjunto de palestrantes do Brasil e do mundo. Incluindo o designer de comunicação Naresh Ramchandani (Pentagram UK), o arquiteto Guto Requena (BRA) e a holandesa Babette Porcelijn (autora do livro "The Hidden Impact").

O WDCDSP irá apresentar pela primeira vez a grande final do Climate Action Challenge, que convocou designers e criativos de diversas disciplinas a enviar suas propostas inovadoras para lidar com os impactos das mudanças climáticas. O júri internacional irá anunciar os vencedores no Teatro FAAP na manhã do dia 23 de novembro. Entre os membros da comissão estão Patricia Espinosa (Secretária Executiva da UNFCCC) e Nicole Oliveira (Diretora da 350.org na América Latina), que também participarão da conferência.

Neste ano, o evento será mais dinâmico do que nunca, com um expressivo conjunto de palestrantes do Brasil e do mundo. Foto: Caddah / Divulgação.Neste ano, o evento será mais dinâmico do que nunca, com um expressivo conjunto de palestrantes do Brasil e do mundo. Foto: Caddah / Divulgação.Richard van der Laken, cofundador e diretor criativo do WDCD, afirma: “As mudanças climáticas são um assunto extremamente importante que precisa ser direcionado para a comunidade criativa. O assunto corre o risco de se prender em sua própria bolha, mas os profissionais criativos não permitirão que isso aconteça no WDCD. Designers nascem otimistas, e nós iremos abordar esse assunto com um ponto de vista muito positivo.”

“A ideia de trazer o evento para o Brasil desde o início é alcançar as pessoas, dar acesso a experiências do mundo todo e estimular o brasileiro, que já é criativo por natureza”, diz Bebel Abreu, da Mandacaru, sócia do evento no Brasil.

Neste ano também como novidade a curadoria musical fica por conta do Sonora – Festival Internacional de Compositoras, um grupo de produtoras e artistas que lutam para promover o espaço feminino no mercado musical. As apresentações acontecem em dois momentos, nos dois dias e já estão confirmadas as cantoras Karina Buhr, Ekena e Luiza Lian. As picapes ficam a cargo de Miss Ma.

Alguns palestrantes do WDCD SP edição 2017:

Patricia Espinosa. Foto: ONU.Patricia Espinosa. Foto: ONU.

Patricia Espinosa (México): Política mexicana e ex-embaixadora do México na Alemanha e Áustria, atualmente Espinosa é Secretária Executiva do UNFCCC, nomeada em 2016 pelo Secretário Geral Ban Ki-Moon.

Fred Gelli: (Brasil): Cofundador e diretor criativo da Tátil, consultoria estratégica que utiliza o design para criar relações sustentáveis entre pessoas e marcas. Durante os últimos 15 anos, Fred também foi professor em universidades nas disciplinas de Ecodesign e Biomimética.

Naresh Ramchandani. Foto :Design Indaba.Naresh Ramchandani. Foto :Design Indaba.Naresh Ramchandani (Inglaterra): Cofundador da ONG ambiental Do The Green Thing, parceira da Pentagram, e divulgador da prática que ele chama de “comunicação consciente”.

Ana Toni (Brasil): Diretora colaborativa e consultora. É sócia na empresa de consultoria na GIP (Gestão do Interesse Público). Trabalhou como Diretora Executiva da ActionAid Brasil e foi a representante da Ford Foundation no país.

Kristian Koreman (Holanda): Fundador do estúdio de design ZUS [Zonas Urbanas Sensíveis] em 2001 com Elma von Boxel, onde desenvolve projetos originais ou sob demanda nos campos da arquitetura, paisagismo e urbanismo.

Os sócios Elma van Boxel e Kristian Koreman, Foto: ArchMarathon.Os sócios Elma van Boxel e Kristian Koreman, Foto: ArchMarathon.Juliana Proserpio (Brasil): Cofundadora e diretora de criação da Echos - Laboratório de Inovação​. A Echos trabalha projetos de inovação, como uma escola de design thinking e com o design de futuros desejáveis. Em parceria com o WDCD vem desenvolvendo um trabalho sobre o futuro do Brasil como um país que assegura a liberdade feminina. 

Juliana de Faria (Brasil): É jornalista de moda, ex-editora da ELLE Brazil, fundou a Think Olga em 2013 junto com as especialistas em marketing Nana Lima e Maíra Liguori. Think Olga empodera mulheres no Brasil, dando elas voz e autoconfiança. 



What Design Can Do São Paulo
Dias 22 e 23 de novembro, das 9h30 às 18h30.
FAAP: Rua Alagoas, 903, Higienópolis, São Paulo
Veja programação completa no site: www.whatdesigncando.com.br
Ingressos: http://www.whatdesigncando.com/brazil-2017/tickets/

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Com informações de Juliana Gola / WDCDSP.

O Centro Universitário Belas Artes de São Paulo desenvolveu a exposição O Circuito dos Alimentos na cidade de São Paulo para representar o município na Bienal de Arquitetura de Seul 2017. Em uma megacidade como São Paulo, onde as pessoas sofrem os perigos da alienação e da insegurança nutricional, o circuito alimentar é uma questão estratégica.

Além de ser uma dimensão-chave da questão urbana, é fundamental na busca da sustentabilidade urbana e da equidade social. Em São Paulo, os circuitos alimentares de curta distância que conectam e aproximam os locais de produção, armazenamento, distribuição e consumo de alimentos saudáveis e naturais, produzidos sem pesticidas, ajudam a conter a expansão urbana precária e informal nas periferias, especialmente nos mananciais. 

Com base em um estudo já existente da Prefeitura, o grupo criou uma proposição dos vários caminhos que o alimento percorre e que impactam diretamente na saúde pública da cidade. O projeto entende que os circuitos alimentares de uma cidade como São Paulo – com 12 milhões de habitantes - é uma questão estratégica por ser fundamental na busca da sustentabilidade urbana e igualdade social. 
 
Localizado no Dongdaemun Design Plaza, complexo multiuso projetado pela arquiteta iraquiana Zaha Hadid, o estande da Belas Artes representa o fluxograma da entrada de alimentos em São Paulo e propõe a formação de circuitos que conectem locais de produção, armazenamento, distribuição e consumo de alimentos agrícolas que já existem no município de São Paulo. 

O texto abaixo, desenvolvido por Kazuo Nakano, clarifica essas questões e norteou o trabalho.

A Questão Alimentar Urbana

A alienação alimentar vivida pelos moradores das grandes cidades é algo evidente. Eles não sabem o que comem. Foto ShutterStock.A alienação alimentar vivida pelos moradores das grandes cidades é algo evidente. Eles não sabem o que comem. Foto ShutterStock.Em um mundo cada vez mais urbanizado, as necessidades básicas de um número crescente de pessoas são atendidas nas cidades, especialmente nas megacidades como a metrópole e o município de São Paulo, com 21 e 12 milhões de habitantes, respectivamente.

Assim como o acesso constante à água potável, o acesso ao alimento adequado e nutritivo em quantidade suficiente é uma das necessidades humanas mais básicas que precisa ser satisfeita para garantir a sobrevivência.

Os 12 milhões de habitantes do município de São Paulo ingerem milhões de refeições diariamente. Uma multidão de bocas e de aparelhos digestivos são acionados em diferentes momentos do dia e da noite para deglutir diversos tipos de alimentos, uns mais saudáveis do que outros.

Milhares de toneladas de alimentos naturais e industrializados são consumidos nos 3 milhões de domicílios e nos 12.500 restaurantes existentes no município de São Paulo. Esses restaurantes, localizados no maior município da metrópole, vendem 1.700.000 refeições por dia. Estima-se que 30% dos alimentos que entram nas moradias são desperdiçados.

Os 12 milhões de habitantes do município de São Paulo ingerem milhões de refeições diariamente. Foto: Denise Xavier.Os 12 milhões de habitantes do município de São Paulo ingerem milhões de refeições diariamente. Foto: Denise Xavier.Em geral, a maioria das pessoas que vive nas grandes cidades não sabem a origem dos alimentos consumidos no café da manhã, no almoço e no jantar. Tanto os alimentos naturais (animais e vegetais) quanto os industrializados, comercializados velozmente naquelas grandes cidades, percorrem longos e diversificados trajetos que ligam os locais de produção aos locais de consumo final nas casas, bares, restaurantes e padarias, dentre outros estabelecimentos comerciais que funcionam em São Paulo.

As grandes cidades possuem verdadeiros circuitos alimentares que conectam locais de produção, armazenamento, distribuição, comercialização, consumo e disposição final de resíduos sólidos gerados pelo consumo alimentar. Muitos desses circuitos possuem problemas de funcionamento e provocam impactos ambientais negativos. A imensa demanda por alimentos existentes nas grandes cidades como São Paulo faz com que tais circuitos alcance locais bastante distantes. O consumo de alimentos importados baseia-se em circuitos que envolvem outros países e continentes. Diante disso, os habitantes das grandes cidades ficam cada vez mais alienados em relação às origens dos alimentos por eles ingeridos cotidianamente.

A alienação alimentar vivida pelos moradores das grandes cidades é algo evidente. Eles não sabem o que comem. Não sabem a origem daquilo que comem. Não sabem as condições daquilo que comem. Não sabem os efeitos daquilo que comem. Afora os problemas sanitários dos alimentos vigiados, controlados e fiscalizados por órgãos governamentais, há um desconhecimento generalizado em relação aos efeitos positivos e negativos que os alimentos consumidos podem provocar no organismo humano. Isso gera uma grave situação de insegurança alimentar e nutricional que afeta todos os grupos sociais que habitam o município de São Paulo, principalmente os mais pobres.

Junto com outros aspectos da vida urbana (como o stress e o sedentarismo), a alienação e insegurança alimentar e nutricional, bem como o excessivo consumo de alimentos industrializados, podem ser apontados como as causas do sobrepeso e da obesidade de jovens e adultos que fazem parte da população do município de São Paulo aonde, em 2012, aproximadamente 17,5% dos jovens de 12 a 18 anos tinham sobrepeso e 5,5% eram obesos.

Dentre os adultos com mais de 18 anos daquele município, 52% tinham sobrepeso e 18% eram obesos.

Iustração: Ivan Pereira AlvesIustração: Ivan Pereira Alves

Os circuitos alimentares curtos propostos pelo governo do município de São Paulo devem incluir, basicamente:

  • Os produtores agrícolas – atualmente, há mais de 400 produtores agrícolas somente nas zonas rurais das porções sul do município de São Paulo;
  • Os centros de armazenamento e distribuição mantidos pelo governo municipal – há um desses centros em funcionamento desde 1995 no sul do município de São Paulo, com 7,6 mil metros quadrados de área, e há projeto para implantar outro desses centros na parte leste daquele município;
  • As instituições de capacitação e assistência técnica ao produtor agrícola mantidas pelo governo municipal – atualmente há 2 instituições desse tipo em funcionamento no município de São Paulo, denominadas Casas de Agricultura Ecológica, uma localizada na parte sul e outra na parte leste da cidade;
  • As escolas municipais – o município de São Paulo possui 2,5 mil escolas municipais de ensino fundamental aonde são servidas, diariamente, 2 milhões de refeições aos estudantes nas quais são utilizadas 2,3 toneladas de frutas e legumes todos os meses;
  • Os mercados municipais – o município de São Paulo possui 32 mercados municipais localizados em diferentes bairros da cidade e dedicados, principalmente, à comercialização de alimentos agrícolas;
  • Os restaurantes populares estaduais – o município de São Paulo possui 21 restaurantes geridos por entidades privadas aonde são servidas refeições a preços muito baixos subsidiadas pelo governo do Estado de São Paulo;
  • As feiras de rua – atualmente, há 880 feiras de rua no município de São Paulo cujas bancas são montadas, semanal ou diariamente, em ruas e espaços públicos aonde comercializam, principalmente, frutas, verduras, legumes e pescados, dentre outros tipos de alimentos;
  • As usinas de compostagem – por enquanto, o município de São Paulo possui somente 1 usina de compostagem que processa 5 toneladas de resíduos sólidos orgânicos oriundos de podas de árvores e de parte das feiras de rua.

Em 2016, a Bloomberg Philantropies concedeu um prêmio de US$ 5 milhões para o governo do município de São Paulo a fim de apoiar a implementação daquele circuito curto alimentar.

Assista o video “São Paulo Food Circuit - Bienal de Arquitetura Seul 2017“ produzido pela Equipe Belas Artes.

Para mais informações sobre a Bienal de Arquitetura de Seul, acesse: http://seoulbiennale.org/en/

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Fontes: Arch Daily Brasil e Centro Universitário Belas Artes.