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A convite do Bradesco, o artista Eduardo Kobra entrega painel grafitado no inovaBra habitat, espaço de co-inovação do Banco em São Paulo.

Um dos nomes mais conhecidos da arte de rua do mundo, Kobra está feliz por apresentar mais um de seus projetos na cidade. “Por mais que hoje, eu tenha a oportunidade e o privilégio de levar o meu trabalho para os cinco continentes, é sempre bom pintar aqui, onde vivo, nasci, onde tudo surgiu, e saber que pessoas e empresas incentivam esse tipo de trabalho e têm a visão de vanguarda de apoiar os artistas de rua”, conta.

Terminou no último domingo mais uma edição da Naturaltech e da Bio Brazil Fair. As maiores feiras de alimentos orgânicos e naturais da América Latina, onde foram lançados cerca de 1.500 produtos de 500 marcas diferentes, entre eles: alimentos orgânicos, veganos e vegetarianos, suplementos naturais, cosméticos, produtos de limpeza e higiene, fitoterápicos, roupas e acessórios.

Bio Brazil Fair: o evento é considerado o maior de negócios de produtos orgânicos da América Latina e marca o encontro anual do mercado orgânico do Brasil.Foto: Divulgação  Bio Brazil Fair: o evento é considerado o maior de negócios de produtos orgânicos da América Latina e marca o encontro anual do mercado orgânico do Brasil.Foto: Divulgação

De acordo com a organização do evento, só este mercado movimenta anualmente mais de R$ 3 bilhões, com crescimento médio anual de 20% e está entre os setores que mais crescem no Brasil.

De acordo com o diretor do Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis), Cobi Cruz, “Essa é a maior e mais importante feira do setor na América Latina e, como vitrine do mundo orgânico e sustentável, temos ação de educação ao consumidor, com a campanha “Eu Escolho” informando sobre os diferenciais do orgânico, apresentar as marcas que são associadas ao Conselho e seus produtos e promover negócios, pois essa feira é a mais relevante do segmento, espaço para bons negócios”. Algumas marcas  apresentam produtos que estão sendo exportados, e que têm muita demanda no mercado internacional: como pimentas e geleias goumerts, da Soul Brasil; chá de hibisco, da CAAPIM; vodca, da Tiiv e polpa de frutas, da Xingu Fruit.

Tiiv: a primeira vodka orgânica do Brasil. Foto: Divulgação.Tiiv: a primeira vodka orgânica do Brasil. Foto: Divulgação.

A Legurmê Alimentos foi criada em junho de 2015 com 5 sabores de antepastos, no ano passado a marca passou a ser orgânica, com 9 novos sabores. Segundo o diretor de marketing e produção da marca, Danilo Campos, “De lá pra cá decidimos que o orgânico seria o pilar central da marca, que também é vegana. O orgânico é algo em que a gente acredita, mas também tem uma questão de mercado, que está em crescimento”. Em 2018 foram lançadas três novas linhas: molhos de ervas, pimentas e condimentos (barbecue, ketchup, chilli e molho de tomate), são 25 produtos no total, que são vendidos em empórios, lojas de produtos naturais e até em grandes redes de supermercado. Agora a empresa está começando a produzir para marcas maiores, “nós fazemos o produto e eles colocam as marcas próprias para distribuir”, resume Danilo.

Chokolah: chocolate brasileiro artesanal. Foto: Divulgação.Chokolah: chocolate brasileiro artesanal. Foto: Divulgação.

A marca de chocolates orgânicos Chokolah está lançando 26 produtos nesta edição da Naturaltech. Quando foi lançada em 2009 eram 4 produtos, hoje são mais 40. Segundo a fundadora da empresa, Cláudia Schultz, “o que impulsiona o crescimento dos orgânicos é a entrada de grandes marcas no mercado, elas irão puxar o crescimento de todo setor, isso desmistifica a imagem que a população tem, de que são produtos mirradinhos e feios, agora o orgânico parece ter um glamour, os artistas gostam de orgânico”. A empresária se refere a ao lançamento de uma aveia orgânica pela Nestlé e a compra da Mãe Terra, uma marca de orgânicos, pela Unilever. A Chokolah cresce cerca de 30% ao ano.

A Vila Madalena, que fica na zona Oeste de São Paulo ganhou, no início deste ano, o Easy Organic, o primeiro restaurante 100% orgânico do País, que também funciona como um empório que vende somente produtos orgânicos certificados. O fundador da casa, Fernando Pupo se baseou em estudos científicos que relacionam a ingestão de alimentos prontos e industrializados com crises alérgicas e respiratórias, distúrbios hormonais, sobrepeso, problemas neurológicos e até mesmo doenças mais graves, como câncer. Um de seus objetivos é ajudar a prevenir doenças e a promover qualidade de vida por meio dos orgânicos, mas não é o único, “Ficou claro para mim que o consumo de alimentos sem agrotóxicos era fundamental para a saúde, então comecei a entender o quão importante era também para o meio ambiente e, com isso, a escolha por esses produtos no dia a dia ficou ainda mais fácil”, revela o empresário.

Easy Organic: todos os pratos do cardápio são feitos com ingredientes orgânicos certificados. Foto Divulgação.Easy Organic: todos os pratos do cardápio são feitos com ingredientes orgânicos certificados. Foto Divulgação.

Se antes a oferta de alimentos orgânicos ficava restrita a alguns legumes, verduras e tubérculos, hoje há um leque muito maior de opções, você pode fazer refeições completas apenas com eles: arroz, feijão, carne, frango, peixe ou ovos, temperos, azeite, sal, ervas, frutas, verduras e legumes. Pode fazer uma massa com diferentes tipos de farinhas e leites vegetais, açúcar, fermento e finalizar com um cafézinho. Se quiser praticidade, já encontra molhos prontos, comidas congeladas, massas, sucos e doces, entre inúmeros outros ítens. Mas se o consumidor e as empresas parecem estar abrindo os olhos para a importância dos orgânicos, na política o setor está sendo ameaçado.

O que vai dentro do potinho de berinjela agridoce da Legurmê. Foto: Divulgação.O que vai dentro do potinho de berinjela agridoce da Legurmê. Foto: Divulgação.

De acordo com o Portal Organics News Brasil, durante a Bio Brazil Fair aconteceu uma reunião com lideranças do setor de orgânicos para pressionar o Congresso Nacional a vetar o Projeto de Lei 6299/2002, já conhecido como PL do Veneno. O projeto propõe mudar o termo “agrotóxico” para “defensivo fotossanitário” e pretende limitar a atuação dos estados na fiscalização, o que poderá aumentar o uso dos pesticidas de forma preocupante. A legislação prevê que os agricultores não possam plantar, produzir e armazenar sementes e quer implementar que todo produto da colheita só possa ser vendido com a autorização do detentor de sementes que sofreram alguma modificação humana. Desta forma, o agricultor será obrigado a comprar as sementes e vários outros produtos, como agrotóxicos e adubos.

Ainda segundo o Portal, o retrocesso no setor de orgânicos foi um dos pontos mais debatidos. “A agricultura orgânica está influenciando positivamente a convencional, que adota práticas mais saudáveis”, disse Ariclenes Insuforte, da Brasil Bio. “Todos os avanços na legislação brasileira conseguidos até agora serão perdidos e os maiores prejudicados serão os agricultores orgânicos”, complementou Rogério Dias, vice-presidente da Associação Brasileira de Agroecologia. A reunião contou com a participação do Diretor de Branding do Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis), Cobi Cruz; o engenheiro agrônomo e fundador da Associação Brasileira da Agricultura Orgânica, José Pedro Santiago; Ana Flávia Badue, do Instituto Kairós; Virginia Lira, Coordenadora de Agroecologia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; entre outros.

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Por Juliana Carreiro no Blog Comida de Verdade.

Quando decidiram abrir negócios em São Paulo, empresários da área de entretenimento, mercado imobiliário, gastronomia e cultura dispunham de inúmeras opções de bairros consagrados pelo sucesso de público em suas áreas, mas optaram pelo local onde a história da capital paulista começou: o Centro.