Lançado em São Paulo, ‘Waze Carpool‘ sistema de caronas pagas, chega ao Brasil até o final do ano - São Paulo São

O aplicativo de navegação em mapas Waze vai lançar seu serviço de caronas no Brasil até o final de 2017. O serviço conecta os motoristas que dirigem com o carro vazio todos os dias com potenciais passageiros, que precisam se deslocar para localidades próximas. Segundo apurou o Estado, é provável que a primeira cidade brasileira a receber o Waze Carpool seja São Paulo, hoje a cidade mais importante para o aplicativo no mundo, em termos de número de usuários.

O anúncio da chegada do novo serviço do aplicativo de navegação em mapas foi realizado ontem pela diretora global do Waze, Di-Ann Eisner, que veio ao País participar de um evento local promovido pelo Google Brasil, no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo. O serviço ainda não tem uma data exata para estrear no País.

Compartilhamento 

Ao contrário dos aplicativos de carona paga, como Uber e Cabify, em que motoristas cobram por viagens de maneira similar a um táxi, o Waze Carpool permite que o motorista divida com o passageiro apenas o custo da viagem: quem dirige com o carro vazio poderá pegar passageiros pelo caminho e dividir com eles os custos de gasolina, pedágio e um valor extra pela manutenção do veículo. O valor é calculado pelo próprio sistema, que possui um algoritmo para fazer combinações entre os motoristas e os passageiros.


Para usar o serviço, o passageiro interessado em pegar carona com os motoristas terá de baixar um aplicativo independente, chamado Waze Riders. Então, o usuário vai informar para onde vai e o aplicativo vai identificar sua localização. Com base nesses dados, ele vai localizar um motorista que esteja num trajeto parecido. “Será possível escolher pegar carona sempre com o mesmo motorista, se assim o passageiro quiser”, explica Di-Ann.

É na formação de uma comunidade de motoristas e passageiros que a empresa se apoia para tentar evitar problemas de segurança, que tem se tornado um problema para empresas como Uber no País. “Teremos uma opção que permitirá às mulheres escolherem pegar carona somente com outras mulheres”, diz a executiva. “Além disso, não vamos permitir o pagamento em dinheiro no início.”

O aplicativo Waze Ride serve de interface para o serviço.O aplicativo Waze Ride serve de interface para o serviço.

Concorrência

O Waze não é o primeiro a apostar em um sistema de carona compartilhada sem promover o lucro entre os motoristas: o serviço francês BlaBlaCar faz isso desde 2006, mas foca apenas em viagens intermunicipais. A plataforma, que tem um sistema de avaliação de usuários, já reúne mais de 20 milhões de usuários em todo o mundo.

Outra empresa que testa uma modalidade similar é a também israelense Moovit. A empresa, que possui um aplicativo que traça rotas de transporte público, reúne mais de 50 milhões de usuários no mundo. Em abril de 2016, a empresa começou a testar um serviço de carona compartilhada em Israel e há pouco expandiu os testes para Roma, na Itália. Segundo executivos da empresa, o Brasil – que reúne mais de 10 milhões de usuários do app – deve ser um dos próximos a receber o serviço.

Para Di-Ann, a concorrência não é problema – ao menos por enquanto. “O verdadeiro vilão é o trânsito”, diz a executiva. “É ele que deve ser combatido.” Segundo ela, o objetivo é tirar boa parte dos carros das ruas ao incentivar o compartilhamento. “Vamos ajudar pessoas a economizar dinheiro e tirar carros das ruas”, disse a executiva, durante o evento. “São Paulo pode ter metade dos carros nas ruas e a velocidade do trânsito certamente vai melhorar.”

O Brasil será o terceiro país a receber o Waze Carpool. Até agora, o sistema de carona do Waze passou por testes em Israel, onde fica a sede global do Waze, e na cidade de São Francisco, nos Estados Unidos – próxima à sede do Google.

 

A ideia do Waze Carpool é conectar motoristas que dirigem com o carro vazio todos os dias com passageiros em busca de transporte para as mesmas localidades. Foto: Forbes.A ideia do Waze Carpool é conectar motoristas que dirigem com o carro vazio todos os dias com passageiros em busca de transporte para as mesmas localidades. Foto: Forbes.
Receita


Com o novo serviço, o Waze amplia suas possibilidades de receita. Atualmente, a empresa, que foi comprada pelo Google em 2013 por US$ 1,15 bilhão, ganha dinheiro ao exibir publicidade geolocalizada para os motoristas, exibida dentro do aplicativo conforme o usuário se movimenta.

Atualmente com 65 milhões de usuários, Waze é uma das startups mais inovadoras do mundo. A empresa criou um serviço de navegação de mapas com informações em tempo real sobre o trânsito, baseadas no monitoramento do deslocamento dos usuários. O serviço também permite aos usuários compartilhar informações sobre buracos e acidentes.

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Por Claudia Tozetto no Link do Estadão.