‘Hysteria‘, a nova plataforma de conteúdo audiovisual produzido por mulheres - São Paulo São

Quando tinha 11 anos, Meghan Markle - a atriz norte-americana e noiva do Príncipe Harry da Grã- Bretanha  escreveu uma carta a uma marca de produtos de limpeza que, em sua propaganda, restringia às mulheres o papel de cuidar das panelas sujas da cozinha. Os executivos resolveram mudar o comercial na época, mas até hoje a representação feminina na mídia continua bastante limitada e estereotipada. Apesar dos avanços, já está claro que a mudança só acontecerá verdadeiramente quando existirem mais mulheres na criação dessas campanhas. Por isso, coletivos feministas e projetos liderados por mulheres são tão importantes e necessários.
O núcleo Hysteria da Conspiração Filmes - divisão de produção de conteúdo formada por diretoras, produtoras e jornalistas - tem o objetivo de criar um ecossistema de apoio à projetos concebidos e realizados por mulheres, não necessariamente sobre temas femininos. Em processo de organização desde o início do ano, o grupo conta com um time fixo de 10 profissionais da produtora e mais de 500 parceiras, entre roteiristas, diretoras, youtubers, designers, jornalistas, entre outras especializações.

Renata Brandão, CEO da Conspiração, explica que a criação da Hysteria veio da necessidade de se ter conteúdo concebido, realizado e com curadoria de mulheres, sem estereótipos e limitações. “Num processo autocrítico, percebi um número grande de mulheres dentro da produtora e do nosso mercado com grande potencial autoral, mas com pouca autonomia ou oportunidades reais”, disse ela.

E de onde veio o nome? 

Renata Brandão, idealizadora da Hysteria e CEO da Conspiração Filmes. Foto: Divulgação.Renata Brandão, idealizadora da Hysteria e CEO da Conspiração Filmes. Foto: Divulgação.

Renata explica: “Hystera ou Hysteros significa útero, em grego. É um termo indissociável do feminino e está em circulação há mais de dois mil anos. Alguns autores acreditam que ela se modifica conforme o contexto sócio-cultural vigente da época”. Já foi usado para designar transtornos nervosos em mulheres e até associado à bruxaria. “Mas sabemos que o termo continua em uso. “Você é histérica” e “Você está histérica”, por exemplo. O fato é que ele sempre foi usado para calar uma mulher, que é o oposto do que estamos fazendo. Resolvemos nos reapropriar do termo histeria. Nos apossamos do que é nosso para ressignificar”, finaliza.

Entre os programas originais da nova plataforma, estão Tudo, websérie em que a atriz Maria Ribeiro aborda assuntos que vão de casamento à Coreia do Norte, e Alerta de tubarão, em que a fundadora do YouPix Bia Granja entrevista influenciadoras especializadas em diferentes temas. Hysteria traz também coproduções, como a segunda temporada da série online “Nosso amor a gente inventa”, apresentada por Sarah Oliveira.

Filmes e séries de ficção, publicitários e até produções eróticas estão no radar das realizadoras. A Hysteria também tem interesse na aquisição de produtos prontos para a plataforma, como a série Curta Mulheres, já disponível no site, e em coproduções para televisão. Para o GNT, o coletivo está produzindo a série de ficção Desnude, com conteúdo sensual para mulheres. O lançamento está previsto para o primeiro semestre de 2018.

A atriz Maria Ribeiro estrela a websérie Tudo. Foto: Divulgação.A atriz Maria Ribeiro estrela a websérie Tudo. Foto: Divulgação.Masp e Google estão entre as primeiras marcas parcerias para os próximos anos, para realização de projetos de branded content: para o Masp, a Hysteria documentará o processo criativo de estilistas e artistas famosos na criação das peças. Já para o Google,  fará uma série sobre mulheres empreendedoras.

Projetos de áudio e texto incluem a curadoria de textos e reportagens em sites e coletivos de mulheres, além da produção de podcasts e playlists. No podcast “Rascunhos Esquecidos de Uma Caixa Sem Saída”, as atrizes convidadas – Debora Bloch, Mariana Ximenes e Marina Lima, entre outras – leem uma emocionante compilação de e-mails anônimos jamais enviados. Hysteria também ganhou uma música e videoclipe originais com a cantora Leticia Novaes, a Letrux.

Além da plataforma, entram na lista filmes de ficção, séries para a TV, clipes, criação para marcas, experiências off-line e – por que não? – produções eróticas. Foto: Hysteria / Divulgação.Além da plataforma, entram na lista filmes de ficção, séries para a TV, clipes, criação para marcas, experiências off-line e – por que não? – produções eróticas. Foto: Hysteria / Divulgação.O grupo também projeta a expansão da Hysteria para projetos físicos, já planejando seu primeiro festival de música, o Festival Hysteria. O evento com curadoria de Claudia Assef e Lalai Persson reunirá shows em praças, bares e clubes de São Paulo em 2018.

Assista o Vídeo Manifesto com Letícia Novaes, a Letrux, musa do Hysteria e da torcida do Flamengo.

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Fontes: Meio & Mensagem e ELLE Brasil.