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Foi anunciado na última terça-feira (21) o lançamento de uma plataforma própria de vídeo sob demanda da Spcine, empresa de cinema e audiovisual de São Paulo. É a Spcine Play, plataforma de vídeo sob demanda criada para celebrar a produção nacional. A iniciativa é um consórcio pioneiro entre a Spcine, empresa da Prefeitura de São Paulo para o desenvolvimento do audiovisual, a O2 Play, braço de distribuição da O2 Filmes, e o laboratório de soluções digitais Hacklab.

“Com essa iniciativa inovadora, a Spcine Play aposta em um catálogo diversificado, com filmes de diferentes gêneros e formatos, para estimular o público a consumir produções brasileiras, dando acesso a títulos muitas vezes restritos ao circuito de salas de grandes cidades”, ressalta André Sturm, secretário municipal de Cultura.  

O conteúdo fica acessível em qualquer canto do país por meio do site www.spcineplay.com.br. Dez títulos compõem o catálogo nesta primeira fase da plataforma. São eles: Mãe só há uma, de Anna Muylaert; O menino e o mundo, de Alê Abreu; Uma noite em Sampa, de Ugo Giorgetti; A batalha do passinho, de Emílio Domingos; Lira paulistana e a vanguarda paulista, de Riba de Castro; Ausência, de Chico Teixeira; Califórnia, de Marina Person; De menor, de Caru Alves de Souza; Paratodos, de Marcelo Mesquita; e As fábulas negras, de Rodrigo Aragão, José Mojica Marins (o Zé do Caixão), Petter Baiestorf e Joel Caetano.

“Está no DNA da Spcine atuar nas mais diversas frentes do mercado audiovisual. Por isso decidimos encarar o desafio de criar a primeira plataforma de VOD derivada de uma parceria público privada, envolvendo agentes de mercado com expertise na área”, afirma Mauricio Andrade Ramos, diretor-presidente da Spcine.

Show na Praça Benedito Calixto, em Pinhieros, no filme "Lira Paulistana e a Vanguarda Paulista" (2013), de Riba de Castro. Divulgação.Show na Praça Benedito Calixto, em Pinhieros, no filme "Lira Paulistana e a Vanguarda Paulista" (2013), de Riba de Castro. Divulgação.Os usuários poderão acessar o conteúdo alugando o título por sete dias a um preço fixo de R$ 3,90. Nesta primeira etapa, também haverá a distribuição de códigos promocionais para acessar gratuitamente os filmes. Para Thiago Taboada, gerente operacional da Spcine e responsável pelo projeto na empresa, um dos objetivos é estimular a economia do audiovisual. “A plataforma estabelece um preço popular de locação, acessível a todos os bolsos, para, na outra ponta, remunerar os proprietários dos direitos das obras, fechando o ciclo comercial do negócio”, explica.

“Estamos criando uma rede que une os produtores aos espectadores e mercado. Há um elemento inovador e que pode gerar grandes resultados no médio prazo. O produtor que apostar na plataforma será naturalmente recompensado com o sucesso do projeto. Além disso, não vamos exigir exclusividade pela licença de exibição e haverá compartilhamento das estatísticas de audiência. A plataforma ainda vai valorizar o filme em termos de conteúdo, como a apresentação dos destaques e informações complementares da obra”, defende Igor Kupstas, da O2 Play.

Como as estatísticas de lançamentos brasileiros vem aumentando nos últimos anos, a Spcine Play contribui “tanto para consolidar uma nova janela de exibição para a produção nacional quanto para estimular a formação de público para o nosso cinema”, conclui Ramos.

Experiência do usuário

Em “Califórnia“, Estela (Clara Gallo) é uma adolescente que vive os conflitos típicos da idade, de identidade, amizade e amor. Divulgação.Em “Califórnia“, Estela (Clara Gallo) é uma adolescente que vive os conflitos típicos da idade, de identidade, amizade e amor. Divulgação.A Spcine Play aposta no “boca a boca virtual” e no material extra dos filmes para atrair o público, que vai trazer desde entrevistas com os diretores até cenas de bastidores.

O social assume papel importante no serviço. Fazendo o cadastro na rede, o usuário poderá compartilhar os conteúdos favoritos com seguidores nas redes sociais.  

Para os produtores, a Spcine Play oferece a coleta de dados e estatísticas sobre o comportamento da audiência, informações que devem auxiliar a criação de inteligência para o desenvolvimento da estratégia de marketing e formação de público.   

Os filmes também terão espaço de divulgação nas salas do Circuito Spcine (rede pública de cinema que superou 700 mil espectadores no início de novembro). Também estão sendo programadas ações de comunicação nos eventos patrocinados pela Spcine.

Rede e tecnologia

“O Menino e o Mundo“ é um filme de animação brasileiro de 2013 que foi candidato ao Oscar. Divulgação“O Menino e o Mundo“ é um filme de animação brasileiro de 2013 que foi candidato ao Oscar. DivulgaçãoO conceito de rede está impresso na tecnologia na qual o Spcine Play é baseada. Quando assiste a um filme, o espectador se torna um replicador e, desta forma, colabora para a distribuição do conteúdo. Isso é possível por conta da tecnologia utilizada, chamada peer-to-peer (P2P), que, em linhas gerais, significa distribuição compartilhada de conteúdo entre usuários.

Outro destaque é que o P2P diminui os custos de infraestrutura da plataforma, o que permite a realocação de recursos para outras finalidades, como a aquisição de novos conteúdos.  

“Colaboração é o alicerce do projeto e, com essa tecnologia, espectadores também têm a oportunidade de construir conosco um novo espaço para o cinema nacional”, ressalta Bruno Martin, sócio do Hacklab.

Durante a fase inicial do projeto, o consórcio vai analisar os resultados e o impacto provocado no setor para projetar os próximos passos do negócio.

Filmes

"Uma Noite em Sampa" (20016), de Ugo Giorgetti, capta o medo que assombra a metrópole. Divulgação."Uma Noite em Sampa" (20016), de Ugo Giorgetti, capta o medo que assombra a metrópole. Divulgação.O catálogo inicial é formado por dez títulos dos mais variados gêneros e formatos.

"A Batalha do Passinho" (2013), de Emílio Domingos.
"As Fábulas Negras" (2014), de Rodrigo Aragão, Petter Baiestorf, Joel Caetano e José Mojica Marins.
"Ausência" (2015), de Chico Teixeira "Califórnia" (2015), de Marina Person. 
"De Menor" (2014), de Caru Alves de Souza.
"Lira Paulistana e a Vanguarda Paulista" (2013), de Riba de Castro. 
"Mãe É uma Só" (2016), de Anna Muylaert. 
"O Menino e o Mundo" (2013), de Alê Abreu.
"Para Todos" (2016), de Marcelo Mesquita. 
"Uma Noite em Sampa" (20016), de Ugo Giorgetti.

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Com informações da SPCine.

A USP inaugurou ontem (13), o Mural da Escuta, grafite que ocupará a parede externa do Espaço das Artes, antigo prédio do Museu de Arte Contemporânea (MAC), localizado na Cidade Universitária, no campus de São Paulo. O mural faz parte do projeto USP_Urbana, que tem como objetivo ampliar o diálogo da Universidade com a sociedade por meio da arte.

O projeto é uma iniciativa da Reitoria, por meio das Pró-Reitorias de Graduação e de Cultura e Extensão Universitária, com a parceria da Escola de Comunicações e Artes (ECA), da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) e do MAC, e abrange uma série de atividades que irão culminar no Primeiro Seminário de Arte Urbana, promovido em abril de 2018.

Além do grafite, as próximas ações do projeto ocorrerão em dezembro com o lançamento de um edital voltado à comunidade universitária para a promoção de intervenções artísticas no campus e a projeção mapeada na fachada lateral do prédio atual do MAC, no Parque Ibirapuera, em São Paulo.

“Pela primeira vez, a USP se abre para o tema da arte urbana, em um esforço multidisciplinar que envolve diversas áreas do conhecimento, como arte, arquitetura, urbanismo, economia, turismo, história, entre outras. Faculdades, professores e alunos estão sendo engajados no processo de reconhecimento da importância da arte urbana para a cidade de São Paulo e da sua história para a arte. Com essa iniciativa, a USP se conecta ainda mais com seu entorno e conecta São Paulo com uma rede internacional de cidades criativas por meio do intercâmbio com as universidades que as representam”, destaca o reitor da USP, Marco Antonio Zago. 

Mural-grafite

O Mural da Escuta foi idealizado pelo grafiteiro Daniel Melim, em colaboração com as artistas Simone Siss e Laura Guimarães. Foto: Marcos Santos / USP ImagensO Mural da Escuta foi idealizado pelo grafiteiro Daniel Melim, em colaboração com as artistas Simone Siss e Laura Guimarães. Foto: Marcos Santos / USP Imagens

O Mural da Escuta foi idealizado pelo grafiteiro Daniel Melim, em colaboração com as artistas Simone Siss e Laura Guimarães, para ocupar temporariamente a parede externa do prédio do Espaço das Artes, localizado em frente à Praça do Relógio, local de encontro no campus da USP, em São Paulo. Pintado com tinta acrílica e spray, principalmente por meio da técnica do estêncil, comum aos três artistas, o mural-grafite mede cerca de 60 metros de comprimento por cinco metros de altura.

A obra evoca a importância da escuta para a valorização da voz feminina no mundo e, especificamente, no ambiente universitário. O coletivo de artistas aborda a temática a partir das experiências em seus trabalhos, nos quais a mulher é sempre a protagonista.

A principal figura retratada pela artista Simone Siss, no mural, é a atriz americana Merle Oberon. Foto: Marcos Santos / USP ImagensA principal figura retratada pela artista Simone Siss, no mural, é a atriz americana Merle Oberon. Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Melim discute a questão da imagem estereotipada da mulher na propaganda, desconstruindo na paisagem urbana espaços que eram dedicados à exploração dos estereótipos femininos pela publicidade. Simone Siss discute explicitamente as questões da insubmissão e dignificação da mulher, através das imagens e poesias que imprime em seus grafites. Já Laura Guimarães discute o protagonismo feminino por meio da palavra escrita, em poemas e microtextos impressos em cartazes e paredes da cidade.

Laura Guimarães discute o protagonismo feminino por meio da palavra escrita. Foto: Marcos Santos / USP ImagensLaura Guimarães discute o protagonismo feminino por meio da palavra escrita. Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Na obra instalada na USP, Melim compõe as áreas de cor sobre as quais se acomodam as imagens figurativas e textos poéticos que formam o conjunto do painel. As formas geométricas que se insinuam ao longo do mural foram inspiradas nas sombras geradas pelos Bichos, esculturas cambiantes de Lígia Clark. As faixas verticais, de diferentes alturas e cores, que aparecem no centro do mural, representam alguns dos índices de pesquisa sobre os vários tipos de violência contra a mulher no ambiente universitário.

Laura Guimarães focou sua pesquisa em depoimentos de alunas que estudam e moram no campus. Foto: Marcos Santos / USP Imagens.Laura Guimarães focou sua pesquisa em depoimentos de alunas que estudam e moram no campus. Foto: Marcos Santos / USP Imagens.

Simone Siss usa a máscara para simbolizar a situação de permanente discriminação a que se sujeita a mulher nos diferentes ambientes em que está determinada a conquistar espaços. A principal figura retratada pela artista no mural é a atriz americana Merle Oberon, que interpretou George Sand, pseudônimo da romancista Amandine Aurore Lucile, no filme “À Noite Sonhamos”, de 1945.

A obra evoca a importância da escuta para a valorização da voz feminina no mundo e, especificamente, no ambiente universitário. Foto: Marcos Santos / USP Imagens.A obra evoca a importância da escuta para a valorização da voz feminina no mundo e, especificamente, no ambiente universitário. Foto: Marcos Santos / USP Imagens.

Laura Guimarães mantém uma permanente pesquisa sobre a condição feminina na sociedade contemporânea, transformando os relatos em poemas. Para o Mural da Escuta, a artista focou sua pesquisa em depoimentos de alunas que estudam e moram no campus, buscando mapear aflições e alegrias, conquistas e decepções, situações e expectativas que marcam a mulher no ambiente universitário.

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Fonte: Jornal da USP.

Num fim de semana, intervenções temporárias levaram a Fortaleza e São Paulo uma mensagem de como os espaços públicos podem ser requalificados a partir de iniciativas de baixo investimento e grandes resultados para refletir sobre a segurança e a experiência dos pedestres pela cidade. 

Na capital cearense, o projeto batizado "Cidade da Gente" deu o primeiro passo neste domingo (17), com o espaço da Avenida Central, no bairro Cidade 2000, transformado para inverter a prioridade dada antes aos veículos. A ação foi uma forma de mostrar à população como é possível dar novo uso ao espaço público disponível. Uma grande área exclusiva para pedestres foi formada onde antes os carros estacionavam e circulavam. Apenas uma faixa de tráfego foi mantida. 

Em Fortaleza, projeto batizado "Cidade da Gente" transformou a Avenida Central, no bairro Cidade 2000, onde os carros tinham prioridade, em um espaço público para pessoas. Foto: Rodrigo Capote / WRI Brasil.Em Fortaleza, projeto batizado "Cidade da Gente" transformou a Avenida Central, no bairro Cidade 2000, onde os carros tinham prioridade, em um espaço público para pessoas. Foto: Rodrigo Capote / WRI Brasil.

Depois - Foto: Rodrigo Capote / WRI Brasil.Depois - Foto: Rodrigo Capote / WRI Brasil.Com uma comunidade bastante ativa, o bairro Cidade 2000 tem na Avenida Central o seu eixo de convívio. Essa primeira intervenção, ainda temporária, com uso de tinta, vasos de plantas e cones, é uma maneira de permitir à população testar uma nova forma de uso da área. A partir dessa primeira experiência as pessoas poderão contribuir com sugestões antes que as obras definitivas sejam realizadas. Foram acrescentadas calçadas, que eram estreitas, e muitos espaços de convívio, que neste final de semana foram ocupados por apresentações de grupos musicais e outras atrações artísticas, oficinas profissionalizantes, doação de mudas de plantas regionais, exames e orientações de saúde, além de serviços públicos, como solicitação do Bilhete Único, Cartão do Idoso e emissão de credenciais para vagas especiais.

"Esse é o primeiro local da Cidade que transformamos uma área de carros em uma grande praça. Aproveitamos a infraestrutura plana e colocamos uma série de comodidades para que o espaço vire uma grande área pública da Capital. Começamos com projetos pilotos muitas das nossas mudanças para experimentar, avaliar, ouvir a população e, se tiver apoio, a nossa obrigação passa a ser expandir a política. Nós acreditamos que essa ideia vai prosperar e ir para outros locais de Fortaleza”, afirmou o prefeito Roberto Cláudio.

Antes - Foto: Rodrigo Capote / WRI Brasil.Antes - Foto: Rodrigo Capote / WRI Brasil.

Depois - Foto: Rodrigo Capote / WRI Brasil.Depois - Foto: Rodrigo Capote / WRI Brasil.

O WRI Brasil apoia Fortaleza em projetos de segurança viária como parte da Iniciativa Bloomberg de Segurança Viária Global (BIGRS), que também conta com a parceira da Iniciativa Global de Desenho de Cidades (NACTO-GDCI) e da Vital Strategies. Na Avenida Central, os parceiros apoiaram o projeto que deu uma nova cara à Cidade 2000. "Foi incrível ver a população se apropriar daquele espaço. Ainda durante a montagem do projeto, já havia pessoas usando o mobiliário urbano, tirando fotos, elogiando e perguntando se ficaria sempre assim. A cidade inovou ao oferecer essa intervenção para a população e ao envolver as pessoas na decisão sobre como utilizar aquele espaço. É um prazer ver de perto, em poucos dias, um local que antes servia basicamente de estacionamento se tornar vivo, alegre e vibrante, um espaço público devolvido para as pessoas", afirma Rafaela Machado, especialista de Segurança Viária do WRI Brasil.

Moradores de todas as idades encontraram novos usos para o espaço público em Fortaleza, Ceará. Foto: Rodrigo Capote / WRI Brasil / Flickr.Moradores de todas as idades encontraram novos usos para o espaço público em Fortaleza, Ceará. Foto: Rodrigo Capote / WRI Brasil / Flickr.

O novo desenho urbano implantando temporariamente antecipa parte do projeto da área de trânsito calmo anunciado para a região. A ideia é que a comunidade conheça a intervenção durante duas semanas e participe das discussões sobre o novo desenho urbano para área, que oferece mais condições de segurança para os usuários mais vulneráveis das ruas, além de garantir espaços de lazer e convívio urbano. Por isso, um totem desenvolvido em parceria com a Universidade de Fortaleza (Unifor) vai registrar as opiniões dos moradores que, posteriormente, poderão ser incluídas de forma definitiva na área de trânsito calmo. O prefeito também afirmou, nas redes sociais, que se a iniciativa prosperar, poderá ser levada a outras regiões de Fortaleza. 

Em São Paulo, mais cor e segurança para os pedestres da Zona Norte

Em São Paulo, uma ação semelhante foi realizada no sábado (16), após um desafio proposto pela 11ª Bienal de Arquitetura de São Paulo, que neste ano aborda o projeto como instrumento capaz de combinar diversas disciplinas presentes no planejamento urbano. O Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP Brasil) e a Citi Foundation realizaram, em parceria com o WRI Brasil, a BIGRS, a NACTO-GDCI e a Companhia de Engenharia de Tráfego CET-SP, uma intervenção urbana temporária em Santana, bairro da Zona Norte da cidade.

As esquinas das ruas Dr. César e Salete e da Voluntários da Pátria e Leite de Moraes receberam pinturas temporárias. Foto: Tomaz Cavalieri / WRI Brasil.As esquinas das ruas Dr. César e Salete e da Voluntários da Pátria e Leite de Moraes receberam pinturas temporárias. Foto: Tomaz Cavalieri / WRI Brasil.

Depois - Foto: Tomaz Cavalieri / WRI Brasil.Depois - Foto: Tomaz Cavalieri / WRI Brasil.

As esquinas das ruas Dr. César e Salete e da Voluntários da Pátria e Leite de Moraes receberam pinturas temporárias e ganharam uma nova cara, muito mais segura para quem caminha. As calçadas foram estendidas em todas as esquinas, duas vagas de estacionamento se tornaram espaços de convívio, uma rotatória foi incluída e as ilhas de refúgio aumentadas. Com isso, houve uma diminuição da velocidade dos veículos e o pedestre passou a ganhar preferência na negociação, com travessias mais curtas.

Na Rua Dr. César, ampliou-se uma ilha de refúgio onde normalmente as pessoas precisam ficar apertadas, organizando o fluxo. Na conversão também foi feita uma canalização para os veículos, o que induz o motorista a reduzir a velocidade antes da curva. Obstáculos, como vasos de plantas, foram posicionados para que os pedestres não atravessassem em diagonal, fora da faixa, em lugares inadequados. A pintura foi realizada durante a noite, com apoio da Companhia de Engenharia de Trafego (CET). 

Moradores de São Paulo pintaram uma rotunda em cruzamento da Zona Norte de São Paulo, transformando o espaço. Foto Victor Moriyama / WRI Brasil / FlickrMoradores de São Paulo pintaram uma rotunda em cruzamento da Zona Norte de São Paulo, transformando o espaço. Foto Victor Moriyama / WRI Brasil / Flickr

O objetivo da ação era sensibilizar a população para a segurança viária e o impacto do desenho urbano na experiência de caminhar pela cidade. A região tem alto fluxo de pedestres e é próxima a estações de metrô e ônibus. "Quando a intervenção ficou pronta, a reação das pessoas foi imediata. Um ônibus parou para duas senhoras e uma delas me procurou e disse: 'moro há 82 anos no bairro e nunca um ônibus havia parado tão rápido para eu atravessar'. Foi perceptível como o desenho da rua muda o comportamento das pessoas, tanto pedestres, que se beneficiam das travessias, quanto motoristas, ciclistas e todos os outros usuários, que respeitam mais", conta Diogo Lemos, analista de Segurança Viária do WRI Brasil. 

A equipe do WRI Brasil realizou pesquisas para entender como as pessoas de todas as idades se movem perto da estação de metrô de Santana e do terminal de ônibus em São Paulo. Foto: Victor Moriyama / WRI Brasil / Flickr.A equipe do WRI Brasil realizou pesquisas para entender como as pessoas de todas as idades se movem perto da estação de metrô de Santana e do terminal de ônibus em São Paulo. Foto: Victor Moriyama / WRI Brasil / Flickr.

A equipe do WRI Brasil aproveitou o momento de interação com a população para aplicar uma pesquisa sobre o fluxo de pedestres no entorno da estação Santana. Os moradores marcaram em um mapa o caminho que percorrem para chegar e sair da estação e destacaram os motivos que trazem insegurança a quem caminha no bairro.

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Por Bruno Felin no WRI Brasil - Cidades Sustentáveis.

Afundado em dívidas milionárias e com gigantescas áreas ociosas, o Jockey Club de São Paulo deu o primeiro passo para mudar de cara e transformar uma das regiões mais nobres da capital paulista. O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo (Conpresp) aprovou nesta semana diretrizes que abrem caminho para a construção de um parque rebaixado com área de 150 mil metros quadrados no meio do hipódromo e de torres comerciais e residenciais nas duas pontas do terreno tombado da Marginal do Pinheiros, no bairro Cidade Jardim, zona sul paulistana.

Interior do Jockey Club de Sao Paulo cerca de 1945. Projeto de Henri Sajous, exemplo de arquitetura Art Deco na cidade. Foto: Acervo do Jockey.Interior do Jockey Club de Sao Paulo cerca de 1945. Projeto de Henri Sajous, exemplo de arquitetura Art Deco na cidade. Foto: Acervo do Jockey.

O jornal O Estado de São Paulo teve acesso com exclusividade ao projeto de requalificação urbana do Jockey, apresentado nesta sexta-feira, 20, pelo prefeito João Doria e pelo presidente do conselho administrativo do clube, Benjamin Steinbruch. Com o conceito de integrar a área de 586 mil metros quadrados à cidade, o projeto prevê a demolição do muro de quase dois quilômetros de extensão na Avenida Lineu de Paula Machado para facilitar a circulação de pessoas e melhorar a visibilidade interna do equipamento. Por causa das limitações impostas pelo tombamento e para não prejudicar as corridas de cavalos, o parque será instalado no nível abaixo ao da pista e o acesso será feito por passagem subterrânea. 

O projeto prevê o restauro das estruturas tombadas, como a cocheira, as tribunas e o antigo hospital, e que ocupam cerca de 90 mil metros quadrados. Na entrada principal, as construções de equipamentos culturais e de galerias comerciais não poderão ultrapassar a altura da arquibancada dos espectadores do turfe. Nos dois polos extremos do Jockey, do lado próximo à ponte Cidade Jardim, e do lado próximo à Ponte Eusébio Matoso, a ideia é erguer torres residenciais e comerciais para atrair investidores.

“Trabalhamos com um modelo de ocupação que combina o respeito e preservação do patrimônio histórico, integrado com a vizinhança e com a cidade, e novas construções que tragam viabilidade financeira para a manutenção do equipamento e do próprio patrimônio”, explica a arquiteta Adriana Levisky, do consórcio Königsberger Vannucchi + Levisky Arquitetos, responsável pelo projeto. Segundo ela, conceitos semelhantes já foram utilizados nos hipódromos de Auteuil, em Paris, na França, e de Meydan, em Dubai, nos Emirados Árabes, e transformaram as regiões.

Mudanças

Conselho Municipal do Patrimônio aprovou diretrizes de construção em área de 586 mil m² do Jockey Club.Conselho Municipal do Patrimônio aprovou diretrizes de construção em área de 586 mil m² do Jockey Club.Com as diretrizes aprovadas pelo Conpresp, o Jockey deve agora aprimorar o projeto e apresentá-lo ao conselho estadual de proteção ao patrimônio, o Condephaat. Em seguida, deve discutir as regras de zoneamento com a Prefeitura para saber, por exemplo, quais serão os limites de construção no terreno, em área equivalente a 60 quarteirões. As regras serão definidas por meio de um Projeto de Intervenção Urbana (PIU) específico para o hipódromo.

Vocações

“É um equipamento de vulto urbano que marcou a história da cidade. Entendemos que, pelo porte dele e pela importância para São Paulo, o Jockey deve ser visto nesse contexto e potencializar as vocações da região”, diz Adriana. “Por isso, propomos a ocupação com uso misto, para garantir vitalidade e circulação 24 horas . A deliberação do Conpresp foi um primeiro passo extremamente importante porque valida as diretrizes de ocupação.”

Embora a proposta tenha avançado, nem todos os membros do Conpresp aprovaram a verticalização do terreno. Relator do projeto, o arquiteto Silvio Oksman solicitou alterações e esclarecimentos sobre a proposta, mas foi voto vencido. Ele, representante do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) no órgão, entregou carta na última quinta-feira, 19, renunciando ao cargo.

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Por Fabio Leite em O Estado de S.Paulo.

A Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes anunciou no último dia 18, a redução do limitador de velocidade máxima dos ônibus de 60 km/h para 50 km/h na cidade de São Paulo. A nova regra é válida para todos os coletivos, inclusive os que circulam em corredores e faixas exclusivas. Atualmente, os coletivos já não podiam andar acima dos 50 km/h devido a legislação de trânsito, no entanto, o equipamento possibilitava o motorista acelerar até os 60 km/h.

O Governo do Estado, a Prefeitura e a Vivo anunciaram nesta quinta-feira (28) o plantio de 18 mil árvores na lateral da Marginal Pinheiros. A ação Marginal Verde, da Prefeitura, em conjunto com o projeto Pomar Urbano, do Governo do Estado, reflorestará 13,5 quilômetros da via com mudas nativas da Mata Atlântica.

O plantio, de acordo com o informe, será totalmente custeado pela Vivo com um investimento total estimado em R$ 2,7 milhões, incluindo implantação e manutenção, com previsão de duração de quatro anos.

Segundo o prefeito João Doria, a expectativa é que até o final do mês de março todo o projeto esteja concluído. “O período de execução desse projeto é de seis meses. Começa em outubro e vai até 30 de março de 2018", disse.

Além das árvores de 120 espécies nativas regionais diferentes, serão plantados na Marginal Pinheiros 2 mil arbustos ornamentais e flores nativas de forração. Também está previsto o plantio de árvores frutíferas raras da Mata Atlântica como o Cambuci, eleita em 1950 símbolo da cidade, e que está quase em extinção na capital paulista.

A vegetação escolhida para o projeto tem uma forte ligação com a história e cultura da cidade. O Pinheiros já foi chamado de rio Jurubatuba (“muitas palmeiras”, na língua indígena), por causa da antiga abundância de palmeiras em suas margens, que alimentavam pássaros, esquilos, tucanos de bico verde e papagaios. Por conta disso, o projeto prevê o plantio de 3 mil palmeiras já em porte acima de 2 metros de altura. O projeto formará um grande corredor verde que permitirá o trânsito da fauna nativa conectando áreas verdes da região como os parques Villa Lobos, Alfredo Volpi, Burle Marx, o Jóquei Clube e a Cidade Universitária.

O plantio das árvores também irá contribuir para a diminuição da temperatura da região por onde, diariamente, circulam cerca de 3 milhões de pessoas, aumentando a umidade do ar e reduzindo ruídos, além de funcionar como um filtro para a poeira e gases tóxicos dos carros. Já a fauna nativa contribuirá para o combate a pragas urbanas como baratas, cupins, mosquitos e pernilongos, além de ser naturalmente responsável por espalhar mais sementes nativas por este corredor.

“É uma grande satisfação para o Grupo Telefônica participar desta parceria. Uma grande empresa, além dos compromissos com os clientes e fornecedores, deve ter um compromisso com a sociedade”, afirma o presidente executivo da Telefônica Brasil, Eduardo Navarro.

O projeto apresentará baixo custo de manutenção e rápido crescimento pelo uso da técnica "Floresta de Bolso", que reúne centenas de voluntários para plantar trechos de Mata Atlântica nas áreas públicas da cidade. Em seis meses, a Marginal Pinheiros já apresentará trechos florestados visíveis. O escritório de paisagismo responsável pelo projeto, contratado pela Vivo, é do renomado botânico Ricardo Cardim, que conta com um amplo portfólio de projetos de paisagismo em empreendimentos comerciais e residenciais.

Apresentação do projeto Marginal Verde. Fotomontagem: Divulgação.Apresentação do projeto Marginal Verde. Fotomontagem: Divulgação.
Projeto Pomar Urbano


O projeto de recuperação ambiental e paisagística do rio Pinheiros, denominado Pomar Urbano, foi lançado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente em 1999 visando recuperar a vegetação e devolver a vida às margens do rio.

Desde o início do projeto, a parceria com a iniciativa privada foi central para a recuperação das margens do rio Pinheiros. As margens direita (leste) e esquerda (oeste) foram subdivididas em trechos, cedidos às empresas parceiras para implantação ou manutenção de projeto paisagístico.

Tudo em sinergia com o poder público, que por sua vez condensa os conhecimentos adquiridos nos projetos implantados na área, estabelecendo e atualizando parâmetros de implantação dos projetos paisagísticos, em um processo contínuo de aprendizado.

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Com informações da Secretaria Executiva de Comunicacão / Portal da Prefeitura.