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São Paulo São Ações

A Prefeitura do Rio de Janeiro, lançou, na última segunda-feira (26), o primeiro Plano Municipal de Economia Solidária da cidade. O plano pretende estimular esse setor da economia e dar as diretrizes para seu crescimento. As atividades envolvem produção de bens, prestação de serviços, finanças solidárias, trocas, comércio justo e consumo solidário.

Os  dois viadutos estaiados das obras de implantação da Linha 13-Jade, que ligará São Paulo ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, serão concluídos nessa primeira semana de fevereiro. Foram implantadas as aduelas de fechamento que interligam os viadutos ao restante da base da via, unificando todo o trajeto de 12,2 quilômetros. 

Com o trem expresso, será possível fazer o trajeto do centro de São Paulo até a estação que ficará próxima ao aeroporto em cerca de 35 minutos. Foto: CPTM.Com o trem expresso, será possível fazer o trajeto do centro de São Paulo até a estação que ficará próxima ao aeroporto em cerca de 35 minutos. Foto: CPTM.Agora, serão finalizados os serviços da via permanente como execução de laje, instalação e solda dos trilhos e instalação do sistema de rede aérea (responsável por repassar a energia para os trens circularem) e a implantação do sistema de sinalização. Em seguida, serão feitos os testes com composições vazias para a linha iniciar a operação no final de março deste ano. Cerca de 2.100 trabalhadores estão envolvidos nas fases finais das obras.

Primeira ligação de transporte sobre trilhos com a região de Guarulhos, a Linha 13-Jade beneficiará a população que mora, trabalha ou estuda naquela cidade, além de ser uma nova opção de transporte para acessar o aeroporto internacional, de forma mais rápida e econômica, atendendo aos turistas e aos profissionais que vêm a São Paulo a negócios.  A projeção indica que a nova linha deverá atender inicialmente cerca 130 mil passageiros por dia útil.

Com um total de 12,2 km de extensão, a Linha 13-Jade terá três estações: Aeroporto-Guarulhos, Guarulhos-Cecap (novas) e Engenheiro Goulart, que é o ponto de integração com a Linha 12-Safira e foi totalmente reconstruída e já está em operação desde agosto do ano passado.

Cerca de 2.100 trabalhadores estão envolvidos nas fases finais das obras. Foto: Gilberto Marques/ Máquina CW.Cerca de 2.100 trabalhadores estão envolvidos nas fases finais das obras. Foto: Gilberto Marques/ Máquina CW.Foram implantadas as aduelas de fechamento que interligam os viadutos ao restante da base da via, unificando todo o trajeto. Foto: Gilberto Marques/ Máquina CW.Foram implantadas as aduelas de fechamento que interligam os viadutos ao restante da base da via, unificando todo o trajeto. Foto: Gilberto Marques/ Máquina CW.O investimento total é de R$ 2,3 bilhões, dos quais R$ 1,1 bilhão veio da AFD (Agência Francesa de Desenvolvimento) para implantação das obras civis e parte dos Sistemas de Energia, Telecomunicações e Sinalização. O BEI (Banco Europeu de Investimento) financiou R$ 316 milhões para aquisição de material rodante. A obra também conta com R$ 425 milhões do BNDES e o restante está sendo realizado com recursos do Governo do Estado.

O que você fez pela sua cidade hoje? A pergunta, que pode soar estranha para boa parte das pessoas, é carregada de simbolismo e tida como uma das chaves para a melhoria da qualidade de vida nos centros urbanos.

Iniciativas de transformação do espaço público encabeçadas pela comunidade e setor produtivo são a chave para a qualidade de vida nas cidades. Foto: Orlando RibeiroIniciativas de transformação do espaço público encabeçadas pela comunidade e setor produtivo são a chave para a qualidade de vida nas cidades. Foto: Orlando Ribeiro

Em Curitiba, no Brasil e no mundo uma infinidade de iniciativas vem sendo realizadas em resposta a este questionamento. Tocadas por indivíduos, comunidades e empresários comprometidos em fazer de suas ruas, bairros e cidades um lugar melhor para se viver, elas representam, em maior ou menor escala, uma tendência do nosso tempo, na qual o engajamento e a vontade de mudar fazem com que os cidadãos abandonem sua posição passiva para atuar ativamente na transformação dos espaços urbanos.

“Hoje se acredita que, para a sustentabilidade de um projeto social [e urbano], é necessária a participação da população e do setor privado, o envolvimento das partes que irão vivenciar aquele espaço”, afirma o arquiteto e urbanista Victor Andrade, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e coordenador do Laboratório de Mobilidade Sustentável (Labmob) da UFRJ. “Isso é algo inexorável. Pois, à medida em que as cidades crescem e as exigências sociais aumentam, é muito difícil o poder público fazer tudo sozinho”, completa o arquiteto do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) Reginaldo Reinert.

Esta participação não tira a responsabilidade do poder público frente aos desafios e problemas enfrentados por suas cidades. Mas contribuiu para que ele possa ser mais assertivo em suas propostas e investimentos, para que vislumbre oportunidades para suas cidades e atue no sentido de conclamar a população a assumir o compromisso com a qualidade de vida do lugar onde as pessoas moram. Confira algumas iniciativas que estão em andamento e outras, nacionais e internacionais, que poderiam ajudar Curitiba a novamente ocupar seu espaço como exemplo de planejamento urbano.

Agentes urbanos

É este conceito que norteia o movimento Reação Urbana, por exemplo. Realizado por meio da parceria entre HAUS, da Gazeta do Povo e Reurb (Organização Social Civil de Interesse Público – Oscip), com o apoio da Agência Curitiba (órgão de fomento ligado à Prefeitura de Curitiba) desde o último mês de setembro, o movimento busca desenhar estratégias e definir um plano de ação para a reabilitação urbana da região do Vale do Pinhão, que compreende os bairros Prado Velho e Rebouças, em Curitiba.

Mais do que isso, a intenção é fazer da região uma espécie de laboratório no qual projetos voltados a diferentes áreas – social, econômica e cultural – e desenvolvidos pela tríade formada pela iniciativa popular, setor produtivo e prefeitura possam ser testados e aprimorados.

Laboratório de Reação Urbana realizado em 2017: início da transformação do Prado Velho e Rebouças. Foto: Fernando Zequinão / Gazeta do Povo.Laboratório de Reação Urbana realizado em 2017: início da transformação do Prado Velho e Rebouças. Foto: Fernando Zequinão / Gazeta do Povo.

“O planejamento urbano que praticamos está em desuso na maior parte dos países desenvolvidos. O que se utiliza hoje são direcionamentos, um projeto com um caráter mais aberto, laboratorial, no qual se experimentam e avaliam [as ações]. Se deram certo, elas podem ser replicadas. Do contrário, não”, elucida o arquiteto Orlando Ribeiro, presidente da Reurb.

Entre as ações já realizadas pelo movimento estão o Primeiro Laboratório de Reação Urbana do Vale do Pinhão, que colocou moradores, comerciantes, acadêmicos, representantes da prefeitura e especialistas em urbanismo para trocar ideias e pensar a região. A partir dele, foi montado um calendário de ações para 2018, que incluem iniciativas de urbanismo tático, propondo a pintura, fechamento e novos usos pontuais de ruas e quadras dos bairros, um mutirão de limpeza do Rio Belém, entre outras ações de integração com a sociedade.

Por meio delas, o que se pretende é mobilizar a comunidade para fazer da região um exemplo de transformação urbana bem sucedida, da mesma forma como ocorre em outras cidades do Brasil e de diversas partes do mundo, nas quais iniciativas inovadoras, baseadas no engajamento social e nos novos usos de espaços antes desocupados e degradados, se tornaram referências práticas de que é possível mudar.

Um novo uso para um espaço vazio

O volume de imóveis vazios e terrenos baldios ou subutilizados é um dos principais problemas enfrentados pelas cidades. Só em Curitiba, são 73,3 milhões de m² nesta condição, quatro vezes mais do que os 17,5 milhões de m² de área verde da capital.

O que para os gestores públicos e vizinhança pode soar como um desafio se apresentou como oportunidade aos olhos das arquitetas Bárbara Becker e Vivian Brune. Moradoras da cidade, elas idealizaram o projeto “Vazio urbano”, que prevê a realização de atividades temporárias nestes terrenos.

“Eu estava na sacada da minha antiga casa, no Campo Comprido, quando olhei para o terreno vizinho, vazio, e pensei: faz dez anos que moro aqui e este terreno está assim. Ali foi o start”, conta Bárbara. “Então, começamos a pensar que poderíamos usar estes espaços para alguma atividade e, mais do que sugerir, queríamos provar que era possível”, completa.

Ação do projeto “Vazio Urbano”, que promove atividades temporárias em terrenos desocupados. Foto: Ingrid Schmaedecke / Divulgação.Ação do projeto “Vazio Urbano”, que promove atividades temporárias em terrenos desocupados. Foto: Ingrid Schmaedecke / Divulgação.

Para isso, elas realizaram quatro intervenções: Cinema ao Ar Livre, Jardim Urbano, Galeria Aberta e Música ao Vivo, em quatro diferentes terrenos da cidade, entre dezembro de 2016 e abril de 2017. “As pessoas gostaram e o feedback foi muito positivo. Foi um processo sair da passividade de cidadão e descobrir que poderíamos fazer isso”, lembra Bárbara.

A intenção agora, segundo ela, é a de que o projeto ganhe escala. Para isso, as arquitetas têm buscado apoio junto à prefeitura e à Câmara dos Vereadores para formatar alguma contrapartida legal que incentive os proprietários dos terrenos e os transmitam segurança para participar da iniciativa.

Jardim suspenso

O desejo de ressignificar uma área por meio de novos usos, que norteia o projeto “Vazios Urbanos”, foi alcançado com êxito, e em maior escala, no desenho do High Line, em Nova Iork, nos Estados Unidos. Destacado por arquitetos e urbanistas mundo afora, o projeto nasceu da mobilização dos moradores, no final dos anos 1990, contra a demolição de uma linha de trem elevada construída cerca de 60 anos antes e desativada havia muitos anos.

O High Line, em Nova York, nasceu da mobilização de moradores em torno da criação de um parque linear na região. Foto: Bigstock.O High Line, em Nova York, nasceu da mobilização de moradores em torno da criação de um parque linear na região. Foto: Bigstock.

Por meio do trabalho da ONG Friends of the High Line, o grupo convenceu o município de que o parque linear suspenso traria benefícios urbanísticos e econômicos para a região. Após a realização de concursos, que reuniram e selecionaram ideias para a área, o High Line teve suas obras iniciadas, sendo aberto ao público em 2009. Desde então, o parque de cerca de 2,5 Km de extensão e dez metros de altura, que corta três bairros, é um dos principais pontos turísticos e de convívio da cidade.

União por um bairro melhor

Há pouco mais de cinco anos, quem chegasse à comunidade Santa Inês, na zona leste de São Paulo, tinha a sujeira como anfitriã. O lixo e o entulho se espalhavam de tal forma que, à primeira vista, a impressão era a de que a empresa responsável por sua coleta não executava o serviço. “A empresa coletava, mas os moradores continuavam jogando lixo e entulho de forma desordenada e a qualquer hora do dia”, esclarece o líder comunitário Ionilton Gomes de Aragão, que há 35 anos morava no local.

Disposto a mudar este cenário, ele começou a conscientizar os moradores para que colocassem o lixo “para fora” nos dias e horários em que a coleta era realizada, e a cobrar da empresa e da prefeitura que este calendário fosse respeitado. Nascia ali o projeto Varre Vila.

Na comunidade Santa Inês, em São Paulo, o projeto popular Varre Vila mudou o panorama da região. Foto: Divulgação.Na comunidade Santa Inês, em São Paulo, o projeto popular Varre Vila mudou o panorama da região. Foto: Divulgação.

O trabalho deu tão certo que fez com que Aragão e sua rede pleiteassem junto à Soma, empresa responsável pela limpeza da comunidade e parceira do projeto, a contratação de moradores locais. Além de realizar o trabalho de gari, eles disseminariam a conscientização sobre o lixo entre os vizinhos.

“Se você fizer sozinho, sem envolver a comunidade, corre o risco de em dois, três meses, estar tudo deteriorado. Agora, quando há pertencimento, envolvimento, as pessoas cuidam do lugar”, pontua Aragão. “O lixo esconde outros problemas da comunidade. Quando você cuida dele, ela passa a querer outras coisas”, completa.

E foi o que aconteceu na Vila Santa Inês. A partir do envolvimento dos moradores, a empresa reduziu seu custo de operação, devido à otimização da coleta, e reverteu a economia em melhorias para a comunidade, como a construção de praças e parques.

O projeto, então, ganhou escala, o que exigiu sua formalização. Hoje, é replicado com outros nomes em 11 comunidades, sendo oito em São Paulo e três em Maceió, sempre em parceria com as prefeituras e empresas responsáveis pela limpeza dessas localidades.

Horta comunitária

A união dos moradores também foi a chave para a transformação do bairro North End, em Detroit, nos Estados Unidos. Dispostos a deixar para trás a crise que abateu a região, eles transformaram uma área central ocupada por casas abandonadas e terrenos vazios em uma horta urbana de cerca de 30 mil m².

Em Detroit, hortas urbanas foram criadas sobre áreas centrais ocupadas por casas abandonadas e terrenos vazios. Foto: Reprodução / Facebook Miufi.Em Detroit, hortas urbanas foram criadas sobre áreas centrais ocupadas por casas abandonadas e terrenos vazios. Foto: Reprodução / Facebook Miufi.

O projeto teve início com a eleição do prefeito Mike Duggan, em 2014, que tinha a revitalização da cidade, urgente após anos de crise financeira e más gestões, como um de seus objetivos de governo. Em conjunto com os moradores, ele desenvolveu a proposta da revitalização verde, que ganhou força com o apoio da The Michigan Urban Farming Initiative (Miufi), organização não-governamental da Universidade de Michigan.

Além da área de horta, onde são cultivadas mais de 300 variedades de vegetais, o projeto também contemplou a reforma de dois prédios, onde são realizadas atividades socioculturais. Exemplo de agricultura urbana mundo afora, a produção da horta abastece, gratuitamente, cerca de duas mil famílias do bairro, além de igrejas da região.

Gentileza urbana

Em uma escala muito menor, mas nem por isso menos representativa, a horta também foi a saída adotada pelo casal de arquitetos Clara Reynaldo e Lourenço Gimenes, de São Paulo, para transformar o seu entorno.

Ao constatarem o desperdício no potencial de uso do espaço da garagem da residência (de 13,5 m² e na qual era guardada apenas a moto de Lourenço, uma vez que o carro ficava estacionado na rua), eles decidiram cultivar nela ervas e verduras tanto para consumo próprio como também dos vizinhos e de quem mais passe pela rua.

Clara e Lourenço trocaram a garagem de casa por uma horta orgânica aberta aos vizinhos. Foto: Fran Parente / Divulgação.Clara e Lourenço trocaram a garagem de casa por uma horta orgânica aberta aos vizinhos. Foto: Fran Parente / Divulgação.

“Tínhamos uma horta no segundo andar que morreu porque ficava longe da cozinha, que está na entrada da casa. Queríamos manter uma horta e eu me lembrei de um parque que visitei em Barcelona. Da alegria que sentia do cheiro de alecrim que vinha dele, e que ficou na minha memória. Daí veio a ideia de fazermos a horta aberta na garagem”, conta Clara.

Como o piso é feito de concreto vazado, bastou plantar as mudas nestes espaços. O acesso das pessoas às plantas é possível pelo fato de a casa não ter muros ou portões, pois o casal acredita que uma arquitetura segura é aquela permeável, sem barreiras.

Um ano após o início do cultivo, a horta já ganhou adeptos na vizinhança. Clara conta que as pessoas ficam surpresas e que algumas ainda param para perguntar se realmente podem pegar o que quiserem. “É um projeto de formiguinha que vai criando algo maior. Estamos dando um pouco mais de civilidade, de urbanidade [à rua]”, avalia a arquiteta.

Saem os carros, entra o pedestre

Pensamento parecido têm os sócios do Café Municipal, no Centro de Curitiba. Desde o último mês de março, eles “trocaram” duas vagas de estacionamento em frente ao café por uma “vaga viva”, como são chamadas as minipraças instaladas nos espaços antes destinados aos carros.

Pouco depois de a prefeitura regulamentar a instalação destes equipamentos públicos, os sócios investiram cerca de R$ 15 mil na estrutura, e outros cerca de R$ 800 mensais na manutenção da vaga viva do café que, além de servir de atrativo para os clientes, funciona como uma espécie de respiro para a cidade.

Em frente ao Café Municipal, uma vaga de carro tornou-se uma vaga viva, que recebe pessoas e torna a cidade mais humana perto do Mercado Municipal de Curitiba. Foto: Jonathan Campos / Gazeta do Povo.Em frente ao Café Municipal, uma vaga de carro tornou-se uma vaga viva, que recebe pessoas e torna a cidade mais humana perto do Mercado Municipal de Curitiba. Foto: Jonathan Campos / Gazeta do Povo.

“Curitiba está carente deste tipo de estrutura. Hoje as pessoas atravessam a cidade em busca de um espaço ao ar livre para tomar um suco, um refrigerante. Isso fez com que ela fosse bem aceita, com que as pessoas se apropriassem dela”, destaca Vinícius Ribeiro Quintino, um dos sócios do estabelecimento.

Outra vaga viva, instalada pela prefeitura de Curitiba na Rua Riachuelo em parceria com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), não alcançou o mesmo êxito. Sem vigilância e manutenção periódica, degradou-se, tanto que foi retirada da rua, no último mês de novembro. “Como ela não teve a parceria com empresários, não havia quem cuidasse do bem e o mantivesse limpo”, lembra Quintino, ao comparar os dois modelos e destacar o papel da iniciativa privada em sua conservação.

Após a publicação desta reportagem, a vaga foi parcialmente destruída por um carro no último dia 13. Agora os proprietários avaliam se irão reconstruir o espaço.

Por uma cidade melhor

Todas essas e muitas outras iniciativas realizadas por indivíduos, empresas ou grupos de pessoas são muito positivas para melhorar a qualidade de vida nas cidades. Mais do que isso, os especialistas são praticamente unânimes ao afirmar que elas são cruciais para o desenho de cidade que se pretende para o futuro.

Iniciativas de transformação do espaço público encabeçadas pela comunidade e setor produtivo são a chave para a qualidade de vida nas cidades. Foto: Orlando Ribeiro.Iniciativas de transformação do espaço público encabeçadas pela comunidade e setor produtivo são a chave para a qualidade de vida nas cidades. Foto: Orlando Ribeiro.“São ações que não vêm em forma de protesto, mas sim de uma nova maneira de se ocupar e usar a cidade”, destaca o arquiteto Reginaldo Reinert, do Ippuc. E este uso não diz respeito somente à sua estrutura física, mas especialmente a interação entre as pessoas e delas com o espaço público. “Essa interação resulta em vitalidade. Quando você elenca os melhores lugares de uma cidade, eles têm a vitalidade, e não sua estrutura física, como característica comum”, acrescenta Orlando Ribeiro, presidente da Reurb.

O caminho para que isto ganhe escala e tenha seu poder de transformação e revitalização urbana potencializado, então, passa pela promoção do engajamento e pela valorização da interlocução entre os diferentes setores da sociedade.

“O grande desafio dos governos locais está em criar arenas de participação para que seja possível se identificar as demandas e se elaborar os projetos não definindo um uso final, mas criando espaço para a população decidir o que fazer com a sua cidade”, finaliza o arquiteto e professor da UFRJ Victor Andrade.

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Por Sharon Abdalla no Haus da Gazeta do Povo.

No último dia 16 de dezembro, 200 pessoas passaram, entre as 10h e as 18h, para participar de um mutirão de plantio de araucárias e espécies da Mata Atlântica e dos remanescentes de Cerrado paulistano nas proximidades do largo da Batata, na capital de São Paulo.

As plantas vieram de terrenos em desmatamento próximos de Embu. As calçadas detonadas foram substituídas por caminhos de piso de concreto usinado. Pedras quebradas foram trocadas. Em memória do largo dos bondes, foi pavimentado um círculo. Dois bancos de ferro e madeira servem agora para contemplar a nova velha natureza reabilitada.

Nasceu assim o Largo das Araucárias, primeiro jardim de chuva público da cidade de São Paulo, fruto de um trabalho de equipe, numa nesga de terreno ocupada antes por um posto de gasolina. Apesar do terreno vulnerável, laudos da Cetesb atestaram que houve trabalho de descontaminação, segundo os idealizadores do projeto.

Bem ao lado do Bosque da Batata, que já tem uma floresta de bolso implantada desde maio de 2017, e na lateral esquerda da igreja Nossa Senhora de Montserrat.

O nome do largo homenageia as espécies que foram ali comuns e que sumiram junto com a urbanização, as mudanças no traçado do rio Pinheiros, a pavimentação de Mutirão para o plantio de árvores. Foto: Mara Gama.Mutirão para o plantio de árvores. Foto: Mara Gama.suas margens.

O traçado tenta recuperar a função da várzea. Em uma depressão do terreno, na parte central do espaço, foi escavado um escoadouro de mais de 5 metros, para dar vazão aos empoçamentos de água de chuva, em poucos minutos.

Mais de 20 caminhões de entulho foram retirados. Terra boa do local e o incremento de matéria orgânica foram substitutos no novo aterramento. Vegetação compatível com o esforço de absorção foi implantada, junto com as 60 araucárias de 30 cm a 3 metros do novo largo.

Além das araucárias, foram plantadas algumas palmeiras Jerivá de três metros, mudas de pitangueiras, cerejeiras brasileiras, araçás amarelos e guarirobas. Tudo muito junto, no terreno pequeno de cerca de 600 metros quadrados.

"Existe uma falsa crença que se você plantar mudas muito próximas elas não vão crescer. Mas é justo o oposto. Como no caso das araucárias, que gostam do Sol, mas que precisam de outras plantas que criem um nicho mais úmido para crescer", conta Ricardo Cardim, do movimento Floresta de Bolso e um dos idealizadores do espaço, junto com Nick Sabey, do Novas Árvores Por Aí, Sergio Reis, arquiteto e urbanista, Guilherme Castanha, arquiteto, e do ambientalista Hamilton Cesar.

A ideia de reproduzir com o plantio o ambiente integrativo e protetor das florestas é o ponto central do projeto da florestas de bolso, de Cardim.

A manutenção do Largo das Araucárias está sendo discutida com Cardim e alguns patrocinadores. A partir de janeiro de 2018, acredita ele, haverá uma força de trabalho custeada por esses apoiadores para os cuidados com o Largo das Araucárias e o Bosque da Batata, com suas mais de 80 espécies plantadas.

Um dos problemas mais graves da região é o acúmulo de lixo, depositado por moradores, lojistas da região e carroceiros. Trata-se de um ponto viciado. "A Prefeitura deveria fazer um ecoponto nas proximidades, para inibir o depósito nessas áreas", defende Cardim.

"A energia do local já é outra depois do nosso trabalho. O Largo das Araucárias é mais um exemplo da acupuntura urbana que fazemos. Com intervenções localizadas, queremos alterar o todo", finaliza Cardim.

Espaço do novo largo, onde funcionou um posto de gasolina, junto à igreja de Mont Serrat, no largo da Batata. Foto: Blog Árvores de São Paulo.Espaço do novo largo, onde funcionou um posto de gasolina, junto à igreja de Mont Serrat, no largo da Batata. Foto: Blog Árvores de São Paulo.

O piso e estruturas do posto já limpos. Foto: Blog Árvores de São Paulo.O piso e estruturas do posto já limpos. Foto: Blog Árvores de São Paulo.

Vistos de cima o Largo das Araucárias e o Bosque da Batata. Foto: Toquinho / Canal Variedades.Vistos de cima o Largo das Araucárias e o Bosque da Batata. Foto: Toquinho / Canal Variedades.

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Mara Gama é jornalista com especialização em design, roteirista e consultora de qualidade de texto. Artigo publicado originalmente em seu blog na Folha de S.Paulo.

Serão entregues neste sábado, 16 de dezembro, as obras de revitalização da Praça Ramos de Azevedo, realizadas no âmbito do Projeto Italia Per San Paolo.

Durante mais de meio século, os italianos foram responsáveis pela construção de grandes prédios e monumentos na cidade de São Paulo e vão restaurar alguns desses ícones da cidade. Para isso foi criado o projeto Italia Per San Paolo – Monumentando e Restaurando a Cidade, cujas ações foram idealizadas pela Embaixada da Itália, pelo Consulado da Itália em São Paulo e pela Italian Trade Agency (ITA).

Com a iniciativa, além da Praça, um dos mais importantes ícones arquitetônicos da cidade - serão restaurados outros locais na Zona Sul e Oeste. A Praça Ramos de Azevedo contém um rico conjunto escultórico, todo realizado na Itália e composto por elementos ligados a personagens das óperas de Carlos Gomes, cuja estátua figura no nível mais alto do monumento.

Um dos mais belos monumentos da cidade, a ‘Fonte dos Desejos' - presente da comunidade italiana à cidade de São Paulo e ao Brasil, por ocasião do primeiro centenário da independência - e a praça receberão benfeitorias como reposição de pedras, troca de mármores, iluminação, troca de bancos, instalação de wi-fi e novo paisagismo. 

Quase 100 anos depois de sua inauguração, novos representantes da comunidade italiana, que fez de São Paulo uma pequena Itália, devolverão aos paulistanos um de seus espaços mais ricos de história.  

A história da Praça

Teatro Municipal e Praça Ramos de Azevedo, 1911. Foto: São Paulo Antiga, Teatro Municipal e Praça Ramos de Azevedo, 1911. Foto: São Paulo Antiga,

A obra mais conhecida do arquiteto Ramos de Azevedo fica na Praça Ramos de Azevedo, evoca o nome de Ramos de Azevedo, mas não é do arquiteto Ramos de Azevedo. A obra em questão, o Teatro Municipal, foi projetada pelo italiano Domiziano Rossi, que trabalhava no escritório de Ramos de Azevedo. Nem por isso Francisco de Paula Ramos de Azevedo (1851-1928) deixou de se envolver profundamente no empreendimento, executado por encomenda do prefeito Antônio Prado e inaugurado em 1911. Ele até montou uma tenda no local, para acompanhar pessoalmente os trabalhos, em nome do escritório de engenharia e arquitetura que comandava.

Em 1922, a comunidade italiana residente em São Paulo inaugurou na praça, em frente ao Theatro Municipal, um conjunto de esculturas, em homenagem ao compositor brasileiro de óperas, Carlos Gomes. A entrega das peças fazia parte das comemorações do centenário da Independência do Brasil. O “Monumento a Carlos Gomes”, como ficou conhecido, de autoria do escultor italiano Luigi Brizzolara, foi colocado na fonte que já existia no local, desde a inauguração do Theatro Municipal, em 1911. As 12 obras, feitas em mármore, bronze e granito e executadas na Itália, pela oficina Camiani e Guastini Fonderia Artística in Bronzo, representam a música, a poesia, além de alguns dos principais personagens das canções do artista.[

O Projeto Italia Per San Paolo

Praça Ramos de Azevedo. Imagem: Italia Per San Paolo.Praça Ramos de Azevedo. Imagem: Italia Per San Paolo.A parceria com empresários ligados à comunidade italiana irá recuperar importantes locais da cidade. As melhorias serão feitas nas praças Ramos de Azevedo, no Centro histórico da capital paulista, na Cidade de Milão, na Zona Sul, e na Imigrante Italiano, na Zona Oeste. As ações foram idealizadas pela Embaixada da Itália, pelo Consulado da Itália em São Paulo e pela Italian Trade Agency (ITA), que possibilitaram os contatos entre a Prefeitura e as empresas.

Os imigrantes italianos foram responsáveis pela construção de grandes prédios e monumentos na cidade que ajudaram a construir. Desta forma, foi firmada a parceria entre empresários em revitalizar monumentos importantes da cidade, historicamente ligados à Itália ou sua comunidade.

Participam da iniciativa as empresas e representantes da comunidade italiana local: Comolatti, Geodata, Luigi Bauducco, Pirelli, Sandra Papaiz, Prysmian, Tim, Enel, Grupo Gavio, BCF Solutions, Graziella Matarazzo Leonetti, Andrea Matarazzo, GM Venture, IED, Colégio Dante Alighieri, Intesa Sanpaolo, Magnetti Marelli, Lia Bridelli, Azimut, Papaiz Participações, Tozzini Freire e Zaraplast.

A história e todo o processo de restauro e revitalização poderão ser acompanhados pelo site www.italiapersanpaolo.com.br

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Da Redação.