USP aprova cotas raciais e de escola pública no vestibular, pela primeira vez em sua história - São Paulo São

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Em 2018, a meta é ter 37% de ingressantes de escola pública em cada faculdade. No ano seguinte, 40% em cada um dos cursos. Já em 2020 serão 45% em todos os cursos e todas as turmas da USP. E, em 2021, 50% em todas as graduações e turmas. O porcentual de 37% de PPI é definido segundo a distribuição populacional por raça no Estado de São Paulo, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).  

A distribuição de cotas será feita entre Fuvest e o Enem – as metas consideram as reservas de vagas dadas na soma dos dois métodos de ingresso. Com a nota do Enem, o candidato usa o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), plataforma do Ministério da Educação que reúne vagas destinadas ao ensino superior público.

A proposta original da reitoria da universidade não fixava reserva de vagas específica para PPI. Isso foi alvo de críticas de professores e alunos durante a reunião do CO.

Após anos de pressão dentro e fora da comunidade universitária, a USP é a última a aderir às cotas entre as estaduais – a Unicamp aprovou reserva de vagas em maio deste ano e a Unesp, em 2013. Já o ensino superior federal usa cotas desde 2012. 

Em 2013, a reitoria havia assumido o compromisso de ter metade dos alunos da rede pública entre seus ingressantes até o ano que vem. Com o plano aprovado nesta terça, essa meta é adiada em três anos. Das 11.147 vagas que a USP vai oferecer no próximo processo seletivo, 8.402 serão pela Fuvest. As 2.745 restantes serão pelo Sisu.

“É emblemático, porque representa a universidade – que tem liderança no País e muita visibilidade – assumir que esse é um problema importante do ponto de vista de integração de nossa população”, declarou nesta terça o reitor da USP, Marco Antonio Zago, após o conselho. 

O reitor admite que a novidade vai demandar mais recursos para a permanência estudantil e a USP precisará de ajuda financeira do Estado para conceder bolsas aos alunos de baixa renda. A demora em aprovar a mudança, diz ele, ocorre pelo perfil divergente entre as unidades. “A USP é muito heterogênea na sua origem, na vida acadêmica das unidades.” 

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Por Luiz Fernando Toledo e Isabela Palhares / O Estado de S. Paulo.