Conpresp aprova diretrizes do projeto de requalificação urbana do Jockey Club de São Paulo - São Paulo São

Afundado em dívidas milionárias e com gigantescas áreas ociosas, o Jockey Club de São Paulo deu o primeiro passo para mudar de cara e transformar uma das regiões mais nobres da capital paulista. O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo (Conpresp) aprovou nesta semana diretrizes que abrem caminho para a construção de um parque rebaixado com área de 150 mil metros quadrados no meio do hipódromo e de torres comerciais e residenciais nas duas pontas do terreno tombado da Marginal do Pinheiros, no bairro Cidade Jardim, zona sul paulistana.

Interior do Jockey Club de Sao Paulo cerca de 1945. Projeto de Henri Sajous, exemplo de arquitetura Art Deco na cidade. Foto: Acervo do Jockey.Interior do Jockey Club de Sao Paulo cerca de 1945. Projeto de Henri Sajous, exemplo de arquitetura Art Deco na cidade. Foto: Acervo do Jockey.

O jornal O Estado de São Paulo teve acesso com exclusividade ao projeto de requalificação urbana do Jockey, apresentado nesta sexta-feira, 20, pelo prefeito João Doria e pelo presidente do conselho administrativo do clube, Benjamin Steinbruch. Com o conceito de integrar a área de 586 mil metros quadrados à cidade, o projeto prevê a demolição do muro de quase dois quilômetros de extensão na Avenida Lineu de Paula Machado para facilitar a circulação de pessoas e melhorar a visibilidade interna do equipamento. Por causa das limitações impostas pelo tombamento e para não prejudicar as corridas de cavalos, o parque será instalado no nível abaixo ao da pista e o acesso será feito por passagem subterrânea. 

O projeto prevê o restauro das estruturas tombadas, como a cocheira, as tribunas e o antigo hospital, e que ocupam cerca de 90 mil metros quadrados. Na entrada principal, as construções de equipamentos culturais e de galerias comerciais não poderão ultrapassar a altura da arquibancada dos espectadores do turfe. Nos dois polos extremos do Jockey, do lado próximo à ponte Cidade Jardim, e do lado próximo à Ponte Eusébio Matoso, a ideia é erguer torres residenciais e comerciais para atrair investidores.

“Trabalhamos com um modelo de ocupação que combina o respeito e preservação do patrimônio histórico, integrado com a vizinhança e com a cidade, e novas construções que tragam viabilidade financeira para a manutenção do equipamento e do próprio patrimônio”, explica a arquiteta Adriana Levisky, do consórcio Königsberger Vannucchi + Levisky Arquitetos, responsável pelo projeto. Segundo ela, conceitos semelhantes já foram utilizados nos hipódromos de Auteuil, em Paris, na França, e de Meydan, em Dubai, nos Emirados Árabes, e transformaram as regiões.

Mudanças

Conselho Municipal do Patrimônio aprovou diretrizes de construção em área de 586 mil m² do Jockey Club.Conselho Municipal do Patrimônio aprovou diretrizes de construção em área de 586 mil m² do Jockey Club.Com as diretrizes aprovadas pelo Conpresp, o Jockey deve agora aprimorar o projeto e apresentá-lo ao conselho estadual de proteção ao patrimônio, o Condephaat. Em seguida, deve discutir as regras de zoneamento com a Prefeitura para saber, por exemplo, quais serão os limites de construção no terreno, em área equivalente a 60 quarteirões. As regras serão definidas por meio de um Projeto de Intervenção Urbana (PIU) específico para o hipódromo.

Vocações

“É um equipamento de vulto urbano que marcou a história da cidade. Entendemos que, pelo porte dele e pela importância para São Paulo, o Jockey deve ser visto nesse contexto e potencializar as vocações da região”, diz Adriana. “Por isso, propomos a ocupação com uso misto, para garantir vitalidade e circulação 24 horas . A deliberação do Conpresp foi um primeiro passo extremamente importante porque valida as diretrizes de ocupação.”

Embora a proposta tenha avançado, nem todos os membros do Conpresp aprovaram a verticalização do terreno. Relator do projeto, o arquiteto Silvio Oksman solicitou alterações e esclarecimentos sobre a proposta, mas foi voto vencido. Ele, representante do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) no órgão, entregou carta na última quinta-feira, 19, renunciando ao cargo.

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Por Fabio Leite em O Estado de S.Paulo.