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O projeto é um estudo sobre as transformações sociais e culturais da comunidade de Medelin. Crédito: Estúdio Bijari.O projeto é um estudo sobre as transformações sociais e culturais da comunidade de Medelin. Crédito: Estúdio Bijari.

O Estúdio Bijari integra a exibição Talking to Action, parte do projeto Pacific Standard Time LA/LA, circuito de exposições que reúne cerca de 50 ações artísticas em Los Angeles e arredores para discutir a relação entre a cultura latina e a cidade norte-americana. Especializado em artes visuais e multimídia apresenta o projeto “Contando Con Nosotros”, dos artistas Mauricio Brandão e Gustavo Godoy. A exposição será inaugurada no dia 17 de setembro, na galeria Ben Maltz, do Otis College of Art and Design, escola ligada à arte pública e intervenção urbana.

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A equipe quase completa do Moradigna. Falta a sócia Vivian Sória, que se encontra em licença maternidade. T. P.A equipe quase completa do Moradigna. Falta a sócia Vivian Sória, que se encontra em licença maternidade. T. P.As épocas de chuva sempre foram as piores para os moradores do Jardim Pantanal, bairro da zona leste de São Paulo que está próximo à várzea do rio Tietê. Com alagamentos em sua casa que, no verão, podiam durar semanas, Matheus Cardoso costumava sair para a escola vestindo chinelos e carregando em sua mochila um par de tênis e uma garrafa com água. Ao chegar a uma área seca, limpava seus pés, se calçava e ia estudar com o sonho de um dia se formar engenheiro civil para poder tirar sua mãe da periferia. Sua formatura ocorreu no final de 2015, mas um ano antes ele já começava a gestar um projeto profissional que, ao contrário do que sonhava, faria com ele permanecesse no bairro onde nasceu e cresceu. Para transformá-lo.

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Lilian Malta Varella, proprietária do Drosophyla, em casarão de 1920 totalmente restaurado. Foto: Denize Bacoccina.Lilian Malta Varella, proprietária do Drosophyla, em casarão de 1920 totalmente restaurado. Foto: Denize Bacoccina.

“Eu sempre gostei de bares off road.” Assim a empresária Lilian Malta Varella define seu estilo como empreendedora. O off road, neste caso, é apenas uma figura de linguagem, já que seu bar, o Drosophyla, está localizado bem no coração de São Paulo, na Rua Nestor Pestana, a um quarteirão de pontos badalados, como o Copan, a Avenida São Luiz e a Praça Roosevelt.

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Em uma noite de chuva e Marginais ainda mais engarrafadas que o normal, o rapper Jordan Fields, de 30 anos, comemorava com um pulo a chegada de cada um de seus alunos. O sorriso de boas-vindas permaneceu durante as duas horas em que ministrou o curso “Inglês na Quebrada” - lançado por ele na semana passada no bairro Jardim Dionísio, distrito de Jardim Ângela, na zona sul de São Paulo.

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Os catadores Reginaldo Souza Barbosa e Maria José de Oliveira Santos. Foto: Giuliano Gomes / PR Press.Os catadores Reginaldo Souza Barbosa e Maria José de Oliveira Santos. Foto: Giuliano Gomes / PR Press.

Do lixo o carrinheiro João Carlos de Lima tirou a carne que assou para a janta e os poucos reais que pagaram a conta de luz do mês. A catadora Maria de Oliveira, a Lia, bancou estudo aos seis filhos e montou uma coleção de taças de vidro, na qual ninguém põe a mão. Marli Tereza da Cruz, também catadora, alicerçou sua primeira casa própria — um barracão feito de vigas sujas, pregos baratos e lona, montado dentro do extinto lixão de Paranaguá, no litoral do Paraná.

Os três trabalham hoje com a coleta, a separação e a destinação de materiais recicláveis e, além das suas próprias vidas, movimentam toda a cadeia produtiva do lixo no estado, ao lado de outros milhares. Eles são o elo entre o que jogamos fora e o que é reutilizado por empresas recicladoras.

Catadora trabalha na separação do lixo. Foto: Giuliano Gomes / PR Press.Catadora trabalha na separação do lixo. Foto: Giuliano Gomes / PR Press.Os três trabalham hoje com a coleta, a separação e a destinação de materiais recicláveis e, além das suas próprias vidas, movimentam toda a cadeia produtiva do lixo no estado, ao lado de outros milhares. Eles são o elo entre o que jogamos fora e o que é reutilizado por empresas recicladoras.

Nos municípios paranaenses, há em média um catador para cada 1 mil habitantes, estima o Ministério Público (MP-PR). Boa parte deles está na rua, sem condições dignas de trabalho.

"Todos [catadores] são escravos, absolutamente escravos. Puxam um carrinho como se fossem um animal. São estágios de completo abandono, trabalhando individualmente, coletando de manhã para ganhar o almoço. As pessoas não sentem esse problema, não observam o catador. É ele que movimenta todo o processo do lixo reciclável", diz Saint-Clair Honorato Santos, procurador de Justiça de Direitos Difusos do Ministério Público do Paraná (MP-PR).

Claudete Batista de Godois. Foto: Giuliano Gomes / PR Press.Claudete Batista de Godois. Foto: Giuliano Gomes / PR Press.Para dar condições a quem trabalha com o lixo, a melhor maneira tem sido uni-los em cooperativas organizadas, para que trabalhem em conjunto com o poder público, afirma o procurador.

"A cooperativa é uma empresa que vai prestar serviço ao município, como se fosse uma terceirizada. É responsabilidade do município viabilizar essas cooperativas e associações, melhorando o meio de trabalho e deixando que os próprios catadores gerenciem o serviço", opina Saint-Clair.

Cooperativas são a melhor maneira de dar condições dignas de trabalho aos catadores, diz procurador. Foto: Giuliano Gomes / PR Press.Cooperativas são a melhor maneira de dar condições dignas de trabalho aos catadores, diz procurador. Foto: Giuliano Gomes / PR Press.Geralmente, as cooperativas recebem material de empresas parceiras, ruas e casas e fazem a separação. O que é reciclável vai para a prensa, controlada pelos próprios cooperados, e seguem para compradores.

Lia, de 43 anos, trabalha há mais de 30 anos com a separação de lixo. A maior parte do tempo foi nas ruas, arrastando um carrinho e catando o que encontrava nas calçadas. Há dois anos, porém, passou a integrar uma cooperativa organizada, no bairro Boqueirão, em Curitiba, da qual se tornou presidente.

Lia de Oliveira trabalhou pro quase 30 anos na rua e hoje é presidente de uma cooperativa. Foto: Giuliano Gomes / PR Press.Lia de Oliveira trabalhou pro quase 30 anos na rua e hoje é presidente de uma cooperativa. Foto: Giuliano Gomes / PR Press."Me lembro que vendia o papel a um centavo o quilo. Eu não ia para rua pelo material reciclável, mas para ganhar uma cesta básica, alguém me dar uma roupa. Foi o carrinho que matou muitas vezes a minha fome. Quando vim para um cooperativa organizada, eu deixei de me sintir uma lixeira. Eu queria que quem  lá fora sentisse o mesmo que sinto hoje", comenta a catadora.

Quem está lá fora é João Carlos Lima, que trabalha arrastando um carrinho em busca de material reaproveitável, todos os dias. "É sofrida a vida do carrinheiro, é sofrida. Sol e chuva, geada... tem que correr, andar atrás. Se não fizer isso aí, morre de fome", lamenta.

João Carlos de Lima trabalha como carrinheiro nas ruas. Foto: Weliton Martins / Reprodução.João Carlos de Lima trabalha como carrinheiro nas ruas. Foto: Weliton Martins / Reprodução.No estado, existem centenas de cooperativas instaladas, mas nem todas têm as condições adequadas de trabalho. Além disso, muitas delas são geridas por "atravessadores" — donos de barracões que exploram a mão de obra dos catadores para ficar com a maior parte da renda do material reciclável.

"Nós que trabalhamos de carrinheiro? Nós não ganhamos nada. Quem ganha são os atravessadores, lá em cima. A gente trabalha, eles que ganham dinheiro. Enquanto eu ganho R$ 20, eles ganham R$ 100", relata João Carlos.

Para Marli Tereza, que morou por anos dentro do lixão de Paranaguá e lá criou 15 filhos, o trabalho em uma cooperativa do município foi um alento. "Hoje eu sou uma mulher maravilhosa, sabe? Por estar trabalhando na associação, é um grande espaço da minha vida. Tenho maior orgulho do meu serviço, agradeço a Deus todos os dias por ter isso".

'Me sinto uma mulher maravilhosa', diz a catadora Marli Tereza. Foto: Weliton Martins / RPC.'Me sinto uma mulher maravilhosa', diz a catadora Marli Tereza. Foto: Weliton Martins / RPC.O ideal seria que todos os catadores estivessem realizados como Marli, mas falta volume de material para que isso se torne viável. Segundo o procurador do MP, as prefeituras ainda não olham para os cooperados com a devida importância.

"As cooperativas podem ser contratadas sem licitação, para abreviar o processo. Falta os municípios contratarem catadores e trabalhar com eles gerenciando o serviço. Se houver o apoio a essas organizações, o pagamento por tonelada e inserção social, poderemos chegar um bom resultado nos próximos anos", diz Saint-Clair.

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Fonte: G1 do Paraná.