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Se fosse necessária uma prova do potencial criativo dos jovens das áreas mais carentes das periferias, a experiência relatada no livro O que o rap diz e a escola contradiz poderia servir de demonstração. Escrito por Monica Guimaraes Teixeira do Amaral, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP), e publicado com apoio da FAPESP, o livro conta a história de uma pesquisa realizada com estudantes de 13 a 16 anos na Escola Municipal de Ensino Fundamental José de Alcântara Machado Filho, situada perto da antiga favela do Real Parque, hoje urbanizada, na cidade de São Paulo.

Alê Youssef. Foto: Divulgação.Alê Youssef. Foto: Divulgação.Conhecido por empreender projetos culturais com veia social pulsante como o Studio SP, a Casa do Baixo Augusta e o Bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, o ativista, produtor cultural e comunicador Alê Youssef publica o seu primeiro livro. “Novo Poder: Democracia e Tecnologia”, da editora Letramento, lançado no úlltimo dia 4 na Casa do Baixo Augusta, chega às livrarias a partir do próximo dia 15 de maio.

Em meio a sua atuação em projetos grandiosos - do Studio SP ao Bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, passando pela ocupação desbundada do Rivalzinho na Cinelândia carioca e chegando ao desfile de um milhão de pessoas em São Paulo decretando que “é proibido proibir” -, Youssef fez mestrado em Filosofia Política. Conciliou o aceleracionismo de tantas atividades / ativismos com o slow da reflexão acadêmica, afinal a universidade precisa se conectar com a nova rua as novidades da cultura urbana precisam de acompanhamento crítico mais rigoroso.

Baseado na dissertação de mestrado “A Crise da Democracia Representativa e as Inovações Tecnológicas” aprovada pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o livro traz contribuições originais para a análise de uma realidade recente envolta em desafios.

Para o antropólogo Hermano Vianna, que assina o prefácio do livro, “o Novo Poder pode ser usado como um manual para quem quer também se aventurar a pensar, com responsabilidade, a complexidade - incluindo cada vez maiores ambiguidades - do nosso mundo atual. Não é mais possível fundamentar ativismos em certezas emancipatórias do passado."

Nas palavras do filósofo e Diretor do Departamento de Pós-Graduação em Filosofia da UFRJ, Rafael Haddock-Lobo "não se trata de uma obra que busca ingenuamente apontar a importância da tecnologia e celebrar a nova forma de configuração política que se desenha em nossos tempos.

O livro é cuidadoso em explorar as potências positivas e negativas da aliança constitutiva do Novo Poder com a tecnologia, deixando em aberto uma importante questão, no que se refere ao problema fundamental da política: a soberania".

Ativismo on-line

O livro é dividido em oito capítulos, sendo os cinco primeiros uma espécie de curadoria de pensadores ultracontemporâneos que analisam a relação entre democracia e tecnologia sob diversos ângulos. São autores unusuais no academicismo, contrabandeados por Alê para a publicação para aquecer a discussão do tema no meio acadêmico e fortalecer sua conexão real com os dias de hoje.

Os cinco primeiros capítulos buscam, portanto, a construção de um mosaico que aborda as duas realidades destacadas: de um lado, as considerações sobre a democracia e, de outro, os relatos e as reflexões de autores que estão vivenciando na prática as inovações tecnológicas. A partir do sexto capítulo, Alê concentra sua reflexão na tecnologia como alternativa para a crise da democracia e dedica-se a inverter o foco de análise sobre as possibilidades futuras da relação entre a crise da democracia e as inovações tecnológicas.