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Na semana passada, em São Paulo, refugiadas da Síria, República Democrática do Congo, Colômbia, Nigéria e Moçambique participaram de mais uma rodada do projeto “Empoderando Refugiadas”. Foi o terceiro encontro da iniciativa em 2017. No evento, realizado na sede da consultoria jurídica EMDOC, estrangeiras conheceram oportunidades de capacitação em universidades brasileiras e outras instituições.

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“Eu pude escrever, eu pude contar uma história que eu sempre queria contar.” A frase, de Therezinha Carelli dos Santos, de 88 anos, mãe de três filhos e avó de quatro netos, resume bem a importância e a simplicidade do projeto que culminou com o livro Histórias Que Se Encontram, recém-lançado pelo Geros Center, espaço de lazer e de manutenção de saúde física e mental do Lar Sant’Ana, residencial de idosos mantido pela Liga Solidária no Alto de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.

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Servido em um copo alto, o drinque gelado mistura suavemente vodca, limão e chá, evocando, diz o cardápio, o que se consome nas casas palestinas quando os convidados sentam para compartilhar histórias.

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O projeto Memórias chegou para mostrar histórias de pessoas e lugares de uma maneira mais próxima do real. Em um mundo onde as histórias de pessoas comuns são reduzidas a poucos caracteres, uma dupla de publicitários, com passagens por grandes Agências de publicidade da cidade, se uniu para fundar um veículo independente que conecta criadores de conteúdo diretamente com histórias verdadeiras e as divulga através das plataformas digitais, HQ, fotografias e conteúdos em série.

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Hasan Zarif, descendente de palestinos e dono do Al Janiah, que contrata refugiados: a atividade culinária ajuda nas relações entre brasileiros e estrangeiros. Foto: Felipe Gabriel.Hasan Zarif, descendente de palestinos e dono do Al Janiah, que contrata refugiados: a atividade culinária ajuda nas relações entre brasileiros e estrangeiros. Foto: Felipe Gabriel.

As mesas estão todas ocupadas. No bar, os pedidos de mate limão, e cerveja gelada ocupam as mãos de um dos palestinos refugiados que fazem parte da Ocupação Leila Khaled, Ahmad Jamal, um prédio na rua Conselheiro Furtado, no centro de São Paulo, que tem abrigado famílias de sem-teto brasileiros e refugiados palestinos e sírios.  


Na cozinha, Mohamad Othman e Mohamad Isa comandam as especialidades árabes, falafel, tabule, esfiha, shawarma. No meio desse agito, Hasan Zarif, filho de refugiados palestinos, nascido no Brasil, interrompe a entrevista algumas vezes para checar a cozinha, ver se os voluntários precisam de ajuda para se comunicar com os refugiados (que não falam muito português), ver como estão as coisas no bar e com os clientes.

Ele admite que o trabalho não é fácil. Apesar de cansado, Hasan possui uma mistura de energia que faz o lugar funcionar perfeitamente . “Nós só fechamos quando o último cliente vai embora”, garante.

O sírio Rami Othman (centro), ao lado de colegas de cozinha do restaurante Al Janiah, em São Paulo: talentos culinários dos refugiados estão em alta. Foto: Felipe Gabriel.O sírio Rami Othman (centro), ao lado de colegas de cozinha do restaurante Al Janiah, em São Paulo: talentos culinários dos refugiados estão em alta. Foto: Felipe Gabriel.

A necessidade de esclarecer, discutir e tornar visível tudo aquilo que envolve a figura do refugiado foi a fagulha que resultou na criação do Al Janiah que já se tornou uma referência em culinária árabe e também um centro cultural e polo de discussão política. Hasan tinha motivos de sobra para montar o empreendimento: ele produz cerveja artesanal, costuma dar festas na sua casa e reunir seus companheiros de militância. “E por que não reunir pessoas ligadas a relações internacionais, as que se interessam pelo Oriente Médio, pessoas que queiram discutir sobre os problemas da nossa cidade ou aquelas que só estão à procura de um lugar boêmio?”. Tudo embalado com música, comida tradicional árabe e uma boa cerveja gelada.

Palestina Libre, o drink da casa, elaborado pela equipe e feito com arak (tradicional bebida árabe-palestina), cachaça, limão, pimenta biquinho e zaatar verde. Foto: J.F.Diorio.Palestina Libre, o drink da casa, elaborado pela equipe e feito com arak (tradicional bebida árabe-palestina), cachaça, limão, pimenta biquinho e zaatar verde. Foto: J.F.Diorio.

A “semana” do restaurante começa às quartas-feiras e vai até o domingo. Oficialmente, ele abre às 18h (portanto, não serve almoço) e vai até às 22h – claro que o horário de fechamento raramente é obedecido e, muitas vezes, a noite no Al Janiah avança para muito além da meia-noite.
Falafel, Shawarma, Kafta e outros clássicos são as estrelas do restaurante. Foto: Divulgação.Falafel, Shawarma, Kafta e outros clássicos são as estrelas do restaurante. Foto: Divulgação. Para quem tiver curiosidade, vale visitar a cozinha e acompanhar como um pão sírio é feito (por R$ 1 a mais, você pode pedir o seu prato com o pão feito na hora). Não raro, os cozinheiros trabalham ao som de música islâmica. “O importante é que fazemos tudo com muito gosto e felicidade”, comenta Rami. A felicidade também é do cliente. O prato mais caro custa R$ 25 (uma versão super do Falafel ou do Shawarma). Na média, os pratos, lanches e petiscos saem por R$ 15.
“Eu já organizava festas, produzia cerveja artesanal em casa e pensei que o ambiente como um bar/restaurante poderia contribuir para fortalecer a nossa causa”, fala Zarif. Foto: Divulgação.“Eu já organizava festas, produzia cerveja artesanal em casa e pensei que o ambiente como um bar/restaurante poderia contribuir para fortalecer a nossa causa”, fala Zarif. Foto: Divulgação.E para quem quiser acompanhar a programação, é só dar uma olhada no movimento no Facebook do restaurante. O Al Janiah faz referência a um vilarejo na Cisjordânia que é parte dos territórios palestinos ocupados por Israel. “O que está acontecendo aqui é muito importante para a integração dos brasileiros com os palestinos e os sírios. Aqui no Al Janiah ela é completa. Vem da música árabe, da língua, da decoração – que ainda está sendo produzida – e dos eventos, como filmes que são transmitidos uma vez por mês e debates relacionados à questão dos palestinos.”

“O que está acontecendo aqui é muito importante para a integração dos brasileiros com os palestinos e os sírios. Aqui no Al Janiah ela é completa.“ Foto: Reprodução / Facebook.“O que está acontecendo aqui é muito importante para a integração dos brasileiros com os palestinos e os sírios. Aqui no Al Janiah ela é completa.“ Foto: Reprodução / Facebook.

O Al Janiah virou um centro para refugiados de diversas nacionalidades. Zarif conta que, uma vez por mês, recebe shows de um grupo de rap haitiano – que, além disso, membros de diversas comunidades africanas e latino-americanas se encontram no espaço para conversar, beber e se organizar. E ainda estudantes secundaristas, feministas e coletivos de esquerda costumam promover festas no restaurante.

Fachada do Al Janiah; à porta, de preto, o palestino Noor, que anota da direita para a esquerda, na comanda, o nome do frequentador. Foto: Gabriel Rastelli Quintão / UOL.Fachada do Al Janiah; à porta, de preto, o palestino Noor, que anota da direita para a esquerda, na comanda, o nome do frequentador. Foto: Gabriel Rastelli Quintão / UOL.

Serviço
 

Al Janiah.
Onde: R. Rui Barbosa, 269 - Bela Vista, São Paulo.
Horários: de 4ª a domingo, das 18h até o último cliente.

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Com informações de Heloá Vidal no ADUS.