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Ganhador do Pritzker, o mais importante da arquitetura mundial, Paulo Mendes da Rocha diz que as horas gastas em transporte público pelos paulistanos é uma forma de mantê-los escravizados.

É possível dizer que o arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha, de 86 anos, está em um lugar onde poucos do mundo já chegaram. Em 2006, recebeu o prêmio Pritzker, o mais importante da arquitetura mundial. Autor de obras como o Museu Brasileiro da Escultura (MUBE), em São Paulo, o arquiteto pertence a uma geração de modernistas, influenciados por nomes como os franceses Le Corbusier e Lucio Costa, o russo Gregori Warchavchik e os brasileiros Oscar Niemeyer e João Batista Vilanova Artigas.

No centro da cidade, onde mantém um escritório no mesmo endereço há 30 anos, o arquiteto que nasceu em Vitória, no Espírito Santo, recebeu o EL PAÍS, sentado em sua Poltrona Paulistana, projetada em 1957 e que até hoje é vendida em diversos países. Tornou-se, inclusive, peça da coleção permanente do MoMA de Nova York. Atento aos movimentos paulistanos, ele faz uma leitura do momento atual, onde o paulistano disputa espaço com os carros.

Pergunta. São Paulo está sendo palco de movimentos que, mais do que reivindicar por direitos como moradia e trabalho, visam ocupar a cidade. O senhor acha que a briga por espaço está, de fato, mais no centro das questões nesse momento?

Resposta. Eu prefiro dizer que não, até porque, a coisa sempre foi assim. Do ponto de vista da transformação do homem de camponês ao urbano, num período histórico muito amplo – do século 19 e 20 – a questão sempre foi essa. A razão da cidade é podermos conversar.Se você dá chance de as pessoas se encontrarem para falar, eis o movimento. Isso é tão verdade que aqueles que lutam contra isso, a parte que nós chamamos de 'conservadora' da sociedade, sempre esteve muito atenta e agiu com políticas violentíssimas do ponto de vista de grandes empreendimentos. Um exemplo disso em São Paulo foi o de tirar o ensino universitário da cidade, quando historicamente as grandes cidades sempre foram feitas em torno delas.

P. De que forma?
R. A Escola Politécnica, que era aqui junto ao Rio Tietê, na Rua Três Rios, foi tirada daqui para fundar essa ‘Cidade Universitária’ [na região do Butantã]. E eis o ato falho, pois não havia condução para ir até lá. Ou seja, a escola estatal grátis que nós tínhamos, uma das melhores inclusive, só era frequentada por quem tivesse automóvel. Então tiraram os estudantes justamente da área central, porque ele era muito politizado e por qualquer coisa ele estava na rua. Esse diálogo, no bar, no botequim, é muito importante. O estudante que vai comer na cantina da escola é uma espécie de idiota diante do estudante que vai ao botequim da esquina e encontra o jornalista, o operário... Ou seja, a grande universidade do ponto de vista do espaço físico é a própria cidade. Tudo isso mostra que nós sempre lidamos com a questão de evitar justamente a mobilização popular.

P. Esse movimento de levar a universidade para fora da cidade, é também o que o poder público faz com as camadas mais pobres da população. Para resolver o déficit habitacional da cidade, a Prefeitura vai e constrói habitação popular nas regiões periféricas, longe do centro...
R. Sim, mas nem sempre consegue. Na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, da noite para o dia verticalizou-se o bairro de Copacabana. A classe mais alta, capaz de comprar aqueles apartamentos, queria morar na praia. Mas aqueles moradores não dispensavam babá para as crianças, copeira, cozinheira, faxineira para os prédios, porteiro. Então, como não interessava à especulação imobiliária os terrenos difíceis das encostas, construíram na horizontal [em frente ao mar] e concederam [os morros para ocupação]. Aquilo virou uma espécie deCasa Grande e Senzala. Então não há novidade. Por exemplo, a questão do passe do ônibus, que foi o que movimentou as últimas manifestações em São Paulo. A ideia do custo da passagem foi só para desencadear uma consciência do atraso. São Paulo deveria ter 250 quilômetros de metrô e tem 50, 60, até hoje. Ontem mesmo os jornais publicaram que São Paulo está vendendo 500 automóveis por dia. Faz muito tempo que isso acontece. Se você imaginar quanto custa ou gasta de água um automóvel por dia, você vê que há muito tempo o consumo de água está crescendo em São Paulo. E não se fez nenhuma obra. Portanto essa estiagem, que é cíclica e esperada, agora tornou-se quase trágica porque surpreendeu uma demanda que há muito tempo não vinha sendo atingida...

P. A questão não é que está chovendo menos? A demanda é que é muito maior?
R. Claro. Todo mundo sabe que a água evapora. O pior reservatório para uma cidade são lagoas a céu aberto. Eu tenho a impressão que só a garagem do Conjunto Nacional na Avenida Paulista, se fosse um reservatório de água, daria para alimentar metade da cidade por quase um mês. É impossível então que não haja uma formação de consciência entre o saber e as possibilidades que o saber oferece.

P. Então, na visão do senhor, essas manifestações são um movimento natural da cidade?
R. É o que se espera de uma cidade: que ela seja falante. Agora, quando o desajuste é muito evidente e violento, como no caso do transportedo abastecimento de água, é de se esperar mesmo um movimento, que são sadios. 

P. Falando então de transporte. O Plano Diretor de São Paulo, aprovado no ano passado, prevê, dentre outras coisas, o estímulo ao uso do transporte público a partir do momento em que reduz a possibilidade de construção de prédios com garagens que sejam próximos aos eixos de um transporte público que...
R. ...que não há.

P. Enquanto isso, a Prefeitura tenta implementar mais corredores de ônibus. O senhor vê que, ao mesmo tempo em que se vendem 500 carros por dia na cidade, o poder público tenta estimular o uso do transporte coletivo? Ou ainda falta muita estrutura para atender a essa demanda?
R. No fundo, o que está em discussão é a estupidez do automóvel. Portanto muita coisa vai se fazer nessa direção de desestimular o transporte individual e estimular o transporte público. O mundo está em guerra por causa do petróleo. Entretanto, também já há consciência que o automóvel virou uma estupidez muito em evidência.  E você queima o petróleo para levar uma lataria que pesa 700 quilos e lá dentro tem um cretino de 70 quilos. Alguma coisa está errada.

P. E por que não avançamos em transporte?
R. A luta é contra o conformismo de um lado e o reacionarismo do outro. E esse conservadorismo não tem outra alternativa para a vida, do ponto de vista da economia, se não a exploração do homem pelo homem. Temos que nos livrar dessa chave infame de que só é possível trabalhar explorando o próprio homem. E para explorá-lo, a coisa que tem que fazer é evitar os movimentos. Tanto que o homem não pode ter tempo livre. Então a forma de você manter uma população capaz de ser explorada é ocupá-la absolutamente. Se uma pessoa gasta quatro horas por dia, no mínimo, para ir e voltar do trabalho, isso é o ideal. Ela não pode sair, ir ao teatro, porque não tem onde deixar as crianças. Uma forma de se escravizar é ocupar o tempo inteiro inexoravelmente. E como você consegue fazer isso de modo inexorável? Sendo a única condição de sobrevivência do sujeito. Então, se ele não tem o que comer, ele vive nessa condição de levar horas para chegar ao trabalho, de não poder ter lazer etc. Mas ele vive isso de tal maneira que, qualquer fagulha vira uma explosão.

P. Fala-se muito, há muito tempo em revitalização do centro. Todo governo que começa em São Paulo fala sobre isso, mas ninguém consegue de fato executar. Por que não dá certo?
R. Não dá certo porque a população capaz, que tem mais dinheiro, tem pavor da cidade, porque a cidade, seja como for feita, mal feita ou bem feita, ela é democrática. Para você chegar ao meu escritório, que é na área central, você deve ter passado por muita gente dormindo na calçada. Nesses bairros exclusivamente habitacionais, não tem disso. As pessoas têm segurança, tem polícia vigiando. Portanto, a cidade, por mais mal feita que ela seja, ela é muito mais democrática, sempre mais para todos do que se imagina. E os que podem mais abandonam aquilo que tornou-se efetivamente uma cidade.

P. Mas o poder público não deveria tomar conta então? Aproveitar que há esse abandono do espaço pela elite?
R. Mas é claro que deveria. Por isso que nós estamos na rua reclamando! A consciência sobre isso vai se formando. O absurdo torna-se visível. Por exemplo, nós estamos no quinto andar aqui no meu escritório. Se você olhar pela janela agora, vai ver no que deveria ser um teto-jardim no nível que nós estamos sentados na minha sala, automóveis estacionados [há um estacionamento em frente ao prédio]. É evidente que deve ser um absurdo isso aí. Como essa casa foi transformada em garagem até na cobertura? O que é isso? Por outro lado, a população, desde a menos educada ou menos favorecida, até todos nós, está vendo aí as favelas, as ocupações dos prédios abandonados, como uma possibilidade de as pessoas fazerem suas próprias cidades. Um dos mais monumentais espetáculos da questão de consciência urbanística que existe entre nós são as favelas.

P. Por quê?
R. Porque é uma prova de que eu quero morar ali, custe o que custar. É uma visão de consciência de que não há outro lugar melhor do que aquele ali.

P. Por que não há uma política mais enérgica para ocupar os prédios abandonados do centro de São Paulo e tentar assim reduzir o déficit habitacional?
R. Porque é uma defesa exacerbada de uma verdade que interessa a nós todos, que é a liberdade individual, levada a um extremo de uma visão puramente mercantilista e com isso deixar que a parte predadora de compra e venda do mercado, da especulação, possa gozar plenamente [do espaço]. No fundo, são forças políticas. Como nós vivemos? Com o desejo do estabelecimento de repúblicas democráticas, ou seja, quem governa é eleito pelo povo. E esse processo tem que ser aprimorado a ponto de passar a ser efetivamente verdade. Agora você diz: Mas isso será possível? O que você quer? Lute por isso.

P. Falando então de alguns desses movimentos. O que luta pelo Parque Augusta. É um terreno enorme, particular, em uma área central e esse grupo ocupa para que a área se transforme em um parque. Qual é a viabilidade disso? A Prefeitura diz que não tem dinheiro para comprar o terreno. O movimento tenta resistir... O desejo de transformar essa área em um parque é viável?
R. Aí é uma questão mais técnica. Olhando o [edifício] Copan, por exemplo: ali são 1.000 apartamentos, e tem desde apartamentos de 30 metros até 150 metros. Há uma coisa que me agrada muito em relação inclusive à obra de Niemeyer: há ali apartamentos de um dormitório, três dormitórios... Se você é músico e toca no Teatro Municipal, você pode morar ali sozinho e ir a pé ao teatro. Enfim, o que caracteriza a casa pequena não é a pobreza, é a conveniência. O Edifício Copan é um belo exemplo de uma habitação em uma ideia de cidade para todos.

P. Faltam mais Copans em São Paulo?
R. Sim. E, portanto, o que fazer ali [no Parque Augusta], se é um jardim ou não, é uma outra questão. O que deveria ser feito é tornar aquele terreno disponível. Eu tenho a impressão de que o projeto ideal seria qualquer coisa gênero Copan. Habitação para todo mundo, com escolas para as crianças, etc. O projeto ideal pode não ser um grande parque, mas também com certeza não é construir prédios e dizer que vai preservar um percentual de área verde, essa besteira...

Marina Rossi no El País.

 

Carolina de Arruda Botelho, 38 anos, conhecida como Carol Botelho pelos colegas e amigos da editora, é mais um exemplo claro de pessoas que fazem da vida a sua verdadeira escola. Formada em história pela PUC-SP, ela chegou a fazer também dois cursos profissionalizantes: um de gastronomia e um de teatro. Mas foi trabalhando que ela se descobriu profissionalmente e encontrou a sua verdadeira vocação: os eventos.

Sempre – até hoje – muito ligada ao mundo artístico, Carol começou a trabalhar cedo na produtora de som do pai, a Vice-Versa, onde esteve sempre rodeada por amigos e músicos. Depois, já na faculdade, foi estagiária da agência DDB, onde trabalhou com rádio e TV – um aprendizado que mais tarde, já como braço direito da editora, seria também muito útil na produção dos eventos da casa. Aos 20 anos, ainda muito jovem, começou a atuar na área de captação de sócios do Museu de Arte Moderna. E foi lá que ela começou a se interessar por todos os detalhes envolvidos na produção de uma exposição artística. Aos 24, foi a vez de usar o seu talento, já como produtora, no Paço das Artes. Mas foi aos 26 anos que o seu caminho começou, de forma sutil, a ser conduzido até a Trip editora.

Nesse ano, ela foi chamada por Marcello Dantas – um ícone da curadoria artística de eventos – para trabalhar ao seu lado. Com ele, ela produziu a Arte da Áfria, no CCBB-SP; aEscrita da memória, no extinto Banco Santos; a O século de um brasileiro; a Coleção Roberto Marinho, no MAM; entre outras mostras de destaque no cenário nacional. Em 2007, quando Marcello foi convidado para fazer a direção artística projeto Trip Transformadores, que na época estava em sua primeira edição, ele indicou a Carol para fazer a produção dos eventos que compunham o projeto. Após uma entrevista com a nossa diretora do departamento de projetos especiais, Ana Paula Wehba, com quem “de cara se deu muito bem” – conforme confessou a própria produtora -, Carol começou a trabalhar em parceria – e sinergia – com a editora.

E de lá para cá já se passaram nove edições do Trip Transformadores. Nove edições que contaram com a excelência e com a força de vontade de Carol. O projeto evoluiu desde então, como conta a própria protagonista deste post: “Em 2009, mudamos o formato do prêmio, e decidimos não ter mais uma competição, a idéia do projeto era dar luz aos projetos dos homenageados, e com 36 nomes nós não conseguíamos e decidimos homenagear 12 pessoas”. Nesse mesmo período, firmou-se uma parceria com a Academia de Filmes, para produzir pequenos documentários que retratam o cotidiano e os projetos dos homenageados. E a Carol sempre ali, ajudando, colocando a mão na massa. Se ela acompanhou a evolução do projeto, com certeza aqueles que estão desde o início envolvidos com o evento também acompanharam o seu desenvolvimento, como a própria Paula ressaltou: “São 9 anos de parceria intensa e neste período pudermos acompanhar o desenvolvimento da Carol, que a cada dia se torna uma profissional mais completa”. E para ser um profissional exemplar, nessa área, são muitas as competências e responsabilidades. Para a Paula, a principal delas está na persistência, em acreditar que nada é impossível, e isso, segundo ela, a Carol tem de sobra: “Ela acredita e corre atrás para fazer acontecer. Nunca ouvi dela que algo era impossível, e desta postura se constroem os projetos mais incríveis, onde o céu é o limite”.

E olha que a rotina de um produtor não é fácil. O produtor é “quase um maestro”, nas palavras da nossa homenageada de hoje. É ela quem coordena toda a pesquisa e a escolha dos protagonistas de cada ano, quem entra em contato com eles e fala sobre o projeto, sobre as filmagens, as entrevistas. “Tem que ser muito cuidadoso porque todos eles são pessoas muito especiais, precisam se sentir especiais, e alguns tem agendas complicadas”, conta. As agendas, inclusive, também são de sua responsabilidade, além de cuidar das viagens, gravações, e pensar na escolha da equipe envolvida nestas diversas funções: “A escolha da equipe é fundamental, porque precisam ser pessoas que estejam ali por paixão e não só por função. Nós nunca sabemos muito bem o que vamos encontrar, às vezes tem viagens cansativas, temos todos que ajudar em tudo o que precisar. Já fiz até operação de áudio”. É um trabalho de muita organização, feito grande parte por telefone e e-mail, mas composto também por viagens e muito cuidado no dia do evento principal – a premiação. E no âmbito áudio-visual, é válida uma observação: ela participou também de outro projeto da editora. A criação do site do Abílio Diniz, na qual ela foi a responsável por coordenar uma série de vídeos baseados nos pilares do livro escrito pelo empresário.

Fora tantas competências adquiridas ao longo destes anos trabalhando na área e conhecendo pessoas diferentes, Carol também tem uma característica própria e pessoal que facilita muito o seu trabalho diário: a sensibilidade. Ela sabe como lidar com as pessoas e, mais do que isso, ela gosta de lidar com elas. A nossa também colaboradora do projetos especiais da casa, Mari Beulke, destacou principalmente esse atributo dela: “Gosto do seu jeitinho de como ela lida com questões do dia a dia, como administra as situações, contratempos e o cuidado/zelo que ela tem com pessoas tão incríveis como os homenageados do Transformadores”.

Ela ama o que faz e por isso faz tão bem: “Já conheci tantos Tranfosrmadores, já vivi com eles suas histórias, passei por diversas situações e conheci locais que jamais sonharia em conhecer um dia. Fui para sertão de Minas, Chapada Diamantina, Brasília, Rio de Janerio, Salvador, Nova York [onde coordena um dos eventos do movimento], andei por favelas, sertões e cidades grandes, cidades pequenas”, conta encantada e agradecida. Por tamanha aptidão e paixão às histórias que vive nesse projeto, ela conta que já ficou em bons hotéis, em casas de famílias e em quartos pequenos, sem ar condicionado, no calor de Marabá e com uma única janela pouco significativa. Não importa, ela quer é estar!

“Carol é uma pessoa incrível, parceira, uma mãe apaixonada pelo filho e cozinheira de mão cheia! Sou suspeita, ela virou minha musa inspiradora!”, sintetiza Mari Beulke, em uma opinião que provavelmente é comum entre as pessoas que conhecem e convivem com ela. Ah, e sobre ser “cozinheira de mão cheia”, é importante ressaltar que a Carol mantém um blog de cozinha, que anda meio parado, mas que pretende retomar o quanto antes: é oCores e Sabores.

 Se quiser entrar em contato com a Carol para saber mais sobre as tantas vivências dessa parceira da editora, que há tantos anos colabora com o projeto do Trip Transformadores e que está sempre à disposição para usar o seu talento e suas habilidades com produção, basta mandar um e-mail para: [email protected]

Fonte: Blog 'Das Internas', Editora Trip: http://bit.ly/1Fig9Xh


À margem da Serra da Cantareira, está um dos últimos bairros da Zona Norte de São Paulo, o Jardim Damasceno. De um lado, um morro com casinhas a perder de vista. Do outro, só mato. E bem no meio dessa comunidade com cerca de 20 mil habitantes, o Parque Linear Canivete é um um dos poucos lugares de curtição para os moradores da região. Muitas das ruas tortas dos arredores do bairro abrigam favelas e a situação econômica das pessoas que moram lá é, em geral, de pobreza. Isso fica claro com os números do Censo de 2010 que apontam: mais de 70% da geral do bairro ganha no máximo dois salários mínimos. Foi nesse cenário que rolou no último dia 1º de maio uma festa em comemoração ao Dia do Trabalhador.

Quão legal é o fluxo legal?

O evento, que foi divulgado na página de Facebook do Fluxo Das quebradas ZN, estava marcado para as 15h e teria vários shows, que começariam por volta das 18h. Apesar de ter o apoio da Subprefeitura Freguesia do ?"/Brasilândia com uma das atrações da Virada Cultural na Quebrada, a festa foi pensada e organizada pelo Nego, apresentado à nossa reportagem como líder da comunidade - não quiseram nos dizer seu nome, "chama de Nego mesmo", avisaram. As atrações esperadas para a festa variavam do pagode ao funk. Inicialmente, oito MCs estavam confirmados para cantar nesse primeiro de maio. Trocamos ideia com a rapaziada que foi ao parque curtir procurando saber o que a data significava para eles.

Logo no começo do rolê, o pessoal que estava trabalhando na organização foi bem enfático ao dizer que dificilmente ele falaria com a imprensa ou tiraria foto. As vezes em que ele apareceu durante o evento, o vimos ou circulando com suas correntes douradas de todos os tamanhos possíveis no pescoço e cumprimentando meio mundo, ou no palco dando uma pá de recados pra galera: curtir de boa sem causar tumulto e andar pelo caminho certo. "Se você tiver bebido demais e quiser se meter em alguma briga, vai pra casa. Não vai estragar o rolê dos outros, beleza?", avisava ele.

Leia a matéria completa de Larissa Zaidan no thumphttp://bit.ly/1KNaiJa

 

Antônio Abujamra: Ourinhos, 15 de setembro de 1932 - São Paulo, 28 de abril de 2015. Na foto com Glauce Rocha e Jardel Filho, em 1966.

Ele tinha 82 anos e atualmente comandava o programa 'Provocações', da TV Cultura; velório será no Teatro Sérgio Cardoso (Atualizado às 13h26) O ator e diretor de teatro Antônio Abujamra morreu na manhã desta terçafeira, 28, em sua casa em São Paulo. Abu, como era conhecido, tinha 82 anos, e morreu em decorrência de enfarte. Uma fonte próxima da família disse ao Estado que ele estava bem pela noite desta segunda, 27, mas que morreu enquanto dormia. O velório será realizado no Teatro Sérgio Cardoso e terá início no fim da tarde. Abujamra apresentava, desde 2000, o programa de entrevistas Provocações, na TV Cultura. "Agradecemos o carinho e apoio de todos que tem nos acompanhado ao longo desses 14 anos de programa", diz uma mensagem na página oficial do programa no Facebook.

Nascido em Ourinhos (SP), em setembro de 1932, Abujamra se formou em filosofia e jornalismo pela PUC do Rio Grande do Sul, onde iniciou sua carreira como diretor e crítico de teatro. Depois de uma temporada na Europa, estreia em São Paulo, em 1961, a peça Raízes, seu primeiro trabalho profissional na área. Ainda nos anos 1960, funda o Grupo Decisão, para estudar e disseminar o teatro político de Bertolt Brecht, muda-se ao Rio e encena várias peças de sucesso, comoO Inoportuno, Electra e As Criadas. Na década de 1970, após várias intervenções da ditadura nas suas peças, alia-se ao teatro de resistência, dirigindo o monólogoMuro de Arrimo, com Antônio Fagundes, entre outras montagens. Em 1981, começa a se dedicar ao Teatro Brasileiro de Comédia, o TBC. Com a atriz Denise Stoklos, ele dirige Um Orgasmo Adulto Escapa do Zoológico, de Dario Fo, em 1984, que projeta a carreira internacional da atriz. Aos 55 anos, Abujamra inicia sua carreira de ator em telenovelas e também no teatro - uma de suas participações significativas na teledramaturgia se dá em 1989, quando interpretou o bruxo Ravengar na novela Que Rei Sou Eu?, da Globo. Durante os anos 1990, a frente do grupo de teatro Os Fodidos Privilegiados, no Rio, alcança definitivamente sucesso de público e crítica.

Fonte: Estadão. 

"Certo dia o morador de rua Emerson deparou-se com este cão sendo maltratado e apanhando. Pegou-o para si. Batizou-o Negão. Emerson me contou que Negão era muito bravo. Hoje, passados 6 meses, o doce Negão não desgruda de seu dono. Encontrei os dois abraçados assim na rua Haddock Lobo. " Depoimento de Maristela Colucci.

Museu de Imagem e do Som da São Paulo abre exposição com fotos de Vivian Maier, a babá que era fotógrafa nas horas vagas. 

São 101 fotografias (das quais, 79 em preto e branco), além de cinco folhas de contato e nove filmes gravados em super-8 mm Foi como descobrir a arca perdida - ao arrematar, em 2007, por apenas US$ 400 uma caixa com negativos de fotos antigas, o corretor de imóveis John Maloof, que também trabalhava como historiador, acreditava que apenas adquirira mais material sobre um livro que escrevia, a respeito da zona noroeste de Chicago. Tanto que não deu atenção imediata àqueles 30 mil negativos e 1.600 rolos de filmes não revelados. Mas, quando o fez, percebeu estar diante de um verdadeiro tesouro.

Tratava-se do arquivo de Vivian Maier (1926-2009), mulher que passou 40 anos trabalhando como babá em Chicago e que, nas horas vagas, fotografava gente comum, tanto em Chicago como em Nova York. Ciente de que não passava de um hobby, Vivian nunca divulgou suas fotos e o crédito só pôde ser conferido a ela graças à uma etiqueta com seu nome, grudada em um envelope. 

Para se entender a qualidade do trabalho artístico da babá basta conferir a exposição O Mundo Revelado de Vivian Maier, que abre nesta terça-feira, 21, no MIS. São 101 fotografias (das quais, 79 em preto e branco), além de cinco folhas de contato e nove filmes gravados em super-8 mm. “Em seu tempo livre, Vivian Maier fotografou a rua, as pessoas, os objetos, as paisagens. Ela soube capturar sua época em uma fração de segundo. Narrou a beleza das coisas comuns, buscando as rachaduras imperceptíveis e as inflexões fugidias do real dentro da banalidade cotidiana”, descreve Anne Morin, da diChroma Photography, curadora da exposição, informação fornecida pela assessoria da exposição. “O mundo dela eram os outros, o desconhecido, as pessoas anônimas que Vivian Maier tocava por um segundo, de modo que, quando registrava com sua câmera, primeiro era uma questão de distância - a mesma distância que transformava aqueles personagens em protagonista de um acontecimento sem importância. E apesar de ousar com composições imponentes e desconcertantes, Vivian Maier permanece no limiar e até além da cena que fotografa, nunca deste lado, como que para não ser invisível. Ela participa do que vê e ela própria se torna sujeito”, acrescenta.

Na abertura, o MIS exibe o documentário Finding Vivian Meier, dirigido por Maloof e Charlie Siskel, que concorreu ao Oscar da categoria, neste ano. A dupla falou com 90 pessoas para montar seu quebra-cabeças cinematográfico sobre Vivian - afinal, a fotógrafa não comentava sobre sua vida ou seu passado nas casas onde trabalhou. Ainda sem data definida, o museu também exibirá Who Took Nanny’s Pictures?, dirigido por Jill Nicholls, da BBC. Apresentado por Alan Yentob, o filme conta com entrevistas com pessoas que a conheceram e aqueles que revelaram seu trabalho.

Das poucas informações que sobraram sobre a fotógrafa, é sabida sua predileção pelo cinema, em especial o europeu. E, observando as imagens do cotidiano registradas por ela, é possível identificar uma forte influência do neorrealismo italiano assim como a nouvelle vague francesa. Vivian também era obcecada por autorretratos o que, segundo análise da crítica Maria Popova, seria uma resposta para a sua reclusão. No Brasil, já foi editado o livro Vivian Maier: Uma Fotógrafa de Rua, pela editora Autêntica, panorama de sua obra. Filha de pai austríaco e mãe francesa, Vivian só ficou conhecida após sua morte em 2009. A fotógrafa passou a infância na França e, após voltar para os Estados Unidos, trabalhou como babá por mais de 40 anos. Ela também fez viagens internacionais, como para Manila, Bangcoc, Pequim, Egito, Itália, sempre registrando as ruas das cidades por onde passou. Após a exibição no MIS, a mostra tem data marcada em Seul (Coreia do Sul), Santiago e Valparaíso (Chile) e em Estocolmo (Suécia). 

Ubiratan Brasil no Estado de S.Paulo.