Pessoas - São Paulo São

São Paulo São Pessoas

A filósofa Márcia Tiburi é foda. Simplesmente porque ela coloca a filosofia onde ela deve estar: na ação. E a tolerância e compreensão que ela tem com ideias diferentes fazem dela uma pessoa muito agregadora. Lembro que em 2012 palestramos juntas sobre o pós-feminismo no evento Rock e Filosofia no CCBB SP e discordamos em muitos pontos ao longo do debate.

A maneira elegante e inteligente com a qual ela lidou com nossas discordâncias foi tão interessante – diferente de alguns filósofos que ficam enclausurados em suas certezas estáticas, ela entende o poder da dialética para a evolução de uma ideia, de uma sociedade. É assim nas palestras dela, era assim no programa Saia Justa quando ela era uma das apresentadoras e está sendo assim com seu novo projeto que está conseguindo reunir todas as vertentes do feminismo no país. O projeto: um partido feminista, que ela chama de #partidA.  

“A ideia é que as reuniões proliferem e que as pessoas usem a #partidA como movimento feminista para construir fóruns, plataformas, ações em geral. O que a #partidA quer é empoderar mulheres para a sua participação na política institucional. Seremos um partido político para isso, ainda que esteja em aberto a discussão sobre o sentido disso.”, ela explicou. O movimento esta se espalhando de uma forma incrivelmente rápida, já está sendo marcada outra reunião em SP por pessoas que são de outras regiões da cidade, no Rio, em Porto Alegre, Goiânia. “A ideia é ainda que não existam líderes em sentido personalista, mas que as pessoas do #partidA empoderem umas às outras. Imagine poder criado a partir de diálogo em que todo mundo se autorepresenta numa metodologia dialógica. Em que cada uma cria a outra como potência. É a Revolução.” 

Me conta como foi o encontro aqui em São Paulo, acabei não conseguindo ir, to super curiosa!
A reunião no Rio no dia 25 de maio foi linda. A reunião em SP foi maravilhosa. Um clima feminista de fazer política: afetivo, generoso, colaborativo, compreensivo. Sem disputa. Foi no Espaço Revista Cult, tinha gente sentada no chão. Aliás, quase todo mundo. Ali, as pessoas falaram o que pensavam e sentiam em relação ao estado atual da sociedade e o papel político e cultural do feminismo. Havia um diálogo real. Feministas históricas como Amelinha Lemos, como Inês Castilho, como Ana Reis, Solange Padilha e muitas outras estavam ali prontas a conversar com as novas gerações. E todo mundo estava querendo conversar. Tinha gente do ABC, do interior, do Rio. E o clima geral foi de apoio à criação do Partido Feminista, ainda que haja muita consciência e, por isso, muita critica em relação à forma partido. Ao mesmo tempo, a consciência de que o poder não pode mais ficar onde está é igualmente forte. De que é preciso chegar onde o poder de decisão está, ou seja, no governo. As mulheres são sub-representadas no Legislativo e no Executivo. Também sofrem em seus partidos que são sem exceção machistas em um sentido estrutural. Somente um partido feminista pode mudar esse cenário real. 

Há muita discordância, às vezes até brigas, entre diferentes tipos de feministas hoje em dia, especialmente as duas vertentes que podemos identificar com mais clareza, as radfem e as libfem. O que você acha disso?
Eu vejo todas as formas de feminismo como social e historicamente necessárias. Acho que a existência de vertentes é sinal de que existem contradições sociais, teóricas e práticas. Não vejo que precisemos de um feminismo único, ou na forma de um pensamento único. Ao mesmo tempo, algo que une essas tendências é o feminismo como ético-política, como defesa de uma sociedade justa em que mulheres – e outras individualidades e grupos excluídos do poder – estejam inclusas. Acredito no diálogo. Como filósofa, penso que a grande contribuição da filosofia para a nossa época é justamente a proposta do diálogo. Plantar diálogo no mundo é a nossa tarefa histórica. No caso, essas vertentes opostas trazem, cada uma à sua maneira, questões sobre as quais devemos pensar. Abrir-se ao ponto de vista da outra é, a meu ver, um gesto urgente. Ao mesmo tempo, um feminismo mais tenso, mais nervoso, mais irritado, também me encanta, coisa que eu, por minha natureza, não pratico. O feminismo sempre foi voltado à singularidade e ao diálogo, mas as formas de diálogo podem ser sempre postas em discussão.

Como surgiu a ideia de um partido feminista?
Prestando atenção no lugar político das mulheres percebe-se uma histórica subalternidade. As mulheres sempre estiveram em segundo plano. Sempre foram proibidas de participar da esfera pública e do poder constituído. Sempre foram proibidas do voto e da auto-representação. Vemos que a situação das mulheres em relação ao poder e ao governo, não mudou muito ao longo da história e, se levarmos em conta, o fato de que do começo do século 20, quando certas mulheres entraram na justiça pelo direito ao voto, até hoje, as mudanças na política institucional não foram muitas (temos apenas 10% de cargos paramentares composto por mulheres), então é evidente que a coisa vai mal. As mulheres continuam longe do poder, ao mesmo tempo, estão no mercado de trabalho e sempre segurando as barras econômicas e sociais mais variadas. Empoderam-se economicamente, acessam a universidade, sobem nas estatísticas acadêmicas, em muitos casos estamos superando a fantasmagoria opressiva do machismo, mas não mudam as condições em termos de política. A criação de um partido tem como fim entrar de cabeça na disputa por cargos, espaço, governo. A meu ver, feministas (e a maioria das feministas são mulheres e não homes) devem governar para que tenhamos direitos das mulheres (e das minorias com as quais as mulheres partilham uma história de opressão) como prioridade na política. Mas não apenas isso. O feminismo é outra forma de poder, é potência dialógica, participativa e solidária. Um poder diferente, um poder outro. Voltado ao outro, aos excluídos e, ao mesmo tempo, razoável e prático, voltado à construção de uma sociedade sem violência. Chamos isso de Revolução, porque o feminismo foi a única que vem dando certo. É hora de organizar essa Revolução na direção de um salto histórico. 

Como você definiria o #partidA?

A #partidA é um movimento que já está acontecendo. Nasce já provocando porque muitas pessoas acham absurda a ideia de um partido feminista, como sempre se pensou em termos aliás masculinistas, o feminismo um absurdo. É que o feminismo está por demais ligado à proibição vivida pelas mulheres de estarem na política. O feminismo sempre foi antagonista do patriarcado e por isso sempre incomodou. Estamos confrontando essa estupidez histórica. Estamos confrontando e ressignificando a ideia tradicional de partido. Por que o feminismo nunca foi, nem será, algo tradicional. Por isso, a #partidA é um movimento no sentido de um começo novo que estamos dando a nós mesmas e a toda a sociedade brasileira. Estamos em um momento precioso, em que cada participante é convidado a inventar a #partidA. Como movimento sua qualidade é o encontro em nome de uma democracia feminista, não uma democracia de fachada, mas uma democracia concreta em que cada participante dialoga, pensa, conversa e faz junto com os outros. A metodologia é o diálogo. Daí tomaremos decisões em conjunto. O afeto que rege a conversa é a alegria, porque ela é a força revolucionária, anti-fascista, aberta à singularidade e à diferença. Falo coisas mais teóricas pra quem se interessar no meu blog. A Carla Rodrigues, professora da UFRJ, também escreveu algo legal a partir do #partidA.

O que devem fazer as mulheres que estão interessadas em participar desse movimento ?
Devem escrever pra gente, pelo Facebook, pelo Twitter, por e-mail. Por enquanto, não temos nada oficial, porque queremos antes ter a nós mesmas. Eu recomendaria que as pessoas perguntassem pelas redes sociais, “onde está a #partidA? Ela vai nos achar. Podem entrar em contato com alguém do grupo, eu ou outras pessoas. Podem mandar uma mensagem informal que vamos nos apresentando e inventando juntas. Por fim, podem também mandar mensagem para: [email protected] que vamos inserindo nas conversas.


Fonte: 'A Obscena Senhorita C', blog de Carol Teixeira - http://bit.ly/1B6ICzh

Exposição na Casa de Vidro revela o diálogo entre a arquiteta italiana e a cultura brasileira.

A casa onde a arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (1914-1992) morou entre 1952 e sua morte está de portas abertas. A Casa de Vidro abriga a exposição “Lina em casa: percursos” até 19 de julho. “Lina em casa” é a última de uma série de exposições que entraram em cartaz no Brasil e em vários outros lugares do mundo como parte das comemorações do centenário da arquiteta, celebrado em dezembro de 2014. Segundo o curador Renato Anelli, professor do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (IAU-USP), Lina em casa é uma exposição complementar, que almeja apresentar a trajetória intelectual de Lina e mostrar como o Brasil transformou a italiana em uma arquiteta brasileira.

A Casa de Vidro, localizada no meio de um bosque no Morumbi, bairro nobre de São Paulo, foi construída em 1951. A casa combina os traços geométricos da arquitetura moderna com aposentos simples, que lembram uma pensão italiana ou uma casa do interior de Minas Gerais. Quem visita a exposição, pode passear pelos cômodos da casa, observar a mobília original – que conta com peças projetadas pela própria Lina – e também cartas, livros, fotografias, registros de viagens, documentos e painéis que revelam a relação dela com seu país adotivo. “Procuramos identificar, no acervo do Instituto Lina Bo e Pietro Maria Bardi, aspectos da formação intelectual, do posicionamento político e da visão de país que ela adquiriu no Brasil e como a sua arquitetura acompanha essa transformação”, afirma Anelli.

Lina chegou ao Brasil, em 1947, acompanhando o marido, o crítico e mercador de arte Pietro Maria Bardi (1900-1999). Bardi veio ao Brasil à procura de novos mercados. A Europa arrasada pela 2ª Guerra Mundial não era o melhor lugar para se vender quadros. Bardi viu na América do Sul, que se industrializava e onde viviam muitos imigrantes italianos enriquecidos, uma oportunidade para os negócios. Assis Chateaubriand, dono dos Diários Associados, convidou o italiano para dirigir o Museu de Arte de São Paulo, o MASP. Lina trabalhou ao lado do marido e projetou a nova sede do museu, a caixa de vidro e concreto apoiada em colchetes vermelhos que parece flutuar ao longo da avenida Paulista.

Em 1959, Lina foi convidada para restaurar e dirigir o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), instalado no Solar do Unhão, um conjunto arquitetônico do século XVII. Cartas trocadas entre a arquiteta e Lavínia Magalhães, primeira-dama da Bahia, estão expostas na Casa de Vidro. Lina acreditava que os museus não deveriam ser templos dedicados à memória dos tempos passados, mas locais vivos e dinâmicos. “Lina e Bardi acreditavam no papel didático dos museus na formação cultural do público”, afirma Anelli. “É neste novo sentido que se constitui o Museu de Arte de São Paulo, que se dirige especialmente à massa não informada, nem intelectual, nem preparada”, disse Lina.

No Nordeste, a arquiteta mergulhou na cultura popular brasileira. Ao lado de outros intelectuais, Lina realizou pesquisas etnográficas no sertão. Lá, ela conheceu o que chamou de “civilização da sobrevivência” e observou como os sertanejos, que viviam na extrema pobreza, eram capazes de criar soluções inventivas e transformar materiais que iriam para o lixo em objetos de uso cotidiano. Na exposição, há registros fotográficos do que Lina encontrou no sertão, como lamparinas feitas a partir de lâmpadas queimadas e carrinhos de bebê feitos com latas usadas. Na entrada da Casa de Vidro, está a reprodução de uma cadeira construída com quatro pedaços de pau, réplica da original que arquiteta viu na beira de uma estrada nordestina. “Lina via nessa inteligência da cultura popular, nessa capacidade de reaproveitar as coisas, uma base para a renovação da cultura moderna”, afirma Anelli.

“Não foi uma influência direta. O que ocorreu foi um diálogo maravilhoso entre uma arquiteta que já tinha sensibilidade aguçada e encontrou uma realidade cultural que respondia a isso”, diz Zeuler Lima, arquiteto, professor da Universidade Washington e autor da biografia, ainda inédita no Brasil. Lima afirma que o que encantou a arquiteta italiana não foram as obras monumentais de Oscar Niemeyer e outros arquitetos acostumados a trabalhar para os governos, mas a arquitetura espontânea, a arte popular e os objetos do cotidiano. “A arquitetura brasileira era monumental, do tipo “grande nação”, representava o Brasil pujante, o país do futuro. Lina suspeitava desse discurso, que ela conhecera no fascismo italiano. Ela se interessava por manifestações culturais que vinham de baixo para cima. Foi isso que ela encontrou no Nordeste e se apaixonou”, afirma.

Até 19 de julho, está em cartaz, no Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMA, a exposição “América Latina em construção: Arquitetura (1955-1980)”, dedicada à arquitetura moderna produzida no continente. Lina é uma das homenageadas. Nos últimos meses, o trabalho da arquiteta ítalo-brasileira, que deixou apenas 14 obras construídas, foi reconhecido em exposições no Brasil, na Alemanha e na Itália. Um reconhecimento bem maior do que Lina desfrutou em vida. “Obras mais delicadas e de caráter social como a Lina Bo Bardi, ganharam espaço depois da crise econômica de 2008. Esse resgate da memória dela traz esperança para uma arquitetura mais humanista, mais ética e mais respeitosa com a vida que vai dentro do edifício”, afirma Lima.

Ruan de Souza Gabriel com edição de Guilherme Evelin na Revista Época.

Ele já pintou painéis na França, Estados Unidos, Reino Unido, Canada, Rússia, Grécia, Itália, Suécia, Polônia e Suíça, mas sua história começou no Campo Limpo, em São Paulo.

Outra madrugada de insônia. O mais importante artista plástico do Brasil na atualidade pula da cama, pega o carro e sai pelas ruas de São Paulo. A cidade é sua galeria. Os edifícios e muros são suas telas. O hip-hop e o chumbo correm nas suas veias. O muralismo existe desde a era paleolítica.

Artistas pintando em grandes espaços ao ar livre estavam presentes nas civilizações clássicas da Grécia, Egito e Império Romano. Giotto, Michelangelo e Leonardo da Vinci foram muralistas. Na década de 1920, a arte floresceu no México especialmente com seu maior representante, Diego Rivera. No fim do século 20, se espalhou por Nova York na onda do hip-hop. É a arte fora da galeria, para todos e qualquer um. Kobra é um muralista. Mas o que ele faz ganhou um nome mais contemporâneo e universal: street art.

O garotinho Carlos Eduardo Fernandes Leo, nascido (em 1976) no Campo Limpo, bairro periférico de São Paulo, nunca foi bom aluno. Seus cadernos – não importa a matéria – eram só desenhos. Ao mesmo tempo, o menino não aguentava ficar em casa. Percebeu que sua arte precisava de espaço.

Juntou a arte e o chamado da rua participando, no fim dos anos 1980, do grupo Jabaquara Breakers. Enquanto os garotos dançavam o break, Eduardo sacava o spray e pichava onde podia e onde não podia. Queria apenas espalhar seu nome cada vez mais longe, marcando território. Seus pais não gostaram nada daquilo. “Grafiteiro” era sinônimo de vagabundo. Dava cadeia. Mas as pichações toscas evoluíram para ilustrações cada vez mais sofisticadas.

Como Carlos Eduardo era muito bom no que fazia, era chamado de “cobra”. E assim virou o Kobra. Sempre caminhando no limite da lei. “Eu já fui bem radical. Já fiz parte de um movimento de rua em que lidava com as coisas de uma forma muito agressiva. Tudo eu queria descontar na base da violência.”

Numa noite de 1990, Kobra vivia a fúria dos seus 14 anos pintando os muros de um acesso à Avenida Paulista. Uma viatura apareceu e ele foi levado com outros grafiteiros para a delegacia. Era dia de jogo do Brasil na Copa do Mundo. O delegado avisou: eles iriam esperar o fim de jogo de pé. Se a Seleção perdesse, permaneceriam detidos.

“Nunca torci tanto pelo Brasil”, lembra Kobra. O Brasil ganhou. O delegado não só liberou o adolescente como reconheceu seu talento e o convidou a pintar um mural na parede da delegacia: um anjo aparando um policial ferido. (Por falar em futebol: Kobra é corintiano. Mas traumatizado. Achou que estaria bem num ônibus que levava a Gaviões da Fiel para um jogo no Pacaembu. Alguém no ônibus inventou que ele era são-paulino. Levou uma surra de alvinegros como ele. Hoje não quer saber muito de futebol. E cruza a rua quando vê uma torcida organizada.)

Por  Dagomir Marquezi na VIP 

No Instagram siga: https://instagram.com/kobrastreetart/

 


O ministério da Justiça reconheceu como de propriedade dos índios Guarani um terreno de 532 hectares localizado no Jaraguá, bairro da zona norte da cidade de São Paulo. O documento, chamado Portaria Declaratória, foi assinado na sexta-feira pelo ministro da Justiça José Eduardo Cardozo.

Agora, ainda é preciso que as terras sejam demarcadas fisicamente e passem pela homologação da presidência, antes de, finalmente, serem registradas em cartório em nome da União. A medida, porém, é uma vitória dos indígenas que vivem no local, que é alvo de disputa que já leva anos.

Além das plantações de legumes, frutas e verduras, Tekoa Itakupe é um local onde as crianças brincam e toda a
comunidade se fortalece por meio das orações na nova casa de reza. Foto: Victor Moiyama.

Os Guarani reivindicam a demarcação para que possam acomodar melhor as suas famílias e utilizar as terras para o cultivo de subsistência. O grupo, entretanto, ainda vai enfrentar outras batalhas. O advogado Antônio Tito Costa, que alega ser dono de uma parte do mesmo terreno, reivindica uma parte dele e entrou na Justiça para ter direito às terras, hoje concedidas aos Guarani. Por isso, os índios já chegaram a ser expulsos dali, mas foram voltando aos poucos.

Em março deste ano, enquanto a demarcação estava sob análise do ministro Cardozo, Tito Costa moveu uma ação de reintegração de posse. A reintegração foi suspensa mas não foi cancelada. Com a portaria assinada agora pelo ministro, a ação de reintegração perde força mas uma coisa não anula a outra, já que a terra ainda tem que ser homologada pela presidência. Por isso, no próximo dia 18 haverá um ato no vão livre do Masp em que os indígenas pedirão o enterro definitivo da ação.

Da área total reconhecida, localizada em um dos pontos mais altos da cidade e cercada por Mata Atlântica, os 583 indígenas Guarani ocupam apenas 1,7 hectare, que é a área que foi demarcada em 1987. Essa é a menor área indígena demarcada no país. Costa reivindica 83 hectares que seriam de sua propriedade, incluindo a área indígena.

A área, de mais de 500 hectares, foi reconhecida em 2013 pela Funai, mas aguarda assinatura do ministério da Justiça
e homologação da presidência para ser oficializada. Foto: Victor Moiyama.


PEC 215

Atualmente, há 129 terras indígenas em estudo para demarcação de terras. Esse processo é realizado pela Fundação Nacional do Índio (Funai), que realiza estudos antropológicos, históricos, fundiários, cartográficos e ambientais que justificam a delimitação dos terrenos. Porém, uma Proposta de Emenda à Constituição (a PEC 215) tira das mãos da Funai esse processo e dá ao Congresso a prerrogativa de pedir a demarcação de terras.

Enquanto a PEC tramita no Congresso, e é discutida por uma comissão cuja maioria é feita de deputados da bancada ruralista, os trâmites seguem desse jeito: com o estudo concluído pela Funai, e se constatado que o local tem fundamentações suficientes para ser reconhecido como território indígena, a terra é delimitada. Depois dessa etapa, o ministério da Justiça precisa declarar a terra como indígena - atualmente há 67 declaradas, contando a terra Guarani no Jaraguá. Depois,  a presidência da República deve realizar a homologação - há 14 homologadas neste momento, esperando reconhecimento em cartório, que é a última fase, ao legitimar a propriedade da terra a quem é devido. Hoje, 426 terras estão regularizadas com registro em cartório, onde vivem comunidades indígenas. Todos esses dados estão no site da Funai para consulta.

***
Marina Rossi no El País Brasil. 

 


Com envolvimento direto na gestão de Fernando Haddad na prefeitura, Ana Estela é Coordenadora da Política Municipal para o Desenvolvimento Integral da Primeira Infância da Cidade de São Paulo, a São Paulo Carinhosa,  cargo de muita responsabilidade e que congrega ações de tantas Secretarias Municipais. Seu trabalho é voluntário e sua atuação é pautada pela longa experiência em políticas públicas, principalmente na área de saúde.

A Ana Estela Haddad, envolvida na gestão municipal e parceira política de Fernando Haddad é apresentada nesta exclusiva concedida à Lourdes Nassif do Jornal GGN onde você também pode assistir os vídeos da entrevista.

Este ano, Ana Estela e Fernando Haddad comemoram 25 anos de casamento, e dois filhos. Ana gosta de música e de poesia, de pintura e fotografia. Este é o lado pessoal. O lado profissional traz extensa participação em projetos no Ministério da Educação e no Ministério da Saúde.

No início de seus trabalhos na gestão pública, sempre se envolveu nas áreas de educação e saúde, em consonância com sua experiência anterior.  Ana trabalhou como assessora no Ministério da Educação e ajudou a idealizar e implementar o Prouni, programa que levou tantos jovens à universidade. Na Saúde, foi Diretora de Gestão da Educação na Saúde da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES).

Além do Telessaúde Brasil, que teve como norte a disseminação do conhecimento da saúde pelo país afora com recursos tecnológicos, também contribuiu com programas voltados para a formação dos profissionais de saúde, como o Pró-Saúde (Programa de Reorientação da Formação Profissional em Saúde), PET Saúde (Programa de Educação pelo Trabalho em Saúde) e o REVALIDA (Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos). Também atuou no Pró-Residência, um programa de identificação da necessidade de formação em determinadas especialidades e de acordo com as prioridades da política nacional de saúde.

Como foi sua chegada na Prefeitura? Ela esteve envolvida com saúde e educação desde a faculdade e, foi para este lado desde o início da campanha de Haddad à prefeitura, pelo PT. Ana ajudou a traçar o diagnóstico da situação de saúde de São Paulo. E, no final da campanha, nas ruas, ajudou na coleta de dados onde a situação pedia atuação mais forte, basicamente o "ver São Paulo com outros óculos".

Em 15 de abril de 2013, Ana Estela foi incumbida de cuidar da primeira infância na cidade de São Paulo. O Decreto Municipal nº 53.831 regulamentou o serviço a ser prestado voluntariamente por Ana Estela e, em seu artigo 2º,  descreveu as funções da seguinte forma:  “o serviço terá por objeto a promoção de projetos e atividades da Prefeitura do Município de São Paulo, de relevante interesse público, por meio da representatividade, visibilidade social e política da Primeira-Dama”.

Este foi o início do processo. A partir daí, Ana Estela organizou um inventário sobre as ações voltadas para a primeira infância em cada Secretaria. A partir deste levantamento, articula e estimula ações em conjunto.  Em 28 de agosto de 2013, foi lançado o São Paulo Carinhosa, fruto de muitos contatos com técnicos, sociedade civil e especialistas. O trabalho calca-se na ação de 14 secretarias nesta primeira fase e é inspirado no Brasil Carinhoso, além do programa de Metas da Prefeitura.

São Paulo Carinhosa é um programa integral. Ele é a confluência de um tanto de políticas públicas já instituídas e direitos já definidos. A integração das duas pontas, mais o cuidado e o olhar atento de uma equipe multidisciplinar, acaba por contribuir para a construção de uma infância mais saudável, que irá contribuir, por seu turno, para uma São Paulo mais humana.

A importância da infância é clara para Ana Estela. Mas o cuidado vem desde a mãe, ao engravidar, até o nascimento e vida da criança. As políticas voltadas para infância e adolescência são fruto de mapeamento de necessidades, por faixa etária e condição. 

No governo Haddad, após levantamento por regiões, de crianças de zero a 18 anos em situação de abrigo, um grande esforço foi feito no sentido de ajustar as políticas públicas da infância para atendimento rápido deste universo. Até então, somente 20% das crianças de zero a 3 anos estavam sendo atendidas por creches. Um ano depois, 100% das crianças em situação de abrigo estão contempladas. O ajuste foi feito atacando várias frentes, seja a construção de novas unidades quanto de um gerenciamento das vagas, com recolocação e preenchimento de vagas.

O Programa Braços Abertos recebeu uma atenção especial, também, por parte da equipe multidisciplinar para infância. Mesmo com poucas crianças envolvidas, e poucas gestantes, a situação está sob controle. Todas as crianças que ali vivem estão em creches, sem exceção. E uma gestante é acompanhada de perto, presente ali somente pelo companheiro atendido.

Visitas domiciliares também fazem parte deste universo do cuidar, começando na gestação e indo até os primeiros dois ou três anos de vida. O Ministério da Saúde, apoiado em ações ocorridas no Rio Grande do Sul e em outros países, quis ampliar esta experiência, e São Paulo se candidatou ao programa-piloto. A Secretaria Municipal de Saúde acolheu o programa rapidamente, entendendo que deveria ser integrado aos programas municipais de forma efetiva, capacitando, a partir daí, e instrumentalizando profissionais de saúde, de forma a dar suporte a um atendimento que não se esgote enquanto durar o programa do Ministério da Saúde.

Ana entende muito bem a função do Poder Público. E traça um perfil ideal desta atuação, bem como o entendimento de coletivo e pessoal. Como o envolvimento se dá, a postura que assumimos, como encaramos o coletivo e entendemos que o geral é melhor que pensar somente no individual.

A missão e função do Poder Público é cuidar e zelar pelo coletivo. Ponto. Mas pressupõe que cada um esteja disposto a encarar o coletivo, tirando o foco do individual. Até onde somos capazes de nos envolver com o coletivo? São Paulo pede um pouco mais de cada habitante, e isso se inicia com a conscientização que cada um de nos precisa ter.

***
Lourdes Nassif no Jornal GGN.


Ganhador do Pritzker, o mais importante da arquitetura mundial, Paulo Mendes da Rocha diz que as horas gastas em transporte público pelos paulistanos é uma forma de mantê-los escravizados.

É possível dizer que o arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha, de 86 anos, está em um lugar onde poucos do mundo já chegaram. Em 2006, recebeu o prêmio Pritzker, o mais importante da arquitetura mundial. Autor de obras como o Museu Brasileiro da Escultura (MUBE), em São Paulo, o arquiteto pertence a uma geração de modernistas, influenciados por nomes como os franceses Le Corbusier e Lucio Costa, o russo Gregori Warchavchik e os brasileiros Oscar Niemeyer e João Batista Vilanova Artigas.

No centro da cidade, onde mantém um escritório no mesmo endereço há 30 anos, o arquiteto que nasceu em Vitória, no Espírito Santo, recebeu o EL PAÍS, sentado em sua Poltrona Paulistana, projetada em 1957 e que até hoje é vendida em diversos países. Tornou-se, inclusive, peça da coleção permanente do MoMA de Nova York. Atento aos movimentos paulistanos, ele faz uma leitura do momento atual, onde o paulistano disputa espaço com os carros.

Pergunta. São Paulo está sendo palco de movimentos que, mais do que reivindicar por direitos como moradia e trabalho, visam ocupar a cidade. O senhor acha que a briga por espaço está, de fato, mais no centro das questões nesse momento?

Resposta. Eu prefiro dizer que não, até porque, a coisa sempre foi assim. Do ponto de vista da transformação do homem de camponês ao urbano, num período histórico muito amplo – do século 19 e 20 – a questão sempre foi essa. A razão da cidade é podermos conversar.Se você dá chance de as pessoas se encontrarem para falar, eis o movimento. Isso é tão verdade que aqueles que lutam contra isso, a parte que nós chamamos de 'conservadora' da sociedade, sempre esteve muito atenta e agiu com políticas violentíssimas do ponto de vista de grandes empreendimentos. Um exemplo disso em São Paulo foi o de tirar o ensino universitário da cidade, quando historicamente as grandes cidades sempre foram feitas em torno delas.

P. De que forma?
R. A Escola Politécnica, que era aqui junto ao Rio Tietê, na Rua Três Rios, foi tirada daqui para fundar essa ‘Cidade Universitária’ [na região do Butantã]. E eis o ato falho, pois não havia condução para ir até lá. Ou seja, a escola estatal grátis que nós tínhamos, uma das melhores inclusive, só era frequentada por quem tivesse automóvel. Então tiraram os estudantes justamente da área central, porque ele era muito politizado e por qualquer coisa ele estava na rua. Esse diálogo, no bar, no botequim, é muito importante. O estudante que vai comer na cantina da escola é uma espécie de idiota diante do estudante que vai ao botequim da esquina e encontra o jornalista, o operário... Ou seja, a grande universidade do ponto de vista do espaço físico é a própria cidade. Tudo isso mostra que nós sempre lidamos com a questão de evitar justamente a mobilização popular.

P. Esse movimento de levar a universidade para fora da cidade, é também o que o poder público faz com as camadas mais pobres da população. Para resolver o déficit habitacional da cidade, a Prefeitura vai e constrói habitação popular nas regiões periféricas, longe do centro...
R. Sim, mas nem sempre consegue. Na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, da noite para o dia verticalizou-se o bairro de Copacabana. A classe mais alta, capaz de comprar aqueles apartamentos, queria morar na praia. Mas aqueles moradores não dispensavam babá para as crianças, copeira, cozinheira, faxineira para os prédios, porteiro. Então, como não interessava à especulação imobiliária os terrenos difíceis das encostas, construíram na horizontal [em frente ao mar] e concederam [os morros para ocupação]. Aquilo virou uma espécie deCasa Grande e Senzala. Então não há novidade. Por exemplo, a questão do passe do ônibus, que foi o que movimentou as últimas manifestações em São Paulo. A ideia do custo da passagem foi só para desencadear uma consciência do atraso. São Paulo deveria ter 250 quilômetros de metrô e tem 50, 60, até hoje. Ontem mesmo os jornais publicaram que São Paulo está vendendo 500 automóveis por dia. Faz muito tempo que isso acontece. Se você imaginar quanto custa ou gasta de água um automóvel por dia, você vê que há muito tempo o consumo de água está crescendo em São Paulo. E não se fez nenhuma obra. Portanto essa estiagem, que é cíclica e esperada, agora tornou-se quase trágica porque surpreendeu uma demanda que há muito tempo não vinha sendo atingida...

P. A questão não é que está chovendo menos? A demanda é que é muito maior?
R. Claro. Todo mundo sabe que a água evapora. O pior reservatório para uma cidade são lagoas a céu aberto. Eu tenho a impressão que só a garagem do Conjunto Nacional na Avenida Paulista, se fosse um reservatório de água, daria para alimentar metade da cidade por quase um mês. É impossível então que não haja uma formação de consciência entre o saber e as possibilidades que o saber oferece.

P. Então, na visão do senhor, essas manifestações são um movimento natural da cidade?
R. É o que se espera de uma cidade: que ela seja falante. Agora, quando o desajuste é muito evidente e violento, como no caso do transportedo abastecimento de água, é de se esperar mesmo um movimento, que são sadios. 

P. Falando então de transporte. O Plano Diretor de São Paulo, aprovado no ano passado, prevê, dentre outras coisas, o estímulo ao uso do transporte público a partir do momento em que reduz a possibilidade de construção de prédios com garagens que sejam próximos aos eixos de um transporte público que...
R. ...que não há.

P. Enquanto isso, a Prefeitura tenta implementar mais corredores de ônibus. O senhor vê que, ao mesmo tempo em que se vendem 500 carros por dia na cidade, o poder público tenta estimular o uso do transporte coletivo? Ou ainda falta muita estrutura para atender a essa demanda?
R. No fundo, o que está em discussão é a estupidez do automóvel. Portanto muita coisa vai se fazer nessa direção de desestimular o transporte individual e estimular o transporte público. O mundo está em guerra por causa do petróleo. Entretanto, também já há consciência que o automóvel virou uma estupidez muito em evidência.  E você queima o petróleo para levar uma lataria que pesa 700 quilos e lá dentro tem um cretino de 70 quilos. Alguma coisa está errada.

P. E por que não avançamos em transporte?
R. A luta é contra o conformismo de um lado e o reacionarismo do outro. E esse conservadorismo não tem outra alternativa para a vida, do ponto de vista da economia, se não a exploração do homem pelo homem. Temos que nos livrar dessa chave infame de que só é possível trabalhar explorando o próprio homem. E para explorá-lo, a coisa que tem que fazer é evitar os movimentos. Tanto que o homem não pode ter tempo livre. Então a forma de você manter uma população capaz de ser explorada é ocupá-la absolutamente. Se uma pessoa gasta quatro horas por dia, no mínimo, para ir e voltar do trabalho, isso é o ideal. Ela não pode sair, ir ao teatro, porque não tem onde deixar as crianças. Uma forma de se escravizar é ocupar o tempo inteiro inexoravelmente. E como você consegue fazer isso de modo inexorável? Sendo a única condição de sobrevivência do sujeito. Então, se ele não tem o que comer, ele vive nessa condição de levar horas para chegar ao trabalho, de não poder ter lazer etc. Mas ele vive isso de tal maneira que, qualquer fagulha vira uma explosão.

P. Fala-se muito, há muito tempo em revitalização do centro. Todo governo que começa em São Paulo fala sobre isso, mas ninguém consegue de fato executar. Por que não dá certo?
R. Não dá certo porque a população capaz, que tem mais dinheiro, tem pavor da cidade, porque a cidade, seja como for feita, mal feita ou bem feita, ela é democrática. Para você chegar ao meu escritório, que é na área central, você deve ter passado por muita gente dormindo na calçada. Nesses bairros exclusivamente habitacionais, não tem disso. As pessoas têm segurança, tem polícia vigiando. Portanto, a cidade, por mais mal feita que ela seja, ela é muito mais democrática, sempre mais para todos do que se imagina. E os que podem mais abandonam aquilo que tornou-se efetivamente uma cidade.

P. Mas o poder público não deveria tomar conta então? Aproveitar que há esse abandono do espaço pela elite?
R. Mas é claro que deveria. Por isso que nós estamos na rua reclamando! A consciência sobre isso vai se formando. O absurdo torna-se visível. Por exemplo, nós estamos no quinto andar aqui no meu escritório. Se você olhar pela janela agora, vai ver no que deveria ser um teto-jardim no nível que nós estamos sentados na minha sala, automóveis estacionados [há um estacionamento em frente ao prédio]. É evidente que deve ser um absurdo isso aí. Como essa casa foi transformada em garagem até na cobertura? O que é isso? Por outro lado, a população, desde a menos educada ou menos favorecida, até todos nós, está vendo aí as favelas, as ocupações dos prédios abandonados, como uma possibilidade de as pessoas fazerem suas próprias cidades. Um dos mais monumentais espetáculos da questão de consciência urbanística que existe entre nós são as favelas.

P. Por quê?
R. Porque é uma prova de que eu quero morar ali, custe o que custar. É uma visão de consciência de que não há outro lugar melhor do que aquele ali.

P. Por que não há uma política mais enérgica para ocupar os prédios abandonados do centro de São Paulo e tentar assim reduzir o déficit habitacional?
R. Porque é uma defesa exacerbada de uma verdade que interessa a nós todos, que é a liberdade individual, levada a um extremo de uma visão puramente mercantilista e com isso deixar que a parte predadora de compra e venda do mercado, da especulação, possa gozar plenamente [do espaço]. No fundo, são forças políticas. Como nós vivemos? Com o desejo do estabelecimento de repúblicas democráticas, ou seja, quem governa é eleito pelo povo. E esse processo tem que ser aprimorado a ponto de passar a ser efetivamente verdade. Agora você diz: Mas isso será possível? O que você quer? Lute por isso.

P. Falando então de alguns desses movimentos. O que luta pelo Parque Augusta. É um terreno enorme, particular, em uma área central e esse grupo ocupa para que a área se transforme em um parque. Qual é a viabilidade disso? A Prefeitura diz que não tem dinheiro para comprar o terreno. O movimento tenta resistir... O desejo de transformar essa área em um parque é viável?
R. Aí é uma questão mais técnica. Olhando o [edifício] Copan, por exemplo: ali são 1.000 apartamentos, e tem desde apartamentos de 30 metros até 150 metros. Há uma coisa que me agrada muito em relação inclusive à obra de Niemeyer: há ali apartamentos de um dormitório, três dormitórios... Se você é músico e toca no Teatro Municipal, você pode morar ali sozinho e ir a pé ao teatro. Enfim, o que caracteriza a casa pequena não é a pobreza, é a conveniência. O Edifício Copan é um belo exemplo de uma habitação em uma ideia de cidade para todos.

P. Faltam mais Copans em São Paulo?
R. Sim. E, portanto, o que fazer ali [no Parque Augusta], se é um jardim ou não, é uma outra questão. O que deveria ser feito é tornar aquele terreno disponível. Eu tenho a impressão de que o projeto ideal seria qualquer coisa gênero Copan. Habitação para todo mundo, com escolas para as crianças, etc. O projeto ideal pode não ser um grande parque, mas também com certeza não é construir prédios e dizer que vai preservar um percentual de área verde, essa besteira...

Marina Rossi no El País.