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Sucesso entre os “novinhos” – gíria comum no mundo do funk  para designar a juventude -, o músico paulistano Lucas Rocha da Silva, o MC Garden, tem chamado atenção pelas letras politizadas e contestadoras.

Ele é polêmico e fala para periferia, com temas variados. Vai dos protestos nas ruas ao uso de drogas e à nova onda de lança perfume nos bailes de São Paulo. Aborda também da gravidez na adolescência, relações sexuais e dos menores no ambiente do funk, fazendo uma crônica do seu cotidiano.

No mundo do rap e no funk, é comum os artistas criarem frases de efeito, slogans, para definir seu trabalho. Da ponte pra lá ou Vida Loka foram marcas dos Racionais MC’s, que os identificaram com a população das periferias de São Paulo. O rapperEmicida tem também sua marca, A rua é nóis! Valeska Popozuda, a popular funkeira carioca, lançou o polêmico slogan My Pussy é o Poder. O MC Garden deixa também sua marca: Mais Ideologia, Menos Putaria.

O vídeo “Isso é Brasil”  já superou 3 milhões e meio de visualizações na página do cantor e lhe rendeu visibilidade e prêmios.

Conheça um pouco do trabalho do Mc Garden e o que ele tem a dizer sobre a política no Brasil.

"Geração de Pensadores": https://youtu.be/hkfyXRVNP68

"Isso é Brasil": https://youtu.be/nRF0QLYYCe4

João Priolli no Marqueteiros.

Na semana (no dia) da inauguração da ciclovia da avenida Paulista, o Bike é Legal relembra o histórico de luta e ativismo para garantir o espaço da bicicleta na mais importante via da cidade de São Paulo. Em 2009, a ciclista Márcia Prado foi atropelada e morta por um motorista de ônibus na avenida. A "ghost-bike" instalada como forma de homenagem e protesto permanece no local até hoje.

A jornalista, fotógrafa e ciclo-ativista Renata Falzoni conta:

Há seis anos, a ciclista Márcia Prado foi atropelada por um ônibus na avenida Paulista, de forma covarde e uma das coisas que mais chamou a atenção foi o motorista na TV dizendo que “só percebeu ter atropelado alguém quando sentiu o tranco na roda traseira do ônibus” e que estava de “consciência limpa”!

No dia seguinte a esse assassinato fui convidada pelo repórter e apresentador Eduardo Elias dos Canais ESPN para participar do Sportcenter. Assista aqui a matéria: https://youtu.be/w7JFfHsgYEc

Saí dessa entrada ao vivo e fiquei trancada em casa por uns 15 dias, impossibilitada de trabalhar ou mesmo de pensar. Entrei em depressão pois a proximidade que tínhamos – temos com Márcia Prado – nos fez sentir nós próprios mortos, esmagados no asfalto em plena Avenida Paulista, vítima de uma guerra civil, onde aceita-se como “normal” o motorista dizer-se de “consciência limpa” e as autoridades de trânsito continuarem a relegar a mobilidade e segurança dos cidadãos a um segundo plano, para garantir mais fluidez aos cidadãos motorizados.

A Avenida Paulista é símbolo dessa discrepância: Enquanto 1 milhão e meio de cidadãos por ela passam todos os dias a pé, apenas 60 mil cidadãos por lá circulam a bordo de 50 mil carros particulares. A velocidade permitida aos veículos motorizados é de absurdos 70 km por hora, enquanto um pedestre leva mais de 5 minutos para atravessar a avenida e trocar de calçada, pois não há faixas de pedestres na diagonal.

Permitir 70 km/h em uma avenida com um semáforo a cada 100 metros e milhões de pedestres nas calçadas é incompatível com a vida, serve apenas para acostumar o motorista a buscar alta velocidade de forma irresponsável. Detalhe, a fluidez não é determinada pela velocidade máxima e sim pela velocidade média assim não há o que justifique tal estupidez!

As chances de sobrevida a um atropelamento a 70km/h é próxima de zero!

Não acredito que esse motorista de ônibus estivesse a 70 km/h mas de duas uma:

Ou ele “viu e não enxergou” a ciclista, mais um ato falho tido como "normal", pois como a CET não cobra a preferência para com os  pedestres e os ciclistas, nós somos “vistos e ignorados” mesmo, com anuência das autoridades focadas na fluidez dos automóveis; ou o motorista viu sim e tirou uma fina de propósito para assustá-la, uma prática comum na criminosa intenção de “punir” aqueles que pretendem dividir o espaço público conforme reza a lei.

Fonte: Bike é Legal.

 

O fotógrafo passou uma semana com os recém-chegados a São Paulo. Antônio Emygdio, 36 anos, visitou a Paróquia Nossa Senhora da Paz durante uma semana inteira e não foi por devoção cristã. Seu propósito era o de fotografarimigrantes que, recém-chegados à cidade de São Paulo, procuraram abrigo no templo.

“Tentei retratar esses imigrantes de forma digna, bonita, para que as pessoas pudessem olhar em seus olhos e reconhecerem os seres humanos que são, buscando uma qualidade de vida melhor”, disse o fotógrafo, que também tinha o intuito de aproximá-los dos brasileiros, que em sua maioria são descendentes de imigrantes e diariamente buscam o melhor para si e para a família.

Ao todo, o fotógrafo retratou cerca de 40 imigrantes de países como Peru, Bolívia, Colômbia, e principalmente Haiti, com o auxílio do fotojornalista da Agência Magnum, Moises Saman, que, dentre seus trabalhos, tem uma série de fotografias do Haiti após o terremoto de 2010. Os retratos feitos por Emygdio remetem à foto de um passaporte: “é essa identidade que eles carregam, é a única coisa que eles têm que os identifique”. Depois de fotografadas, as pessoas recebiam uma cópia impressa da imagem.

 
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Ao todo, Emygdio retratou 40 imigrantes.


Ele contou que iniciou a aproximação com os recém-chegados conversando sobre suas trajetórias e surpreendeu-se. “Eu perguntava de onde eles eram e percebi que muitos tinham ensino superior em turismo, design, tinham eletricistas, não eram só trabalhadores braçais como muitos acreditam. E eles falam vários idiomas, como inglês, espanhol, francês e estavam aprendendo português”. 

Uma das histórias marcantes foi a de um senhor vindo da Colômbia fugindo das FARC, que tinham assassinado toda sua família. "Ele já estava no Brasil há anos, vivia na rua, e com ele descobri que a falta de água potável, por vezes, é um problema maior do que a falta de comida”.

Mas o que mais chamou a atenção do fotógrafo foi o otimismo desses imigrantes. "Eles são muito esperançosos, vieram para construir uma vida nova e querem começar a trabalhar logo, deixando para trás a vida de miséria que levavam”.

Ele contou que nenhum dos imigrantes chegou a pedir dinheiro, mas queriam um emprego e contatos. “Senti a maior frustração em não poder ajudar mais do que divulgar as fotos e chamar atenção para a causa, resgatando a humanidade dessas pessoas, que não são meramente ‘dezenas de imigrantes que chegaram a São Paulo’”.

Os retratos realizados estão em exposição na 6ª Mostra SP de Fotografia da DOC Galeria, espalhados por postes nas ruas da Vila Madalena.

Ingrid Matuoka em Carta Capital.

 

Eduardo Alves da Costa faz sinal para o ônibus elétrico no ponto que margeia o parque Buenos Aires, em Higienópolis (região central de SP). O gesto banal para pegar a linha Machado de Assis foi repetido inúmeras vezes pelo escritor, que é autor de um dos poemas mais famosos da literatura brasileira, "No Caminho, com Maiakovski".

O circular de número 408A –que sai da rua Cardoso de Almeida, no Sumaré, e vai até a rua Machado de Assis, na Vila Mariana– é um dos cenários do novo romance do também poeta niteroiense.

"Tango, com Violino" (ed. Tordesilhas) tem como paisagem a cidade de São Paulo, que se descortina das janelas do 408A e de tantos outros ônibus, definidos como "veleiros a navegar no seco".

Metáfora da Vida

"Decidi escrever sobre a condição de ser um homem de 70 anos. O ônibus é metáfora da própria vida, com pontos de partida e de chegada. Simboliza a vida e a morte, já que muitos não chegam ao fim da linha ou ao ponto final", compara o autor de 78 anos, que iniciou a empreitada há sete. "Não queria um dramalhão, mas escrever com autoironia uma reflexão sobre a vida."

Ao longo de 352 páginas, a solidão da velhice passeia pela metrópole em viagens intermináveis, nas quais cotidianamente o protagonista Abeliano, um septuagenário, vai se enchendo de vida. Não a sua, uma existência já esvaziada, mas a de tantos outros passageiros ou habitantes da megalópole com os quais esbarra nesse vaivém.

"Não tenho mais nada para fazer o resto da vida", conclui melancolicamente o personagem, ao se jogar em aventuras e encontros inesperados no intrincado de linhas do transporte público.

Perdendo o bonde.

"Os caras já perderam o bonde", traduz o autor, que está na mesma faixa etária de Abeliano, seu alter ego. Nas aventuras da ficção, o protagonista se faz acompanhar do amigo Teobaldo, também aposentado. Os dois vão dialogando sobre um futuro incerto e as novidades que permeiam o "maravilhoso mundo novo" do qual se veem apartados.

"Eu fico estarrecido com o que vem por aí, com a quantidade de coisas que desconheço. A verdade é que meu pequeno mundo ficou pra trás. Envelhecer não é só chegar aos 70 anos. É começar a desconhecer a realidade em que se vive", conclui Abeliano.

Eduardo faz coro com seu personagem. "Ao envelhecer ficamos invisíveis" constata o escritor, que teve tal percepção em uma viagem a Nova York, quando tinha 60 anos e decidiu ir ao bar da moda com a mulher e uma amiga. "Ninguém olhava pra gente."

Eliane Trindade em seu blog na Folha de S.Paulo.

O GZA acha que falta lirismo no rap, mas se depender do Emicida, o Brasil não sofre desse problema. "Boa Esperança", novo single do rapper, pintou nesta quarta (24) no YouTube com uma letra pesadíssima. "Cês diz que nosso pau é grande/ Espera até ver nosso ódio", manda Emicida na música, um hino dedo na ferida (como é típico dele) sobre o racismo.

A faixa traz no título referência a um navio negreiro do livro “A Rainha Ginga”, do angolano José Eduardo Agualuza.Ainda sem título definido, o disco tem conexão direta com a África, com partes gravadas em Cabo Verde e Angola. O lançamento está previsto para o início do segundo semestre. Ele passou uma temporada na África para gravar com instrumentistas e cantores locais em estúdios em Praia (Cabo Verde) e Luanda (Angola), e finalizou o álbum em São Paulo. 

Em “Boa Esperança”, Emicida canta na companhia do rapper J Ghetto. Racismo, violência policial e referências a países da África são alguns temas abordados na faixa em tom combativo. “Já viu eles chorar pela cor do orixá? / E os camburão o que são? / Negreiros a retraficar / Favela ainda é senzala jão / Bomba relógio prestes a estourar”, diz o trecho final da música.

O áudio original: https://youtu.be/s96Xp0EmfDw

Já o clipe, gravado em um casarão na Zona Sul de São Paulo, será lançado, no Music Video Festival (m-v-f-), no dia 7 de junho, durante a cerimônia de encerramento do festival, no MIS, em São Paulo. 

Na trama, empregadas domésticas se revoltam contra as injustiças cometidas por seus patrões e armam um motim que se estende por todo o país. Emicida interpreta o vigia da mansão. A mãe do rapper, Dona Jacira, também está na produção, como uma das empregadas, acompanhada de Domenica e Jorge Dias – filhos de Mano Brown – e da modelo Michelli Provensi. “Boa Esperança” foi gravado nessa semana e tem direção de João Wainer e Katia Lund (de “Cidade de Deus”).

Com informações de Taís Toti / Noisey, Catraca Livre e Bárbara Tavares, Glamurama.


O poeta brasileiro Augusto de Campos, foi homenageado nesta quarta-feira com o Prêmio Iberoamericano de Poesia Pablo Neruda, outorgado pelo Conselho Nacional de Cultura e Artes do Chile. Homenagem é feita pelo governo chileno a escritores de carreira consagrada. 

A láurea inclui um diploma, uma medalha e US$ 60 mil. — É uma surpresa. Minha poesia não foi feita para prêmios — disse Augusto de Campos. — Sempre explorei novas linguagens, coisas que tinham certa dificuldade de assimilação para o grande público. Um reconhecimento como esse é raro, aconteceu poucas vezes. Aceito com muita humildade.

O ministro da Cultura chileno, Ernesto Ottone, anunciou o prêmio, agregando que "o reconhecimento também contribui para dar visibilidade a autores de excelente nível, cuja obras às vezes é pouca conhecida fora de seus países de origem."

Escritor, ensaísta e tradutor, Augusto de Campos, de 84 anos, ficou conhecido junto com o irmão, Haroldo de Campos, como um dos fundadores do movimento da poesia concreta, no qual as palavras e as imagens são tão importantes quanto a rima.

— Pertenço a uma família de escritores e poetas que não têm expectativas de reconhecimento — destaca Campos. — Décio Pignatari, por exemplo, nunca ganhou um prêmio sequer, no Brasil ou no exterior. Espero que a escolha repercuta na valorização da poesia, que hoje está tão marginalizada. Se o prêmio servir a esse propósito, ficarei feliz. A valorização ao meu nome é o que menos me interessa.

Segundo o júri, os poemas de Campos se destacam "por sua transversalidade, ao serem transpostos a formatos como o audiovisual, a computação gráfica e até mesmo a música."

Por Mateus Campos em O Globo com Agências Internacionais.

Augusto Luís Browne de Campos, nasceu em São Paulo, 14 de fevereiro de 1931.

O site oficial: http://goo.gl/dfDLvX