Mulheres que dão nome a ruas, avenidas e praças de São Paulo - São Paulo São

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Já que março é o mês da mulher, não haveria pauta melhor para ocupar esse mês inteiro aqui no SP24hrs. Vamos celebrar o espaço da mulher na cidade, no avanço da cidade e na luta por um cidade melhor.

E como a trajetória da cidade de São Paulo está diretamente ligada a trajetória da mulher paulistana, vamos começar com algumas mulheres icônicas que dão nome as ruas, praças, rodovias ou espaços públicos da cidade. Sejam elas personalidades, militantes ou ícones intelectuais da sociedade paulistanas, nascidas aqui ou “apaulistadas”. Mulheres que deixaram de alguma forma suas marcas na cidade ao longo do tempo, marcas que até hoje enchem a cidade de orgulho a cada esquina.

Anália Franco, por exemplo, você sabe quem ela foi? Sabia que por volta de 1906 ela inaugurou uma colônia para mulheres na Mooca, onde também fundou uma orquestra? Ela e outras tantas mulheres, suas histórias e seus feitos eternizados nas ruas e praças de São Paulo você confere abaixo.

Anita Malfatti - Foto: reprodução.

Rua Anita Malfati - Casa Verde 
Paulistana nascida em 1889, a  pintora, desenhista e professora, Anita Malfatti foi um dos grandes nomes da vanguarda modernista brasileira. Teve participação na Semana de Arte Moderna de 1922,  fomentando questionamentos sobre a situação daquele momento e chocando com suas obras. A pintura “A Boba”, é considerada um dos pontos mais altos da pintura de Anita, fruto de uma fase em que sua pintura, até então expressionista, absorve elementos cubo-futuristas.

 

Anália Emília Franco. Imagem: reprodução.

Avenida Anália Franco - Tatuapé 

Escritora, professora e jornalista, nasceu em Resende em 1º de fevereiro de 1856. Colaborou em jornais literários e na imprensa feminista. Em 1901, criou a Associação Feminina Beneficiente e Instrutiva de São Paulo, preocupando-se com a miséria e a erradicação do analfabetismo. Em 1903, foi pioneira na criação de creches para crianças cujas mães trabalhavam fora. Em 1906, adquiriu uma fazenda na Mooca e ali inaugurou uma colônia para mulheres. Dessa iniciativa surgiram ainda uma orquestra e um grupo dramático musical. Expandiu seu trabalho por toda a cidade, sempre centrado na educação e na solidariedade.

 

Dona Veridiana, Dona Maria Angélica e Dona Maria Antônia - Fotos: WikipediaDona Veridiana, Dona Maria Angélica e Dona Maria Antônia - Fotos: Wikipedia

Dona Veridiana, Dona Maria Angélica e Dona Maria Antônia. Imagem:: Wikipedia

Rua Maria Antônia - Higienópolis

Seu nome é uma referência a Dona Maria Antônia da Silva Ramos, senhora da sociedade paulistana, filha do senador do Império João da Silva Machado, Barão de Antonina, e que possuía no local uma chácara que não possuía casa-sede, e onde não residia. Como a elite de sua época, utilizando aquelas terras para pomar e pasto de seus cavalos, que eram para ali levados por seus escravos, resolveu vender uma área em 1874, ao reverendo Chamberlain por 800 mil réis e que seria futuramente o campus do Mackenzie.

Com o tempo, seus herdeiros, de seu casamento com o tenente-coronel Mariano José da Cunha Ramos, ocuparam por muitos anos os lotes de suas terras, que ficavam na área  das atuais Rua da Consolação, Rua Maria Antônia, Rua Itambé, Rua Dona Veridiana, Rua Major Sertório e Rua Dr. Cesário Motta Júnior.

Ela é considerada uma das três senhoras fundadoras do bairro de Higienópolis, em sua primeira etapa, dos altos de Santa Cecília, juntamente com Dona Veridiana da Silva Prado (Rua Dona Veridiana) e Dona Maria Angélica Souza Queiroz Aguiar de Barros (Avenida Angélica), cuja presença é evocada pelas ruas que levam seus nomes.

 


Pérola Byington – Foto: Wikipedia

Praça Pérola Byington - Bela Vista

Nasceu em dezembro de 1879, em Santa Bárbara, SP, descendente de imigrantes norte-americanos. Em 1930, com a sanitarista Maria Antonieta de Castro, fundou a Cruzada Pró-Infância, entidade voltada ao combate da mortalidade infantil, cujos índices eram assustadores na época. Lutou pela institucionalização do Dia e da Semana da criança, não por motivos comerciais, mas com o objetivo de chamar a atenção sobre os problemas da infância. Procurou influenciar autoridades para a execução de programas voltados ao cumprimento de direitos adquiridos pelas mulheres. Desde 1933 defendia a importância da educação sexual.

No Brasil, foi uma das primeiras a defender a divulgação das causas da mortalidade no parto e pós-parto, com a finalidade de melhorar o pré-natal. Nessa defesa, em julho de 1938, na Semana das Mães, fez uma intervenção pública, enfrentando críticas. O Hospital Pérola Byington, criado pela Cruzada Pro-Infância, é hoje administrado pelo Estado e tornou-se referência no atendimento à saúde das mulheres e particularmente das que são vítimas de violência.



Lina Bo Bardi – Foto: Acervo Lina Bo Bardi.

Esplanada Li Bo Bardi – Cerqueira César

Em 13 de agosto de 1992, uma lei municipal deu o nome de Esplanada Lina Bo Bardi ao famoso vão do MASP, situado embaixo do Museu de Artes de São Paulo, na Av. Paulista. Além de ser conhecida por ter projetado o MASP, Achilina Bo, mais conhecida como Lina Bo Bardi, foi uma importante figura dentro da arquitetura brasileira, além de ser uma admirável personagem da vinda intelectual brasileira.

Largo Dona Ana Rosa - Vila Mariana

Ana Rosa de Araújo Marcondes, nascida em 1786, natural de São Paulo, é filha de Manoel Antonio de Araujo e dona Joaquina de Andrade. Foi casada com Ignácio Marcondes. Sua vida foi dedicada exclusivamente às obras de caridade. Esta respeitável senhora paulistana deixou em testamento um legado de 60.000$000 (sessenta contos de réis) para a fundação de uma casa de beneficiência. O Barão de Souza Queiroz, dando aplicação a esse dinheiro, criou o Instituto Dona Ana Rosa, destinado a asilar e manter crianças pobres, proporcionando-lhes também instruções geral e ensino profissional. O Instituto foi inaugurado dia 25 de janeiro de 1875, tendo ocupado vários prédios, dentre os quais o do Convento do Carmo, cedido por D. Pedro II em 1886, quando visitava esta Capital. O instituto foi mantido pela Associação Protetora da Infância Desvalida. Recebeu o honroso título de Cidadã Benemérita que consta em logradouros públicos.

Rua Iáiá - Itaim Bibi

Em meados de 1930 uma lei municipal autorizou a abertura e a nomenclatura de diversas ruas e travessas da então Chácara Itaim, atualmente Itaim Bibi, que era propriedade de Dr. Leopoldo Couto de Magalhães. Dentre tantas, a Rua Iaiá, cuja grafia era Yayá, foi batizada com esse nome em homenagem a um amiga íntima da família Magalhães, cujo nome exato não se sabe, mas cujo o apelido era esse.

Rua Bartira - Perdizes

Bartira é o nome com que passou à história a mulher de João Ramalho, o célebre naufrágo que Martim Afonso de Souza encontrou radicado em terras de São Paulo, senhor da não menos célebre povoação de Santo André da Borda do Campo. Essa ligação do velho português com a filha do chefe Tibiriçá, simboliza bem a amizade que soube merecer dos aborígenes do planalto. Foi devido a ela que João Ramalho pode tão eficazmente auxiliar Martim Afonso no seu primeiro contato com a terra que seria propriedade sua.

Rua Maria Carolina - Pinheiros

Maria Carolina, filha do Capitão Joaquim Ferreira da Rosa, foi proprietária de muitos terrenos na região de Pinheiros. Era uma mulher de negócios muito respeitada por seu pulso firme e por ser filha de militar.

Pagu. Foto: Acervo Centro de Estudos Pagu.

Rua Patrícia Galvão - Guaianases

Patrícia Rehder Galvão, mais conhecida como Pagu, nasceu na cidade de São Paulo em 1910. Escritora, jornalista, tradutora e desenhista foi uma das grandes mulheres do movimento modernista brasileiro, mesmo não participando ativamente da Semana de 22. Militante do Partido Comunista, Pagu fazia parte também do movimento antropofágico da época, ao lado do marido Oswald de Andrade. Lutou pelos direitos trabalhistas e escreveu diversos ensaios e livros, alguns sob o pseudônimo de Mara Lobo.  Morou na Liberdade, no Brás, na Aclimação e na Bela Vista.

Hebe Camargo e seu filho Marcelo. Foto: acervo pessoal.

Avenida Hebe Camargo - Morumbi

Hebe dispensa biografia, seja você paulistano ou não. Basta ser brasileiro para saber quem foi esse exemplo de mulher. Saudades, Hebe!

 


Célia Helena em cena de Arena Conta Tiradentes - 1967. Foto: Derly Marques.

Rua Célia Helena - José Bonifácio

Célia Camargo Silva foi uma importante atriz brasileira. Nascida na cidade de São Paulo, fundou o Teatro Escola Célia Helena em 1977, um dos mais importantes teatros da cidade. É mãe de Elisa, com Ruy Ohtake, e da atriz Lígia Cortez, com o ator Raul Cortez.


Cacilda Becker em 1961. Foto: Reprodução.

Rua Cacilda Becker - Itaim Bibi.
Cacilda Becker é considerada uma das maiores atrizes de palco do Brasil. Em 30 anos de carreira, Cacilda encenou 68 peças, fez dois filmes e uma telenovela além de outras participações em teleteatros na televisão. Foi a principal atriz do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e lecionou interpretação na Escola de Arte Dramática de São Paulo (EAD).

Cacilda fundou também sua própria companhia e assumiu a Presidência da Comissão Estadual de Teatro de São Paulo em 1968. Durante sua gestão, fez grandes conquistas e participou ativamente na luta contra a ditadura militar.  Inaugurado em 1988 na Zona Oeste da cidade,  um dos mais importantes teatros da cidade leva seu nome, o Teatro Cacilda Becker.

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Com texto de Jo Machado do 24hrs.