Pesquisa cataloga toda a obra do artista plástico José Leonilson - São Paulo São

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Está quase pronto um trabalho de catalogação que levou duas décadas. No fim do ano que vem, sairão os quatro volumes elencando cerca de 4.000 obras do artista José Leonilson, morto aos 36, em decorrência da Aids, em 1993.

Dois anos depois da morte, o Projeto Leonilson foi criado pela família, tendo à frente sua irmã Ana Lenice Dias Fonseca da Silva, para cuidar do espólio. Desde então, os herdeiros vêm compilando as obras do artista com a ajuda de especialistas, entre eles Ricardo Resende, editor do catálogo raisonné que sairá em breve.

Esse tipo de publicação, que lista todas as obras produzidas por um artista, é importante não só para pesquisadores e curadores que queiram montar exposições, mas também para combater falsários, já que se uma obra não consta no catálogo é bem provável que ela seja uma fraude.

Dois artistas de peso do cenário nacional –Candido Portinari e Tarsila do Amaral– já têm seus raisonnés, o que ajuda no controle das obras pelos herdeiros. Também estão em curso catálogos de Rubens Gerchman, Iberê Camargo, entre outros. Leonilson, no entanto, será o primeiro artista contemporâneo a ser contemplado por algo do gênero.

Resende e a irmã do artista acreditam que 90% da compilação já esteja concluída, mas estimam haver ainda cerca de 400 peças que serão listadas até a edição dos livros.

"Vimos muita obra falsificada", conta Fonseca da Silva. "É muito comum as pessoas quererem certificados de autenticidade, mas isso é algo paralelo ao catálogo. A ideia de se fazer isso é dar acesso à obra do Leonilson."

Na tentativa de evitar equívocos, cada obra submetida à avaliação da equipe é comparada com anotações, fotografias e esboços em seus arquivos pessoais. "Vamos fazendo as pontes entre a obra e o que está nas agendas dele", diz Resende. "Esse catálogo vai ajudar a distinguir também entre o que é esboço e estudo e uma obra final.

" Boa parte dos 4.000 trabalhos já elencados são desenhos –cerca de 1.500 exemplares. Além de imagens e informação sobre o paradeiro das obras, os volumes trarão artigos de referência sobre Leonilson, uma lista que já conta com 3.900 citações.

"Há trabalhos icônicos, como 'José' e 'Leo Não Consegue Mudar o Mundo', que têm páginas e páginas de informação a respeito", diz o editor, que esteve à frente da retrospectiva do artista no Itaú Cultural há quatro anos. "As fichas são extensas."

Não foi revelado quanto será investido no projeto, mas o esforço só foi possível com o patrocínio da Fundação Edson Queiroz, de Fortaleza, cidade natal de Leonilson. A instituição planeja uma mostra do artista para lançar o raisonné em 2016.

Por Silas Martí na Folha Ilustrada.