Metade dos paulistanos é tolerante com o público LGBT, segundo pesquisa sobre diversidade - São Paulo São

Pesquisa encomendada pela Rede Nossa São Paulo aponta que metade da população paulistana tem a percepção de que a cidade é tolerante com lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e outros gêneros (LGBT e outros). O resultado foi divulgado nesta terça-feira (22) na capital paulista.

Segundo o estudo, 23% avaliam a cidade como “nem intolerante, nem tolerante”, 23% consideram intolerante e 4% não souberam responder. “Quanto mais escolarizado e quanto mais alta a classe social, maior foi a percepção de que a cidade é tolerante”, disse Patricia Pavanelli, diretora do Ibope Inteligência, instituto responsável pela pesquisa.

Foram ouvidas 800 pessoas com mais de 16 anos. A maioria delas, 90%, heterossexuais. Jorge Abrahão, coordenador geral da Rede Nossa São Paulo, disse que uma das intenções do levantamento é promover a discussão na sociedade e passar a acompanhar o tema anualmente. Na opinião dele, os pilares que mais precisam avançar no país são a tolerância e o respeito à diferença.

“Há menos de trinta anos, a homossexualidade era vista como doença. É impressionante como somos tão avançados em ciência e tecnologia, e tão atrasados em comportamento e campo dos afetos”, disse Abrahão.

Situações de preconceito

Metade dos pesquisados disseram ter vivido ou presenciado situações de preconceito de gênero ou orientação sexual. Os locais mais comuns foram espaços públicos (51%), transporte público (46%), escola ou faculdade (39%), shoppings e comércios (39%), bares e restaurantes (38%), trabalho (35%) e família (34%).

Levando em conta as situações preconceituosas, 13% disseram ter presenciado ou vivenciado em todos os locais citados. Declararam, por sua vez, nunca ter visto ou vivido o preconceito, 28% dos entrevistados. “A minha provocação é: não vivenciou ou não reconheceu uma situação de violência ou preconceito?”, questionou Patrícia.

Nível de aceitação dos direitos LGBT

A percepção de tolerância é maior entre o público com maior nível de instrução, idade e classe social. Foto: Getty Images.A percepção de tolerância é maior entre o público com maior nível de instrução, idade e classe social. Foto: Getty Images.

Mais da metade dos entrevistados é favorável à criação de leis de incentivo à inclusão dos LGBT no mercado de trabalho (54% de favorabilidade), a pessoas transexuais e travestis adotarem o nome social, ou seja, o nome pelo qual preferem ser chamados (53% de favorabilidade) e à adoção de crianças por casais homossexuais (51% de favorabilidade).

Quanto ao casamento entre homossexuais, 45% dos paulistanos são favoráveis ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. No entanto, apenas 23% dos entrevistados são favoráveis a pessoas do mesmo sexo demonstrarem afeto, como beijos e abraços, na frente dos seus familiares, enquanto 38% são contra.

A maior rejeição pelo paulistano refere-se a criação de banheiros unissex, ou seja, sem demarcação de gênero. Somente 20% dos entrevistados são favoráveis à ideia, enquanto 52% são contrários.

O perfil do grupo mais favorável a questões relacionadas à população LGBT é composto por mulheres, mais escolarizadas, da região oeste da cidade, de religiões diversas, com renda familiar de mais de 5 salários mínimos e com idade entre 25 e 34 anos.

Já o perfil do grupo mais contrário a questões relacionadas à população LGBT+ é composto por homens, menos escolarizados, da região leste da cidade, evangélicos ou protestantes, com renda familiar de menos de 2 salários mínimos e com mais de 55 anos.

Levando em conta esses resultados, a pesquisa criou um índice de LGBT fobia na cidade de São Paulo. Numa escala de zero a um, o município registrou 0,46.

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Fonte: Rede Nossa São Paulo.