Moradores de rua ganham câmera para registrar imagens da cidade - São Paulo São


Pelo menos 50 pessoas em situação de rua de São Paulo receberam ontem (3) da prefeitura câmeras fotográficas descartáveis e terão até quinta-feira (5) para registrar a cidade em 27 poses. As fotografias serão expostas em uma mostra produzida pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos, ainda sem data definida. As 13 melhores irão compor um calendário, que será apresentado no 3º Festival de Direitos Humanos – Cidadania nas Ruas, em dezembro.

“Talvez, pelo olhar dessas pessoas que estão nas ruas, possamos ver muito mais que a miséria, que é o que veem quando olham para eles. Podemos descobrir arte e uma outra forma de encarar a vida”, acredita o educador Sebastião de Oliveira, conhecido como Tião, que desenvolve projetos culturais com moradores de rua. “Eles vão mostrar para as pessoas o que gostariam de mostrar, que vai muito além dos estereótipos.”

O projeto, chamado Minha São Paulo – O olhar da cidade pela população em situação de rua, ocorre em parceria com a rede With One Voice e as organizações não governamentais inglesas People’s Palace Projects e Streetwise Opera, além do British Council e da Calouste Gulbenkian Foundation. Três áreas da Secretaria de Direitos Humanos estão envolvidas: as coordenações de Políticas para População em Situação de Rua e de Promoção do Direito à Cidade e a Assessoria de Relações Internacionais.

O projeto, que foi realizado pela primeira vez no Reino Unido, tem como objetivo valorizar a produção artística da população em situação de rua, permitindo que registre a sua realidade e seu olhar sobre a cidade. Na devolução das máquinas, cada participante receberá R$ 10 e os autores das 13 fotos do calendário, eleitas pelos visitantes da exposição, por representantes do movimento de população em situação de rua e por fotógrafos, receberão R$ 100 como prêmio.

“Já desenvolvo o projeto há sete anos e neste tempo vi transformações incríveis nas pessoas, tanto pela oportunidade de produzir arte, como pela venda dos calendários”, afirmou o idealizador do projeto, Paul Ryan, durante o lançamento.

O calendário será vendido pelas organizações parceiras e o dinheiro será destinado a projetos de arte e cultura para a população em situação de rua. A ideia é que este intercâmbio ajude a criar subsídios para a elaboração de políticas públicas para as pessoas em situação de rua.

Por Sarah Fernandes, da RBA.