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São Paulo São Caminhos


A prefeitura da metrópole argumenta com estatísticas: o uso de bicicletas na cidade cresceu 10% no último trimestre e bateu seu recorde. Elas já são 16% do tráfego de veículos no centro da cidade. É preciso fazer mais ciclovias e estações de aluguel.
 
Não, não é o paulistano Fernando Haddad. É seu colega londrino, que investe R$ 4 bilhões para melhorar a infraestrutura cicloviária de Londres e aumentar a segurança dos ciclistas. Fora do Brasil, o transporte a pedal não é uma mesquinha questão partidária. É uma imposição econômica. 

Todo ano, o mundo produz mais de 130 milhões de bicicletas - o dobro do que fabrica de carros. E essa diferença continua crescendo, entre outros motivos, porque uma invenção centenária está, enfim, seduzindo o mercado: a e-bike. 
 
A bicicleta motorizada existe desde o fim do século 19, mas apenas nos últimos anos a tecnologia evoluiu ao ponto de popularizar a produção de motores elétricos realmente eficientes e de baterias leves, recarregáveis e duradouras. Tudo isso combinado a sensores que captam o movimento e a força da pedalada e transferem para a roda a energia que faltava. O resultado é uma bicicleta que aplaina qualquer cidade. 
 
Um ciclista neófito e com sobrepeso é capaz de subir os três quarteirões da ciclovia da Rua João Ramalho, uma das mais íngremes ladeiras paulistanas, sem ter um infarto - porque o motor elétrico complementa a pedalada com a força necessária. No plano, uma e-bike chega, sem esforço, a 25 km/h. Não é brinquedo. É muito mais um meio de transporte do que de lazer. 
 
A e-bike já virou aquilo que a propaganda diz que o carro elétrico será um dia. Os números são incomparáveis. Enquanto as vendas de automóveis híbridos no mundo se contam aos milhares, as e-bikes são produzidas aos milhões. Tudo começou na China, onde o desenvolvimento dessa tecnologia é uma prioridade de Estado desde 1991. Hoje, nove em cada dez e-bikes são chinesas. Mas europeus e norte-americanos tentam recuperar o terreno perdido. 
 
As vendas de e-bikes na Alemanha crescem 45% ao ano. Nos EUA, 80%. Um dos inventores da mountain bike, Gary Fisher disse aos fabricantes de bicicletas dos EUA no seu último congresso: "As e-bikes vão eclipsar as mountain bikes. Isso vai ser maior do que qualquer coisa que vocês já viram. E é melhor darem duro, porque, senão, a indústria automobilística vai tomar conta". 
 
As grandes montadoras de veículos e os fabricantes de autopeças já perceberam a oportunidade e entraram no mercado. Bosch e Yamaha, por exemplo, desenvolveram sistemas integrados de motor e bateria que podem ser adaptados a bicicletas comuns de outros fabricantes. Audi, Ford, Porsche e Smart - para citar algumas marcas que estão se adaptando das quatro para duas rodas - desenvolveram e vendem e-bikes. Não é difícil entender o motivo.
 
Enquanto um carro elétrico pesa 1,5 tonelada e seu motorista, digamos, 75 kg, a e-bike pesa 25 kg e carrega o mesmo motorista. Num, a relação de peso morto x peso transportado é de 20 para 1; no outro, de 1 para 3. Além de ser 60 vezes mais eficiente, a e-bike custa, em média, um décimo do preço do carro elétrico. Não requer habilitação, pode circular em ciclovias e não paga IPVA. 
 
Inovações não param de surgir nesse novo mercado. Ainda este semestre começará a ser vendida a chamada "Copenhagen Wheel". Apesar do nome, foi inventada pelo MIT, nos EUA, e tem jeito de futuro: motor e bateria embutidos em uma só peça que substitui a roda traseira de quase qualquer bicicleta. Sua bateria se recarrega nas descidas. Controlada pelo celular, forma uma rede volante que mede volume de tráfego e qualidade do ar onde passa. 
 
Enquanto isso, no Brasil… discutimos a cor da ciclovia por parecer uma versão desbotada da do partido do prefeito. Aqui, a Copenhagen Wheel rapidamente viraria "roda petista" e provavelmente teria dificuldades de venda. Afinal, é vermelha.

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José Roberto de Toledo em sua coluna no Estadão.
 
 
 

 
Chegar mais rápido ao se deslocar pela Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) e ao mesmo tempo praticar atividade física pode ser possível se houver alterações nos meios de transporte para o deslocamento e no planejamento urbano. Apenas a combinação de mais viagens curtas e uso de transporte público serão capazes de influenciar a saúde da população, reduzindo tanto o tempo total dos deslocamentos e o tempo “parado” e, ao mesmo tempo, aumentando a prática de atividade física associada às viagens cotidianas.
 

A análise foi feita pelos pesquisadores Thiago Hérick de Sá, Carlos Augusto Monteiro e Diana Parra do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens), da Faculdade de Saúde Pública da USP. O estudo avaliou o potencial impacto de cenários alternativos de transporte e planejamento urbano na RMSP sobre a prática de atividade física, sobre o tempo não ativo e sobre o tempo total acumulado pela população em seus deslocamentos diários.

O tempo total de qualquer viagem pode ser dividido entre a parte que foi feita de forma ativa, comumente a pé ou de bicicleta, e aquela não ativa, de pé ou sentado. “Quando você sai de casa e pega um ônibus, parte dessa viagem é ativa porque você andou até o ponto. O período dentro do transporte público é não ativo, sentado ou de pé. Já dentro do carro, por exemplo, este tempo não ativo será sentado, invariavelmente”, explica Thiago.

Os pesquisadores incluíram a análise do tempo não ativo durante os deslocamentos porque algumas pesquisas sugerem que o excesso de tempo sentado ao longo do dia pode influenciar na saúde. “O tempo não ativo não é exatamente igual ao tempo sentado, mas ele nos fornece uma noção sobre o tempo sentado no contexto dos deslocamentos. Passar muito tempo sentado pode trazer prejuízos à saúde, mesmo que a pessoa pratique atividade física regularmente”, alerta Thiago.

Dados
Para a construção dos cenários, o estudo se baseou nos dados da pesquisa “Origem e Destino da Região Metropolitana de São Paulo de 2007”, realizada a cada dez anos pelo Metrô de São Paulo. A análise é voltada à população adulta e economicamente ativa, de 18 a 60 anos, da RMSP.

De acordo com o pesquisador, atualmente, a distribuição das viagens na RMSP é de, aproximadamente, um terço em veículos particulares, um terço em transporte público e um terço em forma ativa — a pé e de bicicleta. “Na Região Metropolitana, há uma distribuição desigual entre a oferta de trabalho e o local onde as pessoas vivem, obrigando-as a se deslocar grandes distâncias e a fazer viagens muito longas todos os dias”.

A partir desses dados, foram construídos três cenários diferentes de acordo com substituições nos modos de transporte das pessoas e no número de viagens longas que elas precisam fazer, e avaliado o efeito de cada uma dessas alterações sobre o tempo total das viagens, o tempo ativo e o tempo não ativo.

Cenários
Na primeira projeção do estudo, os pesquisadores analisaram a troca das viagens curtas (inferiores a mil metros) motorizadas — veículos individuais ou transporte público — por caminhada. “Hoje, o tempo médio acumulado de viagem na RMSP é de 86,4 minutos por habitante para o subgrupo estudado, dos quais, 19,4 minutos se dá de forma ativa e 67 minutos, não ativa. Quando a gente substitui todas as viagens curtas motorizadas por caminhada, nada muda em relação à diminuição do tempo gasto de deslocamento (86,2 minutos) ou de tempo ativo (19,6 minutos) e não ativo (66,4 minutos). Se uma pessoa que vai à padaria de carro passa a ir caminhando, ela terá ganhos enormes para a sua saúde. Mas o impacto positivo desta alteração sobre os determinantes da saúde da população é baixo”, analisa Thiago.

No cenário dois, os deslocamentos mais longos, com mais de mil metros, feitos por veículos motorizados individuais foram substituídos por transporte público. O resultado mostrou que o tempo médio acumulado de viagem aumentou para 100,4 minutos e o tempo não ativo passou para 74 minutos e 26,3 minutos de tempo ativo.

“O deslocamento ativo médio populacional aumentou sete minutos, o que é ótimo, mas o problema é que o tempo de viagem e o não ativo também foi maior. Por mais que o aumento da atividade física nos deslocamentos seja algo positivo, não adianta as pessoas fazerem mais atividade física gastando ainda mais tempo nos deslocamentos do dia a dia”, ressalta o pesquisador.

O cenário três combina os cenários um e dois, mas nessa projeção haveria uma mudança na Região Metropolitana de São Paulo: o arranjo urbano seria alterado de modo a reduzir a necessidade de viagens longas. Por exemplo, os locais de trabalho das pessoas seriam próximos de suas residências e a distribuição dos equipamentos e serviços públicos na RMSP seria descentralizada.

Assim, metade das viagens longas foi substituída por viagens curtas e os deslocamentos seriam feitas apenas por transporte público ou a pé. O resultado apontou uma queda brusca no tempo de viagem para 52,9 minutos e no tempo não ativo para 26,2 minutos, com a manutenção do tempo ativo em torno de 26 minutos.

“Nesse cenário, conseguimos ter mais atividade física nos deslocamentos (tempo ativo) que é fundamental, além de ser uma possível meta do desenvolvimento humano sustentável para as cidades nas próximas décadas Além disso, vimos uma diminuição em dois problemas, gastar muito tempo nos deslocamentos e, pior, muito tempo inativo”, avalia Thiago.

Segundo o pesquisador, a construção desses cenários é utópica, mas não impossível. “Tanto que há várias cidades do mundo perseguindo esses cenários. Helsinki, na Finlândia, pretende chegar a uma realidade próxima disto em dez anos. É fundamental uma combinação de investimento e valorização das formas ativas de deslocamento, como caminhada e bicicleta, além do fortalecimento do transporte público, deixando-o mais capilarizado, democrático, confortável e seguro. Além disso, precisamos de uma reorganização urgente no planejamento urbano da região, porque apenas melhorias no transporte não vão dar conta de resolver o problema da Região Metropolitana de São Paulo”.

Hérika Dias na Agência USP.

 


A recém instalação da malha cicloviária na capital paulista pode ter elevado consideravelmente o número de ciclistas na cidade. É o que aponta pesquisa Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade), realizada em parceria com a ONG Transporte Ativo, Observatório das Metrópoles, e com apoio do banco Itaú.

O levantamento, mostra que cerca 40% dos ciclistas da cidade começaram a pedalar há menos de um ano; 29% dos entrevistados pedalam há mais de cinco anos, enquanto 19% há menos de 6 meses.

A pesquisa mostra também que 70% dos ciclistas usam a bicicleta pelo menos cinco vezes por semana; 62% afirmaram pedalar mais de cinco quilômetros no principal deslocamento feito por bicicleta no dia, e 50% dos entrevistados sugeriram a implantação de mais vias exclusivas para ciclistas na cidade. Já entre os entrevistados que disseram nunca usar ciclovias em suas viagens, 80% estão na periferia.

Com relação à renda, cerca de 40% dos ciclistas da capital paulista disseram ganhar entre zero e dois salários-mínimos (R$ 1.576). Aproximadamente 40% dos ciclistas têm entre 25 e 34 anos. Ciclistas entre 35 a 44 anos compõem a segunda faixa etária mais presente, com cerca de 27%.

Para a fazer a pesquisa foram aplicados 1.804 questionários in loco, entre 10 e 28 de agosto de 2015. Os entrevistados eram pessoas que estavam andando de bicicleta, abordadas em todas as regiões da cidade, em vias contempladas por ciclovias ou ciclofaixas e em ruas ainda sem infraestrutura, mas usadas com frequência por ciclistas.

Maria Claudia na Agência Brasil / EBC.


O sistema de empréstimos de bicicletas da capital paulista deve passar por mudanças nos próximos meses. De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), até 2024 o sistema deve ser expandido e integrado com o transporte público, permitindo a instalação de estações de bicicletas nas estações do metrô. “A negociação com o governo do Estado já está bem avançada, mas decidimos fazer antes os ajustes no sistema para dar sequência ao projeto com a Companhia do Metrô”, explicou a arquiteta Suzana Nogueira, coordenadora de Planejamento Cicloviário da CET.

No entanto, foi suspensa no último dia 13 de agosto pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) a seleção da empresa que, junto com a administração pública, faria a instalação e manutenção dos pontos de bike sharing. A alegação do conselheiro Edson Simões é que não houve tempo suficiente para análise dos argumentos de uma representação enviada por uma empresa.

A assessoria da CET informou que um novo edital para o chamamento público, que definirá a empresa vencedora através de licitação, está sendo produzido. Ainda não há data de lançamento da concorrência pública.

Bike Sampa
 

Atualmente dois sistemas de empréstimos de bike funcionam na cidade, sendo necessário um cadastro prévio para utilização das bicicletas. O mais antigo é o projeto Bike Sampa, do banco Itaú, que foi lançado em 2012. As bicicletas e estações são operados pela empresa Samba/Serttel.

O projeto Bike Sampa iniciou a integração com o Bilhete Único em Janeiro de 2014. Em outubro do mesmo ano registrou um aumento médio mensal de 60% no cadastro Bike Sampa associado ao Bilhete do transporte municipal. Atualmente, duas mil viagens são realizadas por dia.

Estações com maior número de viagens
 

As estações que apresentam o maior número de viagens são aquelas onde o ciclista pode usar a bicicleta junto com o sistema de transporte, reforçando a ideia de intermodalidade nos deslocamentos. As estações próximas ao metrô Faria Lima, Vila Mariana, Brigadeiro e Shopping Eldorado são os pontos com maiores número de viagens. Além destes pontos, as estações Pedroso Alvarenga, João Cachoeira, Praça Roosevelt, Parque Ibirapuera portões 5, 6 e 9 e Parque do Povo também estão na lista com maior movimento.

Bairros atendidos pelo Bike Sampa são: Água Rasa, Água Branca, Alto de Pinheiros, Barra Funda, Bela Vista, Belém, Belenzinho, Bom Retiro, Brás, Brooklin Novo, Campo Belo, Campos Elíseos, Carrão, Chácara Itaim, Cidade Monções, Consolação, Itaim Bibi, Jd. América, Jd. Edith, Jd. Europa, Jd. Paulista, Jd. Paulistano, Jd. Lusitânia, Moema, Mooca, Pacaembu, Paraíso, Penha, Pinheiros, Perdizes, República, Santa Cecília, Sé, Sumarezinho, Tatuapé, Vila Aricanduva, Vila Clementino, Vila Formosa, Vila Mariana, Vila Madalena, Vila Matilde e Vila Olímpia.

CicloSampa

Além do projeto do banco Itaú, o CicloSampa, da Bradesco Seguros, foi inaugurado em 2013 e mantém 149 bicicletas, distribuídas em 18 estações. O projeto ainda disponibiliza bicicletas aos domingos na Avenida Paulista, na Praça do Ciclista, sem que o usuário tenha que ser cadastrado.

Bairros atendidos pelo CicloSampa: Cerqueira Cesar, Jardim Paulista, Jardim Europa, Moema, Paraíso, Pinheiros, Itaim Bibi e Vila Olímpia.

Bike Sampa em números
 
- 1,2 milhão de viagens foram realizadas;
- 515 mil usuários cadastrados;
- 3.200.000 km percorridos por meio das bicicletas do sistema (equivalente a 81 voltas ao mundo);
- 465 toneladas de CO2 não emitidos à atmosfera (465 créditos de carbono).

Fonte: Vá de Bike.

 

Especialista em psiquiatria, filosofia penal e editor dos últimos cursos de Michel Foucault no Collège de France, Frederic Gros escreveu um tratado sobre o caminhar que conecta as idéias de pensadores como Kant, Thoreau, Nietzsche e Rousseau com suas caminhadas. Uma reinvindicação ao prazer de passear.


São Paulo Turismo (SPTuris) acaba de lançar um site completo para quem utiliza (ou vai começar a utilizar) bicicletas pela cidade. 
 
Pedalar por São Paulo está cada vez mais agradável e seguro com a implantação da nova estrutura cicloviária. Além de ser um meio de transporte para quem vai ao trabalho, à escola ou à faculdade, a bicicleta também pode ser uma opção de locomoção àqueles que desejam conhecer a cidade e explorar pontos turísticos.

Sobre duas rodas, o “turista-ciclista” – seja ele paulistano ou visitante de outros municípios e países – enxerga a cidade com outro olhar. Ele pode tirar fotos onde quiser parar, descobrir locais inusitados no meio do caminho, interagir com as pessoas durante o percurso, enfim, viver tudo o que São Paulo tem para oferecer.

Aproveite as sugestões de roteiros para visitar diferentes locais de interesse na capital paulista. São roteiros para descobrir pontos turísticos, informações sobre ciclofaixas e ciclovias separadas por região, novidades relacionadas a bicicleta, locais onde o ciclista é bem vindo e muito mais.

Lembre-se sempre de levar alguns itens indispensáveis para uma volta de bicicleta, como água, comida leve como barras de cereal ou frutas, protetor solar, boné, capa de chuva.

Acesse o SP de Bike e aproveite!