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São Paulo São Caminhos

O ritmo da inovação tecnológica do setor privado em serviços de transporte compartilhado, veículos e redes é acelerado e cheio de oportunidades, bem como riscos. A chegada iminente dos veículos autônomos, por exemplo, terá um impacto profundo nos meios de subsistência, no congestionamento e no uso do solo urbano. Ao mesmo tempo, as ruas da cidade são um recurso finito e escasso.

Lista de princípios ajuda a guiar tomadores de decisão e a população na transição para os novos serviços de mobilidade. Imagem / Reprodução.O lançamento dos 10 Princípios de Mobilidade Compartilhada para Cidades Humanas, elaborados por um grupo de especialistas em transportes liderado pela co-fundadora da Zipcar, Robin Chase, tem o objetivo de ajudar a orientar os tomadores de decisão das cidades e a população sobre quais seriam os melhores resultados para todos. As principais ONGs de cidades e transportes estão por trás desses princípios fundamentais, incluindo C40, ICLEI, ITDP, Natural Resources Defense Council, Fundação SLoCaT, instituto Rocky Mountain, Shared-Use Mobility Center e WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis.

O grupo estimula cidades, empresas e ONGs a apoiar e aplicar os princípios e se envolver com o grupo sobre como melhorá-los. A execução exigirá os esforços de todas as partes interessadas, com um papel especial para governos proativos e orientados para os resultados, que possam tomar decisões localmente usando todas as ferramentas sobre as quais têm competência.

1. Planejar a mobilidade e as cidades juntas

Nós planejamos nossas cidades e sua mobilidade juntas. A maneira como as cidades são construídas determina as necessidades de mobilidade e como elas podem ser melhor atendidas. O desenvolvimento, o design urbano e os espaços públicos, os regulamentos de construção e zoneamento, os requisitos de estacionamento via legislação e outras políticas de uso do solo devem incentivar cidades compactas, acessíveis, viáveis ​​e sustentáveis.

2. Focar em mover pessoas, não carros

Nós priorizamos as pessoas sobre os veículos. A mobilidade das pessoas e não dos veículos deve estar no centro da tomada de decisões e do planejamento de transportes. As cidades devem priorizar a caminhada, o ciclismo, os transportes públicos e outras mobilidades compartilhadas eficientes, bem como a sua interconectividade. As cidades devem desencorajar o uso de carros, táxis de passageiro único e outros veículos de grande porte que transportam uma pessoa.

3. Encorajar o uso eficiente do solo e da infraestrutura

Nós apoiamos o uso compartilhado e eficiente de veículos, ruas, calçadas e terrenos. O planejamento e as políticas de transporte e uso do solo devem minimizar o uso das ruas e do espaço de estacionamento por pessoa e maximizar o uso de cada veículo. Nós desencorajamos o excesso de construções, veículos grandes e infraestruturas de grande porte, bem como a oferta excessiva de estacionamento.

4. Engajar partes interessadas nas tomadas de decisão

Nós nos engajamos com as partes interessadas. Os residentes, os trabalhadores, as empresas e outras partes interessadas podem sentir impactos diretos sobre suas vidas, seus investimentos e seus meios de subsistência através da transição que se desenrola para veículos compartilhados, sem emissões e, em última instância, autônomos. Nos comprometemos a envolver ativamente esses grupos no processo de tomada de decisão e apoiá-los à medida que avançamos com essa transição.

5. Projetar com acesso para todos

Nós promovemos a equidade. Os acessos físico, digital e financeiro a serviços de transporte compartilhados são bens públicos valiosos e precisam de um desenvolvimento inteligente para garantir que o uso seja possível e acessível a todas as idades, gêneros, faixas de renda e habilidades.

Saiba mais sobre os princípios em www.sharedmobilityprinciples.org. Imagem / reprodução.

6. Evoluir rumo à emissão zero

Nós conduzimos a transição para um futuro de emissões zero e energia renovável. As frotas de transporte público e de uso compartilhado vão acelerar a transição para veículos de emissão zero. Os veículos elétricos devem, em última instância, ser alimentados por energia renovável para maximizar os benefícios ao clima e à qualidade do ar.

7. Cobrar tarifas justas

Nós apoiamos tarifas justas aos usuários de todos os modos de transporte. Todo veículo e modo de transporte devem pagar uma parcela justa por usar as ruas, pelos congestionamentos, pela poluição e o uso do espaço de calçada. A tarifa justa deve levar em consideração os custos operacionais, de manutenção e sociais.

8. Gerar benefícios públicos via dados abertos

Nós buscamos benefícios públicos através de dados abertos. A infraestrutura de dados derivada de serviços de transporte compartilhado deve permitir a interoperabilidade, a concorrência e a inovação, garantindo simultaneamente a privacidade, a segurança e a prestação de contas para a sociedade.

9. Promover a integração e a conectividade dos meios de transporte

Nós trabalhamos por uma rede de transportes integrada, conectada e eficiente. Todos os serviços de transporte devem ser integrados e cuidadosamente planejados entre operadores, geografias e modos complementares. A complementação entre diversos modos deve ser facilitada através de conexões físicas, pagamentos integrados e informações combinadas. Todas as possibilidades devem ser usadas para melhorar a conectividade de pessoas e veículos com redes de internet sem fio.

10. Promover a operação compartilhada de veículos autonomos

Nós apoiamos que veículos autônomos em áreas urbanas densas sejam compartilhados. Devido ao potencial de transformação da tecnologia dos veículos autônomos, é fundamental que todos façam parte de frotas compartilhadas, bem reguladas e com emissão zero. As frotas compartilhadas podem proporcionar acesso mais barato a todos, maximizar a segurança das pessoas, aumentar os benefícios da redução de emissões, garantir que as atualizações de manutenção e software sejam gerenciadas por profissionais e efetivar a promessa de reduzir veículos, estacionamentos e congestionamentos, em concordância com políticas mais amplas para reduzir o uso de carros pessoais em áreas urbanas densas.

O que dizem os especialistas

"O futuro da mobilidade é compartilhado", disse Robin Chase, co-fundadora da Zipcar no último dia do EcoMobility World Congress 2017. Foto: Divulgação"A maneira como os fluxos de pessoas e veículos são gerenciados dita qualidade de vida e o acesso a oportunidades para bilhões de pessoas", ressalta Robin Chase, co-fundadora da Zipcar. "Queremos garantir que os atuais desenvolvimentos em tecnologia, sistemas operacionais, modelos de propriedade e de negócios levem a cidades mais habitáveis, sustentáveis e justas".

Várias mudanças estão ocorrendo na mobilidade urbana, moldadas pela inovação tecnológica sem precedentes na área da informação, das redes e de energia", afirma Ani Dasgupta, diretor global do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis. "Esses princípios são o começo da construção de uma visão global sobre como gerenciar essa importante transição para que o resultado seja melhor para as cidades, com uma mobilidade mais fácil, segura e acessível para todas as pessoas".

"Muitas vezes, hoje, a discussão fica focada estritamente à competição justa", diz Clayton Lane, CEO do ITDP. "Para que a mobilidade compartilhada seja uma opção de transporte verdadeiramente sustentável, devemos colocar as necessidades das pessoas no centro de tudo. Esses princípios nos movem na direção certa, pela primeira vez, para estabelecer um cenário para garantir benefícios públicos. Esperamos que governos, empresas privadas e sociedade civil possam usar esses princípios como base para uma mobilidade mais eficiente e limpa, com comunidades mais equitativas e humanas".

A implementação dos Princípios de Mobilidade Compartilhada e das Estratégias de Kaohsiung para o futuro da mobilidade urbana são fundamentais para a construção de sistemas de transporte mais humanos e sustentáveis em todo o mundo", declara Monika Zimmerman, Secretária Geral Adjunta do ICLEI. "Devemos apoiar os governos locais e os tomadores de decisão na priorização da mobilidade urbana centrada nas pessoas com foco em caminhada, ciclismo, transporte público e compartilhado em vez de priorizar o automóvel".

"Esses princípios de mobilidade compartilhada, implantados em combinação com um forte transporte público e infraestrutura extensa para caminhadas e ciclismo, podem ajudar a tornar os sistemas de transporte urbano mais integrados, sustentáveis e equitativos", afirma Holger Dalkmann, co-presidente do Conselho de Administração da Fundação SLoCaT.

"O futuro do transporte é compartilhado, elétrico, com serviços de mobilidade autônoma em cidades projetadas para isso", disse Jeruld Weiland, diretor do programa de transformação em mobilidade do Instituto Rocky Mountain. "Com esses princípios de mobilidade compartilhada, as partes interessadas podem desenvolver soluções de mobilidade de ponta mais seguras, limpas, saudáveis, acessíveis e financiáveis – todas levando a cidadãos mais felizes. Os veículos elétricos e autônomos são uma parte importante do futuro de mobilidade, mas o que todos estamos perseguindo são cidades projetadas para pessoas e não carros".

"A mobilidade compartilhada tem o potencial de oferecer benefícios transformadores para cidades e regiões, incluindo a redução das viagens em veículos com uma única pessoa, o corte de emissões de gases de efeito estufa, a diminuição dos custos de transporte para os cidadãos, facilitando o acesso a empregos e oportunidades — mas somente se esses novos modos de transporte funcionarem para todos", diz Sharon Feigon, diretora executiva do Shared-Use Mobility Center. "Mudanças na tecnologia e nos padrões de deslocamento estão nos direcionando a um ponto crítico decisivo e uma liderança proativa é necessária para garantir o bem de todos e apoiar uma rede robusta de escolhas de transporte equitativas e ambientalmente saudáveis".

"A sustentabilidade e a equidade social devem ajudar a guiar a revolução do transporte com a mobilidade compartilhada e autônoma", declara Amanda Eaken, diretora de Transporte e Clima do Natural Resources Defense Council. "Veículos compartilhados e autônomos já estão tendo um impacto sobre o que atualmente chamamos de 'transporte público'. Esses 10 princípios direcionarão os governos, as ONGs, o setor privado e os cidadãos para ações capazes de tornar o ar mais limpo, reduzir a expansão urbana e as emissões de poluentes".

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Fonte: WRI Brasil.

O 2º Festival Brasileiro de Filmes sobre Mobilidade e Segurança – evento dedicado à exibição de filmes, vídeos e programas de TV brasileiros, sobre os temas de mobilidade urbana e violência no trânsito acontece no próximo dia 20 de Novembro.

O Festival vai apresentar 60 filmes, vídeos e programas diversos, num rico panorama da produção audiovisual brasileira e premiará melhores filmes em 9 categorias:

- Produção Independente curta-metragem sobre mobilidade,
- Produção Independente curta-metragem sobre ciclismo,
- Produção Independente curta-metragem sobre segurança viária,
- Produção Independente longa-metragem,
- Instituições,
- Vídeo-Cidadão,
- Estudantes,
- TV / Webséries,
- Animação.

O júri do evento é composto por Solange Farkas, curadora e diretora do Vídeo Brasil; Toni Venturi, cineasta e Lúcio Gregori, ex-secretário dos transportes da cidade de São Paulo

O Mobifilm

O Mobifilm tem o objetivo de incentivar e divulgar a produção audiovisual, promover reflexão, gerar debate, inspirar ideias e melhorar a consciência do país sobre os graves problemas afeitos a esses temas. Alinhado com o Global Road Safety Film Festival, o Mobifilm - com direção de Eduardo Abramovay, idealizador do evento, e produção de Leonardo Kehdi -, foi concebido a partir de uma reflexão sobre um panorama cujas estatísticas revelam uma realidade estarrecedora.

Imagem: Divulgação.

Milhões de automóveis consomem milhões e milhões de toneladas de aço, vidro, borracha, energia e água. Despejam na atmosfera milhões de agentes poluidores. Entopem as cidades. Drenam recursos públicos. A indústria automobilística produz aproximadamente R$ 200 bilhões por ano no Brasil. A soma do custo social desta indústria, isto é, o valor em horas perdidas dos congestionamentos + custo de saúde gerado pela poluição + o custo de vidas e trabalho perdidos em acidentes, + o custo hospitalar e terapêutico de vítimas sobreviventes + custo dos danos materiais dos acidentes, a soma destes fatores equivale ao valor total que a indústria produz.

Os números são eloquentes: 1.3 milhão de mortos e 50 milhões de lesionados graves em acidentes de trânsito no mundo a cada ano. A ONU proclamou o período de 2011 a 2020 como Década Mundial de Ação pela Segurança no Trânsito. A iniciativa agrupa ONU, OMS, CEE, Cruz Vermelha e Banco Mundial.

Uma das iniciativas promovidas pela FIA/ONU foi a criação do Festival Internacional de Filmes sobre Segurança Viária, realizado com sucesso de público e mídia em Genebra, Marrakesh e Paris. O Mobifilm foi criado a partir dessas ideias e iniciativas.

Serviço

O evento, gratuito, acontecerá em São Paulo, no Unibes Cultural. Imagem: Divulgação.
2o Festival Brasileiro de Filmes sobre Mobilidade e Segurança de Trânsito - Mobifilm 2017
Data: 20/11
Local: Unibes Cultural - Rua Oscar Freire, 2.500 – Sumaré, SP - Tel. 11 3065- 4333.
Horário: 10h30 – 21h.
Gratuito.

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Com informações Lítera – Construindo Diálogos.

Às vésperas do feriado de Nossa Senhora de Aparecida, no último dia 12, os romeiros tomaram a Via Dutra.

Em grupos ou em pares, em excursões organizadas ou sozinhos, o hábito de ir a pé até Aparecida está aumentando ano a ano. Estima-se que mais de 10 mil pessoas terão andando por lá nesse ano.

Passei de carro pela via Dutra nos últimos dias e vi centenas de pessoas andando no acostamento. É comovente vê-los enfrentando o sol, a chuva, o cansaço, o barulho dos carros e o perigo real de um atropelamento.

“O cansaço purifica, destrói o orgulho”, diz o filósofo Frédéric Gros sobre os peregrinos. O andarilho se despe de tudo o que é supérfluo e se concentra no ato mais básico do homem, andar.

A peregrinação medieval a Roma, Jerusalém e Santiago

A peregrinação cristã vem desde os primeiros séculos da nossa era e se afirmou na Idade Média como um ritual de purificação, de agradecimento por uma graça, de penitência por um crime ou uma prova de fé.

Caminhar nas estradas medievais era muito perigoso. O auto do livro “Uma história do Andar”, Joseph Amato, estima que metade dos peregrinos era roubada ou assassinada em seus trajetos. Tão comum eram os crimes que a pessoa era obrigada a fazer um testamento antes de partir em peregrinação.

Jerusalém e Roma eram os principais destinos até que Santiago de Compostela foi ficando cada vez mais importante, com paradas protegidas, cidades acolhedoras e um roteiro mais seguro.

O caminho de Santiago valoriza, até hoje, o caminhar, tanto quanto o próprio destino: “Companheiro, é nossa obrigação caminhar, sem nos demorarmos”, diz a canção do caminhante.

A peregrinação contemporânea a Aparecida do Norte

O caminhante que vai a Aparecida do Norte ganhou o apoio logístico de carros e até tendas com bebidas geladas em dias de calor.

Mas o sofrimento na beira da estrada ganha uma dimensão de perigo quando se pensa no risco de atropelamento. Em 2017, já houve uma morte e pelo menos quinze pessoas atropeladas. O barulho e a fumaça dos carros também devem aumentar as provações dos caminhantes e seguramente tornam a caminhada menos contemplativa.

Existe a ideia de criar outras rotas, como um caminho ao longo do Rio Paraíba. Além de ser mais seguro talvez venha a trazer aos caminhantes cansados a chance de pensar mais profundamente em suas vidas e suas provações.

De qualquer modo, é bonito ver as pessoas num mundo tão cheio de estímulos como o nosso desligando-se por alguns dias da vida cotidiana e, principalmente escolhendo os pés para buscarem as suas verdades.

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Mauro Calliari é administrador de empresas, mestre em urbanismo e consultor organizacional. Artigo publicado originalmente no seu blog Caminhadas Urbanas.

Há cerca de trinta anos o paisagista francês Patrick Blanc tornou-se pioneiro na implantação de jardins verticais em Paris e posteriormente, em outras cidades pelo mundo. Por meio da criação de estruturas verticais capazes de comportar e nutrir espécies vegetais, o sistema permite que espécies possam crescer e ainda reduzir consideravelmente a temperatura interna de edifícios quando instaladas em suas fachadas, possibilitando expansão de áreas verdes pela inversão de suas áreas, do solo (horizontal) às empenas (vertical).

Patrick Blanc botânico e paisagista, considerado o pai da parede verde. Foto: Vertical Gardens.

A prática de Blanc trouxe um conjunto de ações posteriores, reconhecendo os valores dos espaços verdes e sua contribuição às políticas sociais, ambientais e urbanas. Cingapura, Londres e São Paulo têm estimulado a prática como significativo meio à qualidade da vida urbana.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, o Movimento 90° fundado em 2013 por Guil Blanche, já é responsável pela construção de cerca de 16 mil metros quadrados de área verde, através de uma série de jardins verticais pela cidade, especialmente na Avenida 23 de Maio, com 10.950 metros quadrados e nas empenas de edifícios ao longo do Elevado João Goulart, popularmente conhecido como “Minhocão”, com 4.180 metros quadrados.

Na prática, um conjunto de ações é disposto na melhoria ambiental, como a reciclagem de resíduos sólidos, redução térmica interna dos edifícios, parcial despoluição do ar pela captura de CO² e reuso de água coletada da chuva, utilizando-a para a rega das espécies vegetais.

Edifício Santa Cruz. Foto: Felipe Gabriel / Movimento 90°.

Se por um lado há o verde e espécies pré-definidas invadindo a paisagem cinzenta, por outro, há novas espécies incorporadas, pelas sementes e dejetos depositados por pássaros e insetos, como resultado da interação ecológica.

O sistema passou a ser incentivado após a implementação do decreto 55.994, na gestão passada da prefeitura paulistana. O artigo prevê que os parques verticais podem ser utilizados como compensação de obras que impactem o ecossistema, através de Termo de Compromisso com a Secretaria do Verde e Meio Ambiente, em ações como o plantio de árvores no terreno, coberturas verdes e jardins verticais. 

Edifício Santos. Foto: Felipe Gabriel / Movimento 90°.

A atual gestão municipal de São Paulo vem construindo um enorme jardim vertical na Avenida 23 de Maio, ainda que o Ministério Público já tenha manifestado preocupação quanto ao assunto, inclusive ajuizando uma ação pública a proibir a Prefeitura de SP de autorizar a construção de jardins verticais como forma de compensação ambiental.

Avenida 23 de Maio. Foto: Gabriela Di Bella / Movimento 90°.

Ainda assim, seja na escala urbana ou na menor escala, podemos ser contribuintes da implementação do sistema. Aprenda abaixo como montar seu próprio jardim vertical.

Materiais

a. Chapa ecológica | b. Espaçadores | c. Duas mantas de feltro de alta densidade | d. Agulha e barbante | e. Mangueiras | f. Conexões | g. Gotejador | h. Timer | i. Abraçadeiras | j. Terra adubada | h. Espécies vegetais.

Passo a passo

1. Comece recortando uma das mantas de feltro em retângulos. As medidas são variáveis, de acordo com as espécies escolhidas para compor seu jardim vertical, menores ou maiores, entre 25 e 40 centímetros.

2. Prenda os recortes na segunda manta, costurando-os. Utilize linhas mais grossas ou barbante, preferencialmente, já que as bolsas receberão terra e plantas.

3. Prenda o painel em feltro de alta densidade na chapa ecológica. Prenda o painel criado na parede utilizando os espaçadores, para que não haja infiltração.

4. Após a instalação do quadro, conecte as mangueiras por meio das conexões. Lembre-se que as mangueiras devem ser furadas a cada 25 ou 30 centímetros, instalando os gotejadores e dispostos de modo linear, para irrigar as plantas de modo homogêneo. Ainda no sistema, conecte o Timer na saída d’água (torneira), e controle-o, para que este libere a água em dado período de tempo.

5. Insira terra adubada e muda das espécies vegetais escolhidas uma a uma, em cada uma das bolsas de feltro.

Pronto, suas plantas cresceram, e em meses, encherão toda a a parede, fazendo que a mesma aparente camada vegetal homogênea. 

Jardim vertical residencial produzido pelo escritório Gilberto Elkis Paisagismo. Foto: Reprodução.Espécies

As espécies escolhidas para compor o jardim vertical devem ser escolhidas com cuidado, isso devido ao índice de insolação e sombreamento que o painel receberá.

Áreas com sol pleno

  1. Alecrim (Rosmarinus officinalis)
  2. Aloé (Aloe Arborescens)
  3. Aspargo-pluma (Asparagus densiflorus)
  4. Barba-de-serpente (Ophiopogon jaburan)
  5. Brilhantina (Pilea microphylla)
  6. Clorofito (Chlorophytum comosum)
  7. Clusia (Clusia Fluminensis)
  8. Colar-de-pérolas (Senecio rowleyanus)
  9. Flor-de-coral (Russelia equisetiformis)
  10. Geranium (Pelargonium Hortorum)
  11. Hera-inglesa (Hedera helix)
  12. Lambari-roxo (Tradescantia zebrina)
  13. Manjerona Selvagem (Origanum Majorana)
  14. Maria sem vergonha (Impatiens Walleriana)
  15. Orquídea-grapete (Spathoglottis unguiculata)
  16. Liríope (Liriope spicata)
  17. Tilândsia (Tillandsia sp)
  18. Trapoeraba-roxa (Tradescantia pallida purpúrea)
  19. Vedélia (Sphagneticola Trilobata)

 


Áreas de meia sombra

  1. Antúrio (Anthurium andraeanum)
  2. Aspidistra (Aspidistra Elatior)
  3. Asplênio (Asplenium nidus)
  4. Babosa-de-pau (Philodendron martianum)
  5. Barba-de-sepente (Ophiopogon jaburan)
  6. Bromélia (Guzmania sp)
  7. Columéia-peixinho (Nematanthus wettsteinii)
  8. Chuva-de-ouro (Oncidium sp)
  9. Dedo-de-moça (Sedum morganianum)
  10. Falenópsis (Phalaenopsis x hybridus)
  11. Flor-batom (Aeschynanthus radicans)
  12. Flor-de-maio (Schlumbergera truncata)
  13. Liríope (Liriope spicata)
  14. Lumina (clorofito-lumina)
  15. Maranta cascável (Calathea insignis)
  16. Maanta peluda (Calathea insignis)
  17. Peperômia (Peperômia scandens)
  18. Rabo-de-gato (Acalypha reptans)
  19. Ripsális (Rhipsalis bacífera)
  20. Samambaia (Nephrolepis exaltata)
  21. Vriésia (Vriesea sp)

Áreas sombreadas

  1. Aglaonema (Aglaonema spp)
  2. Espada de São Jorge (Sansevieria trifasciata)
  3. Filodendro (Philodendron cascata)
  4. Filodendro (Philodendron martianum)
  5. Filodendro (Philodendron undulatum)
  6. Filodendro (Philodendron xanadu)
  7. Lírio-da-paz (Spathiphyllum wallisii)

Cuidados

  1. Nutra as plantas e adube a terra.
  2. Escolha as espécies adequadas ao clima em questão.
  3. No inverno, o ideal é nutrir as plantas com produtos orgânicos.
  4. Não se esqueça de verificar a bateria do Timer, trocando-as quando necessário e garantindo a irrigação das espécies vegetais.

Faça você também! Ideia simples, porém eficiente, contribuindo para redução dos poluentes do ar e sonoros, além da composição da paisagem.

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Por Matheus Pereira no Arch Daily.

Caminhar ao lado de alguém é um jeito ótimo de conhecer as pessoas.

Aprendi que o caminhar revela muito sobre como escolhem o roteiro, o ritmo de andar, o que elas olham e o que comem.

Fiz o teste com meus amigos, que conheço há muitos anos e com quem ando pela cidade e constatei: eles, de fato, caminham do mesmo jeito que são.

O caminhante meticuloso – Tenho um amigo que é sereno, calmo, decidido. Caminhar com ele significa escolher antes um roteiro, um lugar de chegada e combinar um horário para voltar. A conversa é ótima; vamos abrindo janelas de assuntos diferentes sem medo de não fechar algum, enquanto cruzamos ruas, pontes, viadutos. Caminhar com ele significa andar rápido, ir longe e falar de tudo.

O caminhante aventureiro – Esse amigo é daqueles que gosta de viver intensamente, cada ação é um prazer, cada trabalho uma chance de conhecer pessoas e um desafio que ele precisa vencer. Caminhar com ele significa abrir-se para a cidade e estar preparado para tudo. Na sua mochila, há de tudo. Se chover, ele terá uma capa. No sol, ele põe óculos escuros, um boné e vai em frente. Prédios, bairros, pessoas, a cidade é um palco para as suas histórias: “nessa rua, eu morei, naquela eu namorei, na outra, fui assaltado”. Em todo canto, há uma lembrança, uma história. Com ele, a caminhada é sempre uma experiência sensorial.

O caminhante curioso – Esse querido amigo olha para o mundo com candura e curiosidade. Ele faz perguntas, quer saber, quer detalhes, se embrenha nas histórias de cada um. Caminhar com ele é uma garantia de que vamos explorar a cidade. Teremos que parar em todas as vitrines estranhas, provaremos o abacaxi em fatias no Largo do Paissandú e o doce japonês na feira da Liberdade. Desceremos escadas íngremes e subiremos qualquer ladeira que vai dar em algum lugar só porque lá em cima “deve ter uma vista boa”. Para ele, nunca, em hipótese nenhuma devemos perder tempo com caminhos conhecidos. Com ele, a caminhada e a vida é isso: sempre em frente, sempre coisas novas.

O caminhante hiperativo – Esse amigo raramente anda conosco. Ele é uma daquelas forças da natureza, sempre em movimento, sempre agitando três programas ao mesmo tempo, enquanto olha para três telas de celulares ao mesmo tempo. Caminhar com ele é um prazer raro, mas quando ele aparece, liga minutos antes para avisar que não sabe se vai. De repente, lá no meio da Mooca, ele emerge de um úber, uma moto ou uma carona e entra na caminhada já contando casos. Antes de chegarmos algum lugar, ele já terá sumido, atrasado para algum outro compromisso.

Fiz o teste com meus amigos, eles, de fato, caminham do mesmo jeito que são. Foto Shutterstock.O caminhante tranquilão  – Esse cara está sempre de bem. Ele faz suas escolhas com calma e depois se entrega aos programas com a tranqüilidade de quem sabe que tudo vai dar certo. Caminhar com ele é saber que qualquer roteiro vai estar bem, e que qualquer bar vai servir para tomar uma cerveja lá no fim da caminhada. Ele anda com calma, mas vai longe. Ele só não gosta de uma coisa: andar no centro de São Paulo aos domingos. Diz que tem cheiro de xixi, o que, no fundo no fundo, é verdade.

O caminhante-guru – Na vida pessoal e profissional, é um líder nato. Clientes o procuram para falar de estratégia, amigos querem conselhos sobre planos de saúde, problemas familiares, dinheiro. A caminhada sempre começa na sua casa, quase naturalmente. Seus passos são pesados, oscilando de um lado para outro enquanto faz perorações. Caminhar com ele é andar devagar, enquanto embarcamos em conversas longas e trajetos curtos. Entre e digressões sobre a cidade e a vida, acabamos andando alguns poucos quilômetros, mas não importa. A caminhada com ele sempre faz a gente pensar em coisas que nunca pensou.

O caminhante indeciso – Esse sou eu. De acordo com meus amigos, o meu caminhar também reflete minha personalidade. Não sei bem se é verdade, mas deve ser. Sofro um pouco a cada esquina, a cada decisão de que rumo seguir, mas adoro o ruído dos pés nas calçadas. Reclamo do barulho da TV na padaria, da buzina de uma moto e da sujeira do rio, mas adoro me perder na multidão, seguir em frente, surpreender-me com uma pracinha onde há uma mulher com duas crianças que brincam, chegar a um rua que tem um nome que eu nunca ouvi. Ao final de horas andando, nada é melhor do que sentar numa cadeira, ver as pessoas passando e terminar a conversa assim, com a calma de quem já tomou posse da cidade e dos amigos …

Se você quer conhecer uma pessoa, ande ao lado dela.

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Mauro Calliari é administrador de empresas, mestre em urbanismo e consultor organizacional. Artigo publicado originalmente no seu blog Caminhadas Urbanas