Caminhos - São Paulo São

São Paulo São Caminhos

A cidade é para todos, assim como as ciclovias. Agora chegou a vez de conquistar a Avenida mais emblemática da cidade.

Ciclistas, pessoas em cadeiras de rodas, skatistas, todos juntos ocupando e se apropriando do espaço público. Participe desta grande festa! Neste dia 28 de junho a partir da 10h na Praça do Ciclista da Av. Paulista.

Depois de mais de 10 anos de manifestações e bicicletadas, depois de vidas perdidas e após o prazo de 6 meses de obras estipulado ( e cumprido) pela prefeitura, a tão sonhada ciclovia da av. Paulista será entregue à população neste domingo. 

Será um marco para a cidade e com certeza inspiração para todas as outras cidades do país. Um dia histórico. Faça chuva ou faça sol. 

E para participar dessa comemoração, ciclistas de várias regiões da cidade ( e do Brasil) começaram a se organizar.

Veja os horários e locais de saída dos bondes de várias regiões da cidade:

Bonde Zona Oeste: Estação Butantã do Metrô, as 8h.
https://www.facebook.com/events/893540534045674/
O bonde da ZO vai encontrar parte dos ciclistas de Pinheiros no Largo da Batata, as 8h30.

Bonde Zona Leste: Bicicletário do Metrô Corinthians-Itaquera, as 7h30.
https://www.facebook.com/events/1416869441972978/

Bonde Zona Norte: Largo do Japonês, concentração as 8h, saída as 9h.
https://www.facebook.com/events/448475445312316/

Bonde Zona Sul: Parque Linear da Barragem (Avenida Atlântica -próximo ao 102º DP – Capela do Socorro), as 7h.
https://www.facebook.com/events/1523404431217799/

Veja o bonde mais próximo da sua casa e participe! Lembrando que domingo é permitido colocar a bicicleta no metrô. 

Com informações da Rachel Schein em sua Página da Rachel.

Objetivo é instalar o entreposto em local que facilite a logística de distribuição e diminua o fluxo de caminhões nas Marginais. Área que será desocupada deve dar lugar a novo bairro de uso misto.

O prefeito Fernando Haddad assinou em Brasília, na tarde desta terça-feira (23), o Acordo de Cooperação Técnica para Implantação de nova Central de Entreposto e Abastecimento no Município de São Paulo. Atualmente, o entreposto está instalado na Vila Leopoldina, zona oeste da cidade, em um terreno de 700 mil m2 que recebe 14 mil veículos por dia. Após a mudança, o local receberá uma ação de desenvolvimento urbano, com a criação de um bairro de uso misto. Caberá à Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP) a licitação do novo terreno.  

“Quem vai fazer o chamamento é a CEAGESP, porque é ela a proprietária da área. Nós vamos dar todo ao apoio. Vamos colaborar, sobretudo para a ocupação da área atual, que vai dar lugar ao novo bairro. Nós vamos ajudar a mudar para uma localidade mais adequada, licenciar - isso depende da Prefeitura - e valorizar a Vila Leopoldina, que vai ter que passar por uma mudança da Lei de Uso e Ocupação”, declarou Haddad.

O prefeito destacou que a alteração já está prevista na proposta de zoneamento enviada pelo Executivo à Câmara Municipal. “Da maneira como [a região] está hoje disciplinada, ela tem pouco valor, porque é uma área industrial - para vocês terem uma ideia de quão defasado está o marco legal sobre essa porção da cidade”, completou.

Em estudos realizados pela Prefeitura, a CEAGESP foi considerada o principal entrave ao desenvolvimento da região oeste. Outro motivo apontado para a mudança é a redução no trânsito de caminhões no centro expandido da capital. Maior entreposto comercial da América Latina em volume de vendas, a CEAGESP é uma empresa pública vinculada ao Ministério da Agricultura. Atualmente, está localizada em uma Zona Predominantemente Industrial (ZPI). O processo de mudança de local foi possibilitado pela retirada do entreposto do Programa Nacional de Desestatização, medida tomada pelo governo federal em março deste ano.

“A ideia é que a CEAGESP faça uma troca de ativos e mude daquele lugar, que hoje está dentro do centro expandido, para uma localidade mais adequada a um centro de distribuição. Provavelmente, próximo ao Rodoanel, algum lugar mais estratégico, tirando caminhões das Marginais. Aquela área pode se tornar um bairro moderno, uma vez que é bem localizado e servido por duas linhas da CPTM [9 - Esmeralda e 8 - Diamante] e dois parques [Villa Lobos e Leopoldina Orlando Villas-Bôas]. Queremos promover ali uma ocupação mista, onde haja pessoas de várias classes sociais, tenha espaço para desfavelização, com oferta de habitação digna para essas pessoas no mesmo bairro, postos de trabalho, empreendimentos de todo o tipo”, afirmou o prefeito.

O evento aconteceu na sede do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, com a participação dos ministros e Kátia Abreu (Agricultura) e Nelson Barbosa (Planejamento).

Fonte: PMSP/Secretaria Executiva de Comunicão. 

 

Fechamento do Elevado Costa e Silva foi antecipado para às 15h em função dos testes para verificar viabilidade de interrupção de veículos aos sábados. Medida poderá ser estendida para outras importantes avenidas da capital.

O secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, acompanhou no último sábado (20) o início do trabalho de monitoramento na região do bairro de Santa Cecília, com a antecipação do horário de fechamento do Elevado Costa e Silva (Minhocão) das 21h30 para às 15h. A iniciativa teve o objetivo de analisar a viabilidade de interrupção do trânsito no Elevado aos sábados a partir deste horário e poderá ser estendida para outras importantes avenidas da capital. O local foi reaberto na segunda-feira (22), a partir das 6h30. 

De acordo com o secretário, o fechamento do Minhocão poderá ocorrer em outras datas para a continuação dos estudos de impactos viários. A ideia é que a decisão sobre o fechamento aos finais de semana seja tomada ainda no próximo mês. “Hoje fecha, no próximo sábado [27] reabre de novo e aí nós vamos estudar para tomar a decisão no mês de julho em definitivo sobre o fechamento”, disse Tatto.

Tatto destacou a importância da análise dos impactos no trânsito em um dia atípico na cidade, como a realização da Virada Cultural. “Estamos fazendo estudos no entorno para verificar o impacto do ponto de vista da mobilidade, inclusive dos carros. Hoje é um dia especial em função da Virada Cultural, que está tendo várias atividades na cidade e, por isso, pode ser considerado um dia atípico, porque não é todo final de semana que nós temos esse tipo de atividade”, disse o secretário.

Conforme os estudos e testes realizados sobre o impacto da medida no trânsito, a Secretaria Municipal de Transportes poderá modificar o viário da região. Atualmente, a Companhia de Engenharia de Trânsito (CET) realiza um novo levantamento incluindo a proibição de estacionamento em vias públicas, mudança de sentido de ruas e até mesmo pequenas obras de adequações, segurança e acessibilidade para auxiliar pedestres, ciclistas e pessoas com mobilidade reduzida.

O secretário municipal de Cultura, Nabil Bonduki, ressaltou ainda a necessidade da inclusão de atividades no local. “O Minhocão é muito adequado para fazer eventos culturais além do lazer, da recreação, da caminhada e da bicicleta. A gente tem como intenção realizar atividades culturais aqui, adaptadas pelo fato de estar junto aos edifícios”, disse Bonduki.

Fechamento de outras avenidas

Conforme anunciado no último dia 16, o secretário Tatto declarou que pretende realizar estudos em outras vias da cidade, como nas avenidas Sumaré (zona oeste) e dos Patriotas (zona sul) para que munícipes e turistas se apropriem mais da cidade.

Na avenida Paulista (região central) os estudos já foram iniciados em função da inauguração da nova ciclovia no canteiro central, prevista para o próximo domingo (28). A via deverá ser fechada para o tráfego apenas durante o evento de inauguração por conta do grande volume de ciclistas esperados, garantindo a segurança dos participantes.

“É possível você democratizar, compartilhar, fazer com que todos usem de forma agradável. A cidade está precisando cada vez mais de tolerância, as pessoas procurarem um convívio maior com todos. Então é possível você ter espaço para o pedestre, para o ciclista, para o skatista, para o usuário do ônibus e para o usuário do carro também. O domingo é um excelente dia para as pessoas saírem às ruas para curtir a cidade ao invés de ficar dentro de casa. Isso é uma tendência mundial”, afirmou o secretário.

De acordo com Tatto, os estudos elaborados irão contemplar a liberação de veículos de saúde e segurança, além das atividades comerciais exercidas nas regiões. “Tem que ser flexível para não prejudicar a atividade comercial daquela área, ou mesmo morador. Tudo isso é possível adaptar. Você faz com cuidado, se tiver a necessidade de cadastrar, cadastra. O problema não está ai, o problema é como você ocupa este espaço por todos e isso é possível fazer sem prejudicar as pessoas”, afirmou o secretário de Transportes.

Desvios realizados na região do Minhocão

Os veículos provenientes da região leste que seguem no sentido da Lapa deverão utilizar a rua Amaral Gurgel e as avenidas Duque de Caxias, São João, General Olímpio da Silveira e Francisco Matarazzo.

Para os veículos que saem da região Oeste no sentido Penha, a CET orienta seguir pela avenida General Olímpio da Silveira, praça Marechal Deodoro e ruas das Palmeiras, Sebastião Pereira e Amaral Gurgel, seguindo pela Ligação Leste-Oeste.

Fonte: Secretaria Executiva de Comunicação / Prefeitura de São Paulo.

Nossa reportagem esteve na tarde dessa quinta-feira, 18 de junho, na Av. Paulista, em São Paulo, para acompanhar o andamento das obras da ciclovia mais famosa da cidade. Com boa parte do caminho já sem tapumes, encontramos muitos ciclistas trafegando pela nova pista.

O pavimento está com excelente qualidade. As aberturas de respiro do Metrô, que não podem ser fechadas, receberam uma nova grade para reduzir a chance de deslizamento em dias de chuva (veja em nossa galeria, no final da página). A sinalização da pista já está pronta nos trechos próximos à rua Augusta e em andamento nos demais. Alguns cruzamentos já estão com sinalização vermelha no asfalto, indicando a continuidade da ciclovia.

Os tapumes estavam sendo retirados, com os blocos de concreto que os sustentavam sendo colocados sobre a ciclovia. Mas isso não impediu a passagem de muitas pessoas, que aproveitaram para “inaugurar” antecipadamente a pista. Até o momento em que deixamos o local, a ciclovia estava liberada da Rua Augusta até próximo à TV Gazeta.

Foto e texto do William Cruz - Vá de Bike.




No último domingo, (14), o jornal Folha de S. Paulo publicou, nas versões impressa e digital, três matérias profundamente tendenciosas e depreciativas para a mobilidade por bicicletas em São Paulo.


Não obstante a demanda histórica por uma ciclovia na Avenida Paulista, especialmente por esta ser proporcionalmente a via mais perigosa da cidade aos ciclistas, a Folha forçou nessas matérias a visão de que a obra seria desnecessária, problemática para a mobilidade urbana e causadora de conflitos com outros modais de transporte, exatamente o que ela não é!

A Ciclocidade foi procurada pela reportagem da Folha para contrapor os argumentos do engenheiro Luiz Fernando di Pierro, citado nas matérias. No entanto, o jornal optou deliberadamente por NÃO INCLUIR a opinião e a visão dos ciclistas e de especialistas em mobilidade por bicicletas, contemplando apenas a visão estreita e limitada dos engenheiros ouvidos pela reportagem. Isso mostra que a Folha de S. Paulo não se interessa em dar voz aos principais beneficiados pela obra.

Explicamos a seguir os problemas existentes na abordagem feita pelo veículo de imprensa.

A lição nº 1 do jornalismo: Ouvir os dois lados.
Aparentemente, a Folha de São Paulo esqueceu um dos principais pilares do jornalismo. Nas três reportagens publicadas no jornal de domingo, apenas o lado negativo e depreciativo da ciclovia foi apresentado aos leitores, induzindo de maneira literal e arrogante a sua leitura. Sabemos que isenção em uma informação é um conceito equivocado, mas privar os leitores de conhecer a opinião dos principais beneficiados por uma obra é, no mínimo, atentar contra a notícia em si.

"Carros perderão espaço na Avenida Paulista."
A reportagem da Folha de S. Paulo escreve: "Não serão só os pedestres que terão que se adaptar às mudanças na avenida Paulista por causa da ciclovia. Motoristas habituados a dirigir pela congestionada via terão que se acostumar com uma condição mais "apertada". (...) Para o consultor Sergio Ejzenberg, o estreitamento das faixas reduz a capacidade da via e "provoca aumento de acidentes e congestionamentos"".

Não é verdade! Estreitar faixas de rolamento é uma medida adotada internacionalmente para induzir o acalmamento de tráfego e o aumento da segurança viária - reduzindo velocidades e aumentando a atenção dos condutores de veículos motorizados. Veja o exemplo de Nova York neste link. Reduzir velocidades não significa reduzir a capacidade de atendimento da via. Um estudo realizado pelo Departamento de Transportes de Nova York mostra exatamente o contrário: reduzir a velocidade máxima de uma via pode significar melhorar a fluidez dos carros. Outro estudo, este feito pela própria CET-SP (Companhia de Engenharia de Tráfego) na Av. 23 de Maio, comprova exatamente a mesma coisa.

Ademais, se a Avenida Paulista é uma via "congestionada", como diz o próprio jornal, é justamente dando oportunidade a outras formas de deslocamento que os congestionamentos diminuirão. A única solução para o congestionamento de São Paulo é ter MENOS CARROS NAS RUAS e não mais estrutura viária para eles. Sobre isso, veja a entrevista que fizemos com o superintendente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Luiz Carlos Néspoli.

Esta é uma questão tão elementar que espanta um jornal tão conceituado explicitar o sentido inverso. Segundo a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), um órgão ligado ao Governo do Estado de São Paulo, para colocar a poluição do ar "nos eixos", a Grande SP deveria reduzir imediatamente 26% das viagens feitas de carros.

Estimular o uso de bicicletas, portanto, não apenas está alinhado a uma mobilidade menos poluente, mas também com uma melhora nos índices de congestionamentos, estimulando muitos dos motoristas atuais de automóveis a repensar seus deslocamentos e a considerar a bicicleta como um meio possível para as suas viagens diárias.

"A ciclovia da Av. Paulista vai espremer os pedestres."
Esta é uma afirmação falaciosa. A metragem total aos pedestres, no canteiro central, AUMENTARÁ com a obra da ciclovia. A própria reportagem inclui essa informação da CET, mas optou por continuar forçando a ideia de que os ciclistas estão "tirando espaço" dos pedestres. Qual o interesse do jornal em instigar um conflito que não existe, entre ciclistas e pedestres?

Inclua-se a isso o fato importantíssimo de que o tempo para as travessias de pedestres na Av. Paulista deveria contemplar a travessia completa, e não forçá-los a esperar no canteiro central, o que não é o ideal em nenhuma hipótese. Trata-se de uma solução simples e que certamente acrescentaria muito à segurança e conforto de quem caminha.

"O pedestre é que terá que se adaptar para evitar acidente."
Segundo a visão da reportagem e do consultor Luiz Celio Bottura, é a ciclovia que colocará os pedestres em risco e não os tempos exíguos de travessia, a alta velocidade ou a imprudência dos motoristas de veículos motorizados.

Essa abordagem bate de frente com os dados relacionados a quem mais provoca acidentes fatais no trânsito - dos quais os pedestres sempre são as principais vítimas. Segundo dados da CET-SP os principais envolvidos em atropelamentos que resultam em morte são, pela ordem (note a posição ocupada pela bicicleta):

Automóveis: 51%;
Motocicletas: 30,3%;
Ônibus: 10,4%;
Caminhões: 2,4%;
Bicicletas: 0,4%.

"Há ciclovias colocadas em lugares sem demanda, apenas por questão política"
A frase acima é uma citação da entrevista com o consultor Sergio Ejzemberg. Ao dizer isso, o engenheiro ignora que a infraestrutura urbana para transportes não atende apenas a demanda real, mas também à induzida.

Se o investimento no modal bicicleta é do interesse público e deve ser fomentado na cidade, a premissa da indução da demanda passa a ser central para um bom planejamento cicloviário, uma vez que ainda amargamos percentuais baixos de viagens feitas de bicicleta.

Usemos a analogia de um bairro que não possui uma estação de metrô como exemplo. Não há, portanto, usuários de metrô como origem de deslocamento naquele bairro. Isso não quer dizer, porém, que não há usuários em potencial de metrô naquele bairro e que, por isso, uma estação não deva ser construída ali. É por isso que trabalha-se com o conceito de demanda induzida.

Com as ciclovias não é diferente. Basta verificar o exemplo da ciclovia da Av. Eliseu de Almeida. Em 2010, antes da ciclovia, havia 561 ciclistas durante o período de contagem. Em 2015, em uma contagem bastante recente e já com uma ciclovia implantada, o número subiu para 1.245 ciclistas. Onde estavam, então, estes 684 ciclistas de diferença? Estavam em outros modais de transporte - carros, motos, transporte público. A ciclovia, portanto, INDUZIU a migração de modos e fez com que A DEMANDA de bicicletas aumentasse naquela via.

"Na Paulista, a ciclovia é tecnicamente inviável"
Por fim, concluímos com a pérola do engenheiro Luiz Fernando di Pierro, ainda sobre a Avenida Paulista, cujas aspas o jornal quis destacar. Sim, a ciclovia na Paulista é tão inviável que já está pronta! Sim, ela é tão inviável que nascerá subdimensionada pelo enorme volume de ciclistas que já circulam por ali e por tantos outros que passarão a circular. Sim, ela é tão inviável que será um marco para a cidade de São Paulo, um divisor de águas entre os odiadores incomodados com a perda de alguns míseros privilégios e quem quer ver uma cidade mais humana, social e ambientalmente mais justa.

Daniel Guth, Consultor em políticas de mobilidade urbana.

Ciclocidade - Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo.

Seguem os links das matérias:

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/06/1641961-com-ciclovia-carros-vao-perder-faixa-e-ganhar-semaforo-na-av-paulista.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/06/1641926-com-obra-em-reta-final-ciclovia-da-av-paulista-vai-espremer-pedestre.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/06/1641960-ladeira-que-liga-higienopolis-e-perdizes-tem-29-ciclistas-em-uma-hora.shtml


A imagem de uma Nova York de trânsito caótico e pedestres atravessando perigosamente no meio dos carros não é mais o cartão postal da mais agitada metrópole do mundo. Um rigoroso controle da velocidade dos veículos, reforçado por campanhas que valorizam a vida e a saúde das pessoas, vem derrubando abruptamente o número de acidentes nas ruas.

O mais surpreendente é que a redução de velocidade, em lugar de criar engarrafamentos, reduziu o tempo de viagem em 15%, derrubou em 63% o número de motoristas e passageiros feridos e em 35% a porcentagem de pedestres vitimados. Hoje, o número de mortes no trânsito de Nova York é seis vezes menor que o de São Paulo.

Com mais de 12 milhões de habitantes, São Paulo tem uma média de 22 mortes no trânsito a cada cem mil moradores. Nova York, com 8,3 milhões de pessoas, tem 3,3 por mortes nas ruas e avenidas por 100 mil habitantes. Os animadores números nova-iorquinos ainda são considerados altos. O que levou as autoridades a iniciar, no ano passado, a campanha "Vision Zero" com o propósito de literalmente zerar o número de mortes na cidade.

A queda nos índices e o objetivo radical não são fantasias, mas resultados ainda iniciais de um programa criado pelo ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg, ainda em 2009. Hoje, a iniciativa é patrocinada pela fundação Bloomberg Philanthropies e se fundamenta em cinco áreas, entre elas a saúde pública, a educação e o meio ambiente, além da redução de velocidade.

A proposta vem dando tão bons resultados que a Bloomberg está financiando, desde abril, dez cidades de cinco países para serem foco do programa Iniciativa Global para a Segurança Viária. Entre essas estão São Paulo e Fortaleza.

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Rosângela Capozoli no Valor Econômico.