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O que nos motiva a mudar a maneira como nos deslocamos pela cidade, onde fazemos compras ou o destino do lazer no domingo? Quais são os fatores determinantes que nos levam a rever como nos relacionamos com nossa vizinhança, com nosso bairro ou cidade?

A paisagem muda, a pessoa muda…

A pessoa muda, a paisagem muda…

Propostas de intervenção nas cidades, físicas ou programáticas, são frequentemente alvo de críticas porque revelam, em alguns casos, o desejo de mudança de um hábito para a população e, em outros, porque reforçam tendências e costumes que não se pretende mudar, independente da motivação. Construção de ciclovias, pontes, calçadas, alteração dos limites de velocidade ou requalificação de espaços públicos - como esses investimentos em infraestrutura influenciam as escolhas que fazemos no dia-a-dia? É improvável que mudanças nas cidades não impactem também as pessoas que nelas residem. A transformação das pessoas acontece de forma mais espontânea quando o ambiente em que vivem e convivem é modificado. Prefeituras de diversas cidades implementam programas e planos voltados a encorajar um novo estilo de vida e trazer mudanças que beneficiem seus cidadãos como, por exemplo, o incentivo à prática de atividade física no lazer através de ciclofaixas temporárias e abertura de ruas para pessoas ou, ainda, estímulo ao uso do transporte público através de faixas exclusivas de ônibus. No entanto, além das transformações nas cidades, quais são os outros aspectos que desencadeiam essa mudança de hábitos?

Um estudo realizado por psicólogos da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, afirma que o momento mais efetivo para convencer alguém a mudar um hábito é quando se está passando por outras mudanças de vida. A pesquisa investigou a relação entre mudar de casa e trocar o meio de transporte. Os resultados revelaram que pessoas com níveis semelhantes de preocupação com o meio ambiente que haviam se mudado há pouco tempo (menos de um ano) usaram menos o carro do que aquelas que não se mudaram recentemente, sugerindo que a alteração de contexto interferiu na escolha do modo de deslocamento.

Precisamos investir em infraestrutura e espaços que encorajem a adoção de estilos de vida mais saudáveis. Foto: ShutterstockPrecisamos investir em infraestrutura e espaços que encorajem a adoção de estilos de vida mais saudáveis. Foto: ShutterstockEssa descoberta abre uma janela de oportunidades para que cidadãs e cidadãos sejam convencidos a tomarem decisões e escolherem hábitos de vida mais saudáveis. Segundo especialistas do The Behavioural Insights Team, além do momento correto, alguns outros critérios podem ajudar a aumentar o sucesso do convencimento, devendo a abordagem para a mudança de comportamento ser:

Fácil

  • Aproveite o poder dos padrões: As pessoas têm uma forte tendência a escolherem a opção mais fácil e confortável. Fazer da mudança uma opção atrativa torna sua adoção mais provável. Aqui, vale criar campanhas que disseminem novos ou antigos padrões como, por exemplo, caminhar no tempo livre, usar a bicicleta ou transporte público para os deslocamentos diários, relacionando com os benefícios que essas escolhas podem trazer para a saúde do cidadão;
  • Reduza a complicação: O esforço necessário para executar uma ação muitas vezes afasta as pessoas. A redução desse empenho pode aumentar as taxas de adoção de mudanças. Isso significa que precisamos investir em infraestrutura e espaços que de fato encorajem a adoção de estilos de vida mais saudáveis. Com ações simples de ocupação do espaço público, por exemplo, as pessoas podem vislumbrar novas oportunidades;
  • Simplifique a mensagem: Tornar a mensagem clara e acessível muitas vezes resulta em uma maior taxa de resposta. Pode ser importante dividir um objetivo complexo em ações mais simples e de fácil compreensão para todos os públicos.

Atrativa

  • Atraia a atenção das pessoas: Incluir o uso de imagens, cores ou personalizar uma identidade para a mensagem aumenta a chance da prática ser adotada;
  • Planeje recompensas e penalidades: Incentivos financeiros são muitas vezes altamente eficazes, mas projetos de incentivos alternativos - como sorteios - também funcionam bem e muitas vezes exigem recursos mais baixos. Aqui pode-se desenvolver incentivos como receber dias a mais de férias por pedalar ou caminhar ao trabalho.

A transformação das pessoas acontece de forma mais espontânea quando o ambiente em que vivem e convivem é modificado. Foto: Shutterstock.A transformação das pessoas acontece de forma mais espontânea quando o ambiente em que vivem e convivem é modificado. Foto: Shutterstock.

Social

  • Mostre que a maioria das pessoas executa o comportamento desejado: Descrever o que a maioria das pessoas faz em uma situação particular encoraja os outros a fazerem o mesmo. Será que se soubermos que mais de 30% da população se desloca a pé nas cidades não iriamos nos esforçar mais em sair de casa caminhando?;
  • Use o poder das redes: Estamos inseridos em uma rede de relações sociais, e aqueles com quem estamos em contato ajudam a moldar nossas ações e atingir diferentes públicos;
  • Encoraje pessoas a se comprometerem com os outros: Muitas vezes usamos ferramentas de alerta para nos inibir com antecedência de fazer algo mas, muitas vezes, a ação prática desses eventos é essencial para novas práticas serem adotadas. É uma disciplina que deve ser exercida todos os dias até fazer parte do seu cotidiano.

Oportuna

  • Aproveite os momentos de susceptibilidade: Como visto anteriormente, o comportamento é geralmente mais fácil de mudar quando outras mudanças estão acontecendo em grandes eventos da vida, como mudança de trabalho ou de casa, ou transformações do espaço urbano no entorno próximo;
  • Considere os custos e benefícios imediatos: Somos mais influenciados pelos custos e benefícios imediatos do que aqueles futuros. Por isso, para incentivar mudanças de hábitos e comportamentos, é necessário revelar os benefícios de melhorias na qualidade de vida como diminuição dos gastos com saúde e transporte;
  • Ajude as pessoas a planejar sua resposta aos eventos: Há uma diferença substancial entre intenções e comportamento real. Uma solução comprovada é levar as pessoas a identificar os obstáculos à ação e desenvolver um plano específico para enfrentá-los, a partir das suas reais necessidades.

Se apresentarmos e encorajarmos um novo modo de viver e conviver nas nossas cidades de maneira clara, atrativa, social e oportuna, será possível ver e fazer a mudança acontecer.

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Da organização Cidade Ativa. *Artigo publicado originalmente no Arch Daily Brasil.

Um conjunto de casas no mesmo entorno, com áreas comuns que aproximam os moradores. A ideia se assemelha a condomínios convencionais, mas ganha outra dimensão por causa do caráter quase filosófico do cohousing: estabelecer os vínculos afetivos entre pessoas e incentivar a troca de experiências.

Consolidado na Europa e nos Estados Unidos, o modelo começa a entrar no radar do mercado imobiliário no Brasil. Grupos de diferentes Estados tentam dar forma a essa espécie de comunidade neohippie, na qual a busca pelo coletivo não exclui nem diminui o indivíduo.

O arranjo espacial e a dinâmica de funcionamento defendidas estão em sintonia com a tendência moderna da chamada economia compartilhada. Além disso, o cohousing se apresenta como uma opção viável de moradia para idosos, por se adequar a algumas das necessidades características da faixa etária.

Professor de Gerontologia da USP, Jorge Félix alerta que o envelhecimento da população mundial amplia o número de pessoas dependentes. No entanto, as novas configurações de famílias, com menos filhos, e a inserção da mulher no mercado de trabalho, quem usualmente desempenhava a função de cuidadora, reduzem a tradicional rede de suporte do idoso.

Daí a urgência de discutir novos modos de habitação. Adaptações da construção civil não são suficientes, defende. “Modelos baseados no compartilhamento permitem a criação de laços. Isso é importante porque as condições de convivência interferem muito no envelhecimento, tanto nos aspectos físicos quanto emocionais.”

Quando a arquiteta Lilian Lubochinski se interessou pelo tema, há quase três décadas, ela tinha 40 anos. De lá para cá, algumas alternativas surgiram, mas, na sua opinião, poucas entendem as demandas do público grisalho. A “arquitetura socioafetiva” dos co-lares, como prefere chamar a modalidade, seria uma resposta que tem apelo.

A convivência entre os moradores se dá nos espaços coletivos, como cozinha – algumas comunidades fazem refeições juntas –-, biblioteca e lavanderia. Atividades em grupos são incentivadas, bem como a troca de serviços. Um casal de idosos pode, por exemplo, ajudar a cuidar das crianças dos vizinhos.

Não é só isso. Os processos de decisões – lembre-se de que não há uma convenção de condomínio– dão espaço a discussões em que a experiência dos longevos é bem-vinda. Numa sociedade que tende a “infantilizar e esvaziar a potência” de resolução de conflitos dos idosos, o cohousing surge como uma possibilidade agregadora, afirma Lilian.

Mercado

Nos Estados Unidos, as chamadas “55+ Communities” costumam ser direcionadas a pessoas acima dos 55. Foto: Divulgação.Nos Estados Unidos, as chamadas “55+ Communities” costumam ser direcionadas a pessoas acima dos 55. Foto: Divulgação.

Ela diz ter certeza de que o cohousing pode ser lucrativo. “O desafio, aqui, é que não estamos falando de uma mercadoria pronta. Até porque isso já temos, são os condomínios.” Para a arquiteta, é necessário levar em conta o desejo de vínculos e o processo de formação dos grupos de interesse.

Félix faz ressalvas. Segundo ele, existem questões dentro do modelo que dificultam a atuação do mercado, como a definição de novos moradores. Para entrar na comunidade, o interessado precisa se adequar às normas combinadas. Acontece que é a coletividade que julga se ele se encaixa ou não.

Para o seu livro Viver Muito (editora Leya), que aborda o envelhecimento a partir de diferentes temas, o professor pesquisou a implantação do modelo em outros países. Com exceção dos Estados Unidos, as iniciativas encontradas geralmente vêm do Estado.

Um dos casos mais bem-sucedidos é o de uma cidade alemã que, por meio de um banco de dados, aproximou idosos já conhecidos. “Eram indivíduos que em algum momento da vida conviveram, seja na faculdade ou em outro espaço.” A preocupação em formar um grupo coeso e com um mínimo de afinidades é importante, diz.

Na avaliação do corretor Leo Ickowicz, há 29 anos no mercado americano, a possibilidade comercial do cohousing é pequena, mas cresce se o negócio focar em clientes idosos. “Essas comunidades surgem espontaneamente, por pessoas que têm um estilo de vida muito parecido. Mas acredito que dê para adaptar o conceito.”

O ideal, afirma, seria preservar a estrutura física e parte da dinâmica, que privilegia o convívio. Os grupos, porém, seriam formados por faixa etária, em vez de interesses particulares. Já a comercialização poderia ser feita por locações. Ou seja, seriam projetos construídos para locação.

Segundo Ickowicz, algo parecido já acontece e tem boa aceitação nos Estados Unidos, as chamadas “55+ Communities”. Elas costumam ser direcionadas a pessoas acima dos 55 e não permitem crianças. Gerontólogos criticam a restrição por considerá-la segregadora.

A coordenadora de Políticas para Idosos da Prefeitura de São Paulo, a fonoaudióloga e gerontóloga Sandra Regina Gomes, lembra que as nações europeias primeiro enriqueceram e, depois, chegaram à madurez. “O desafio do Brasil é maior, porque estamos envelhecendo rapidamente e ainda somos um país pobre. A maioria de nossos idosos vive com um salário mínimo.”

Busca

Maggie (Cameron Diaz) e a avó Ella (Shirley MacLaine) em cena do filme “Em Seu Lugar“ (2005). Foto: Divulgação.Maggie (Cameron Diaz) e a avó Ella (Shirley MacLaine) em cena do filme “Em Seu Lugar“ (2005). Foto: Divulgação.

Ainda assim, não faltam interessados nesse tipo de habitação. A vontade de morar em um co-lar surgiu para Creide Santos, 56 anos, após ela assistir ao filme Em Seu Lugar (2005). No longa, a protagonista interpretada por Cameron Diaz vai viver com a avó num espaço do tipo depois de algumas intempéries da vida adulta. “Lembro que achei o lugar incrível e pensei que deveria existir algo parecido no Brasil.”

Com mais uma amiga também de Curitiba, a secretária começou a buscar grupos de cohousing. O senso de compartilhamento a atrai. “Com o tempo, acumulamos conhecimento e aprendemos a lidar com problemas que aos 20 ou 30 anos parecem insolucionáveis.” Para a aposentada, essa bagagem é mal aproveitada. “Os jovens pagam coaching para muitas coisas, quando existem idosos dispostos a ouvi-los e ajudá-los sem cobrar.”

A psicóloga e gerontóloga Karen Harari diz que o contato intergeracional cultivado no cohousing tende a ser mais bem-sucedido do que iniciativas que aproximam jovens de idosos forçosamente. “A convivência é mais realista e espontânea, são indivíduos que decidiram viver juntos por suas afinidades.”

Com filhos já adultos e longe de casa, Edra Moraes, 53 anos, quer construir um cohousing na praia. “Ninguém quer pensar sobre o tempo. Mas se nos preparamos para o vestibular, para a vida profissional, por que não para a velhice?”

A possibilidade de escolher seus vizinhos, com os quais manterá as relações-base do co-lar, é seu maior interesse. “O condomínio aproxima pessoas apenas pela classe social. Meu vizinho é alguém que pode pagar o mesmo para morar ali”, lembra.

Moradia como filosofia de vida

Projeto de “Cohousing“ na cidade de Bristol, Inglaterra. Imagem: Urban Design.Projeto de “Cohousing“ na cidade de Bristol, Inglaterra. Imagem: Urban Design.

 

1. O que é cohousing?

Conjunto de casas independentes que desfrutam de áreas comuns a fim de estimular a convivência e vínculos afetivos. Troca de serviços e habilidades são incentivadas, o que costuma ser chamado de co-cuidado.

2. Como são os processos de decisão da comunidade?

Não existe uma liderança, e as resoluções nunca surgem de votações. Quando há discordância, pede-se sugestões alternativas. Se ainda restar dissenso, pergunta-se se a pessoa pode conviver com a situação, mesmo discordando.

3. Como são formados os grupos? 

A partir de interesses em comum, como ecologia, artes ou religião. As pessoas participam de todo o processo de formação, desde a escolha do terreno até a definição da arquitetura do espaço.

Coliving’ é modelo de moradia alternativa já disponível no Brasil

A artista plástica Mari Pini compartilha sua casa com mais cinco pessoas enquanto não encontra um cohousing. Foto: Tiago Queiroz / Estadão.A artista plástica Mari Pini compartilha sua casa com mais cinco pessoas enquanto não encontra um cohousing. Foto: Tiago Queiroz / Estadão.A artista plástica Mari Pini, 63 anos, divide sua casa, na Pompeia, com mais cinco pessoas. A ideia é seguir assim até encontrar um grupo de cohousing na cidade. O estilo de vida baseado na economia compartilhada foi adotado por ela há 10 anos, quando começou a receber estudantes de outros países.

Depois que a filha única saiu de casa, o convite ao coliving – dividir não apenas despesas, mas momentos em grupo – se estendeu a pessoas com idades variadas. Mari conta que sempre gostou de receber visitas e, quando se viu sozinha, procurou uma alternativa que aliasse convivência à economia.

Com os colegas, ela rateia as contas mensais, mas também atividades cotidianas. “As famílias se fragmentaram e as pessoas estão cada vez mais centradas em si, esse modelo não é para mim.” Ela diz que amigos da mesma faixa etária não entendem que a escolha não elimina sua privacidade.

Luiza Costa, uma das fundadoras do portal Conviver, que aproxima pessoas em busca de cohousing e coliving, fala que o perfil de interessados é formado majoritariamente por jovens. “São indivíduos que querem recuperar laços comunitários e pensar modos de vida e trabalho colaborativos.”

Idosos e pais com filhos pequenos estão começando a aderir ao modelo, conta. Segundo Luiza, a possibilidade de trocar serviços e o que chama de “co-cuidado” atendem às demandas de grupos mais vulneráveis.

A plataforma funciona como um banco de dados. Quem pretende aderir à modalidade de moradia pode preencher uma questionário. A partir do resultado, conecta-se a comunidades com valores e interesses similares.

Professor e diretor do curso de economia e administração da PUC-SP, Antonio Lacerda afirma que a iniciativa faz parte de um novo paradigma de sociedade, em que fatores conjunturais, como a crise econômica, e estruturais, sobretudo a mudança nas configurações familiares, demandam alternativas criativas de organização. “Pensar a vida a partir dessas colaborações traz não apenas economia, mas novos laços e experiências.” 

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Por Bianca Soares com Guilherme Osinski, especial para O Estado de S.Paulo.

O ritmo da inovação tecnológica do setor privado em serviços de transporte compartilhado, veículos e redes é acelerado e cheio de oportunidades, bem como riscos. A chegada iminente dos veículos autônomos, por exemplo, terá um impacto profundo nos meios de subsistência, no congestionamento e no uso do solo urbano. Ao mesmo tempo, as ruas da cidade são um recurso finito e escasso.

Lista de princípios ajuda a guiar tomadores de decisão e a população na transição para os novos serviços de mobilidade. Imagem / Reprodução.Lista de princípios ajuda a guiar tomadores de decisão e a população na transição para os novos serviços de mobilidade. Imagem / Reprodução.O lançamento dos 10 Princípios de Mobilidade Compartilhada para Cidades Humanas, elaborados por um grupo de especialistas em transportes liderado pela co-fundadora da Zipcar, Robin Chase, tem o objetivo de ajudar a orientar os tomadores de decisão das cidades e a população sobre quais seriam os melhores resultados para todos. As principais ONGs de cidades e transportes estão por trás desses princípios fundamentais, incluindo C40, ICLEI, ITDP, Natural Resources Defense Council, Fundação SLoCaT, instituto Rocky Mountain, Shared-Use Mobility Center e WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis.

O grupo estimula cidades, empresas e ONGs a apoiar e aplicar os princípios e se envolver com o grupo sobre como melhorá-los. A execução exigirá os esforços de todas as partes interessadas, com um papel especial para governos proativos e orientados para os resultados, que possam tomar decisões localmente usando todas as ferramentas sobre as quais têm competência.

1. Planejar a mobilidade e as cidades juntas

Nós planejamos nossas cidades e sua mobilidade juntas. A maneira como as cidades são construídas determina as necessidades de mobilidade e como elas podem ser melhor atendidas. O desenvolvimento, o design urbano e os espaços públicos, os regulamentos de construção e zoneamento, os requisitos de estacionamento via legislação e outras políticas de uso do solo devem incentivar cidades compactas, acessíveis, viáveis ​​e sustentáveis.

2. Focar em mover pessoas, não carros

Nós priorizamos as pessoas sobre os veículos. A mobilidade das pessoas e não dos veículos deve estar no centro da tomada de decisões e do planejamento de transportes. As cidades devem priorizar a caminhada, o ciclismo, os transportes públicos e outras mobilidades compartilhadas eficientes, bem como a sua interconectividade. As cidades devem desencorajar o uso de carros, táxis de passageiro único e outros veículos de grande porte que transportam uma pessoa.

3. Encorajar o uso eficiente do solo e da infraestrutura

Nós apoiamos o uso compartilhado e eficiente de veículos, ruas, calçadas e terrenos. O planejamento e as políticas de transporte e uso do solo devem minimizar o uso das ruas e do espaço de estacionamento por pessoa e maximizar o uso de cada veículo. Nós desencorajamos o excesso de construções, veículos grandes e infraestruturas de grande porte, bem como a oferta excessiva de estacionamento.

4. Engajar partes interessadas nas tomadas de decisão

Nós nos engajamos com as partes interessadas. Os residentes, os trabalhadores, as empresas e outras partes interessadas podem sentir impactos diretos sobre suas vidas, seus investimentos e seus meios de subsistência através da transição que se desenrola para veículos compartilhados, sem emissões e, em última instância, autônomos. Nos comprometemos a envolver ativamente esses grupos no processo de tomada de decisão e apoiá-los à medida que avançamos com essa transição.

5. Projetar com acesso para todos

Nós promovemos a equidade. Os acessos físico, digital e financeiro a serviços de transporte compartilhados são bens públicos valiosos e precisam de um desenvolvimento inteligente para garantir que o uso seja possível e acessível a todas as idades, gêneros, faixas de renda e habilidades.

Saiba mais sobre os princípios em www.sharedmobilityprinciples.org. Imagem / reprodução.Saiba mais sobre os princípios em www.sharedmobilityprinciples.org. Imagem / reprodução.

6. Evoluir rumo à emissão zero

Nós conduzimos a transição para um futuro de emissões zero e energia renovável. As frotas de transporte público e de uso compartilhado vão acelerar a transição para veículos de emissão zero. Os veículos elétricos devem, em última instância, ser alimentados por energia renovável para maximizar os benefícios ao clima e à qualidade do ar.

7. Cobrar tarifas justas

Nós apoiamos tarifas justas aos usuários de todos os modos de transporte. Todo veículo e modo de transporte devem pagar uma parcela justa por usar as ruas, pelos congestionamentos, pela poluição e o uso do espaço de calçada. A tarifa justa deve levar em consideração os custos operacionais, de manutenção e sociais.

8. Gerar benefícios públicos via dados abertos

Nós buscamos benefícios públicos através de dados abertos. A infraestrutura de dados derivada de serviços de transporte compartilhado deve permitir a interoperabilidade, a concorrência e a inovação, garantindo simultaneamente a privacidade, a segurança e a prestação de contas para a sociedade.

9. Promover a integração e a conectividade dos meios de transporte

Nós trabalhamos por uma rede de transportes integrada, conectada e eficiente. Todos os serviços de transporte devem ser integrados e cuidadosamente planejados entre operadores, geografias e modos complementares. A complementação entre diversos modos deve ser facilitada através de conexões físicas, pagamentos integrados e informações combinadas. Todas as possibilidades devem ser usadas para melhorar a conectividade de pessoas e veículos com redes de internet sem fio.

10. Promover a operação compartilhada de veículos autonomos

Nós apoiamos que veículos autônomos em áreas urbanas densas sejam compartilhados. Devido ao potencial de transformação da tecnologia dos veículos autônomos, é fundamental que todos façam parte de frotas compartilhadas, bem reguladas e com emissão zero. As frotas compartilhadas podem proporcionar acesso mais barato a todos, maximizar a segurança das pessoas, aumentar os benefícios da redução de emissões, garantir que as atualizações de manutenção e software sejam gerenciadas por profissionais e efetivar a promessa de reduzir veículos, estacionamentos e congestionamentos, em concordância com políticas mais amplas para reduzir o uso de carros pessoais em áreas urbanas densas.

O que dizem os especialistas

"O futuro da mobilidade é compartilhado", disse Robin Chase, co-fundadora da Zipcar no último dia do EcoMobility World Congress 2017. Foto: Divulgação"O futuro da mobilidade é compartilhado", disse Robin Chase, co-fundadora da Zipcar no último dia do EcoMobility World Congress 2017. Foto: Divulgação"A maneira como os fluxos de pessoas e veículos são gerenciados dita qualidade de vida e o acesso a oportunidades para bilhões de pessoas", ressalta Robin Chase, co-fundadora da Zipcar. "Queremos garantir que os atuais desenvolvimentos em tecnologia, sistemas operacionais, modelos de propriedade e de negócios levem a cidades mais habitáveis, sustentáveis e justas".

Várias mudanças estão ocorrendo na mobilidade urbana, moldadas pela inovação tecnológica sem precedentes na área da informação, das redes e de energia", afirma Ani Dasgupta, diretor global do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis. "Esses princípios são o começo da construção de uma visão global sobre como gerenciar essa importante transição para que o resultado seja melhor para as cidades, com uma mobilidade mais fácil, segura e acessível para todas as pessoas".

"Muitas vezes, hoje, a discussão fica focada estritamente à competição justa", diz Clayton Lane, CEO do ITDP. "Para que a mobilidade compartilhada seja uma opção de transporte verdadeiramente sustentável, devemos colocar as necessidades das pessoas no centro de tudo. Esses princípios nos movem na direção certa, pela primeira vez, para estabelecer um cenário para garantir benefícios públicos. Esperamos que governos, empresas privadas e sociedade civil possam usar esses princípios como base para uma mobilidade mais eficiente e limpa, com comunidades mais equitativas e humanas".

A implementação dos Princípios de Mobilidade Compartilhada e das Estratégias de Kaohsiung para o futuro da mobilidade urbana são fundamentais para a construção de sistemas de transporte mais humanos e sustentáveis em todo o mundo", declara Monika Zimmerman, Secretária Geral Adjunta do ICLEI. "Devemos apoiar os governos locais e os tomadores de decisão na priorização da mobilidade urbana centrada nas pessoas com foco em caminhada, ciclismo, transporte público e compartilhado em vez de priorizar o automóvel".

"Esses princípios de mobilidade compartilhada, implantados em combinação com um forte transporte público e infraestrutura extensa para caminhadas e ciclismo, podem ajudar a tornar os sistemas de transporte urbano mais integrados, sustentáveis e equitativos", afirma Holger Dalkmann, co-presidente do Conselho de Administração da Fundação SLoCaT.

"O futuro do transporte é compartilhado, elétrico, com serviços de mobilidade autônoma em cidades projetadas para isso", disse Jeruld Weiland, diretor do programa de transformação em mobilidade do Instituto Rocky Mountain. "Com esses princípios de mobilidade compartilhada, as partes interessadas podem desenvolver soluções de mobilidade de ponta mais seguras, limpas, saudáveis, acessíveis e financiáveis – todas levando a cidadãos mais felizes. Os veículos elétricos e autônomos são uma parte importante do futuro de mobilidade, mas o que todos estamos perseguindo são cidades projetadas para pessoas e não carros".

"A mobilidade compartilhada tem o potencial de oferecer benefícios transformadores para cidades e regiões, incluindo a redução das viagens em veículos com uma única pessoa, o corte de emissões de gases de efeito estufa, a diminuição dos custos de transporte para os cidadãos, facilitando o acesso a empregos e oportunidades — mas somente se esses novos modos de transporte funcionarem para todos", diz Sharon Feigon, diretora executiva do Shared-Use Mobility Center. "Mudanças na tecnologia e nos padrões de deslocamento estão nos direcionando a um ponto crítico decisivo e uma liderança proativa é necessária para garantir o bem de todos e apoiar uma rede robusta de escolhas de transporte equitativas e ambientalmente saudáveis".

"A sustentabilidade e a equidade social devem ajudar a guiar a revolução do transporte com a mobilidade compartilhada e autônoma", declara Amanda Eaken, diretora de Transporte e Clima do Natural Resources Defense Council. "Veículos compartilhados e autônomos já estão tendo um impacto sobre o que atualmente chamamos de 'transporte público'. Esses 10 princípios direcionarão os governos, as ONGs, o setor privado e os cidadãos para ações capazes de tornar o ar mais limpo, reduzir a expansão urbana e as emissões de poluentes".

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Fonte: WRI Brasil.

O 2º Festival Brasileiro de Filmes sobre Mobilidade e Segurança – evento dedicado à exibição de filmes, vídeos e programas de TV brasileiros, sobre os temas de mobilidade urbana e violência no trânsito acontece no próximo dia 20 de Novembro.

O Festival vai apresentar 60 filmes, vídeos e programas diversos, num rico panorama da produção audiovisual brasileira e premiará melhores filmes em 9 categorias:

- Produção Independente curta-metragem sobre mobilidade,
- Produção Independente curta-metragem sobre ciclismo,
- Produção Independente curta-metragem sobre segurança viária,
- Produção Independente longa-metragem,
- Instituições,
- Vídeo-Cidadão,
- Estudantes,
- TV / Webséries,
- Animação.

O júri do evento é composto por Solange Farkas, curadora e diretora do Vídeo Brasil; Toni Venturi, cineasta e Lúcio Gregori, ex-secretário dos transportes da cidade de São Paulo

O Mobifilm

O Mobifilm tem o objetivo de incentivar e divulgar a produção audiovisual, promover reflexão, gerar debate, inspirar ideias e melhorar a consciência do país sobre os graves problemas afeitos a esses temas. Alinhado com o Global Road Safety Film Festival, o Mobifilm - com direção de Eduardo Abramovay, idealizador do evento, e produção de Leonardo Kehdi -, foi concebido a partir de uma reflexão sobre um panorama cujas estatísticas revelam uma realidade estarrecedora.

Imagem: Divulgação.Imagem: Divulgação.

Milhões de automóveis consomem milhões e milhões de toneladas de aço, vidro, borracha, energia e água. Despejam na atmosfera milhões de agentes poluidores. Entopem as cidades. Drenam recursos públicos. A indústria automobilística produz aproximadamente R$ 200 bilhões por ano no Brasil. A soma do custo social desta indústria, isto é, o valor em horas perdidas dos congestionamentos + custo de saúde gerado pela poluição + o custo de vidas e trabalho perdidos em acidentes, + o custo hospitalar e terapêutico de vítimas sobreviventes + custo dos danos materiais dos acidentes, a soma destes fatores equivale ao valor total que a indústria produz.

Os números são eloquentes: 1.3 milhão de mortos e 50 milhões de lesionados graves em acidentes de trânsito no mundo a cada ano. A ONU proclamou o período de 2011 a 2020 como Década Mundial de Ação pela Segurança no Trânsito. A iniciativa agrupa ONU, OMS, CEE, Cruz Vermelha e Banco Mundial.

Uma das iniciativas promovidas pela FIA/ONU foi a criação do Festival Internacional de Filmes sobre Segurança Viária, realizado com sucesso de público e mídia em Genebra, Marrakesh e Paris. O Mobifilm foi criado a partir dessas ideias e iniciativas.

Serviço

O evento, gratuito, acontecerá em São Paulo, no Unibes Cultural. Imagem: Divulgação.O evento, gratuito, acontecerá em São Paulo, no Unibes Cultural. Imagem: Divulgação.
2o Festival Brasileiro de Filmes sobre Mobilidade e Segurança de Trânsito - Mobifilm 2017
Data: 20/11
Local: Unibes Cultural - Rua Oscar Freire, 2.500 – Sumaré, SP - Tel. 11 3065- 4333.
Horário: 10h30 – 21h.
Gratuito.

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Com informações Lítera – Construindo Diálogos.

Às vésperas do feriado de Nossa Senhora de Aparecida, no último dia 12, os romeiros tomaram a Via Dutra.

Em grupos ou em pares, em excursões organizadas ou sozinhos, o hábito de ir a pé até Aparecida está aumentando ano a ano. Estima-se que mais de 10 mil pessoas terão andando por lá nesse ano.

Passei de carro pela via Dutra nos últimos dias e vi centenas de pessoas andando no acostamento. É comovente vê-los enfrentando o sol, a chuva, o cansaço, o barulho dos carros e o perigo real de um atropelamento.

“O cansaço purifica, destrói o orgulho”, diz o filósofo Frédéric Gros sobre os peregrinos. O andarilho se despe de tudo o que é supérfluo e se concentra no ato mais básico do homem, andar.

A peregrinação medieval a Roma, Jerusalém e Santiago

A peregrinação cristã vem desde os primeiros séculos da nossa era e se afirmou na Idade Média como um ritual de purificação, de agradecimento por uma graça, de penitência por um crime ou uma prova de fé.

Caminhar nas estradas medievais era muito perigoso. O auto do livro “Uma história do Andar”, Joseph Amato, estima que metade dos peregrinos era roubada ou assassinada em seus trajetos. Tão comum eram os crimes que a pessoa era obrigada a fazer um testamento antes de partir em peregrinação.

Jerusalém e Roma eram os principais destinos até que Santiago de Compostela foi ficando cada vez mais importante, com paradas protegidas, cidades acolhedoras e um roteiro mais seguro.

O caminho de Santiago valoriza, até hoje, o caminhar, tanto quanto o próprio destino: “Companheiro, é nossa obrigação caminhar, sem nos demorarmos”, diz a canção do caminhante.

A peregrinação contemporânea a Aparecida do Norte

O caminhante que vai a Aparecida do Norte ganhou o apoio logístico de carros e até tendas com bebidas geladas em dias de calor.

Mas o sofrimento na beira da estrada ganha uma dimensão de perigo quando se pensa no risco de atropelamento. Em 2017, já houve uma morte e pelo menos quinze pessoas atropeladas. O barulho e a fumaça dos carros também devem aumentar as provações dos caminhantes e seguramente tornam a caminhada menos contemplativa.

Existe a ideia de criar outras rotas, como um caminho ao longo do Rio Paraíba. Além de ser mais seguro talvez venha a trazer aos caminhantes cansados a chance de pensar mais profundamente em suas vidas e suas provações.

De qualquer modo, é bonito ver as pessoas num mundo tão cheio de estímulos como o nosso desligando-se por alguns dias da vida cotidiana e, principalmente escolhendo os pés para buscarem as suas verdades.

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Mauro Calliari é administrador de empresas, mestre em urbanismo e consultor organizacional. Artigo publicado originalmente no seu blog Caminhadas Urbanas.