Carinho, um ingrediente certo para fazer um delicioso bolo de aniversário - São Paulo São

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Decidi fazer o bolo recheado que minha mãe, Dona Nalvinha, preparava nos aniversários da família. Para celebrar o início de um novo ciclo na vida de cada um de nós, a combinação era e, continua, deliciosa: massa branca, com recheio de ameixas pretas refogadas e misturadas ao doce de leite – aquela versão oriunda após a fervura do leite condensado na panela de pressão. Para cobrir, o mesmo doce de leite, mais raspas frescas de coco.

Eu adorava a famosa “surpresa” de celebração dos parabéns pela simplicidade e pelo carinho com o qual ela o preparava. Fazia muito tempo que não o saboreava, e como não tenho afinidade em fazer sobremesas, resolvi comprá-lo pronto, ficando por minha conta o recheio e a cobertura.

Retornei para casa muito feliz e, no mesmo dia, fiz o bolo, seguindo o passo a passo da minha mãe. Foto: Acervo Pessoal.Retornei para casa muito feliz e, no mesmo dia, fiz o bolo, seguindo o passo a passo da minha mãe. Foto: Acervo Pessoal.Corri para o Pão de Açúcar com água na boca e tomei um banho de frustração quando a funcionária me disse que o tal bolo não era mais comercializado. Agora o dito cujo servia de matéria-prima e, se eu tivesse sorte, ela tentaria encontrar, nos bastidores, um disponível para a venda.

Com os demais ingredientes na cesta, torci para que ela convencesse a chefia a me vender um. O tempo entre o meu pedido e o retorno dela foi ”enorme”, e o meu coração acelerou. Observei que a funcionária se aproximava, sorridente, com o bolo nas mãos, e foi logo dizendo que só faltava pesar e colar a etiqueta de precificação.

Naquele instante não me preocupei com o valor e agradeci a moça da padaria, e disse que ela tinha sido responsável pela possibilidade de realização de um desejo muito importante. Ela sorriu, falou “De nada”, e continuou a rua rotina de trabalho normal.

Retornei para casa muito feliz e, no mesmo dia, fiz o bolo, seguindo o passo a passo da minha mãe. Exatamente igual ao dela não ficou. Faltaram as gotinhas de Martini, as quais davam um sabor molhadinho e levemente alcoólico ao bolo que nunca saiu da minha memória, e que, graças à gentileza e a pró-atividade da funcionária do supermercado, tive a chance de saboreá-lo nesses dias, como se tivesse voltado aos meus tempos de infância.

Uma experiência deliciosa, que repetirei outras vezes! Por aqui, fico. Até a próxima.

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Leno F. Silva é diretor da LENOorb - Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Escreve às terças-feiras no São Paulo São.