9ª Pesquisa sobre Mobilidade Urbana revela o nível de (in) satisfação dos usuários do transporte público - São Paulo São

Realizada desde 2007, a pesquisa revela a avaliação dos paulistanos sobre trânsito, transporte público e questões específicas como a poluição do ar. E mostra também quanto tempo as pessoas gastam no trânsito e o que acham da redução da velocidade nas vias da cidade de São Paulo.


Além do tempo que os paulistanos gastam por dia, em média, no trânsito, bem como nível de satisfação dos usuários do transporte público e sua opinião sobre a redução da velocidade e poluição, nesta nona edição a pesquisa avaliou ainda a percepção dos moradores de São Paulo sobre um tema atual, o da abertura da Avenida Paulista para pedestres e ciclistas aos domingos.

Para elaborar o levantamento, foram entrevistados 700 moradores da cidade de São Paulo com 16 anos ou mais, entre os dias 28 de agosto e 5 de setembro. 

O lançamento nona edição da Pesquisa de Mobilidade Urbana ocorreu no Sesc Consolação, e  contou com a participação de representantes da Prefeitura de São Paulo e de organizações da sociedade civil, além de cidadãos interessados no tema. 

O levantamento é do Ibope, realizado por encomenda da Rede Nossa São Paulo e do projeto Cidade dos Sonhos, e foi divulgado nesta quarta-feira, 20.

Resultados

Para elaborar o levantamento, foram entrevistados 700 moradores da cidade de São Paulo. Foto: Folhapress.Para elaborar o levantamento, foram entrevistados 700 moradores da cidade de São Paulo. Foto: Folhapress.

Metade dos paulistanos (52%) afirma que “sempre” ou “às vezes” deixa de visitar amigos ou familiares que moram em outros bairros da capital em função do preço da passagem.

O resultado faz parte da Pesquisa de Mobilidade Urbana, que revela a percepção do residente da capital paulista sobre a cidade. A tarifa do transporte público em São Paulo hoje é de R$ 3,80.

O mesmo porcentual (52%) declara ainda que deixa de ir a parques, cinemas e outras atividades de lazer; 42% não vão a consultas médicas e exames, e 28% deixam de ir à escola ou à universidade.

A economia proporcionada pelo bilhete único é, no entanto, a principal razão de uso (23%) entre quem utiliza o ônibus pelo menos uma vez por semana. Em seguida, tem-se “a melhor alternativa para o trajeto que precisa fazer” (18%) e “por não possuir carro” (17%).

Realizado entre os dias 27 de agosto e 11 de setembro, com 1.603 moradores da cidade de São Paulo com 16 anos ou mais, o estudo tem margem de erro de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos.

O nível de satisfação com a locomoção da cidade piorou em todos os itens, contrariando uma tendência de melhora que vinha sendo registrada desde 2008. A pior nota é para a “situação do trânsito na cidade”, que caiu de 3,2 para 2,7 – em uma escala de 1 (péssimo) a 10 (ótimo).

Acidentes e Marginais

A pesquisa mostrou que 56% dos paulistanos são favoráveis ao aumento das velocidades máximas nas Marginais do Tietê e do Pinheiros – uma das primeiras medidas do prefeito João Doria (PSDB) quando assumiu o Executivo municipal.

Porém, 40% declaram que a medida “contribui muito” para os acidentes de trânsito envolvendo motoristas e motociclistas; 37% dizem que o aumento “contribui muito” para atropelamentos de pedestres e ciclistas; e 37% afirmam que “contribui muito” para as mortes no trânsito em geral.

Bilhete único

Em uma escala de 1 (péssimo) a 10 (ótimo), a nota para segurança no ônibus foi de 2,6. Foto: SMTM / PMSP.Em uma escala de 1 (péssimo) a 10 (ótimo), a nota para segurança no ônibus foi de 2,6. Foto: SMTM / PMSP.

Esta é a 11ª edição da Pesquisa de Mobilidade Urbana que, entre as novidades, acrescentou perguntas relacionadas ao assédio sexual no transporte público, à retirada de cobradores dos coletivos e à privatização do bilhete único, proposta do prefeito João Doria (PSDB).

Entre os paulistanos entrevistados na pesquisa, 61% desaprovam a privatização do bilhete único. A medida integra o pacote de privatizações do tucano, que em julho foi aprovado em primeira votação na Câmara Municipal de São Paulo.

Doria também pretende retirar dos ônibus os cobradores, chegando a afirmar que o processo será feito “gradualmente”. O levantamento do Ibope aponta, no entanto, que 75% das pessoas são contrárias à proposta.

Segurança

Em uma escala de 1 (péssimo) a 10 (ótimo), a nota para segurança no ônibus foi de 2,6. Os usuários avaliam como principais problemas dos ônibus municipais a lotação (23%), o preço da tarifa (20%), a segurança com relação a furtos e roubos (11%), a frequência do ônibus (9%), a segurança com relação ao assédio e a pontualidade dos ônibus (ambos com 7% das citações).

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Fonte: Rede Nossa São Paulo.