A faixa verde: primeiro passo para a ‘rua completa‘ na região da Berrini, zona sul da cidade - São Paulo São

No fim de semana, estive com a Marta Obelheiro, do WRI, e Paulo Carmagnani Franco e Carolina Guido da Urb-i , na inauguração da nova faixa verde para pedestres de São Paulo na zona sul da cidade. 

Rua Joel Carlos Borges na inauguração das faixas adicionais de pedestres. Foto: Mauro Calliari.Rua Joel Carlos Borges na inauguração das faixas adicionais de pedestres. Foto: Mauro Calliari.

Na saída da estação Berrini, mais de 1800 pessoas que trabalham na região se acotovelam na Rua Joel Carlos Borges disputando espaço com menos de 200 carros.

Rua Joel Carlos Borges antes da intervenção. Foto: WRI.Rua Joel Carlos Borges antes da intervenção. Foto: WRI.

A partir de hoje (25), elas vão encontrar mais espaço, graças ao aumento da área de pedestres.

Saída da Estação Berrini. Foto: Mauro Calliari.Saída da Estação Berrini. Foto: Mauro Calliari.

O projeto surgiu em 2014, num concurso da WRI, uma organização internacional pelo aumento da segurança no trânsito, e foi vencido pela Urb-i, especialista em espaços públicos. Paulo Carmagnani Franco, da Urb-i, conta que o projeto teve que aguardar a mudança de gestão municipal e andou depois que conseguiu apoio da Secretaria de Mobilidade e Transporte e da Prefeitura Regional de Pinheiros.

A importância da microacessibilidade

Qualquer ganho de espaço e conforto para os pedestres merece ser comemorado.

A Berrini é uma região que cresceu tanto que hoje é comum motoristas esperarem até 30 minutos para conseguirem sair das garagens. O trem é uma alternativa natural. Além da freqüência dos trens e da qualidade, é preciso também cuidar da tal “microacessibilidade” – as condições de acesso à estação. A faixa verde aumenta a segurança e o conforto de quem chega ou sai da estação de trem.

As fases do projeto

Desenho do projeto da rua completa. Imagem: cortesia WRI.Desenho do projeto da rua completa. Imagem: cortesia WRI.O projeto está sendo feito em fases. Além da redução da velocidade dos carros para 20km/h, já implantada pela CET, Marta Obelheiro, da  WRI Brasil explica que a ideia é a instalação sucessiva de mobiliário urbano, lixeiras, acessos para carga e até a abertura de um espaço público que hoje está murado. “A proposta é ter desenhos de baixo custo que possam ser instalados rapidamente e que permitam a experimentação antes da instalação definitiva”. O objetivo é chegar ao que alguns especialistas chamam de “rua completa”, com calçadas largas, árvores, mobiliário urbano, sinalização e segurança.

O resultado da intervenção na primeira fase é relativamente simples e até surpreende que tanto tempo tenha se passado até que se decidisse por intervenção tão necessária.

Por uma coordenação das intervenções no Espaço Público

A coordenação entre diferentes áreas de Prefeitura talvez pudesse ser acelerada se houvesse uma área responsável pelos Espaços Públicos, cuidando das negociações entre as áreas de Transporte, Prefeituras Regionais, Obras e Desenvolvimento Urbano.

Na Cidade do México, por exemplo, já existe essa função, que cuida desde a negociação com os habitantes e comerciantes, até o projeto final e a execução da obra. O resultado é que lá eles já conseguem chegar ao conceito de “rua completa”, que é o mote para essas iniciativas. Quem sabe não se possa criar essa posição aqui para que os projetos andem mais rápido.

Primeiro passo em direção à “rua completa”

De qualquer modo, a iniciativa é muito bem vinda. Que a Secretaria de Mobilidade e Transportes esteja incluindo o modal a pé nas suas preocupações, mais ainda.

Vamos acompanhar as próximas melhorias nessa rua e em outras. Há muitas estações de metrô, ônibus e trem esperando para melhorar a microacessibilidade.

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Mauro Calliari é administrador de empresas, mestre em urbanismo e consultor organizacional. Artigo publicado originalmente no seu blog Caminhadas Urbanas.