Morar perto de praças e ciclovias pode influenciar na prática da caminhada no tempo de lazer? - São Paulo São

O acesso a espaços livres públicos é importante para aumentar a prática de atividade física durante o lazer em países de alta renda, como mostram estudos, mas ainda há poucas evidências em países de renda média. Mais do que isso, em países como Brasil e Colômbia, por exemplo, a prática de atividade física no tempo de lazer ainda é menor do que em países de alta renda, como Estados Unidos, situação que não mudou nos últimos anos.

Um estudo realizado para a cidade de São Paulo revelou que a presença de pelo menos dois tipos de espaços livres públicos - como praças, parques ou ciclovias - localizados a menos de 500 metros da residência aumenta a chance de prática de caminhadas no tempo livre. A pesquisa ainda ressalta que a existência de ciclovias foi fortemente associada a caminhadas no lazer: as chances de andar no tempo livre foram 55% maiores para aqueles que vivem a menos de 500 metros de uma ciclovia em comparação com aqueles que não residem próximos dessa rede. No caso de caminhadas regulares (150 minutos por semana, como recomendado pela Organização Mundial da Saúde), a presença de ciclovia num raio próximo também aumenta as chances dessa prática.

Espaços livres públicos aumentam a chance de prática de caminhadas no tempo livre. Foto: Moacyr Lopes Junior.Espaços livres públicos aumentam a chance de prática de caminhadas no tempo livre. Foto: Moacyr Lopes Junior.

A pesquisa, realizada utilizando dados do Inquérito de Saúde do Município de São Paulo (ISA-Capital) de 2014-2015, revelou ainda que 22% da amostra de participantes não possuem esses espaços públicos - parques, praças ou ciclovias -, em um raio de 500 metros da sua residência.

Mais do que relacionar os diferentes tipos de espaço público e a prática de atividade física, revela-se necessário investigar se a quantidade  e a proximidade desses locais estão associadas às caminhadas. Esse tipo de evidência pode ser usado para orientar o planejamento de cidades mais ativas, ou seja, cidades que convidam seus cidadãos a terem hábitos mais saudáveis.

Ciclovia do lazer na Marginal do Rio Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Foto: André Bonacin.Ciclovia do lazer na Marginal do Rio Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Foto: André Bonacin.

Ainda, as redes de mobilidade a pé - calçadas, passagens, travessias, escadarias, vielas, galerias - e cicloviária podem ser complementares e promover uma relação benéfica entre os modos de deslocamento ativos. A presença de ciclovias também faz com que a cidade seja mais acessível e inclusiva, podendo ser utilizadas por pessoas idosas, pessoas com carrinho de bebê ou carrinho de feira, pessoas com mobilidade reduzida e catadores.

É importante ressaltar que não foram encontradas relações entre a presença de parques e caminhadas de lazer. Isso é surpreendente porque as áreas verdes, como parques, muitas vezes possuem mais equipamentos e espaços dedicados para essa prática do que as praças, como trilhas e equipamentos para alongamento. Ou seja, outros fatores, além da proximidade, podem ser importantes para incentivar a caminhada no lazer. O estudo ressalta que o tamanho e a atratividade dos parques não foram levados em consideração, o que poderia explicar esse resultado.

A presença de ciclovias também faz com que a cidade seja mais acessível e inclusiva. Foto: Cidade Ativa..A presença de ciclovias também faz com que a cidade seja mais acessível e inclusiva. Foto: Cidade Ativa..

Ainda segundo a pesquisa, esses resultados são importantes porque apoiam as ações descritas no Plano Diretor Estratégico de São Paulo (2014), visando o aumento do acesso aos espaços públicos abertos e destacando a importância de monitorar os impactos de saúde e bem-estar dessa nova política urbana.

Os resultados da pesquisa também ressaltam o potencial da colaboração entre pesquisadores e tomadores de decisão e como a evidência pode ser usada para destacar os espaços públicos como peças fundamentais na promoção de atividade física nas cidades.

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Fonte: Cidade Ativa. *Artigo publicado originalmente no Arch Daily.