Encontros - São Paulo São

São Paulo São Encontros


Com uma boa dose de humor, ironia e sarcasmo, os MC’s (mestres de cerimônias) duelam entre si com rimas improvisadas no ritmo da base (batida) tocada pelo DJ. A dinâmica da batalha é organizada desta forma: um MC enfrenta o outro podendo pegar o microfone por duas vezes durante 30 segundos cada um. Além do próprio conteúdo das rimas, é a capacidade de envolver e empolgar a plateia com a rapidez do raciocínio que faz o próprio público escolher naturalmente o vencedor da Rinha dos MC’s.

São inúmeras histórias de artistas e protagonistas que circularam pela Rinha consolidando sua carreira, desenvolvendo potencialidades e apresentando trabalhos artísticos. Figuras importantes na atualidade como Emicida, Projota, Rashid e Flora Matos são somente uma amostra da importância da Rinha no cenário musical brasileiro. “Para 2016, com os 10 anos de projeto, queremos expandir nossas atividades, desenvolvendo tecnologias sociais que possam dar sustentação ao projeto. Inclusive já temos previsto o lançamento de uma websérie que vai fortalecer todos os movimentos de batalhas que temos hoje na cidade. Está tudo sendo pensado em função da expansão como um todo. ” afirma Amanda.

Programação

16h – Discotecagem DJ Marco e DJ Dipper
17h – Danças Urbanas com DarealBeatCompany
17h40 – Batalha de MC’s com premiação
19h – Show Criolo e DanDan (formato DJ + MC)

Grupo OPNI

Formado em 1997, inicialmente, o Grupo OPNI era composto por cerca de vinte jovens moradores do bairro de São Mateus, na periferia de São Paulo que se reuniram com um ideal em comum: expressar por meio de arte, a realidade do dia a dia que os tornava invisíveis, para oportunidades e alvo para compor estereótipos. Tendo como inspiração a comunidade onde cresceram e a forte influência da cultura afro brasileira, os traços desenvolvidos pelo Grupo OPNI revelam um olhar periférico e ativista, que passeia por temas variados construindo uma poética visual igualmente bela e impactante. Durante a trajetória de 17 anos, o Grupo realizou trabalhos expressivos com participações em eventos internacionais (Manifesto Canadá, em 2008; Gran Maestro Graffiti e Chile Sudaka Dance, em 2004) e já desenvolveu projetos para diversos artistas da cena atual de música independente, como Racionais MC’s, Criolo, MV Bill, Dexter, Emicida, Charlie Brow Junior, O Rappa, Banda Black Rio, Ponto de Equilíbrio, entre outros. Atualmente, o Grupo OPNI também é responsável por diversos projetos realizados na Vila Flávia, e que dialogam com comunidades periféricas de todo o mundo. Algumas dessas ações são protagonizadas pela ONG São Matheus em Movimento, que fundada pelo coletivo em 2008, conquistou o status de maior articuladora cultural da região, e hoje atua em parceria com diversos grupos, oferecendo, além de apoio para os artistas, cursos e oficinas gratuitos de diferentes linguagens, para crianças e adolescentes.

DaRealBeatCompany

DaRealBeat Company of Performance, companhia de dança criada na cidade de Ribeirão Pires-SP.O projeto DRBeatCrw iniciou em 2010, com a ideia de Rafael Rodney deformar um grupo especializado em danças urbanas. O grupo estreou no mês de outubro de 2010, com suas repercussões grandes para seu trabalho com uma linha diferente de outros grupos na região. Hoje DRBeatCrw representa a escola DAREAL-STUDIO DANCE COMPLEX e trabalho com um foco maior em shows e espetáculos.

Serviço

Quando: dia 22 de novembro.
Onde: Centro Cultural da Juventude – CCJ.
Endereço: Avenida Deputado Emílio Carlos, 3641 – Vila Nova Cachoeirinha
Entrada gratuita.

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Mandrake na redação do RAP Nacional.

 


No próximo domingo, 15/11, a partir das 10h, acontece na Comunidade Água Branca o evento de encerramento das atividade do Revivarte deste ano. A ação contará com oficinas diversas, graf​ites e shows com grupos de rap, reggae e a escola de samba Rosas de Ouro. Durante a confraternização, será lançado o Livreto Revivarte, publicação que conta com a história das 3 edições do projeto, que acaba de completar 34 pinturas em laterais de prédios de conjuntos habitacionais em São Paulo.

Nesse ano, com o apoio do “Tudo de cor para você” da Tintas Coral, o projeto pintou oito empenas no conjunto habitacional Água Branca, Zona Oeste de São Paulo com os artistas Bruno Paes, Bruno Perê, Ítalo e Suzue – selecionados pelos moradores por meio do 2º Edital Revivarte de Arte Mural – além dos artistas residentes, Subtu, Mundano, Fel e RMI.

Além das pinturas dos prédios, foram realizadas oficinas de arte, cines-debate e um mutirão de pintura da quadra poliesportiva com o envolvimento dos moradores.

Programação 15/11

10h - Abertura do evento de graf​ite​ – traga suas tintas!!
10h  - Oficina de Customização de Camisetas – Com Green Tee​.​
11h - Oficina de papel mache – Com Ateliê damargem​.​
12h - Oficina de Miçanga – Com Ana Rita Colorida​.​
13h - Visita guiada​.​
13​h​30 - Lançamento do Livreto Projeto Revivarte​.​
14h - Rap com Latam Esquad​.​
16h - Bateria Rosas de Ouro​.​
17​h​30 - Reggae com a Banda DaviDariloco / VidaColorida​.

Sobre o Revivarte

Idealizado pelo artista Subtu, o projeto Revivarte visa revitalizar comunidades por meio da arte, com as galerias a céu aberto, novos espaços de arte e convivência. A iniciativa, contemplada pelo Programa para Valorização de Iniciativas Culturais (VAI) de São Paulo nos anos de 2013, 2014 e 2015, conta ainda com as participações dos artistas Mundano, FEL e RMI no quadro do projeto.Desde 2013, já foram pintados 26 prédios no Parque do Gato e em 2015, 8 painéis na Comunidade Água Branca.

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Natt Naville no Mistura Urbana.


Entre os dias 11 e 22 de novembro a cidade de São Paulo receberá o 23° Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade, maior festival dedicado ao movimento LGBTQ da América Latina. Em 2015, o evento apresenta 138 filmes de 27 países, além de teatro, música, leitura dramática, performances e a 1ª Conferência Internacional [SSEX BBOX] & Mix Brasil. Nesta edição, o festival homenageará Suzy Capó, uma das fundadoras do Mix Brasil.

Inédito em São Paulo, o longa "Te Prometo Anarquia" (México-Alemanha) de Julio Hernández Cordón abre o festival no dia 11. Selecionado para os festivais de Locarno e Toronto e recentemente premiado como melhor longa latino-americano do Festival do Rio, a história da película gira em torno de Miguel, de família de classe média, e Johnny, de bairro humilde, que são skatistas e namorados. Para financiar seu estilo de vida, eles vendem o seu próprio sangue e de sua gangue a clínicas clandestinas, até que um grande trabalho para a máfia dá errado.

Também estão confirmados longas-metragens e documentários premiados recentemente em Festivais Internacionais de Cinema como Berlinale e Frameline, entre outros. Dentre eles, destaque especial para "Grandma" (EUA), de Paul Weitz, com Lily Tomlin e Laverne Cox; "Nasty Baby" (EUA), de Sebastián Silva, protagonizado pela atriz Kristen Wiig e ganhador do Teddy Bear de longa-metragem em Berlim; "Como Vencer no Jogo" (Sempre) (Tailândia/EUA/Indonésia), de Josh Kim, que concorre a uma vaga ao Oscar de melhor filme estrangeiro pela Tailândia; "Amor Eterno" (Espanha) de Marçal Forés, "Margarita com Canudinho" (Índia), de Shonali Bose; "Histórias de Nossas Vidas" (Quênia), de Jim Chuchu, vencedor do Teddy de melhor documentário em Berlim; e "Tab Hunter – Confidencial" (EUA), de Jeffrey Schwarz.  Este último é um documentário sobre a vida secreta do grande astro de Hollywood Tab Hunter, que estrelou filmes ao lado de Sophia Loren, Debbie Reynolds e Natalie Wood.

O Festival apresenta nesta edição sua maior seleção de curtas-metragens nacionais, escolhidos entre 370 inscrições. No total, serão exibidos mais de 50 trabalhos brasileiros, sendo 18 curtas em competição. O Mix Festival ainda premiará com o Coelho de Ouro o melhor longa-metragem brasileiro.  Os concorrentes, a maioria inédito na capital paulista, são "A Paixão de JL", de Carlos Nader,  "A Seita", de André Antônio,  "Âncora do Marujo", de Victor Nascimento,  "Califórnia", de Marina Person, "O Animal Sonhado", de Breno Baptista, Luciana Vieira, Rodrigo Fernandes, Samuel Brasileiro, Ticiana Augusto Lima e Victor Costa Lopes, "Quase Samba", de Ricardo Targino, Ralé, de  Helena Ignez, "TupiniQueens", de João Monteiro, "Vozeria", de Raphaela Comisso, "Yorimatã", de Rafael Saar.

O Mix Brasil ainda dedica parte da programação desse ano a mostra Mundo Mix América Latina, uma seleção especial de 8 longas e vários curtas latino-americanos. Entre os longas estão "Grisalhos" (Chile), de Claudio Marcone, melhor longa-metragem de estreia do Frameline São Francisco, “O Homem Novo" (Uruguai/Chile/Nicarágua), de Aldo Garay, "A Visita" (Chile), de Mauricio López Fernández (com a presença do diretor), "Carmim Tropical" (México), de Rigoberto Perezcano, "Juntos e Misturados" (Cuba/Espanha), de Nicolás Muñoz, "Liz em Setembro" (Venezuela), de Fina Torres, "Mariposa" (Argentina), de  Marco Berger e, "Te Prometo Anarquia".

Esta edição do evento acomodará, no Centro Cultural São Paulo, a primeira Conferência Internacional [SSEX BBOX] & Mix Brasil, com curadoria de Priscilla Bertucci. O evento, uma inédita parceria entre Mix Brasil e [SSEX BBOX], acontece de 17 a 22 de novembro e trará palestras, mesas de debates, e workshops com pesquisadores, ativistas, artistas, trabalhadores sexuais e pessoas que vivenciam questões relativas ao gênero e à sexualidade de forma não convencional.

Os longas e curtas serão exibidos nas seis salas disponíveis no Centro Cultural São Paulo, além do Cine Itaú Augusta e do Cine Sesc. Confira a programação completa clicando aqui.

Fonte: Revista Brasileiros.

 

Edgard Villar chega imponente, todo de preto – dólmã, com botões vermelhos e seu nome bordado, avental, bandana, crocs. Tinha ido em casa tomar um banho e se preparar para as fotos. O dono do Rinconcito Peruano mora ali mesmo na boca do lixo, pertinho do restaurante.Gosta do bairro e, mesmo depois de ter ganhado dinheiro, diz que não pensa em se mudar.

“O aluguel é baixo, pago R$ 700.” A ex-mulher e sócia, Feliciana, vive no mesmo edifício em outro apartamento com os dois filhos do casal. A localização é boa também para ela, que passa o dia no caixa do restaurante (e não é de muito papo).

O peruano se instalou no Centro quando chegou de Lima, em 2000, depois de oito dias viajando de ônibus. Tinha deixado para trás muitas dívidas, Feliciana e uma filha recém-nascida. Parou primeiro em Corumbá e ali foi aconselhado por um boliviano que conheceu na viagem: se procurava trabalho, era melhor ir para São Paulo.

E ele veio. Ilegal, com pouco dinheiro, arrumou emprego em troca de casa e comida com uma peruana que vendia bijuterias artesanais. Aprendeu a fazer brincos de casca de coco, pulseiras de linha e, depois de três meses, já trabalhava por conta própria. “Fui camelô por uns três anos, na 25 de Março, mas perdia muito com rapas, Polícia Civil, Polícia Federal.”

Com forte sotaque e jeito desconfiado, evitando se estender em alguns detalhes, Edgard vai contando sua história. Se emociona ao falar da infância pobre no pueblo de Ocobamba, região de Apurímac, no sul do país. A família tinha uma pequena roça, alguns animais e trocava alimentos com os vizinhos – é dessa época a foto dele e dos irmãos num burrico que está na parede de seu escritório. O pai morreu quando Edgard tinha 11 anos, e ele foi para Lima, viver na casa de um tio que vendia comida numa feira livre.

Foi o tio que serviu de inspiração quando Edgard resolveu trocar a vida de camelô em São Paulo pela de marmiteiro. “Eu fazia arroz con pollo, ceviche e lomo saltado e vendia para os peruanos na 25 de Março. No começo usava uma panela emprestada e cozinhava em fogão de uma boca.” Juntou dinheiro para trazer a mulher e a filha de Lima e diz que em dois anos poupou os R$ 10 mil que usou para comprar o ponto da sobreloja na Rua Aurora, 451, onde abriu o restaurante. “Era um boteco feio, as paredes sujas, tinha uma mesa de sinuca bem no meio, coloquei umas mesas dobráveis e, enquanto não tinha clientes, continuei levando marmita e ia fazendo minha propaganda.”

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Ceviche individual dá para dois e custa R$ 27,90.

 

Sem placa, sem dinheiro. 


O Rinconcito Peruano abriu em 2005 sem placa na porta e com apenas 14 lugares. Os conterrâneos foram aparecendo, aos poucos. Meses depois, mais ajeitado, o lugar acomodava 40 pessoas. “O ceviche custava R$ 10, eu vendia uns 30 por dia, mas servia também um prato pronto por R$ 5”, lembra o dono da casa. O começo foi difícil. Por muitos anos, ele, a mulher e um ajudante, Cauê (o brasileiro, que emprestou o nome para registrar o restaurante e hoje é o administrador) faziam tudo.

Cozinhavam, serviam, limpavam, cobravam. “Eu ia na Ceagesp de madrugada para comprar peixe, não tinha dinheiro para pagar carregador, puxava os carrinhos sozinho.” Hoje Edgard tem mais de 70 funcionários, mas diz que ainda é ele quem compra os peixes nas madrugadas, às terças e quintas.

A diferença é que agora os fornecedores entregam no restaurante. E não podia ser diferente: ele compra 2 toneladas de tilápia por mês e mais 1.300 kg de lula, 1.500 kg de camarão, 350 kg de mexilhão e 800 kg de polvo. É o que precisa para atender os 22 mil clientes que vão ao restaurante a cada mês. O Rinconcito está invariavelmente lotado, dia e noite.

Mesmo nos dias de semana, é raro escapar da fila na escada que dá acesso ao salão barulhento, decorado com mantas de lã nas paredes e máscaras do Mercado Índio, em Lima, que fazem os garçons se sentirem em casa.

 

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A casa do Tatuapé, que abriu no dia 20 de outubro, com amplas janelas numa esquina simpática.

A maioria de funcionários é peruana, algumas histórias devem ser parecidas com a de Edgard, mas é difícil estender a conversa, o patrão logo aparece e o papo murcha. Carlos, irmão e braço direito de Edgard, também não é de muita fala.

Edgard Villar tem uma fórmula de sucesso: oferece comida peruana tradicional, boa e farta, a bom preço. Os ingredientes são frescos, porém baratos: o peixe é tilápia, a cebola é a branca, que custa menos que a roxa tradicional. Faz o que pode para economizar, mas diz que somam-se a isso muito trabalho, pouco descanso e a ajuda de Deus.

Bem, a fórmula inclui também sorte: a onda de ceviche se alastrou pelo mundo, fazendo o prato extrapolar as fronteiras da comunidade peruana. E, além disso, o Rinconcito caiu no gosto do paulistano – ganhou páginas de jornais e revistas, além de prêmios, como o Prêmio Paladar 2013, que Edgard recebeu sem disfarçar a emoção no palco.

A vizinhança contribui para o “folclore” da casa, mesmo que isso tenha seu preço – para vigiar o ambiente, foi preciso instalar 16 câmeras, que Edgard controla de uma tela de tevê em seu escritório fechado com porta automática. “Muita gente saía sem pagar, também havia roubos no salão”, conta.

Sem crise. 

Num ano de crise, em que dezenas de restaurantes fecham as portas, a casa que nasceu com a pretensão de ser apenas um “cantinho” peruano, como diz o nome, está tomando a proporção de um enorme galpão inca. Há dez dias, o Rinconcito Peruano abriu uma filial numa esquina simpática do Tatuapé, com 200 lugares, amplas janelas de vidro e algumas mesinhas na calçada. “Percebi que muitos clientes vinham da Zona Leste e resolvi abrir lá”, diz Edgard.

A primeira filial foi inaugurada em julho, na rua Guaianases. A terceira já está em obras, deve abrir até o fim do ano na esquina da Rua Aurora com a Vieira de Carvalho, um lugar amplo com dois pisos. Quando a reforma terminar, a matriz será ampliada com a incorporação do bar que funciona no térreo do imóvel. E mais 120 lugares que serão somados aos 292 atuais.

As conquistas recentes incluem uma frota de cinco veículos, entre eles a picape de cabine dupla Mitsubishi L200 Triton, que suaviza a ida diária de Edgard Villar até o Tatuapé. Tantos novos investimentos indicam que o Rinconcito Peruano tem um sócio investidor? “Não.” Por que só agora resolveu abrir as filiais e todas no mesmo ano? “Nos últimos dois anos eu estava construindo em Lima: fiz um predinho e uma casa para minha mãe.”

Depois disso chega? “Para este ano está ótimo. Depois a gente vê”, diz o peruano de 37 anos, que não vê motivos para parar.

A filial da rua Guaianases, inaugurada em julho.

Comida peruana na rua Guaianases

O sucesso do Rinconcito estimulou a abertura de vários pequenos restaurantes de cozinha peruana nas imediações. Só na rua Guaianases, a menos de uma quadra do Rinconcito, contam-se quatro casas. No número 130 fica o Arequipa; no 154, o Pollo alla Brasa; no 153, uma casa sem nome cuja placa indica Comida Peruana e, em frente, na sobreloja do número 154, tem mais um, sem nome. “São todos de ex-funcionários”, afirma Edgard Villar, dono do Rinconcito Peruano, que aproveitou a onda para abrir em julho sua primeira filial ali na Guaianases 167, com 50 lugares.

Serviço

Riconcito Peruano
Matriz. Rua Aurora 451, Santa Ifigênia, tel. 3361-2400.
1ª filial. Rua Guaianases, 167, Santa Ifigênia, tel. 3222-8310.
2ª filial. Rua Serra do Japi, 696, Tatuapé, tel. 2539-2033.


Patrícia Ferraz no Paladar do Estadão.


Mais de 100 editoras independentes vão montar um verdadeiro acampamento e expor suas produções recentes na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, amanhã a partir das 10h, na segunda edição da feira Miolo(s), uma parceria da Biblioteca com a editora Lote 42.
 

A feira pretende reunir e dar a espaço a editoras tão distintas quanto, por exemplo, a Patuá e a Dublinense (mais afeitas a livros ‘comuns’ de literatura) até iniciativas que se debruçam sobre edições experimentais, como os “três Ps do mundo independente”: Pipoca Press, Polvilho Edições e PINGADO-PRÉS.

Um dos organizadores da Miolo(s) é João Varella, sócio da Lote 42, editora independente que tem chamado atenção com suas edições caprichadas e promoções criativas na web. Ele acredita que o mercado independente passa por um momento interessante. “Há uma retomada da cultura do zine, e mais pelo lado do design”, diz – tradicionalmente, o zine é uma publicação com temáticas divergentes das mídias tradicionais e com impressão menos profissional, muitas vezes em máquinas de fotocópias. Atualmente, soluções editoriais criativas se destacam pelos formatos experimentais de seus livros – às vezes, “quase livros” – que têm o capricho no design como atrativo fundamental.

A seleção de 112 editoras que participarão da feira, segundo Varella, é um bom panorama de casas que muitas vezes não se encaixam no padrão comercial de edição. “Existe um movimento que será estudado daqui a 50 anos”, acredita. Por questões logísticas, a maioria das editoras é do Sul e do Sudeste, mas Varella ressalta que a produção em outras regiões também é profusa – semana passada, ele visitou o festival Publique-se, no Recife, e disse ter ficado impressionado com a qualidade e quantidade de bons trabalhos por lá.

Uma das seções da feira destacada pelo organizador é a seção de risografia, uma técnica japonesa de impressão digital que pelo baixo custo e pela versatilidade que oferece tem atraído editores independentes (a tecnologia da máquina não delimita impressões exatas, como uma off set faz, dando a ideia de que cada impressão é única).

A Miolo(s) deste ano homenageia Fabio Zimbres, “uma das poucas unanimidades” no cenário independente. Uma exposição com trabalhos do ilustrador será montada na feira.

Outra novidade desta edição, que dobrou de tamanho em relação ao ano passado, são as oficinas de encadernação e serigrafia (com as inscrições esgotadas) e palestras sobre o mercado, estas a partir das 12h, no auditório da Mário de Andrade.

Nesta semana, seis editoras independentes levaram prêmios da Biblioteca Nacional – a Arte & Letra, de Curitiba, vencedora na categoria projeto gráfico, vai trazer seus trabalhos para a Miolo(s).

A ideia inicial da feira surgiu em 2014 quando São Paulo foi a cidade homenageada na Feira Internacional do Livro de Buenos Aires. Quem organizou a comissão brasileira foi a Biblioteca, e uma das sócias da Lote 42, Cecilia Arbolave, de origem argentina, se aproximou dos produtores da instituição. O clique veio durante o evento portenho, nas semanas seguintes as duas partes sentaram para conversar e em novembro do ano passado o projeto virou realidade, e chega com força à segunda edição. Boa oportunidade para o leitor ter contato direto com os editores de publicações.

Guilherme Sobota no Estadão.

 

 

 

O II Congresso de Escritores da Periferia de São Paulo, iniciativa criada em 2014 pelo coletivo de comunicação Desenrola E Não Me Enrola, chega a sua segunda edição com o objetivo de destacar temas que estão em evidência na literatura periférica, reunindo escritores e articuladores culturais para discutir a produção literária na periferia de São Paulo. O evento acontece no dia 7 de novembro na Fábrica de Cultura do Jardim São Luis, bairro localizado na zona sul dacidade.

O Congresso apresenta quatro temáticas para as mesas de debate, que estão ligadas diretamente a forma de atuação dos escritores e coletivos literários da periferia, são elas: Escritores e o Empreendedorismo Cultural; Rap e Literatura; Políticas Públicas para a Literatura; e Identidade Cultural e Literatura Feminista. Em paralelo ao evento, acontecerá uma feira de livros que dará ênfase as obras publicadas por autores e editoras independentes.

"Nós temos o objetivo de criar perspectivas de organização, projeção cultural e formação de público, para os coletivos literários e escritores independentes ampliarem o impacto das suas iniciativas culturais desenvolvidas na periferia", afirma Ronaldo Matos, diretor de conteúdo do Desenrola E Não Me Enrola, coletivo de comunicação que produz reportagens sobre a cena cultural da periferia e desenvolve oficinas de educomunicação para jovens provenientes de diferentes regiões da cidade, por meio do projeto Você Repórter da Periferia, outra iniciativa criada pelo coletivo. 

Matos argumenta que a literatura periférica é um movimento cultural que impacta diretamente na educaçãoe na personalidade dos jovens e por isso merece toda a atenção da sociedade. “O movimento dos saraus agrega valores sociais e culturais que impactam diretamente na formação dos jovens e moradores da periferia, por isso é de extrema importância reunir poetas, artistas e articuladores culturais para debater e sugerir formas de fortalecer ainda mais esta cultura”, explica.

O coletivo conta com o apoio do Programa de Valorização de Iniciativas Culturais (VAI) da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, uma lei de fomento a projetos culturais da periferia que tem empoderado a atuação do coletivo e ajudado na realização do Congresso, que esse ano tem previsão de atrair mais de 500 participantes para interagir com as mesas de debates, apresentação de pocket shows, intervenções artísticas e uma exposição de quadros e artes plásticas.

Serviço

II Congresso de Escritores da Periferia de São Paulo
Data: 7 de Novembro.
Local: Fábricas de Cultura do Jardim São Luiz.
Endereço:R. Antônio Ramos Rosa, 651 - Jardim São Luís, São Paulo - SP.
Horário: 13h as 20h
Informações:[email protected] 
Entrada Gratuita

Flyer de temáticas do CongressoFlyer de temáticas do Congresso

 

Sobre o Desenrola E Não Me Enrola

O Coletivo tem o objetivo de atuar na veiculação de informação sobre os fatos socioculturais que acontecem na periferia de São Paulo. A partir desta premissa, buscamos destacar um olhar positivo nas reportagens escritas e em vídeo que abordam o que de melhor acontece na música, teatro, esporte, literatura e ações desenvolvidas por articuladores culturais das comunidades.A cada reportagem realizada, construímos um relacionamento com articuladores e artistas para entender quais as suas necessidades e pontos fortes a serem destacados na sociedade. Com o amadurecimento destas informações, desenvolvemos a proposta do Congresso de Escritores da Periferia de São Paulo, um evento que visa destacar a literatura periférica e seus escritores.Além do olhar jornalístico, o coletivo desenvolve o Você Repórter da Periferia, projeto de Educomunicação voltado para jovens da periferia de São Paulo, que ressalta a importância do jornalismo comunitário para a formação de cidadãos mais conscientes e integrados com a realidade sociopolítica do país.

Fonte: Assessoria de Imprensa.