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São Paulo São Encontros

Eu fico impressionada com a quantidade de programas comunitários que São Paulo tem para oferecer aos seus cidadãos. É impressionante que projetos em grande escala sejam capazes de tomar forma e se tornar tão bem sucedidos em uma cidade como São Paulo.

Em comparação com outras cidades do mundo, eu acho que a consciência cultural e a vontade de compartilhar e trocar é muito elevada em São Paulo. Além disso, acredito que o "buzz" em torno de novas idéias é particularmente agudo para uma cidade que está sobrecarregada por uma burocracia pesada. Algumas entidades e futuros projetos vêm à mente quando penso na ênfase da comunidade brasileira. Dentro os quais se destacam: a extensão dos centros SESC, a Virada Cultural, que acontece anualmente em São Paulo, as ciclofaixas expandidas nos fins de semana, e o futuro projeto do Minhocão.

Minha experiência com cada um desses projetos tem sido muito positiva e reforçou a ideia de que os brasileiros valorizam suas unidades comunitárias. Não são pessoas introvertidas e excludentes, mas sim abertas à partilha e ao intercâmbio de ideias com outras pessoas dentro de suas comunidades. Elas saúdam atividades sociais e estão sempre interessadas em aprender sobre culturas e ideias.

Sesc: Eu admito: eu conheço apenas alguns Sescs. Porém, li muito sobre o conceito e recentemente visite um em particular: o Sesc Poméia. O Sesc é uma instituição brasileira que atua na educação, saúde, lazer e no setor cultural. Sua renda vem de alguns contribuintes, mas o seu principal objetivo é promover serviços e atividades culturais a esses trabalhadores e à comunidade em geral. Os centros são baseados em uma ideia surgida em meados de 1940, que permitia que os membros da comunidade tivessem acesso a aulas, visitas médicas, comidas nos refeitórios, a exposições e palestras. O Sesc é uma incrível fonte de recursos para seus membros e para a comunidade em geral. Este ano, eu assisti a uma palestra da Marina Abramovic, que estava fazendo uma residência no Sesc Pompéia. Ela também foi inspirada pela ideia de intercâmbio cultural e escolheu o Sesc como o local para a sua residência de sete semanas, onde ela ensinou, orientou e falou aos estudantes e fãs.

Virada Cultural: Apenas uma vez por ano, este encontro de 48 horas de eventos culturais reúne pessoas de todas as esferas criativas, sem nenhum custo. Durante dois dias, através da dança, música, arte e literatura, a cidade ganha vida com entusiasmo e apreço. Durante o fim de semana, se você estiver interessado em assistir a uma obra de teatro nàs 4h da manhã - é possível. A ideia de usar o centro da cidade como pano de fundo para abrigar eventos criativos de boas-vindas é verdadeiramente inspirador. Há presentações de dança debaixo de uma passagem movimentada subterrânea às 5h de manha, concertos em praças públicas ao redor do relógio, e o Teatro Municipal fica aberta toda noite deixando a cidade viva. Além disso, o fato do evento ocorrer no centro, um bairro relativamente perigoso, é um sinal de que a cidade está disposta a reviver alguns aspectos da cidade que foram esquecidos.

Minhocão: Atualmente, funciona para pedestres apenas aps domingos, e o espírito do projeto de transformar o local em um parque como o High Line de Nova York já é palpável. Aos domingos, a via fica fechada deixando o espaço aberto para os corredores, ciclistas, patinadores e caminhões de alimentos. Nos próximos anos, o objetivo do Minhoão é tornar-se um belo parque elevado exclusivo para pedestres. O grupo de desenvolvimento urbano Movimento90 está se planejando para converter os lados dos edifícios próximos à via em jardins verticais, em um projeto incrível e ambicioso que, se concluído, tornar-se-à maior concentração de jardins verticais em todo o mundo. O suporte para o Minhocão existe e, lentamente, o projeto irá tomar forma criará um outro centro comunitario para a cidade.

Ciclofaixas: Muitas cidades têm investido em ciclovias como forma de incentivar o movimento e a diversão dos cidadãos. São Paulo também tem feito isso desde 2009 através da criação de ciclovias estendidas e, em alguns casos vias inteiras exclusivas para bicicletas aos finais de semana. Mais de 60 quilômetros de ciclovias estão disponíveis para uso, com períodos de uso determinados e voluntários para auxiliar na preservação do local. A quantidade de pessoas que utilizam este serviço é incrível e isso mostra o poder de projetos sociais que funcionam bem na cidade.

Estes são todos os sinais de cidadãos engajados que estão dispostos a fazer o melhor para sua própria cidade. Com poucos recursos, estes projetos podem e vem mudando a percepção de uma cidade.

Clara Carulla nasceu em Barcelona, mas morou em Londres até ir para a universidade nos Estados Unidos. Atualmente mora no Brasil e trabalha em marketing digital. Ela co-escreve um blog chamado "Tale of Two Cities" em que documenta estilo de vida no Rio e em São Paulo. Via Brasil Post.

Já abordamos em várias oportunidades o conceito de placemaking e sua importância no desenvolvimento de um sentido de comunidade. Seu emprego tem, geralmente, o objetivo de construir espaços públicos onde as pessoas se sintam à vontade para passar grande parte de seu tempo.

As medidas que aplicam esse conceito para gerar mudanças e avanços nesse sentido vão desde dedicar mais ruas ao fluxo exclusivo de pedestres e construir mais parques até reestruturar os departamentos municipais encarregados de administrar os espaços públicos, assegurando instâncias de participação urbana.

Contudo, uma variável do conceito de placemaking que está tomando cada vez mais força tem a ver com a relevância da arte na cidade e sua relação com a resiliência urbana - o que dá origem ao placemaking criativo.

O que é placemaking criativo?

Entre os casos de placemaking criativo desenvolvidos através do Fundo Nacional das Artes, vale destacar dois.

O primeiro foi realizado em Flint (EUA), uma cidade que estava criando seu primeiro projeto de planejamento em 50 anos. Para que os artistas se envolvessem nos esforços, o município dedicou espaços em alguns bairros para que os artistas pudessem desenvolver atividades ligadas ao teatro, à dança e à música, e lhes assegurou cotas nas reuniões de planejamento, garantindo que essas reuniões não fossem tão rotineiras e contassem com mais pessoas participando.

O segundo, chamado de FLOW: Can You See the River?, foi desenvolvido em Indianapolis e consistiu no financiamento de uma série de intervenções urbanas que buscavam demonstrar, através de mapas interativos, como certas atividades cotidianas afetam o White River.

Fonte: Plataforma Urbana.

 


Argumento utilizado para combater a utilização da via para o lazer ou protestos é derrubado pelos próprios hospitais do entorno.

É comum a alegação de que a existência de hospitais na região da avenida Paulista justificaria a proibição de manifestações na via ou sua abertura à população como área de lazer, como ocorreu no domingo 28 de junho. CartaCapital foi ouvir os interessados, e nenhum hospital se opôs à abertura da via para o lazer ou para manifestações, e todos disseram ter acessos alternativos para seus pronto-socorros.

A discussão ganhou corpo recentemente, após a experiência da Prefeitura de São Paulo de abrir a avenida Paulista exclusivamente para carros e pedestres no dia 28 passado, quando São Paulo ganhou mais 2,7 km de ciclovias entre a a praça Oswaldo Cruz e a avenida Angélica, atravessando toda a extensão da avenida Paulista. 

A partir do sucesso da experiência naquela ocasião, a gestão Fernando Haddad (PT) estuda agora abrir a avenida todos os domingos para o lazer --deixando-a fechada para veículos automotores.

Segundo levantamento da Prefeitura, em um raio de 500 metros por toda a extensão da avenida existem quinze hospitais, sendo que três deles não têm pronto-socorro, ou seja, não recebem ambulâncias.

CartaCapital entrou em contato com todos os 15 hospitais. Três não atenderam à reportagem (Hospital 9 de Julho, Instituto do Coração e Oswaldo Cruz). Dentre todos os demais, nenhum se opôs à medida.

O HCor, IGESP, Emílio Ribas e o Pro Matre Paulista informaram que as mudanças na avenida não têm promovido dificuldades de acesso de suas ambulâncias.

O Hospital e Maternidade SacreCoeur, o São José e o TotalCor afirmaram que as rotas alternativas de acesso ao local funcionam satisfatoriamente nestes dias.

O Hospital Sírio-Libanês também não vê problema algum no eventual fechamento da Paulista. Segundo a entidade, a CET indica outras rotas funcionais sempre que há grandes eventos na avenida.

O Santa Catarina, localizado na avenida, informou dispor de acessos alternativos e que a entrada de seu pronto-socorro fica numa rua transversal, a Teixeira da Silva. Propõe apenas que a abertura da avenida Paulista para o público aconteça entre a praça do Ciclista e esta rua.

Também foram ouvidos os hospitais Beneficência Portuguesa de São Paulo e a maternidade Santa Joana. Ambos afirmaram utilizar sem problemas os acessos alternativos para pacientes e funcionários em dias em que há muito tráfego ou manifestações na região.

Segundo a Prefeitura, o fechamento da via para carros (e a consequente abertura da Paulista para pedestres e bicicletas) no domingo 28 foi um teste. Na ocasião foi observado baixo impacto no trânsito, com a utilização satisfatória das paralelas alameda Santos, Cincinato Braga e São Carlos Antonio do Pinhal.

O poder público municipal agora irá encaminhar o pedido ao Ministério Público, e não há ainda uma previsão para a que a abertura da Paulista para o lazer aos domingos se torne fixa. Cai por terra, entretanto, o mito de que o "fechamento" da via por manifestações ou para o uso exclusivo para pedestres e ciclistas aos domingos sejam um problema para os hospitais da região.

Por Ingrid Matuoka em Carta Capital.

 

"Já me chamaram de papa-defunto e de louca", conta a auxiliar de enfermagem Luisa Dalva, 31, sobre o hábito de correr todos os dias por entre lápides do Cemitério Vila Formosa, na zona leste.

Em menos de um mês, a maratonista conseguirá a chancela da prefeitura no seu hábito matinal: uma pista de corrida será instalada na necrópole, com cinco paradas e um quilômetro e meio de extensão.

O poder público tem um plano para os 22 cemitérios municipais paulistanos. "Torná-los mais parecidos com parques do que com lugares mortos, sempre respeitando a memória de quem está enterrado", diz a chefe do Serviço Funerário, Lúcia Salles França Pinto.

As mudanças para tornar as áreas verdes lugares mais vivos incluem tours noturnos, o estímulo a encenação de peças e de concertos e introduzir passeios autoguiados, além douso de cães de guarda nos cemitérios da Consolação e do Araçá e da promessa de implantação de internet sem fio em todas as necrópoles da capital paulista.

Um gesto que simboliza essas intenções poderá ser visto durante esta semana no Jardim São Luís, perto do Capão Redondo, na zona sul. O muro do cemitério local já começou a ruir e, no lugar da parede de concreto, 700 metros de grades retiradas de monumentos como os Arcos do Jânio, na região central, farão a delimitação entre a rua e o mortuário.

A prefeitura afirma que a visão desobstruída do terreno inibe a ocupação para uso ou tráfico de drogas. "Muro não segura alma penada", diz França Pinto, do Serviço Funerário.

A empregada doméstica Evelyse Santos, 33, reza para que a empreitada seja bemsucedida: "Já vi gente sendo roubada, ladrão pulando o muro do cemitério e gente fumando crack lá dentro. É triste". 

A mudança só terá o custo da mão de obra, afirma a prefeitura. Caso dê certo no bairro, com uma das mais altas taxas de criminalidade da cidade, "a ideia é expandir essa obra para outros cemitérios, idealmente todos", diz França Pinto. 

Enquanto isso, os três principais mortuários da cidade, na região central, passarão por ações para trazer mais gente muro adentro. 

As visitas guiadas ao cemitério da Consolação, onde estão enterrados artistas como Mário de Andrade e Paulo Goulart, vão se tornar mais frequentes a partir de setembro. Alunos da PUC paulistana serão treinados para fazer os passeios com grupos. As visitas matutinas também ocorrerão em mais dias da semana - atualmente se restringem a terças e sextas-feiras.

Perder o medo do escuro também faz parte da nova diretriz. Haverá visitas noturnas quinzenais ao cemitério onde descansam em paz Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral. 

O ex-coveiro Francivaldo Gomes, o Popó, que há 13 anos é o único guia do Consolação, se diz "muito animado" com a chegada dos colegas universitários. "Quanto mais, melhor!" 

O cemitério São Paulo, em Pinheiros, terá um sistema de autovisitação a partir de 15 de julho. "QR codes", espécie de código de barra que pode ser lido por um celular e mostra informações sobre mortos famosos. 

Serão 129 placas no total, sendo 13 de túmulos de políticos, 37 de personalidades públicas e intelectuais e as 79 restantes para arte tumular de artistas como Victor Brecheret e Aldo Bonadei. A tecnologia já está disponível no Araçá e no Consolação.

Fotos proibidas

A sãopaulo testou os códigos distribuídos pelo cemitério da Consolação. Com exceção de um cuja tinta parece já ter desbotado, todos os demais funcionaram. 

Mas alguns empecilhos ainda dificultam as visitas ao Consolação, como a necessidade de pedir autorização por e-mail antes de fazer qualquer foto lá dentro. A proibição, sem previsão de ser suspensa, não encontra paralelo nos mais conhecidos cemitérios do mundo, como o parisiense Père Lechase ou o portenho Cementerio de la Recoleta, onde selfies e retratos são livres. 

Pelo menos outras manifestações artísticas devem ganhar mais liberdade. "Meu sonho é fazer um sarau de poesia gótica perto do túmulo do poeta Luís Gama", diz o também poeta Silvio Almeida, 32, que vende sua arte na rua Augusta.

O desejo dele pode estar mais perto do que imagina. A peça "Para Gelar a Alma", que encena contos de Edgar Allan Poe entre túmulos e estava prevista para até 5 de julho, teve temporada prorrogada até 2 de agosto. "Faremos mais eventos culturais nos cemitérios. Peças, saraus, concertos", diz Lúcia França Pinto, para quem a participação do mausoléu em eventos como a Virada Cultural é "essencial". Mas nem só de cultura é feita a política da perda. 

O Serviço Funerário reserva parte de seu orçamento de 2015, de cerca de R$ 6 milhões, para cuidar da família de quem partiu. 

O Núcleo de Pesquisa em Perdas e Luto, da USP, dará palestras para funcionários do Serviço Funerário. Não há nenhum psicólogo entre os mais de 200 funcionários do órgão. 

O primeiro servidor municipal contratado para ajudar famílias a lidar com o luto trabalharia dentro do Instituto Médico Legal, na avenida Doutor Arnaldo. Trabalharia, no condicional, porque o governo do Estado, que toca o IML, e a prefeitura não conseguem chegar a um acordo quanto a quem ocupará uma sala de apoio, reformada nos últimos meses com dinheiro municipal. 

Questionada sobre o imbróglio, a Secretaria de Segurança Pública responde em nota: "O IML irá implantar serviços de atendimento às famílias das vítimas, inclusive com atendimento psicológico a ser realizado por meio de convênio com universidades públicas." E afirma que "não haverá convênio" com a prefeitura. Tem desavença que só se resolve em funeral.

Por Chico Felitti colunista da sãopaulo na Folha de S.Paulo.


Com a inauguração da ciclovia da avenida Paulista, São Paulo está perto de fechar um circuito cultural, gastronômico e de lazer sobre duas rodas.

De forma simples e segura, já se pode pedalar até os principais museus, livrarias, bibliotecas, restaurantes e pontos turísticos da cidade, da Paulista até o centro da cidade, passando pela Liberdade e Santa Cecília.

Este guia propõe um roteiro de cerca 17 quilômetros, que podem ser percorridos em pouco mais de 40 minutos, dependendo do ritmo do ciclista e da quantidade de paradas. É uma boa pedida para ciclistas iniciantes porque passa por 12 estações de metrô: se você desistir no meio do caminho, já tem rota alternativa. Não espere os últimos lançamentos de filmes nos cinemas da Paulista nem a mais recente exposição do Masp. A ideia aqui é ficar muito tempo ao ar livre, parar para boquinhas e para ver o que há de novo.

1 - Caso você não tenha uma bicicleta, o primeiro passo é conseguir uma.

No entorno do começo da avenida Paulista, há várias unidades do BikeSampa, o programa de aluguel de bicicletas. Você pode alugar uma por um preço honesto: a primeira hora é de graça, horas extras saem cinco reais. O mais fácil é baixar o aplicativo (acesse o site do Bike Sampa: http://www.mobilicidade.com.br/bikesampa.asp) para ver onde e como alugar. Nos arredores da Paulista há pontos próximos, como na rua da Consolação, 2796 (sentido Jardins) e na rua Haddock Lobo, 807. As bicicletas costumam ser disputadas — cada estação tem doze delas. Então, programe-se para chegar cedo. Um dica: o ponto da rua Luis Coelho, 114, esquina com a rua Augusta, costuma ter mais oferta. Lembre-se de que elas não vem com cadeado. Se você quiser parar ao longo do passeio para comer ou visitar alguma atração, leve o seu.

2 - Na ciclovia da Paulista

A ciclovia da Paulista é ideal para ciclistas iniciantes. Além de ser plana, o sistema de semáforos é simples. Com exceção dos dois primeiros logo após a avenida da Consolação, que são específicos para a ciclovia, basta acompanhar a sinalização válida para os carros. As ilhas de concreto cinza no canteiro central são para pedestres —evite pedalar sobre elas. Se você acabou de alugar uma bicicleta e bateu aquela preguiça, uma boa opção é começar o passeio prendendo a magrela em um dos postes em frente ao Conjunto Nacional. Caminhe até a livraria Cultura, dentro do prédio, um marco moderno de São Paulo. Além de vender livros, o local é funciona como uma espécie de biblioteca informal. Escolha o título que quiser, sente em uma das confortáveis almofadas e leia sem ser incomodado.

3 - A Paulista popular

Um grande atrativo da Paulista — além dos seus cinemas, museus, centros culturais e shoppings — é o inesperado. Em frente ao Top Center, você pode se deparar com covers de Elvis Presley e Michael Jackson, dançando e cantando lado a lado. Mais à frente, uma sapateira feita com sacola de feira foi adaptada para receber mudas de planta e pendurada em um poste no meio da ciclovia. Se você der sorte, encontra uma banda de instrumentos de sopro tocando clássicos de Tim Maia em frente à Fiesp.

4 - Caminho para a Liberdade

Pedale rumo à Vila Mariana. Quando a avenida Paulista acabar, prepare-se para um pequeno trecho de quatro quarteirões sem ciclovia  —a não ser que seja domingo, neste caso a ciclofaixa de lazer estará funcionando. Atravesse para a pista da direita e pedale em direção à rua Vergueiro. Caso não se sinta seguro, vá empurrando a bicicleta pela calçada. Entre à esquerda na rua Vergueiro e pronto: uma nova ciclofaixa. Passe pela praça e, quando acabar este trecho, atravesse e vá para a pista da direita, onde a ciclofaixa continua. Pouco depois ela muda para o canteiro central. É uma descida suave.  Logo logo você irá passar ao lado do Centro Cultural São Paulo.

5 - Esqueça o macarrão instantâneo  do acampamento

Alguns minutinhos de pedal e a Vergueiro muda de nome para avenida Liberdade, e logo você estará no bairro da comunidade nipônica. Caso já esteja com fome, uma boa dica é o Aska Lamen, na rua Galvão Bueno, 466. O carro chefe, como diz o nome, é o lamen (macarrão japonês). Você escolhe o tipo de caldo. A maioria dos pratos acompanha meio ovo cozido, um pedaço de lombo e outras cositas. Não se engane: a massa servida aqui em nada lembra aquele Miojo que você preparava quando acampava. É sensacional. E você ainda pode pedir um refil, porções extra de lamen grátis —a benesse só não vale às sextas e sábados. Os pratos custam em média 20 reais. Uma informação importante: o conceito aqui é chegue, peça, coma e vá embora. Como o local é muito popular entre os moradores do bairro, costuma estar cheio nos horários de pico. Espera-se que você não fique horas comendo e bebendo. Você só será conduzido para a mesa (ou balcão) depois que todos seus acompanhantes tiverem chegado. E uma vez que tiver feito o pedido, mais nenhum convidado poderá sentar e pedir. Por isso, cobre pontualidade dos amigos com quem combinar de comer lá. O local aceita cartão, e funciona de terça a domingo, das 11h às 14h e das 18h às 21h.

6 - E que tal comida tailandesa?

Ainda estamos na Liberdade, e as opções vão muito além da comida japonesa. Para os mais aventureiros, existe a comida tailandesa. Da praça do metrô Liberdade, entre à direita na rua dos Estudantes. No final do segundo quarteirão, à direita, existe um local com uma placa singela onde se lê apenas Sopa. A comunicação é difícil, os funcionários do restaurante não falam muito português e tendem a responder a todas as perguntas com “sopa”. O único prato é um saboroso caldo, servido sobre um rechaud, onde você pode cozinhar os ingredientes que pedir. A refeição custa cerca de 30 reais e é suficiente para duas pessoas com alguma fome. Por último, lembre-se: o caldo apimentado faz jus ao nome. Não aceita cartão.

7 - Cruzando o centro

Seguindo o passeio, basta seguir na ciclofaixa da avenida Liberdade e você irá sair atrás da Catedral da Sé. Este trecho exige alguma atenção, especialmente durante semana. Como é muita gente para pouco espaço, é comum os pedestres caminharem na ciclofaixa. Tenha paciência e buzine (se puder) com moderação. As atrações do centro são muitas e diversas, toda a um raio de poucos quarteirões das ciclofaixas. Centro Cultural Banco do Brasil, biblioteca Mario de Andrade, Anhangabaú, Teatro Municipal, praça Dom José Gaspar, Grandes Galerias... Basta checar no mapa das ciclovias e ver qual o melhor traçado para seu passeio. Uma galeria peculiar escondida na rua Sete de Abril é a Itapeteninga, no número 356. Lá você encontra brinquedos usados e antigos, moedas velhas, figurinhas dos tempos do Pelé entre outras relíquias. Aquele boneco do He-Man que marcou sua infância, está lá. O brinde do primeiro McLanche Feliz também.

8 - Rumo a Santa Cecília

 Vá pela ciclofaixa da avenida São Luiz, vire à direita na praça da República, e vá seguindo a pista vermelha até cruzar a rua Imaculada Conceição. Aqui você pode parar para mais uma boquinha no Conceição Discos. A proposta da casa é misturar culinária com música. O restaurante tem um acervo de vinis que estão à venda - de Dave Brubeck a Pink Floyd -, e você pode escolher um para tocar enquanto come. Os pratos são simples mas saborosos: o arroz com tutano, abóbora e ovo custa 28 reais. O queijo quente com alho, banana e cebola sai por 15. E se você já estiver cansado, existe um posto da Bike Sampa em frente ao local.

9 - Queria Ter Ficado Mais

Para fazer a digestão, pedale ou caminhe com a bicicleta por um quarteirão até a banca na esquina da rua Barão de Tatuí, 275. Aqui você não vai encontrar o jornal do dia nem poderá comprar cigarro avulso. A Banca Tatuí é voltada para publicações literárias e artísticas independentes. A obra Queria Ter Ficado Mais é um conjunto de envelopes ilustrados com cartas escritas por mulheres que estão viajando pelo mundo. Custa 49 reais. O livro do ilustrador Gervásio Troche, Desenhos Invisíveis, sai por 29 reais. Daqui você pode ir de bicicleta para a Barra Funda, para a avenida Sumaré ou para o parque da Água Branca. Ainda não existe uma ciclovia que sobe da Santa Cecília para a Paulista, mas a essa altura, 17 km depois, subir de volta para o espigão da avenida estará fora de cogitação.

Manual para o ciclista iniciante:
Referências: Vá de Bike

- Não ande no acostamento. Mantenha uma distância de ao menos 40 centímetros do meio fio. Assim, caso apareça um buraco na via ou se você for fechado por um motorista, terá uma área de escape. Além do mais, quanto mais próximo da calçada você ficar, mais os motoristas tentarão ultrapassá-lo, tirando finas. Ocupe um terço da faixa.
- Sinalize com a mão sempre que for ultrapassar um carro ou desviar de algum obstáculo.
- Agradeça quando algum motorista lhe der passagem. Gentileza gera gentileza.
- Evite andar colado em carros estacionados na direita. Mantenha uma distância segura para o caso de alguém abrir a porta do veículo.
- Capacete. Sempre.

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Gil Alessi no El País.

Em exibição, relíquias de uma São Paulo antiga, como azulejos hidráulicos, leões de pedra, pedaços de janelas, maçanetas etc.

Parece que tudo o que se teria de falar sobre Mônica Nador e sua obra já foi falado. Mas, descobri algo mais no vernissage do projeto coletivo Padrões da Vila, orquestrado por ela e um grupo de pessoas que reviraram a Vila Itororó, no bairro da Bela Vista, em São Paulo. Juntos eles selecionaram algumas relíquias de uma São Paulo antiga, como azulejos hidráulicos, leões de pedra, pedaços de janelas, maçanetas, além de fragmentos de grafites contemporâneos grudados nas paredes do deteriorado palacete idealizado pelo imigrante português Francisco de Castro, nas primeiras décadas do século XX. Ao longo de sua história a Vila foi testemunha de uma São Paulo em incessante transformação. Tudo inspirou os estênceis cujos desenhos foram impressos sobre tecidos e fazem um giro subjetivo sobre dados sociológicos do local, como toda sua obra, sempre em sintonia com os arredores.

Expostas no galpão vizinho à Vila Itororó e que faz parte do complexo, bandeiras com leões, que lembram os de Veneza impressos sobre panos de algodão, estandardizam a imponência da decadente velha mansão. Na parede, metros de tecidos estampados exibem uma série de camadas com estratégias pictóricas que vão de um figurativo ingênuo a um abstracionismo geométrico mais apurado e outras que usam as cores puras com efeitos óticos. São obras para vestir ou decorar e que Ritinha Mourão, que pilota o Bretagne no bairro de Higienópolis, local de compra, aquisição e exposição de obras de arte de deslocados, vendia no domingo festivo para Mônica. No mesmo espaço, uma festa caipira, misturava suas cores com os trabalhos da artista.

Distante do mundo dos negócios, Mônica sabe que sozinha representa uma fatia da renovação da arte pública/sociológica brasileira. Todo seu trabalho é coerente com a sua despojada personalidade e seu modo simples de viver a vida na periferia de São Paulo onde criou o Jardim Miriam Arte Clube, o Jamac, oficina coletiva de arte que envolve os moradores do bairro. O local foi visitado recentemente pelo crítico de arte norte-americano Douglas Crimp, onde ministrou palestra. 

Nada em sua personalidade traz um único traço de uma Faapeana (estudante de arte da Fundação Armando Álvares Penteado) convencional. Hippie tardia? Pode ser. Ela foi convidada para este desafio por Benjamin Seroussi, curador do projeto que integra o programa de restauro da Vila Itororó pela Prefeitura e que vai resultar em um centro cultural previsto para 2019, por todo seu envolvimento com a população.

Conca, como é chamada pelos amigos, reivindica a brasilidade por meio dessa arte serialista, alegre, farta, feita por ela e por pessoas anônimas, humildes, que se juntam para celebrar a vida cotidiana em bairros esquecidos ou em locais onde o corpo e a alma de Mônica se sintam em casa. Foi assim, na Vila Itororó. Mais do que um simples motivo pictural, a brasilidade proposta por ela é um potente vetor de criatividade. Sua mitologia coletiva é forte e focada na história da comunidade que desenvolve um trabalho in progress.

A artista vivia anteriormente na Vila Madalena onde tinha ateliê e galeria. Hoje, mora no Jardim Miriam, faz parte do elenco da galeria Luciana Brito e tem colecionadores entre seus compradores e fãs. No entanto, ela pode ser considerada outsider no glamour das artes. Com uma sinceridade desconcertante, Mônica Nador coloca em cena uma devoção laica à classe mais pobre e a seu potencial artístico.

Em tempo: no sábado (11), a partir das 14 horas, haverá nova oficina de estêncil com Mônica Nador, que contará com a participação de ex-moradores da Vila Itororó. Quintze vagas foram disponibilizadas e as inscrições serão feitas diretamente no local, na hora da aula.

Serviço
Oficina de estêncil com Mônica Nador

Vila Itororó- Rua Pedroso, 238 – Bela Vista/SP
11 de julho, 14h

Por Leonor Amarante na Revista Brasileiros.