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Embrenhar-se por uma “convenção internacional de tatuagem” sem ter o crachá imprescindível de uma mísera estampa, nem mesmo uma discreta salamandra no pescoço, ou, que seja, uma rosa dos ventos no tornozelo, é como ser vegano numa churrascaria de rodízio, ou, numa analogia às avessas, sentir-se como aquele repórter gonzo Hunter Thompson, que foi cobrir um meeting do FBI americano de repressão às drogas cheio de maconha e anfetaminas na cabeça. Você está perigosamente fora de sintonia.

Desde a chegada à convenção (espanhóis, argentinos, norte-americanos, franceses, que, ali instalados, testemunham que ela é de fato internacional), no fluxo constante e robusto de uma maré humana que serpenteia até a concorrida entrada do Pavilhão Azul do Expo Center Norte, você experimenta certa angústia do estranhamento, que, no entanto, logo se dissipará na percepção de que a tribo ajaezada da Tattoo Week não é muito diferente, em aberrações e extravagâncias, da fauna que você habitualmente vê numa Fashion Week. Comparada com o mundinho da moda, a cena tattoo pode até ser, salvo um ou outro momento de freak show, como o propiciado por aqueles que tatuam a parte branca do globo ocular, surpreendentemente careta. 

“Conquistamos o status de uma forma de expressão artística, como o grafitti e a street art”, diz Enio Conte, o criador de uma Tattoo Week que, de week só tem metade, na verdade vai de sexta a domingo. Cinco anos atrás, Enio, com três décadas de estampas epidérmicas no currículo profissional, lançou o evento num diminuto pavilhão no bairro do Ipiranga, e nesta edição de 2015 saboreava a expectativa de 50 mil visitantes no mamútico Pavilhão Azul do maior centro de convenções de São Paulo.

 

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Parentesco: o new tattoo se diz próximo da moda alternativa, do grafite, da street art e até dos esportes radicais.

 

Mais importante que a contabilidade numérica, para ele, é perceber o progressivo prestígio social que a tatuagem veio alcançando muito além do circuito marginal dos presidiários, dos rappers, dos roqueiros, dos astros dos gramados e dos chefs de cozinha. “Por isso passamos a chamar a convenção de Tattoo Week, como as Fashion Weeks”, diz Enio. “A atmosfera é a mesma, a galera é a mesma.”

Bira, é Ubiratan Amorim, do Ink 33, usufrui, ao lado de seus parceiros, o casal Felipe Xavier e Sabrina Rodriguez, dos benefícios desse upgrade. O estúdio da trinca fica na Oscar Freire, a artéria-símbolo do luxo em São Paulo, e não por acaso a clientela – sujeita a entrar numa fila de espera que dura no mínimo um par de semanas – inclui médicos, advogados, publicitários e colunáveis, cuja ilibada reputação não corre o risco de ser comprometida por um mero detalhe decorativo a lhe enfeitar a pele. A classe A tomou gosto pela coisa, atesta Bira; decididamente, a tatuagem, linguagem ancestral de marujos saudosos de casa e de mafiosos trancafiados na cadeia, escalou a escada social.

Aos 20 anos, mas já com oito troféus de 1º lugar num currículo de assustadora precocidade, Bira é o Caravaggio das agulhas, no cultivo de um realismo detalhista e caprichado que vem embasado numa sólida formação artística, aluno que foi, na sua Bahia natal, de mestres dos pincéis e das tintas, como seu conterrâneo Leo Costa, de Bom Jesus da Lapa, e André Oliveira, em Salvador. “Trabalhei seis meses no McDonald’s para comprar o equipamento, depois virei eletricista para comprar as tintas importadas”, conta Bira. A tecnologia sofisticada e a mão de ouro do artista fazem um de seus desenhos realistas custar alguma coisa a partir de 1,8 mil reais.

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Duzão oferece as duas bochechas ao mestre Mauro e os artefatos de um dolorido culto.

 

Olha lá, de repente, à frente de uma plateia extasiada, Bira, com o indefectível boné carmim do Chicago Bulls na cabeça, pronto para riscar a pele de Marcão, ex-Charlie Brown, hoje guitarrista do Bula. O tatuador tem um sistema: ele costuma oferecer ao futuro tatuado uma pequena psicoterapia prévia, quer saber se ele está de fato decidido ao sacrifício (tatuagem dói! – esta é uma verdade que ninguém do business desmente), se aquela imagem é realmente a que melhor se adapta ao seu tom de pele e ao lugar escolhido. Em geral, Bira simula em Photoshop a tatuagem que virá. Prefere ter a conversa inicial e só depois agendar a sessão de tortura, quer dizer, de pintura.

O realismo que Bira e o pessoal do Ink 33 professam combina com a demanda de uma freguesia que, cada vez mais, pretende gravar na epiderme uma experiência de verdade: o rosto de uma paixão, o rosto dos filhos, flores mimosamente coloridas, animais de estimação, naturezas-mortas e, inesperadamente, imagens de santos e da padroeira. Nossa Senhora Aparecida, ela então, é um must. Uma das imagens da Virgem que Bira traçou cobrou duas sessões, 12 horas ao todo. Haja resignação fervorosa.

Com tudo isso, esvazia-se da arte do tattoo o antigo estigma da transgressão e dissipa-se o carma do preconceito. Sinal dos tempos, ao mencionar aquela que é a fiel e ilustrada tribo dos craques de futebol, um razoável número de artesãos do estêncil menciona o mais recente gol de placa da categoria. “Você viu que até o Messi aderiu?” – festejam em coro. “Cobriu um dos braços e vai cobrir uma das pernas.” 

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“Hoje se desenha arte. O corpo humano é a tela do artista, que nela imortaliza sua obra-prima, seu talento divinal!"

 

Pois é, até o Messi, com aquele jeitinho de primeiro da classe, aderiu ao clã dos bad boysCarlitos Tevez, Neymar Jr., Dani Alves, Paolo Guerrero. “Os craques da bola querem ser tratados como artistas que eles de fato são”, diz o promoter Enio Conte. Desse time é Neymar, naturalmente, quem costuma ditar tendência. Ao tatuar no braço o rosto da irmã, consagrou o estilo realista. Do mesmo modo, se algum ator ou atriz da Globo ou de Hollywood exibir um dia sua intimidade tatuada, no dia seguinte uma legião de imitadores estará batendo às portas de algum artífice para copiar o desenho.

O dinheiro segue a rota da gentrificação. Marcas de estima aproximam-se de um território antes minado pela rejeição. Já na entrada da feira, a prestigiosa Harley Davidson expõe seus cavalos de aço montados por valquírias de vastas pernas, longos cabelos e sombrias carrancas que desestimulavam a aproximação dos engraçadinhos. A Jac Motors cedeu um de seus mignons J2 para que dois artistas do grafitti empreendessem a inédita experiência de tatuar um carro. Os bourbons da Jack Daniels e os irish uísques da Jameson alcoolizam alguns estandes. Os cosméticos da Bayer e da La Roche – alguns deles providenciais para quem escarafuncha a cútis – viraram patrocinadores. A AmBev, a BMW e grifes de street wear também passaram a frequentar tais acontecimentos. 

Coube à MCD, marca de surfwear, pagar as contas da  celebrity número 1 desta Tattoo Week 2015, a qual atende pelo sugestivo nom de plume de Megan Massacre. Norte-americana da Filadélfia, figurinha carimbada da cena underground de Manhattan e do Brooklyn, estilista, ativista dos direitos dos animais e habitué de reality shows cuja senha de ingresso é a excentricidade, Megan consagrou-se não tanto pelo seu ofício de imagens impactantes e de policromia radical; ajudou bastante o fato de ter sido capa da revista cult Inked na condição de “a tatuadora mais sexy da América”. 

A loirinha de 27 anos, olhos azuis e rutilantes cílios postiços, está neste momento atuando sob os olhos de uma multidão convencida, ainda que a distância, de seus duplos dotes, os físicos e os profissionais. “A cultura da tatuagem é internacional, o Brasil está sintonizado com ela”, diz Ms. Massacre a CartaCapital. Sua arte custa 400 dólares/hora. Militante do vegetarianismo, foi vista comendo um vigoroso burrito num restaurante mexicano de São Paulo. “Só de verdura”, trata de esclarecer a assessoria.

Astros incidentais da cena tattoo, ainda que sem o red carpet reservado à cosmopolita Megan Massacre, buscam, olhem só, um fiapo de atenção nas alamedas que serpenteiam ao longo dos 1,2 mil expositores dessa alegórica Disneyworld das tintas e agulhas. A concorrência no quesito extravagância pode ser desleal por parte daqueles que apelam para a assim chamada extreme body modification.  

O fato é que, mutilações à parte, narcisismo descontado, há quem, assim como Megan, faça do dermógrafo perfurante um honesto ganha-pão, seja como sujeito, seja como objeto (a tentação é de escrever: como vítima). Na categoria objeto destaca-se o popular Papai Noel, como ele se autointitula, no RG Vitor Sanchez, cujas barbas brancas e protuberância abdominal são sempre garantia de emprego temporário às vésperas do Natal (chegou a ser o Papai Noel do SBT). Nos demais períodos do ano, Vitor exibe-se em eventos, simpósios, convenções e – sem o perigo de pânico e de choradeira, assegura ele – até mesmo em festas infantis. Ele orgulha-se de ter, com certificação oficial, 94% do corpo coberto de desenhos, ressalvando, on the record, as palmas das mãos e as plantas dos pés. Tinha umas quatro ou cinco tatuagens até perceber, pouco tempo atrás, que aquilo poderia ter um valor comercial. “Cheguei a fazer duas por semana”, conta. 

“A decoração corporal sempre foi um hábito cultural dos pobres e marginalizados”, conta Silvana Jeha, autora de um memorável trabalho sobre a iconografia de pele entre os marinheiros do Atlântico e agora às voltas com a enciclopédica tarefa de mapear a história da tatuagem no Brasil até o século XX. Era comum entre os imigrantes, fossem libaneses, portugueses, italianos, japoneses, e os africanos também imprimiam na pele traços de sua miserabilidade escravizada, diz Silvana. “Só depois, no século XIX, com a influência do italiano Cesare Lombroso, é que a tatuagem passou a ser criminalizada, a serviço de uma classificação excludente, registro policial para suspeitos, marginais e criminosos.” 

Não se acanhe ao assistir, agora, ao intrigante espetáculo protagonizado por Mauro Landim, 21 anos de ofício, renomado especialista com estúdio no Planalto Paulista, expert no black and gray (“um estilo urbano, street, gangsta”, tenta esclarecer), tendo como parceiro a intimidante criatura denominada Duzão. Trata-se de uma massa gigantesca e volumosa de gente que dos 18 anos em diante, ou seja, há 14 anos, decora o corpanzil com uma iconografia radical. Vai, ao longo das próximas três horas, oferecer em holocausto suas bochechas, aonde as hábeis mãos de Mauro vão silhuetar um machado de cada lado. 

Duzão assegura a cota do folclore numa confraternização tribal que, no entanto, ano após ano vai ganhando ares de shopping center. Eis aí que vem a Rosas de Ouro, tradicionalíssima escola de samba da zona norte de São Paulo, para trazer a tatuagem, antes linguagem da periferia e provocação delinquente, para o convívio festivo da cultura popular. “Arte à Flor da Pele: A minha história vai marcar você” é o tema de seu Carnaval de 2016. A sinopse do enredo, assinada pelo carnavalesco André Cezari, anuncia, no jargão típico de sambista: “Hoje se desenha arte. O corpo humano é a tela do artista, que nela imortaliza sua obra-prima, seu talento divinal!” Então está explicado. 

Nirlando Beirão em seu QI em Carta Capital.
Fotos: Letícia Moreira.


Músicos apresentaram setlist de Bruno Mars à Megadeth no Ibirapuera. Garoto tem doença degenerativa e toca bateria para auxiliar no tratamento.

O Parque Ibirapuera trocou o barulho dos pássaros pelo "groove" de mais de cem bateristas neste domingo (9) em São Paulo. O evento, organizado pelo projeto "Bateras 100% Brasil", começou por volta das 12h de um dia de céu claro. Com as baquetas sincronizadas, os músicos, entre eles um menino de 3 anos, apresentaram um setlist de 11 músicas que iam de Bruno Mars à Megadeth, de Jota Quest à Daft Punk.

Na passagem de som, os músicos tocaram uma composição própria do projeto (iniciado em 2000) chamada de “Groove Tribal”. Em sequência, foram direto para o Rock n’Roll, com “We Will Rock You”, da banda Queen. Eles apresentaram também “Satisfaction”, dos Stones, You Shook  Me All Night Long, do AC/DC. Os celulares de espectadores registraram tudo.

No início do projeto, há 15 anos, eram 64 bateristas. Hoje, foram 460 inscritos para tocar, mas nem todos compareceram. Cinco músicos experientes ficam sobre o palco fazendo o papel de “maestros” dos centenas de bateras. Um deles é Leandro No, de 39 anos, das bandas Dano e Freak Fur. “O mais legal é ver a mistura do pessoal. Este é o 10º projeto que eu participo e sempre tem gente de todo o tipo”, contou.

Pedro, de 3 anos, começou a tocar bateria quando tinha apenas 1. Ao lado da mãe, a pianista Leane Fonseca, ele descobriu a Mucopolissacaridose (MPS). A doença deveria afetar a coordenação motora, mas a mãe garante que Pedro está usando o instrumento a seu favor. “Ele faz os ritmos do jeito dele, mas agora ele começou já com algumas músicas mais concretas. Ele nunca fez aula, é coisa dele mesmo. E a gente acha legal estimular, porque ele tem uma doença chamada MPS, que é degenerativa, que a criança vai atrofiando os nervos e os músculos, e vai perdendo os movimentos”.

Pedro é baterista desde o 1º ano de idade (Foto: Carolina Dantas/G1)Pedro é baterista desde o 1º ano de idade (Foto: Carolina Dantas/G1)

Pedro é baterista desde o 1º ano de idade. Foto: Carolina Dantas/G1.

 

Já o pai Fábio Ricardo Lucila, de 40 anos, trouxe o filho João Vitor, de 8 anos, para curtir o som. Fábio é guitarrista e tentou ensinar o instrumento para o filho, mas a preferência é outra. “Ele até se interessou por aprender guitarra, mas o negócio dele é bateria mesmo”.

Raridade foi assisti ao cantor da banda no fundo do palco. Murilo Lima, de 46 anos, foi quem assumiu o microfone das músicas e disse não se importar por estar atrás. “Os protagonistas hoje são os bateristas. Esse evento que o Dino promove é uma coisa incrível. Pra nós, fazer parte disso é uma honra, um prazer ficar atrás. Eu poderia ficar embaixo do palco que estaria lindo”.  E completou: “Na verdade, a bateria é aquele coração da banda, é o que pulsa. Quanto mais, melhor”.

Dino Verdade, 47 anos, é um dos organizadores do evento e disse que é um trabalho imenso contatar todos os músicos. “Demora um bom tempo para organizar, chamar todos os bateristas, ensaiar a banda, mas eu vou te falar que é um trabalho muito recompensador, ver os pais cantando com os filhos, as criancinhas, as pessoas mais velhas”.

O prefeito Fernando Haddad (PT) e o secretário municipal da Cultura, Nabil Bonduki, também compareceram ao evento. Discretos, curtiram o som entre a multidão. “Foi uma primeira edição de uma ideia que provavelmente vai se transformar em uma bienal de percussão. A música em São Paulo está acontecendo com muita força.”, disse o prefeito. Sobre começar a tocar bateria, o prefeito disse “eu vou continuar no violão, que eu já tenho grande dificuldade”.

Carolina Dantas e Paulo Castilho do G1 São Paulo.

 


The Guardian, principal jornal do Reino Unido, publicou reportagem sobre os dez melhores parques urbanos do mundo, em que um dos destaques é um velho conhecido dos paulistanos.

O Parque Ibirapuera aparece na 1ª posição e tem destacados o projeto paisagístico de Burle Marx, que mistura os estilos cubistas e surrealistas de arquitetura, e as dimensões desse parque da capital paulista com 221 hectares. Com mais de 150 mil visitantes por fim de semana, segundo dados da prefeitura de São Paulo, o local foi descrito pelo jornal como um “parque exuberante, curvilíneo e, às vezes, misterioso”.

A reportagem publicada nesta sexta-feira (7) afirma que os 221 hectares de área verde no meio da cidade “são mais que essenciais”.

O texto ressalta os trabalhos do paisagista Roberto Burle Marx e do arquiteto Oscar Niemeyer. “O parque é exuberante, curvilíneo em todas as direções”, diz o jornal. “Algumas vezes misterioso, outras vezes irrompe em cores poderosas”, diz o jornal.

Além do Ibirapuera, estão na lista o Buttes-Chaumont, em Paris; Boboli (Florença); High Line (Nova York) Landschaftspark (Duisburg-Nord); Hampstead Heath (Londres); Park Güell (Barcelona); Summer Palace (Pequim); Olmsted Parks (Louisville) e Birkenhead Park (Merseyside).

Em nota, o secretário municipal para Assuntos de Turismo e presidente da SPTuris, Wilson Poit, o parque “tem uma área invejável” e “é um dos atrativos mais visitados por paulistanos e visitantes”

História

O nome Ibirapuera significa “árvore apodrecida” em tupi-guarani, por conta de uma aldeia indígena que ocupava a região quando ela ainda era alagadiça com solo de várzea.

Para minimizar a umidade, Manuel Lopes de Oliveira, então funcionário da prefeitura na década de 1920, começou a plantar árvores na região. Em homenagem ao pioneiro, atualmente um viveiro da unidade de conservação leva seu nome, Viveiro Manequinho Lopes, a estrutura é aberta à visitação, produz diversas espécies de plantas entre elas algumas medicinais para uso no município.

O parque conta com uma infraestrutura que inclui parques infantis, fonte multimídia, lanchonetes, áreas de estar, praças e o pavilhão de exposições Oscar Niemeyer, onde são realizadas as bienais de São Paulo. Para os amantes do esporte tem pista de corrida, ciclofaixa, bicicletário com aluguel de bicicleta, quadras poliesportivas, campos de futebol e aparelhos de ginástica.

A matéria: http://goo.gl/FKPfBl

Com informações do G1 e do Viagem em Pauta.

 

De 9 a 16 de agosto, o Ministério da Cultura (MinC) e o Serviço Social do Comércio de São Paulo (Sesc/SP) promovem, em São Paulo (SP), o encontro Brasil Indígena: história, saberes e ações. O evento irá reunir mais de 200 lideranças indígenas do Brasil, que debaterão diversos pontos ligados a políticas culturais para povos indígenas. O encontro será composto de três ações: reuniões do Colegiado Setorial das Culturas Indígenas (9 e 10 de agosto), o II Fórum Nacional das Culturas Indígenas (de 11 a 14 de agosto) e o Encontro das Culturas Indígenas (de 13 a 16 de agosto). O evento contará com a presença do ministro da Cultura, Juca Ferreira, no dia 15 de agosto.

Representante dos Pontos de Cultura indígenas Som dos Maracás e Kanhgág Jãre, no Rio Grande do Sul, Fernanda Kainhgang considera o momento atual ideal para que os povos indígenas tenham voz. "Protagonismo é a palavra de ordem, queremos discutir nesse evento como os povos indígenas podem ser protagonistas de sua história, dentro das políticas culturais", afirma. "Queremos debater como ocupar espaço com nossa opinião e nossa participação, nós mesmo dizendo como queremos as políticas públicas. Sempre são os outros – órgãos governamentais, antropólogos e conselhos – que falam em nosso nome", comenta. 

O diretor do memorial dos Povos Indígenas, Álvaro Tukano, elogiou o ministro da Cultura, Juca Ferreira, por ter colocado a política indigenista no centro do debate do Ministério. Tukano pontuou, no entanto, uma demanda antiga dos povos indígenas: o funcionamento pleno das antenas Gesac – que buscam fornecer internet em aldeias. "Precisamos resolver esta pauta. Os índios precisam estreitar a comunicação com Brasil e com o mundo", afirma

A secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural do MinC, Ivana Bentes, explicou que a política indígena está no centro do debate do MinC. Exemplo disso, além da realização do encontro em São Paulo, foram, em julho, os lançamentos do edital específico para Pontos de Cultura Indígenas e da Caravana Indígena.

Outro ponto destacado pela secretária em relação à política indigenista é a importância de pensar a sustentabilidade dos índios a partir da cultura. "A cultura indígena é um cartão postal do Brasil para o mundo. É perverso ver essa riqueza simbólica movimentar recursos que não retornam para essa cultura. É uma distorção muito grande", afirma.

Maurício Fonseca, membro do colegiado setorial das culturas indígenas, destacou sobre a importância do evento que irá ocorrer em São Paulo. "O encontro vai demonstrar para a sociedade a riqueza da diversidade cultural indígena com uma série de expressões culturais advindas de todas as regiões do Brasil. Já o Fórum será um espaço para realizar a renovação do colegiado setorial das culturas indígenas, além de debater e atualizar o plano setorial das culturas indígenas", completa. 

O Fórum contará com 11 rodas de conversas que irão focar no Plano Setorial e na publicação "Brasil Indígena: História, Saberes e Ações", livro que deu nome ao evento e que mostra as condições de vida dos povos indígenas brasileiros e os desafios que enfrentam em seu cotidiano para fortalecer suas identidades culturais. 

A expectativa é que, ao final do fórum, sejam estabelecidas a definição das metas do Plano Setorial até 2020 e das prioridades para o biênio 2015/2016. A síntese dos debates será apresentada ao ministro da Cultura, Juca Ferreira, em 15 de agosto, às 20h, no SESC-Belenzinho.

 



Colegiado Setorial

O fórum será precedido pela reunião do Colegiado Setorial das Culturas Indígenas, que vai tratar dos resultados alcançados nos últimos dois anos. Outro ponto que deverá ser abordado é o edital de artes – específico para povos indígenas – que deve ser lançado pela Fundação Nacional de Artes (Funarte) no primeiro semestre de 2016. Na ocasião, também haverá a eleição dos representantes do Colegiado Setorial que compõe o Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC).

Por fim, o Encontro das Culturas Indígenas encerrará o evento e irá mostrar ao público diversas expressões culturais de diferentes etnias do Brasil. Contará com rodas de história, oficinas culturais, intervenções culturais, mostra de vídeos indígenas, feira de artes indígenas e a cerimônia de lançamento da publicação "Brasil Indígena: História, Saberes e Ações" e da entrega e divulgação da Carta do II Fórum Nacional das Culturas Indígenas.

A Fundação Nacional do Índio (Funai), a Funarte e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) apoiam o evento.

A programação do Encontro: http://goo.gl/jRLUdp

Cecilia Coelho, Assessoria de Comunicação do Ministério da Cultura.

 


No próximo dia 23, a Prefeitura de São Paulo vai inaugurar dois mirantes na região da avenida Paulista, centro da capital. O evento ocorre no mesmo domingo em que a avenida será fechada para os carros pela segunda vez –a primeira ocorreu no dia 28 de junho, durante inauguração de uma ciclovia na região. Os mirantes foram cedidos a empresários para obras de revitalização. Um deles, que fica em uma rua atrás do Masp, terá vista para a avenida Nove de Julho.

Em cada ponta do mirante será instalado um balcão de madeira. Em um deles vai funcionar um café. No outro, um restaurante. O empresário Facundo Guerra, dono do PanAm e do Riviera, é sócio do projeto ao lado do escritório MM18 Arquitetura, autor do plano.

Segundo a assessoria de Facundo, a data da inauguração, inicialmente prevista para o dia 16 de agosto, foi mudada para coincidir com o novo fechamento da Paulista. Por vários anos, esse espaço atrás do Masp serviu de dormitório para moradores de rua.

O outro mirante ficará na praça Marechal Cordeiro de Farias, conhecida como praça dos Arcos, também na região da Paulista. 

No local, haverá um bicicletário e um espaço de gastronomia. Segundo o prefeito Fernando Haddad (PT), a ideia foi inaugurar os espaços no mesmo dia em que a avenida Paulista será fechada aos veículos pela segunda vez. 

A gestão petista trata esse evento como um segundo e talvez último teste, antes do provável anúncio de fechamento da avenida todos os domingos para lazer. "Vai ser um momento de expansão do projeto que a gente chama de parque Paulista", disse o prefeito, em entrevista à Folha. O fechamento da avenida vai ocorrer durante inauguração da ciclovia da av. Bernardino de Campos, que fará a ligação entre a Paulista e a rua Vergueiro, no Paraíso (zona sul).

 

Avenida e Túnel 9 de Julho. Arquivo / Folhapress.

O casarão Belvedere Trianon, local onde a elite se reunia para fazer eventos no começo do século 20, foi demolido para a construção do Masp, nos anos 1950. O espaço que restou —de mais de 400 m² sobre a avenida 9 de Julho e atrás do museu— está sendo recuperado para se tornar um novo ponto de encontro dos paulistanos. Concedido pela prefeitura a empresários para a revitalização, o local - cujo acesso é feito para quem vem da avenida Paulista pela rua Professor Otávio Mendes— está passando por uma grande reforma e vai se chamar Mirante 9 de Julho.

O empresário Facundo Guerra, dono do PanAm e do Riviera, é sócio ao lado do escritório MM18 Arquitetura, autor do projeto. A reforma, que prevê ainda a revitalização do entorno, se dará em três fases. A primeira vai recuperar a parte interna do mirante, de 230 m², a ser entregue em agosto.

Depois será a vez dos chafarizes da 9 de Julho. A última etapa é a construção de estrutura metálica com vidro em cima da laje do mirante, que funcionará como galeria. Só a primeira fase tem investimento dos sócios de R$ 840 mil, segundo o edital.

Dentro do salão do mirante serão instalados um balcão de madeira em cada ponta. Em um deles vai funcionar um café. No outro, um restaurante. Lira Yuri, que ao lado de Henrique Fogaça opera O Mercado - Feira Gastronômica, será a responsável por fazer um rodízio de chefs. "Vai ser uma cozinha volátil, com um chef por mês", afirma Facundo Guerra.

Um espelho será colocado na ponta do café de modo a refletir as colunas originais, dando a sensação de infinito. O miolo do salão vai permitir tanto uma exposição quanto uma festa. Antes da construção da galeria sobre a laje, haverá exibições de filme em um telão instalado abaixo do viaduto Professor Bernardino Tranchesi. A escadaria de acesso à laje vai funcionar como plateia.

A ideia de transformar um espaço esquecido pelos paulistanos em um centro cultural começou há dois anos.

"O local estava pintado de azul, vermelho e amarelo, tinha tapumes e casinhas dentro. Quinze pessoas moravam lá", conta o arquiteto Marcos Paulo Caldeira, da MM18.

Guerra explica que conheceu o mirante há dez anos. "É um espaço muito importante para a história da cidade e fica perto do maior cartão-postal. É como encontrar um lugar abandonado ao lado da torre Eiffel."

Para a inauguração, ainda falta iluminação e mobiliário. O interior está sendo feito pelo diretor de arte Frank Dezeuxis. Ele explica que a concepção não vai interferir na história do local.

"Usamos materiais naturais, como madeira, ferro, concreto e vidro, para que nada chame mais a atenção do que o lugar", explica Dezeuxis.

A curadoria do Mirante 9 de Julho ficará a cargo do produtor cultural Akin Bicudo, responsável, por exemplo, pelo coletivo Metanol FM. Ele conta que pretende "cruzar diferentes disciplinas" em um mesmo ambiente. "Juntar festa de rua com exposição e mostra de cinema."

Ele diz que pretende abrir o local para novas ideias. "Podemos fazer uma feira gastronômica, mas diferente da tradicional", diz Bicudo.

Como se trata de um espaço público, não será cobrado ingresso para entrar no local. Outras atividades, como workshops, podem ser cobradas. "A gente não quer colocar nenhum tipo de filtro que separe as pessoas."

Para a revitalização dos chafarizes, que fica embaixo, na avenida 9 Julho, será recuperado o projeto original, sem o jardim, só com calçadão e iluminação de LED. Caldeira diz que pretende criar um espaço para food trucks, por exemplo, para atrair as pessoas até lá. Uma faixa de vegetação poderá ser colocada próxima ao meio-fio, para diminuir o barulho dos veículos.

As fontes na avenida foram reformadas em 2006, pelo então prefeito José Serra (PSDB). Menos de três meses depois, elas já estavam deterioradas. Hoje, não funcionam.

Parceria

Em agosto de 2014, a prefeitura fez um chamamento público procurando interessados em participar do Termo de Cooperação, com propostas de parceria, execução e implantação de projetos de revitalização no viaduto Professor Bernardino Tranchesi e no entorno. Como contrapartida, foram exigidas melhorias urbana, ambiental e paisagística. A cessão é de 36 meses.

A Subprefeitura da Sé ressalta que houve cinco interessados e, dentre esses, esta foi escolhida como a melhor proposta para a cidade.

"Quando estiver pronto, daremos para a cidade um novo cartão-postal", afirma Alcides Amazonas, subprefeito da Sé. Ele diz ainda que está fazendo um levantamento para levar esta experiência a outros locais. Só na região central de São Paulo há 50 viadutos.

Amazonas disse à São Paulo que, "em momento de crise financeira", está fazendo parcerias com empresas para parklets, cuidados de canteiros etc. "Conversei com o prefeito [Fernando Haddad, PT] no ano passado, pois precisamos ampliar as parcerias para o espaço embaixo dos viadutos. Via de regra, são mal utilizados."

O arquiteto Marcos Paulo Caldeira e sua sócia, Mila Strauss, dizem que investem no projeto porque se interessam pela região central. "E para deixar uma marca nossa. Nosso escritório é aqui [Higienópolis] e moro na Paulista. A gente faz restauros há dez anos e quer devolver esse espaço para a cidade", diz Mila.

História

Parte remanescente da primeira fase de ocupação residencial da avenida Paulista, o Belvedere Trianon era o local onde a elite fazia eventos. Quando projetou a avenida, inaugurada em 1891, o engenheiro Joaquim Eugênio de Lima reservou um espaço mais ou menos na metade da avenida para um belvedere (mirante, em italiano).

O local tinha vista para o centro da cidade e para o vale do riacho Saracura, "onde mais tarde seria riscada a avenida 9 de Julho", segundo o historiador Roberto Pompeu de Toledo, no seu mais recente livro, "A Capital da Vertigem" (Objetiva, 584 pág.).

O arquiteto, historiador e professor da FAU-USP Benedito Lima de Toledo conta que, "quando o tempo estava bom", ia lá ver a cidade. "O terraço em forma de semicírculo era muito acolhedor", descreve.

Segundo levantamendo do DPH (Departamento do Patrimônio Histórico), o espaço começou a ser construído em 1912, a partir de projeto de Ramos de Azevedo, que também foi o responsável pela execução da obra.

A inauguração foi em 1916. Para a construção do Masp, ele foi demolido. "A condição era preservar a vista", relembra Toledo.

Depois de ficar 20 anos no auge, nos anos 1930 o Belvedere começou a ser abandonado, ficando sem conservação e manutenção.

Tatiana Babadobulus e redação Folha de S.Paulo.


No coração da Vila Madalena, Jongo Reverendo recorre à matriz africana para promover shows e atividades culturais.

Há um espaço em São Paulo onde o tambor bate mais forte e convida à celebração, à festa, ao congraçamento. O Jongo Reverendo, no coração da Vila Madalena, buscou na matriz africana a inspiração para se tornar uma casa que alia shows e atividades culturais.

No amplo espaço de 300 metros, cabe do jongo tradicional, remanescente quilombola, a espetáculos de samba, rap e forró. “Nosso universo é bem rico e temos muita coisa a trabalhar”, diz a empresária Adriana Carvalhaes. “Sempre fui ligada à cultura popular, sou publicitária, trabalhei no Bar Brahma, tive uma experiência na escola de samba Mangueira relacionada a projetos de marketing. Sou preta... (risos)”.

Adriana cresceu entre aulas de balé e piano, mas acabou por se encontrar nas origens, no trabalho com a matriz africana. No Jongo Reverendo, busca a diversidade. “Aqui na Vila Madalena temos uma demanda grande para um único público, pessoal voltado à economia criativa, da PUC e da USP. Mas também quero gente que consiga ver essa cultura afro, a celebração de tambores”, diz. A seguir, trechos da entrevista de Adriana a CartaCapital.

CartaCapital: Qual o modelo que Jongo Reverendo segue?

Adriana Carvalhaes: A casa surge dentro da matriz africana, com tudo o que se pode receber como legado no aspecto de cultura, música. Podemos falar que aqui cabe desde a apresentação de um jongo tradicional, que vive em Guaratinguetá, remanescente quilombola, até uma festa como a Pilantragi, de música brasileira, que atrai um público mais jovem, mais desligado da cultura popular. Dentro desse espectro vêm o forró, o rap, as rodas de samba. Nosso universo é rico e temos muita coisa a trabalhar.

CC: Que público a casa quer cativar?

AC: Queremos diversidade, não só as turmas de universitários. Buscamos pessoas que consigam ver que existe uma celebração de tambores, o que pode criar uma identificação positiva para congregar tudo o que temos de influência da matriz africana, tudo o que foi transformado aqui, como as aulas de capoeira. Assim como o forró e o jongo, queremos colocar luz nessa cultura ainda desconhecida. Nossa base forte é o samba, não há outra expressão de cultura popular tão conhecida. Em relação ao jongo, perdemos a tradição por ser passado de forma oral, difícil de disseminar. Quando fui estudar o assunto, vi que há três funções básicas, a sagrada, ritualística, com rezas para os orixás, outra ligada à maçonaria, com trocas de informação, daí haver tantos pontos de jongo enigmáticos, e a função em que me agarrei, a da diversão. O momento do batuque era o de alívio para os escravos. A hora de se expressar, cantar, congregar.

CC: Como é a programação do Jongo Reverendo?

AC: Às quintas estamos com a temporada do grupo Sambeto, com o projeto Vozes do Morro, em formato de show. Todo mundo dança muito. Às sextas entramos com formato variado, com base em roda de samba, Os Batuqueiros e Sua Gente. Na sequência, na sexta seguinte, entra Batuque Bantu, roda de samba com Ivisson Pessoa, uma pegada bem ancestral, com influências da nação bantu nagô. Na terceira sexta volta o Sambeto com o instrumental Na Boca do Povo, um projeto um pouco mais pop. A quarta sexta do mês deverá ter samba de quadra, de terreiro, com compositores. O sábado à tarde vamos trabalhar com o Samba da Feira, grupo da Zona Norte que faz samba há 12 anos e lota uma feira de lá. São 11 meninos na roda. No dia 2 de agosto, domingo, vamos estrear o projeto La Rumba no Jongo, do cubano Jorge Ceruto.

Ana Ferraz em Carta Capital.