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No meio de uma favela, um som chama atenção. Não é o som do Hip Hop, nem do Funk, os mais comuns em favelas se você perguntar a alguém que não mora em nenhuma delas. É o som do Jazz.

A comunidade do Morumbizinho, no Jardim Boa Vista, bem ali entre as vielas, na rua André Dias, foi presenteada com Cultura. Há presente melhor?

Tudo isso porque o Coletivo Vie La En Close resolveu sair do óbvio e promover Cultura na favela. Cultura, com C maiúsculo. Cultura hardcore por assim dizer. Cultura daquelas que, nós que temos casa e moramos bem, chamaríamos de elitizada, mas que um grupo de pessoas resolveu chamar só de Cultura e promover ali mesmo. Em qualquer viela que se apresente.

O Vielada {{que se você achar legal, pode contrapor com a Virada}} Cultural teve, neste domingo, 28, sua quinta edição. Com o sugestivo e divertido nome de 5ª Vielada Cultural || Favela Jazz Festival, você só de olhar o nome sabe que não é algo que aconteça todos os dias.

E teve música? Teve sim senhor.  E teve Jazz? Teve sim senhor. E teve Não à Redução? Claro que teve!

E teve mais, teve teatro de rua, teve sarau, teve bolo, teve biblioteca e teve feijoada! Entre os artistas, Camila Costa Melo, 23 anos, atriz da Companhia dos Ventos que nasceu em Osasco, há 15 anos atrás. Camila define a arte do grupo como Teatro Político; na Vielada, a companhia apresentou uma cena da peça Máquina Parada, que fala da história de uma greve que houve em Osasco ainda antes das jornadas grevistas de São Bernardo do Campo. Fez isso para crianças moradoras da favela. É Cultura, senhoras e senhores, em todos os seus aspectos.

Rita Barros, uma das organizadoras do evento, conta a história do nome do coletivo Vie La En Close:

"Tem uma chanson française da Edith Piaf que se chama la vie en rose. O notório poeta Paulo Leminski, que também era publicitário, uma vez se apropriou desse nome para um livro dele, que se chama ‘la vie en close’. Baffo [um dos organizadores], que é fã  (já foi mais) do falecido poeta, por sua vez se apropriou do apropriado para fazer o trocadilho poético que também lembra a palavra viela.

E assim, como quem acha perfeitamente corriqueiro levar Jazz para uma favela, ou levar Edith Piaf para a viela, o coletivo simplesmente revoluciona. Afinal, quem há, nesse mundo, de achar normal e comum e corriqueiro e simples, levar alta cultura para uma galera que briga para ter vagas em creches? E sem pensar que poderia ser impossível, o coletivo simplesmente vai lá e faz… E leva, para a vielinha um monte de poesia…

E este blogueiro, desconfiado que só ele, foi lá saber do dono do boteco, se ele achava legal mesmo essa história de Jazz ou se queria era ficar em paz, sem aquele monte de gente fazendo som, palhaçada, teatro, poesia… E filme, que teve filme também! Emídio dos Jesus, 73 anos, dono de um boteco há 20 anos, fala sobre a 5ª Vielada:

"Gostei, uma coisa muito divertida pra vila (…). O movimento para o boteco tá sendo a mesma coisa… mas só a influência, a alegria, de um domingo alegre já uma boa coisa. Já tinha ouvido Jazz, dá para gente ouvir, de vez em quando não faz mal para ninguém. É melhor que ver o Faustão na TV. Eu creio que o pessoal da comunidade gosta… Quem que não gosta de música?"

E tome tapa na cara da gente que acha{{va}} que favela gosta só de Funk e Hip Hop. Gostam sim, de funk e hip hop, mas mostra um Jazz para ver se não agrada. Agrada, e como! Rita Barros, que além de organizadora é poeta, complementa:

"Então a gente tem essa ideia de levar a arte para a quebrada, mas sem ficar com uma coisa que tenha uma identidade exclusivamente periférica. A gente acredita na arte pela arte. Independente do lugar onde ela está. No começo a galera perguntava: ‘pô, cadê o vocalista?’. Hoje a comunidade já sabe, já conhece a banda, já espera pela banda. Já estão começando a se apropriar disso tudo. Mas esse é um processo longo, estamos fazendo isso aqui há dois anos. No começo tinha mais gente convidada pelo coletivo que a comunidade. Hoje está aí, a maior parte das pessoas é daqui mesmo. E esse é nosso objetivo."

Texto e fotos, Victor Amatucci – ImprenÇa

 


A faixa para bicicletas na principal avenida de São Paulo é inaugurada, atrai uma multião e vira o símbolo maior dos grupos que pedem por uma mobilidade urbana mais inclusiva e humana.

Desde a manhã deste domingo 28 de junho, milhares de pessoas se reuniram ao longo da avenida Paulista, a via mais famosa de São Paulo, para celebrar a inauguração dos 2,7 km de ciclovia implantados entre a avenida Angélica e a praça Oswaldo Cruz. Foi também um ensaio para outro plano da prefeitura: deixar a avenida livre de carros aos domingos, tonando-a uma enorme área de lazer. 

Com os acessos à avenida bloqueados para automóveis, quem tomou conta do asfalto foram os ciclistas, crianças --em bicicletinhas ou na cadeirinha dos pais--, cachorros. Eram famílias inteiras, jovens e idosos de bicicleta, patins e patinete além de centenas de pedestres.Agora, a cidade conta com um total de 451 km entre ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas. 

O prefeito Fernando Haddad (PT) inaugurou a obra percorrendo o trecho entre a avenida Brigadeiro Luís Antônio e a praça do Ciclista, onde foi instalada uma placa comemorativa. O petista fez das ciclovias uma de suas bandeiras. Antes de sua gestão, São Paulo tinha pouco mais de 63 km de ciclovias e o prefeito ainda pretende entregar mais 161,7 km de faixas exclusivas para bicicletas. 

Moradores de regiões afastadas do Centro e até de outros estados foram prestigiar a conquista. Malvino Pires, 59 anos, mora na zona leste de São Paulo e era um dos entusiastas do fechamento da avenida aos domingos: "Nem moro aqui perto, mas viria para cá sempre, porque é muito gostoso ter esse lugar para passear, a cidade precisa disso".

Bruna Rodrigues Caldeira, 31, veio de ainda mais longe: "Lá em Belo Horizonte a malha cicloviária ainda é muito pouca para o que a gente precisa. Então vim aproveitar para lutar pela nossa causa também".

A oposição à obra também esteve presente. Na madrugada, a ciclovia foi sujada com tinta azul, a cor do PSDB, rival do PT --os tucanos batalharam para barrar a faixa para bicicletas. Um caminhão-pipa, contudo, conseguiu limpar a obra antes da inauguração.

No final da manhã cerca de 10 militantes do MBL (Movimento Brasil Livre), que defende a derrubada da presidenta Dilma Roussef, também tentaram, protestar. Foram abafados, no entanto, pelos gritos de comemoração pela ciclovia.

A implantação das ciclovias em São Paulo encontra resistência, como ocorreu em países como a Alemanha e a Dinamarcana época de sua implementação. Por aqui, alguns motoristas e setores mais conservadores da mídia e da Justiça também tentaram impedir a novidade.

Em março o Ministério Público tentou impedir a obra, alegando falta de estudos técnicos. Após dois protestos de cicloativistas, a Justiça derrubou a tese do MP. Até mesmo a cor das faixas exclusivas, vermelha, foi alvo de ataques, por ser a mesma cor do PT, o partido de Haddad. Acontece que o Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito determina que esta é a cor oficial, a mesma usada em praticamente no mundo todo e até por gestões municipais anteriores, de outros partidos.

A inauguração da faixa exclusiva em uma das principais vias da maior cidade do País, celebrada por tantas pessoas, pode agora ter sinalziado para a população que as bicicletas e as ciclovias vieram para ficar.

Para os ativistas, as faixas exclusivas agora têm de seguir aumentando em São Paulo e por todo o Brasil. "Espero que o projeto não pare, que não voltem atrás, quero que essa beleza continue a crescer", afirmou a dentista Renata Carvalho, 31 anos.

Neste domingo, o barulho do motor dos carros foi substituído por meios de transporte alternativos, muita conversa e uma calmaria apenas quebrada pelos diversos grupos musicais que se apresentaram informalmente em alguns pontos da via.

Ficou claro para todos que lá foram que, neste domingo, a Paulista não esteve "fechada para carros", mas aberta para as pessoas.

Ingrid Matuoka em Carta Capital.

E aqui, no BuzzFeed, "33 imagens adoráveis da inauguração da ciclovia na Avenida Paulista": http://goo.gl/5sbWmo

Tradicional feira boliviana é o mais novo território a integrar as ações do Plano de Ocupação do Espaço Público pela Cidadania.

Todos os domingos, das 11h às 19h, a Praça Kantuta recebe dezenas de barracas e cerca de 2 mil visitantes à procura da feira organizada pela comunidade boliviana, na região do Pari. A feira, que começou em 2001, na Praça Padre Bento, acontece na Kantuta desde 2002, entre as ruas Pedro Vicente, Carnot e das Olarias.

Nas últimas semanas, novas intervenções somam-se à movimentação já conhecida, ressignificando o espaço e recriando as possibilidades de relação entre os habitantes deste pequeno universo boliviano em São Paulo. As ações, que envolvem oficinas de arte, pintura dos muros, construção de mobiliário e rodas de conversa, fazem parte do projeto Cidadania nas Ruas da Kantuta – Casa Latina, iniciado no dia 14 de junho.

Esta é a terceira experiência de ressignificação urbana do Plano de Ocupação do Espaço Público pela Cidadania, lançado em janeiro de 2014 pela Coordenação de Promoção do Direito à Cidade da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC). Antes de chegar à Kantuta, o Plano foi implementado na Luz, no território do Programa De Braços Abertos, por meio do projeto “Cidadania nas Ruas da Luz – Casa Rodante”, realizado em parceria com o coletivo casadalapa. E no Largo do Arouche, em uma experiência de seis meses, desenvolvida pelo grupo Futura Media, a partir do projeto Wikipraça.

Na Kantuta 

Aos domingos, cores fortes e as tradicionais canções bolivianas embaladas pelas flautas de pã preenchem as ruas do Pari. Ponto de encontro dos bolivianos que vivem em São Paulo, a feira abriga barracas de comidas típicas, ingredientes da culinária andina, artesanatos e instrumentos musicais da Bolívia. Mas as que mais aglomeram visitantes são as barraquinhas de DVD, que exibem programas de TV bolivianos. Não menos disputadas, as peluquerias completam o cenário da feira. Com serviços de cabeleireiro a céu aberto, as tendas reúnem filas de interessados.

Das duas mil pessoas que visitam a Kantuta a cada domingo, cerca de 90% são bolivianos, entre nativos e descendentes. O lugar já começou a receber intervenções artísticas e urbanas do projeto apelidado como “Casa Latina”. Quem organiza as ações por ali é o artista Fernando Sato, integrante da rede Jornalistas Livres. Todas as atividades são desenvolvidas em diálogo com a comunidade local e em conjunto com artistas convidados e gestores da SMDHC.

Segundo Sato, o Casa Latina chega à Praça Kantuta “para evidenciar costumes, tradições e histórias de imigrantes na cidade de São Paulo, estabelecer um vínculo com a população do entorno da praça, fomentar a relação dos vizinhos da Kantuta com a população que frequenta a feira e, assim, promover a cidadania nas ruas”.

Casa Latina 

Todo domingo, de junho a dezembro, uma barraca do projeto Casa Latina estará na feira, onde serão realizadas oficinas artísticas e rodas de conversa. Durante a semana, um ateliê móvel será instalado em uma calçada na vizinhança da praça, dando suporte às intervenções urbanas e criativas que tomarão forma com a participação dos moradores: pintura nos muros, lambe-lambe e construção de mobiliário, são algumas das atividades previstas.

“As ações ainda estão em processo de estruturação e os dias de atividades serão definidos segundo a dinâmica local”, diz Marília Jahnel, coordenadora de Promoção do Direito à Cidade da SMDHC. No próximo dia 5, será iniciada uma roda de conversa só com as mulheres. Como elas costumam ser mais reservadas, os organizadores buscaram um formato diferente, descontraído, para estimular o bate-papo. “Decidimos aliar a roda de conversa com a oficina de bordado”, conta Sato.

O projeto Cidadania nas Ruas da Kantuta – Casa Latina é uma iniciativa da Coordenação de Promoção do Direito à Cidade da SMDHC, realizado em parceria com a Coordenação de Políticas para Migrantes.

Casa Latina
Aos domingos, das 11h às 19h - Praça Kantuta (Próximo à estação Armênia do Metrô).

Fonte e fotos: Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania.

 

Hoje volta a ser dia de Seleção Hypeness, uma oportunidade para compilarmos uma lista com os melhores itens, ideias, destinos ou programas que encontramos ao redor do mundo. E, desta vez, voltamos a ter como protagonista uma cidade que nos diz muito: São Paulo.

Uma megalópole do tamanho de São Paulo sempre reserva atrações desconhecidas capazes de surpreender até mesmo quem já tem o costume de bater perna por aí. Seja o esportista, o boêmio, o geek, a fashionista, o pai de família, não faltam lugares para descobrir fora da rota tradicional de passeios.

Segue uma lista que procura atender a todas as faixas etárias e interesses e que pode contribuir para renovar o prazer de viver na cidade, algo bastante em falta hoje em dia: http://goo.gl/LMOxf0

C
om Hypeness

 

Acontece neste sábado (27) a primeira edição do projeto Feira Cavalete, na DOC Galeria, na Vila Madalena. Voltado para amantes da fotografia, o evento vai reunir artistas, galerias, fotógrafos independentes, editoras, selos alternativos, artistas visuais e produtores que queiram apresentar e vender seus trabalhos.

Com objetos e obras cujos valores variam de R$ 5 a R$ 5 mil reais, a proposta é: 'Fotografias para vestir, guardar ou pendurar'. O objetivo dos idealizadores, Mônica Maia e Fernando Costa Netto é o de oferecer todo e qualquer objeto fotográfico: fineart, publicações, fotolivros, fotozines, livros de artistas, caixas de fotografias, fotos soltas e também roupas.

O evento vai também contar com a presença de food trucks, barracas de comida e bebida, e música.

Participantes confirmados:
DOC Galeria, Compota, Felipe Russo, FOTOSPOT, Olhavê, Rogério Assis, Everton Ballardin, ArtPix, Galeria Phd, Galerize, Fish Eye Galeria, Espaço opHcina, Vibrant Editora, Isis Gasparini, oYo Fotografia para Vestir, Ilana Lichstenstein, Helena Wolfenson, AnaBê Elorza, Thiago Fink, Marcelo Paciornik, Maristela Colucci, Galeria Porão, Rafael Roncato.

Serviço:       
Feira Cavalete
Data: neste sábado, 27 de junho
Horário: das 11h às 18h
Local: DOC Galeria - rua Harmonia, 126 - Vila Madalena.

Fonte: G1.

No último domingo (21) aconteceu na Biblioteca Monteiro Lobato – a primeira Biblioteca para crianças de São Paulo – no Centro, a 2ª Viradinha Cultural para crianças. Contemplada por um belo dia se sol, a Viradinha juntou pessoas de todas as regiões da cidade em um único local, marcado pelo simbolismo importante da Biblioteca.

Entre oficinas, shows, apresentações, brincadeiras e barraquinhas de comida, a criançada teve das 9h às 18h para curtir os entornos da Biblioteca e suas atrações. Os shows mais esperados foram o da Palavra Cantada, Beatles para Crianças e Banda Mirim, que lotaram durante os espetáculos.

Para Viviane, mãe do Joaquim de 10 anos, “só o fato de estar junto com meu filho ao ar livre em uma Biblioteca Municipal, algo que está em extinção, me faz muito feliz. Ver a diferença de raças, classes, crianças e tudo tão colorido é muito legal!”

Todo o quarteirão no Centro estava colorido e com muitas crianças e bebês. Viam-se balões de gás hélio voando e nas mãos de crianças correndo pela praça, sempre, com muitos sorrisos. Um evento que marcou a Viradinha foi a oficina de horta. As crianças tiveram a oportunidade de plantar manjericão, alecrim e outros temperos, e ainda levaram para casa um kit com pá e borrifador de água em uma bolsinha charmosa.

Por todos os lados, viam-se mamães e seus filhos sentados na grama, na estrutura de almofadinhas e lençóis que a Prefeitura junto com a São Paulo Carinhosa e outras Secretarias organizou. Para Priscila, mãe do Guilherme, “eventos como esse deveriam acontecer durante o ano todo. Falta cultura voltada para as crianças.”

A Viradinha Cultural 2015 conseguiu reunir crianças que no dia-a-dia não se misturam em um único local marcado pelo simbolismo da Biblioteca Monteiro Lobato e com brincadeiras para todas as idades durante todo o dia. Os sorrisos das fotos são a confirmação do sucesso do evento!

Aqui, as crianças 'embaladas' ao som dos Beatles: https://youtu.be/O5JBjryPQDM
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Fotos e texto por Isabela Campos Palhares.