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A Fundação SOS Mata Atlântica realiza a 13ª edição do Viva a Mata em São Paulo, entre os dias 18 e 19 de maio, com a apresentação de histórias inspiradoras de jovens lideranças em defesa do meio ambiente. Assim como nas demais edições, o evento manterá a tradição de oferecer uma programação versátil, incluindo atividades como oficina, plantio de árvores e distribuição de mudas, piquenique colaborativo, contação de histórias, entre outras.

“O Viva a Mata é um evento importante no calendário ambiental. Neste ano, queremos enfatizar ainda mais a importância dos jovens na continuidade da nossa luta em defesa da Mata Atlântica”, afirma Marcia Hirota, diretora-executiva da Fundação Mata Atlântica.

“Nosso Futuro na Mata Atlântica”

Parte das atividades do Viva a Mata acontecerá no Red Bull Station, no centro de São Paulo, no dia 18 de maio. Serão apresentadas palestras no formato TED de até 15 minutos, dentro do painel “Nosso futuro na Mata Atlântica”, com o objetivo de estimular a reflexão e o engajamento especialmente entre o público jovem. Oficinas e atividades práticas complementam a programação no segundo dia (19). Entre os temas e painelistas confirmados estão:

– Wemerson Nogueira, idealizador do Projeto “Filtrando as águas do Rio Doce”;
– Bruno Stefanis, diretor-executivo do Instituto Biota de Conservação;
– Carolina Neves, do Projeto “Jangadeiros da Rota Ecológica”;
– Mauricio Ruiz, fundador do Instituto Terra de Preservação Ambiental;
– Jorge Ferreira, criador do conceito de gastronomia sustentável com vegetais da Mata Atlântica;
– Vitor Bini, vereador de Paraguaçu Paulista (SP) e defensor de diversas pautas ambientais.

Educação Ambiental

Durante a Semana da Mata Atlântica haverá uma programação aberta ao público. No dia 27 de maio, Dia Nacional da Mata Atlântica, serão realizadas brincadeiras, contação de histórias e atividades de educação ambiental em um piquenique colaborativo no Parque do Ibirapuera.

No dia seguinte (28), será a vez do Parque Trianon, na região da Avenida Paulista, onde haverá um plantio de árvores nativas e a distribuição ao público de mil mudas de aroeira pimenteira – espécie indicada para área urbana e cujos frutos avermelhados podem ser usados como condimento.

Serviço

Viva a Mata 2017.
Data: 18 a 19 de maio.
Informações e inscrições: https://www.sosma.org.br/projeto/viva-a-mata/viva-mata-2017-2/
Vagas limitadas!

Red Bull Station – Pça da Bandeira, 137 Centro-SP.

Semana da Mata Atlântica

Participação livre!

27 de maio – Parque do Ibirapuera – Av. Pedro Álvares Cabral – Vila Mariana SP
28 de maio – Parque Trianon – Rua Peixoto Gomide, 949 Cerqueira César – SP

Participação livre!

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Por Ray Santos no Jornal Dia a Dia.

A Prefeitura de São Paulo anunciou nesta segunda-feira (8) a programação e a infraestrutura da 13ª edição da Virada Cultural, um dos principais eventos do calendário cultural da cidade. A Virada tem como objetivo promover a descoberta e a convivência em espaço público, convidando a população a aproveitar mais a cidade de São Paulo e seus equipamentos culturais e de lazer por meio da arte, da música, da dança e das manifestações populares. A edição de 2017 acontece a partir das 18h de sábado, dia 20 de maio, até as 18h de domingo, dia 21, e terá mais de 900 atrações em 100 pontos espalhados pela capital.

No Vale do Anhangabaú, haverá um musical com Zélia Duncan e 15 atores infanto-juvenis. Foto: Secretaria Municipala de Cultura.No Vale do Anhangabaú, haverá um musical com Zélia Duncan e 15 atores infanto-juvenis. Foto: Secretaria Municipala de Cultura.

A MAC-SFX 2017 (Mostra de Arte e Cultura de São Francisco Xavier 2017) será realizada durante todo mês de julho, em São Francisco Xavier, distrito de São José dos Campos. A edição deste ano conta com verba do Fundo Municipal de Cultura, da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, da Prefeitura Municipal de São José dos Campos. 

Começou na última quinta-feira (4) e vai até este domingo (7), no Parque da Água Branca, na zona oeste de São Paulo, a 2ª Feira Nacional da Reforma Agrária, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Em sua primeira edição, em 2015, o evento reuniu mais de 800 agricultores de todo o país. A feira tem o objetivo de apresentar a diversidade da produção saudável de alimentos e a importância da reforma agrária, além de “estreitar o diálogo entre a população do campo e da cidade”.

Local montado com 11 contêineres oferece teatro, shows, cinema ao ar livre, exposições e oficinas. Foto: Marcia Minillo.Local montado com 11 contêineres oferece teatro, shows, cinema ao ar livre, exposições e oficinas. Foto: Marcia Minillo.

 

Espaço foi aberto em dezembro, numa inauguração afetiva. Foto: Marcia Minillo.Espaço foi aberto em dezembro, numa inauguração afetiva. Foto: Marcia Minillo.

No território identificado como uns dos mais feios e perigosos da cidade – “treta pura”, como já definiu quem por ali circula –, numa região que muitos chamam de decadente, a Cia. Mungunzá de Teatro “deu à luz” a um espaço multicultural, construído na base de um grande esforço coletivo e muito afeto também.

Em cerca de dois meses, o local foi montado com 11 contêineres marítimos, num terreno próximo à Estação da Luz, área central de São Paulo, perto das ruas que compõem a chamada Cracolândia, conhecido ponto de uso e venda de drogas de São Paulo.

No terreno antes abandonado, situado na Rua dos Gusmões, outrora habitado por ratos, além dos contêineres, que servem para espetáculos, há uma área para exposições, shows, oficinas e exibição de filmes ao ar livre. E, dando mais charme e graça ao local, foi construído no jardim um playground, a partir de materiais reciclados – entre esses, tambores de aço –, em parceria com o coletivo espanhol Basurama.

Espaço multicultural em terreno antes abandonado. Foto: Marcia Minillo.Espaço multicultural em terreno antes abandonado. Foto: Marcia Minillo.

 

Playground foi construído com materiais reciclados. Foto: Marcia Minillo.Playground foi construído com materiais reciclados. Foto: Marcia Minillo.

Inaugurado em dezembro, o espaço mudou a paisagem daquele pedaço do centro. Quem chega nas redondezas se surpreende com o colorido dos contêineres e com a singeleza do jardim, onde, com frequência, são vistos crianças e adultos brincando, interagindo com os brinquedos, ou simplesmente ocupando o lugar.

A construção consumiu o dinheiro que os sete artistas da companhia (Marcos Felipe, Virginia Iglesias, Sandra Modesto, Lucas Bêda, Verônica Gentilin, Pedro Augusto e Leonardo Akio) economizaram ao longo dos nove anos de atividade do grupo – algo em torno de R$ 270 mil. A escolha dos contêineres, explica Pedro Augusto, está no fato de o material ser mais barato do que outros, mas, também, pela diversas possibilidades de construção que eles propiciam, e pela mobilidade que possuem.

Pedro conta ainda que o terreno onde o grupo firmou seu espaço está sendo negociado com a prefeitura, mediante um termo de cooperação. “As negociações estão andando muito bem, estamos quase chegando aonde queremos”, diz. O grupo pleiteia o uso do lote por um período de três anos.

Onze conteinêres marítimos compõem a estrutura do teatro. Foto: Marcia Minillo.Onze conteinêres marítimos compõem a estrutura do teatro. Foto: Marcia Minillo.

 

Estrutura ecologicamente sustentável. Foto: Marcia Minillo.Estrutura ecologicamente sustentável. Foto: Marcia Minillo.

O ponto foi escolhido por várias razões. Primeiro, por ter sido identificado pelo grupo como um dos “vazios urbanos” da cidade, um espaço público com muito potencial, segundo Pedro, mas que se mantinha sem destino aparente. “Era utilizado eventualmente como estacionamento para os carros da Guarda Civil Metropolitana, localizada ao lado.”

Outro motivo para a instalação do teatro na região da Cracolândia é justamente o fato de o ponto estar situado num território considerado “treta”. Pedro ressalta que o entorno reúne pessoas que, de certa forma, estão à margem da sociedade. São imigrantes, usuários de drogas, moradores de rua e de ocupações. “Que projetos de lazer há para essa população? O Mungunzá vem fazer esse papel também. É preciso um novo olhar para democratização dos espaços públicos, é preciso investir numa cidade mais humana e mais plural.”

E, nessa linha, o Mungunzá criou uma estrutura ecologicamente sustentável. Os criadores do espaço fizeram uma horta hidropônica e a água é de reuso.

A construção foi coletiva, bancada com as economias do grupo. Foto: Marcia Minillo.A construção foi coletiva, bancada com as economias do grupo. Foto: Marcia Minillo.

 

O Grupo ocupou terreno vazio, mas com muito potencial, por conta do entorno. Foto: Marcia Minillo.O Grupo ocupou terreno vazio, mas com muito potencial, por conta do entorno. Foto: Marcia Minillo.

 

Cia. Mugunzá em cena. Foto: Divulgação.Cia. Mugunzá em cena. Foto: Divulgação.

Da plateia, que tem 99 lugares, o público pode ver os atores se maquiando, numa concepção inovadora de teatro. Os portões ficam abertos a maior parte do tempo, pois as atividades não estão restritas às peças.

Com poucos recursos, a companhia está conseguindo atingir seu maior objetivo, que é chamar as pessoas à convivência, pois o antigo terreno continua sendo um espaço público, e a ocupação humana é muito bem-vinda em todos os horários.

A programação que o Mungunzá oferece e seus horários de funcionamento, assim como a sua história, podem ser acompanhados pelo site da companhia e pelo facebook.

Serviço

Cia. Mungunzá de Teatro – Rua dos Gusmões, 43 – Santa Ifigênia.

Página no Facebook: https://www.facebook.com/CiaMungunzaDeTeatro/
Site: http://www.ciamungunza.com.br/
Leia: 

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Por Maria Lígia Pagenotto no Sampa Inesgotável em parceria de conteúdo com o São Paulo São.

 

Foto: Mauro Calliari.Foto: Mauro Calliari.

Um terreno privado que virou público.

Numa época em que se discute a privatização de locais públicos, o Parque Chácara do Jockey, no Butantã, é um exemplo de uma ação oposta. Ele foi desapropriado pela prefeitura em 2014, como parte do pagamento da dívida gigantesca de IPTU do Jockey Clube de São Paulo, após pressão de grupos de moradores e apoiadores do parque. Passou por uma reforma e foi inaugurado em abril de 2016.

Foto: Mauro Calliari.Foto: Mauro Calliari.Em meio aos 109 parques de São Paulo, o parque do Jockey merece atenção.

Em primeiro lugar, ele é enorme. Seus mais de 140 mil metros quadrados o tornam muito maior que o Parque da Aclimação, por exemplo, outro parque que também foi comprado pela prefeitura, no longínquo ano de 1939.

Foto: Mauro Calliari.Foto: Mauro Calliari.

Em segundo lugar, ele é um oásis. Para o responsável pelo parque, Leandro Marques Bondar, a chácara do Jockey é “o Ibirapuera da Zona Oeste”.

De fato, ao lado da poluída e movimentada av. Francisco Morato, o lugar tem campos de futebol, pista de skate, muitas árvores, lugar para ler com calma e até um surpreendente e inesperado lago. Um homem que eu encontrei numa visita jura que há carpas por ali, “basta jogar uma comidinha que elas aparecem”.

Foto: Mauro Calliari.Foto: Mauro Calliari.

Há um improvável ar bucólico no parque, talvez pelas muitas ruas de terra, talvez por não ter um projeto paisagístico modernoso, ou talvez até pelas construções de tijolo muito bonitas que o Jockey construiu, em seus tempos áureos. Reformados, os estábulos estão virando laboratórios.

Foto: Mauro Calliari.Foto: Mauro Calliari.Finalmente, vale a pena pensar no parque como uma área que era privada e que, por uma razão ou outra, abriu-se à cidade. Antes da despropriação, os vizinhos apenas sonhavam com o que estava atrás dos muros. A Secretaria do Verde diz que cada parque traz ganho ambiental grande, “além de trazer qualidade de vida para o cidadão com a criação de mais áreas de lazer em toda a cidade”.

Foto: Mauro Calliari.Foto: Mauro Calliari.

A região do entorno não é muito densa em moradias, mas mesmo assim, o parque recebe em média mil pessoas durante a semana e seis mil pessoas nos finais de semana e feriados,  principalmente do Butantã, Campo Limpo e Taboão da Serra. Paulo, um morador da região que anda todos os dias no parque faz coro: “ O parque é arborizado, seguro, e dá para vir a pé”.

Foto: Mauro Calliari.Foto: Mauro Calliari.

Talvez esse caso possa ser usado como elemento para a discussão sobre a conveniência e os critérios para transformar áreas privadas em públicas ou vice-versa. Em vez de pagar pelo terreno, a prefeitura desapropriou o bem por falta de pagamento do proprietário. A contrapartida é que agora precisa manter o parque funcionando, o que parece um investimento minúsculo para o bem que a nova área traz à cidade.

Foto: Mauro Calliari.Foto: Mauro Calliari.O lugar, a cargo da Secretaria do Verde, ainda precisa de investimentos, além dos custeio anual de pouco mais de R$ 2 milhões. Falta uma lanchonete, algumas reformas e um projeto que integre as áreas, muito afastadas entre si. Leandro avalia que o lugar tem muito potencial para crescer e ser um pólo de cultura. De fato, há um grande pedaço das antigas cavalariças que está em projeto para ser gerido pela secretaria de Cultura. O conselho do parque, que toma posse hoje, pode ajudar a pensar nas prioridades. Há até um grupo de frequentadores que troca idéias sobre o parque nas redes sociais – https://www.facebook.com/movimentoparquechacaradojoquei/

Foto: Mauro Calliari.Foto: Mauro Calliari.Vale a pena conhecer esse lugar. Ele é o exemplo de que problemas diferentes exigem estratégias diferentes. No lugar de um clube fechado, ganhamos uma simpática área pública, com potencial para se transformar, com tempo, dedicação e recursos, numa lugar especial.

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Mauro Calliari é administrador de empresas, mestre em urbanismo e consultor organizacional. Artigo publicado originalmente no blog Caminhadas Urbanas do Estadão.