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Festa escolar comemorativa no Museu do Ipiranga em 1912. Pintura de Augustin Salinas y Teruel.Festa escolar comemorativa no Museu do Ipiranga em 1912. Pintura de Augustin Salinas y Teruel.

Semana da pátria. Dia de sol no bairro do Ipiranga. Centenas de pessoas correm ou passeiam no Parque da Independência. Famílias percorrem as alamedas dos lindos jardins. Vendedores de água de coco estão postados na sombra com cadeirinhas.

Jardins do Museu do Ipiranga. Foto: Mauro Calliari.Jardins do Museu do Ipiranga. Foto: Mauro Calliari.

Evento proporciona troca de olhares entre estranhos como forma de humanizar as cidades. Imagem: The World's Biggest Eye Contact Experiment / Reprodução - Site. Evento proporciona troca de olhares entre estranhos como forma de humanizar as cidades. Imagem: The World's Biggest Eye Contact Experiment / Reprodução - Site.

O que aconteceria se todas as pessoas de São Paulo olhassem com apreciação umas para as outras? Como seria viver em uma cidade em que todos se olham nos olhos? Essa é a reflexão e o convite do World’s Biggest Eye Contact Experiment (ou “o maior experimento de contato visual do mundo”): trazer, para a realidade do cotidiano, um momento em que podemos sentir um gostinho desse mundo mais humano e possível.

A área central da antiga “cidade nova”, situada justamente entre o Vale do Anhangabaú e a Praça da República (eixo da Av. Ipiranga), é também um tecido urbano sui generis e muito rico. Ilustração: Reprodução.A área central da antiga “cidade nova”, situada justamente entre o Vale do Anhangabaú e a Praça da República (eixo da Av. Ipiranga), é também um tecido urbano sui generis e muito rico. Ilustração: Reprodução.

São Paulo é uma cidade que não cultiva sua memória, fazendo da transformação permanente a sua identidade, sua condição de existência. Foi o que percebeu o antropólogo Claude Lévi-Strauss ainda nos anos 1950, identificando o fato de que em São Paulo a pujança construtiva coincide muitas vezes com o estágio de abandono e ruína. Portanto, as construções nem bem chegam a terminar e, frequentemente, já se vêem abandonadas, assumindo a incompletude como um estado de “ser”. São Paulo: três cidades em um século, é o título de um livro clássico do professor Benedito Lima de Toledo. Três cidades construídas vorazmente uma por cima da outra, como um palimpsesto, num breve espaço de tempo: as cidades de taipa, de alvenaria e de concreto.