‘What Design Can Do‘ São Paulo 2016: definidos os 5 temas do evento que vai discutir o poder transformador do design - São Paulo São

A conferência internacional What Design Can Do (WDCD) lançou oficialmente a programação de sua 2a edição no Brasil nesta quarta-feira (26), em encontro realizado na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), instituição anfitriã do WDCD no país.



O evento, que acontece nos dias 13 e 14 de dezembro, irá reunir cerca de 20 palestrantes de diversos países para abordar importantes questões sociais pelo viés do design. Os ingressos já estão à venda e podem ser adquiridos no site do WDCDSP 2016.

A programação foi apresentada por Bebel Abreu, produtora e sócia brasileira do evento. Para ela, a importância do evento é discutir o design como comportamento – e não como disciplina. “Apesar de o papel do design estar mudando mundo afora, ainda é muito associado à estética. Não temos nada contra cadeiras bonitas, mas acreditamos que o design é uma importante ferramenta de transformação. É isso que pretendemos discutir na conferência.”

Dentro dessa premissa, o evento definiu os 5 macrotemas que balizam a escolha dos palestrantes:

  • O que o design pode fazer pela consciência cultural: designers que valorizam a autêntica expressão cultural conseguem mostrar isso em seu trabalho. Muitas vezes, eles dão uma nova vida ao trabalho manual e a técnicas em risco de extinção.
  • O que o design pode fazer pela comunicação: uma programação visual clara e intuitiva é essencial para o sucesso da absorção de novos conceitos e mensagens, além de contribuir para a melhoria social. É, também, uma maneira tangível de mostrar o poder do design.
  • O que o design pode fazer pelos refugiados: Em resposta a uma das maiores crises humanitárias da história recente, o WDCD apresentou, na edição do WDCDSP 2015, o desafio internacional What Design Can Do Challenge for Refugees. Agora, com os projetos premiados já em fase de implementação, o desafio volta para os palcos brasileiros com os resultados dos cinco vencedores.
  • O que o design pode fazer pelas questões urbanas: Metade da população global já vive em cidades – e este número irá aumentar ainda mais nas próximas décadas. Com tanta gente dividindo o mesmo espaço, a sociedade urbana precisa lidar com um número crescente de questões urgentes.
  • O que o design pode fazer pela comida: dentro do design, a comida está emergindo como uma das áreas mais interessantes a serem exploradas. Ao elaborarem questões sobre as origens, a produção e o apelo da comida, designers, food designers e chefs têm insights sobre o futuro do fornecimento e da produção de alimentos em um planeta que planeja acabar com a fome ao mesmo tempo em que sua população não para de crescer.
O lançamento do ‘What Design Can Do‘ São Paulo 2016 na FAAP em São Paulo. Foto: Rodrigo Barra / Divulgação.O lançamento do ‘What Design Can Do‘ São Paulo 2016 na FAAP em São Paulo. Foto: Rodrigo Barra / Divulgação.

Para dar início a esse processo de reflexão, o evento de lançamento contou com a presença do arquiteto croata Marko Brajovic, que será palestrante do WDCDSP 2016. “Na realidade hoje em dia vivemos uma realidade pós-industrial na qual o bom designer faz parte de todo o processo. Ele entende como funciona a sociedade, entende a necessidade das pessoas”, disse Brajovic, reforçando a importância do design ir além das disciplinas e navegar pelos diferentes setores da sociedade. 

Por fim, Richard van der Laken, fundador do WDCD, falou com o público via Skype diretamente de Amsterdã sobre o porquê de trazer o evento a São Paulo. “Eu poderia dar milhões de motivos para isso, mas só dois são realmente importantes. O primeiro, foi que em São Paulo eu conheci pessoas como a Bebel, que querem dar ao design o reconhecimento que ele merece. Além disso, eu também acho que tanto São Paulo quanto o Brasil são lugares com uma fantástica comunidade criativa – tanto, que muitos convidados do WDCD vêm daí”.

O WDCDSP 2016

Durante os dois dias do WDCDSP 2016, o palco principal, no Teatro FAAP, recebe palestras pela manhã e ao fim da tarde. No intervalo, o WDCDSP 2016 oferece sessões especiais de aprofundamento em temas específicos, as breakout sessions, com público menor e tempo maior de duração. O objetivo é levar o público a escolher os temas que mais os interessou e permitir que tenham uma experiência mais rica e aprofundada com os palestrantes em questão. As palestras no Teatro FAAP contam com tradução simultânea para português e o evento disponibiliza tradução simultânea em LIBRAS (neste caso, condicionada à solicitação na compra do ingresso).

Ao longo de todo o evento, marcas parceiras oferecem conteúdo relacionado ao evento em espaços exclusivos no foyer da FAAP, onde o público também encontrará livros dos palestrantes e de editoras convidadas. 

5 macrotemas balizaram a escolha dos palestrantes. Foto: Rodrigo Barra / Divulgação.5 macrotemas balizaram a escolha dos palestrantes. Foto: Rodrigo Barra / Divulgação.

Palestrantes confirmados:

Jacob Van Rijs (Holanda / MVRDV)

Jacob é sócio-fundador do escritório de arquitetura MVRDV, conhecido por fornecer soluções para questões arquitetônicas e urbanas, com projetos que incluem o Mercado Municipal de Roterdã e o Mirador, em Madri. Seus projetos, de formas ousadas e não óbvias, estão entre os mais vanguardistas e premiados do mundo.

Erik Kessels (Holanda / Kesselskramer) 

Erik Kessels é um nome de destaque no campo da criatividade. Além de artista, designer e curador, é sócio da KesselsKramer que tem escritórios em Amsterdã, Londres e Los Angeles. Ele é famoso pelo trabalho com fotografias amadoras. Em seus livros, publica imagens garimpadas em mercados de pulga, álbuns perdidos e a internet.

Selly Raby Kane (Senegal / SRK) 

A estilista lançou sua marca, SRK, em 2012 com forte influência da cultura pop. Desde então tem ganhado destaque e reconhecimento em meio à comunidade criativa. A cantora Beyoncé usou um look seu recentemente e a conferência Design Indaba a convidou para ser diretora criativa da edição 2017 do evento.

Fred Gelli (Brasil / Tátil) 

Fred Gelli é cofundador e diretor criativo da Tátil, uma consultoria de estratégia, construção e gestão de marcas, que ganhou projeção mundial ao assinar a identidade visual dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. A metodologia de trabalho de Gelli segue os princípios da biomimética, linha de estudo que encontra sinergia entre design e natureza.

Rogier Klomp (Holanda | Klomp TV)

O multidisciplinar designer é especializado em documentários de animação e em jornalismo de dados. É o produtor dos curtas independentes “The Goatman Act” e “Masters of Media” (série). Também é professor de design de dados na Willem de Kooning Academy, em Roterdã. Sua mais recente pesquisa, “Can Data Save Democracy?”, explora a relação entre dados, design e o poder público.

Popular de Lujo (Colombia / Gráfica Popular)

Fundado pelos colombianos Juan Esteban Duque, Roxana Martínez e Esteban Ucrós, Popular de Lujo é um projeto “não terminado, interminável, empírico e mutante” dedicado à Bogotá comum e cotidiana. O grupo estuda a “gráfica popular”, conceito que compreende todas aquelas imagens produzidas à margem dos grandes meios de comunicação e fora do circuito das agências de publicidade, estúdios de design e universidades.

Sam Bompas (Reino Unido | Bompas&Parr) 

Ao lado de Harry Parr, Sam fundou o Bompas & Parr, um estúdio de design conhecido por suas inusitadas criações sensoriais com comida, que incluem esculturas de gelatina, uma nuvem de gim tônica e uma parede escalável de chocolate. Todas as iniciativas têm por objetivo discutir a nossa relação com os sentidos e a forma como percebemos os sabores.

Eefje Blankevoort / (Holanda / Prospektor)

Além de escrever artigos e livros, a jornalista holandesa Eefje Blankevoort produz documentários multimídia para a Prospektor, companhia de produção jornalística da qual é cofundadora ao lado de Arnold van Bruggen. Seus projetos envolvem temáticas latentes da sociedade, incluindo refugiados e a reintegração de veteranos de guerra à vida civil.

Rodrigo Oliveira (Brasil / Mocotó) 

O chef paulistano transformou o Mocotó, restaurante de sua família na zona norte de São Paulo, em um dos mais premiados e conhecidos da América Latina ao unir inovação e tradição em seu modelo de negócios. A valorização de ingredientes típicos a partir de receitas executadas com perfeição e simplicidade tem contribuído de forma extremamente positiva para a gastronomia brasileira.

Marko Brajovic (Croácia / Brasil / Atelier Marko Brajovic) 

O arquiteto croata se aprofundou em questões complexas como a sinestesia em entornos audiovisuais interativos, biomimética e uso do bambu na construção de estruturas fixas. Em 2006, estabeleceu seu escritório em São Paulo, por meio do qual atende clientes como Coca-Cola, Nike e Hermès com uma equipe multidisciplinar de profissionais.

Andre Naddeo (Brasil / Drawfugees e I Am Imigrant) 

Entre abril e junho de 2016, o jornalista André Naddeo morou no campo de refugiados de Piraeus, na Grécia. Desta experiência, surgiram dois projetos independentes visando dar voz aos refugiados que não são representados pela mídia: “Drawfugees” e “I am immigrant”.

Aline Cavalcante (Brasil / OLangorra)

Jornalista, empreendedora social e cicloativista. Sua principal missão é promover os benefícios da bicicleta em São Paulo, uma das cidades mais motorizadas do mundo. As lutas e conquistas de Aline foram retratadas no premiado documentário “Bikes vs. Cars”, do diretor sueco Fredrik Gertten.

Serviço

What Design Can Do São Paulo 2016

Quando: 13 e 14 de dezembro, das 9h30 às 18h30.
Onde: FAAP. Rua Alagoas, 903, Higienópolis, São Paulo.
Ingressos através do site www.whatdesigncando.com.br
Valores: entre R$ 180,00 e R$ 690,00.

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Com informações da Mutato, FAAP e WN&P Comunicação.



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