Com vários sotaque e sabores, São Paulo nos convida a viajar pelo mundo - São Paulo São

São Paulo é a cidade mais multicultural do país porque a cidade recebe gente do mundo inteiro. Aqui está a maior comunidade japonesa fora do Japão, há desde imigrações consolidadas como a italiana, até ondas migratórias recentes como a coreana, chinesa, boliviana, peruana, haitiana, nigeriana, angolana, congolesa, síria, equatoriana, panamenha. Isso sem contar ondas migratórias internas. Uma mistura que marca intensamente a vida cultural, social e econômica da maior cidade do país.

Nossa São Paulo é habitada pelo mundo, compondo um mundo de histórias, narrativas e sabores vivos. Imagens: Tchérena Monteiro.Nossa São Paulo é habitada pelo mundo, compondo um mundo de histórias, narrativas e sabores vivos. Imagens: Tchérena Monteiro.

Estes imigrantes então, se aventuram por um espaço no disputado mercado gastronômico da Pauliceia Desvairada. E como o centro é o coração histórico de qualquer cidade, com São Paulo não poderia ser diferente, e a região central abriga autênticos locais com preços justos.

O Riconcito Peruano é um conhecido dos aventureiros gastronômicos, que não se intimidam com o estigma da Cracolândia. Comida honesta e sem frescura: boa, gostosa e barata. Ceviche, chicha morada, lomo saltado, arroz chaufa, papas a la huancaína, Inca Kola, Pisco Sour, são só algumas das descobertas possíveis no local. O dono, o peruano Edgar Villar, chegou no Brasil por estrada e antes de tentar o ramo gastronômico, vendia bijuterias na 25 de março. No local, que existe desde 2005 e vive cheio, só trabalham imigrantes peruanos.

Ceviche de salmão do Restaurante Reconcito Peruano. Foto: Divulgação.Ceviche de salmão do Restaurante Reconcito Peruano. Foto: Divulgação.

 Um dos vídeos mais visualizados do mundo é Gangnam Style, do rapper Psy, ídolo de K-pop (pop coreano), com mais de 3 bilhões de visualizações. E o Bom Retiro é o reduto dos coreanos que aqui vivem, alguns não falam português. Um dos restaurantes em que dá pra matar a saudade da Coreia é o Hwang To Gil. É minúsculo, o aparelho de televisão é ligado na emissora sul-coreana SBS (Seul Broadcasting System), que transmite em alta definição desde 1998. A proprietária é Nam Youn, que não fala português fluentemente mas sabe se virar. O local funciona há quase 20 anos e o ambiente é aconchegante. Há desde sopa de enguia até o tradicional churrasco coreano.

Cena do vídeo clip Gangnam Style. Imagem: Divulgação.Cena do vídeo clip Gangnam Style. Imagem: Divulgação.

Próximo ao Hwang To Gil, há o Duco Milk Tea, uma casa oferece bebidas à base de chá como em Taiwan. Funciona desde 2015 e os donos são imigrantes chineses. A bebida é feito na frente do cliente e há uma parede repleta de post-its com recados deixados pelos clientes. A atendente é a chinesa Caixia Yang ou Bianca, tem 29 anos e mora aqui há 13. Não estranhe se o público no local não desgrudar os olhos dos smartphones nem por um instante. É definitivamente um lugar inusitado para o Bom Retiro.

Restaurante Hwang To Gil com aparelho de televisão ligado na emissora sul-coreana SBS. Foto: Tchérena Monteiro.Restaurante Hwang To Gil com aparelho de televisão ligado na emissora sul-coreana SBS. Foto: Tchérena Monteiro.

Os imigrantes não estão somente na região central. Na Vila Mariana há um espaço de comida árabe, o Abudi Culinária Árabe. O carro-chefe é o sajj, um sanduíche de massa fina. Chadia Kobeissi, é brasileira descendente de libaneses e irmã do proprietário. Ela foi para o Líbano aos 17 anos, lá graduou-se em jornalismo e foi correspondente para a RFI (Radio França Internacional). Segundo ela, está escrevendo um livro com o título “Estado Anti-Islâmico”, que segundo ela irá desconstruir qualquer associação das ações do grupo ao Islamismo. "Tudo é um jogo e a religião nada tem a ver com isso", defende Chadia. Ela diz ainda que a imagem da mulher no Islã não é compreendida na sua totalidade pelo Ocidente e ainda vai além, é distorcida.

A atendente chinesa Caixia Yang. Foto: Tchérena Monteiro.A atendente chinesa Caixia Yang. Foto: Tchérena Monteiro.

Chadia confessa que para atrair o cliente, o restaurante não pode trabalhar com extremos: não pode ser nem tão árabe nem tão brasileiro. Há de se buscar um meio termo, por exemplo, houve acréscimo de recheios brasileiros ao sajj como frango com catupiry e doce de leite. "E o que vocês chamam de esfiha na verdade se chama lahme bajin", corrige Chadia, a respeito das populares esfihas. As do Líbano pelo menos, segundo ela, não são fofinhas como as daqui: "Quanto mais fina a massa melhor é. As melhores são do norte do Líbano", recorda ela. O amor de Chadia pelo Líbano é visível: "Sinto muita falta de lá. O Líbano é um país incrível, de estações bem definidas e não tem poluição, porque vive basicamente do turismo e da agricultura."

Abudi Halal tem pratos clássicos da cozinha árabe, como quibes, legumes recheados e folhados, em espaço colorido e informal. Foto: Divulgação.Abudi Halal tem pratos clássicos da cozinha árabe, como quibes, legumes recheados e folhados, em espaço colorido e informal. Foto: Divulgação.

Nossa São Paulo é habitada pelo mundo, compondo um mundo de histórias, narrativas e sabores vivos.

Serviço

Abudi Culinária Árabe
Rua França Pinto 118 Vila Mariana (metrô Ana Rosa).

Duco Tea Milk
Rua Prates 595 Bom Retiro (metrô Tiradentes).

Hwang To Gil
Rua Guarani 240 Bom Retiro (metrô Tiradentes).

Riconcito Peruano
Rua Aurora 451 Santa Ifigênia (metrô República).

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Por Tchérena Monteiro do Oboré - Projetos Especiais em Comunicações e Artes, especial para o São Paulo São.



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