200 anos do nascimento de Henry David Thoreau, o homem que transformou a caminhada numa arte

“Caminhada”, um livro pequeno e fácil de ler, é considerado pelo filósofo francês Fédéric Gros, o primeiro tratado filosófico sobre a caminhada. Nele, estão suas idéias que misturam o caminhar e a natureza:

“Os errantes são aqueles que estão em casa em toda parte.”

Suas caminhadas nunca duravam menos de três horas, todos os dias, partindo de madrugada, para entrar em contato com a força inevitável do dia e da natureza.

“Mas a caminhada de que falo nada tem que ver com exercício […] É antes o motivo e a aventura do dia.”

Ao invés de buscar lugares novos, deixava o corpo ir pelos mesmos caminhos enquanto a mente vagueava por lugares inexplorados. Depois, escrevia, pelo mesmo tempo que havia caminhado. Esse era o equilíbrio que buscava, para evitar as “armadilhas da cultura”.

“Gosto de, em meus passeios, ter comigo a consciência.”

Thoreau pregava a caminhada como uma fuga da cidade, em direção à natureza – “Rumo ao oeste”, invocando tanto a conquista das Américas, como o desbravamento do oeste norte-americano.  Importava ir na direção contrária das aglomerações humanas.

“As estradas se destinam aos cavalos e aos homens de negócios”.

Pode parecer até uma contradição um blog sobre caminhadas urbanas exaltar um homem que pregava a fuga da cidade, mas é da capacidade de introspecção e da concentração poderosa que se trata a experiência, e, portanto, inspiradora em qualquer cenário.

Para Thoreau, o caminhar era um momento de entrar em contato com a presença do mundo, uma poderosa experiência individual:

 “Se não for eu, quem o será?”

Um evento inesperado e contraditório marcou sua vida. Thoreau foi o responsável por um mega-incêndio na floresta de Concord, perto de Boston, onde morava, em 1844. Após fazer uma fogueira num acampamento, o fogo se alastrou e queimou mais de 300 acres de mata. Há quem diga que a culpa pelo incêndio pode ter sido uma das razões para ele decidir se isolar do mundo durante dois anos, vivendo numa cabana, onde escreveu a obra que o tornaria famoso – “Walden“ ou “A Vida nos Bosques“ publicada pela primeira vez em 9 de agosto de 1854.

***
Mauro Calliari é administrador de empresas, mestre em urbanismo e consultor organizacional. Artigo publicado originalmente no seu blog Caminhadas Urbanas do Estadão.

 

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