Diretor de instituto de Ayurveda revela sobre como é atuar no Brasil e na Índia

No SUS foram ofertados mais de 2.500 atendimentos em Ayurveda entre 2017 e 2019; de acordo com uma publicação do Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa CABSIN (Brasil).

A Organização Mundial de Saúde (OMS) incentiva que os países integrem a seus sistemas de saúde oficiais as medicinas tradicionais (MT). Como consequência, aqui pelo Brasil, desde 2017, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) do Ministério da Saúde, inclui o Ayurveda entre as práticas possíveis através do SUS.

Assim que o Ministério da Saúde anexou o Ayurveda à Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), no ano de 2017, o professor Fabio Goulart, diretor do Instituto Ayur Nidhi, coordenou as atividades com Ayurveda em um Posto da Saúde Familiar (SUS), na cidade de Petrópolis, sendo talvez o primeiro profissional a experienciar o Ayurveda enquanto PICS (Prática Integrativa e Complementar de Saúde). O professor continua trabalhando pela democratização do Ayurveda através do SUS e nos conta o que ocorreu de lá para cá e quais as principais diferenças do Ayurveda aplicado no Brasil e na Índia, seu país de origem.

No Brasil, o interesse pelo Ayurveda por parte da sociedade civil e da academia vem crescendo e, como resultado, as ofertas através do SUS vem aumentado, graças aos profissionais que buscam por tal engajamento. 

“Recentemente fui professor convidado em cursos de racionalidades médicas em instituições de peso como UFF e FIOCRUZ. Acabo de me associar a uma comunidade científica com 40 anos de pesquisas em plantas medicinais, na condição de graduando em farmácia e pesquisador. Meu desejo é ver a democratização da prática. “, afirma o professor.

O Ministério de Ayush, órgão que zela pelo Ayurveda em solo indiano, anunciou recentemente que a Organização Mundial de Saúde está desenvolvendo o Centro Global de Medicina Tradicional na Índia, o que evidencia o interesse da instituição pelas medicinas tradicionais.

“Na Índia, tive uma oportunidade que poucos ocidentais tiveram, após uma especialização que fiz ao lado de médicos que concluíram seu bacharelado, atuei dentro de um hospital empregando procedimentos provenientes do segmento cirúrgico do Ayurveda. Algo que talvez nunca vejamos ocorrer no Brasil”, explica Fabio Goulart.

Segundo o professor, fora da Índia tais abordagens e intervenções, como as mencionadas por ele, não são possíveis.

“Em nosso país, podemos utilizar a maior parte dos componentes terapêuticos do Ayurveda, tamanha a sua amplitude, focando naqueles que garantam segurança. Assim é possível se praticar o Ayurveda por aqui, seja através do SUS, através de ações sociais ou de forma privada.”, conclui Fabio Goulart.

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