A mais paulista das avenidas tem curiosidades que a fazem muito diferente

Por Thaís Oliveira.

Dos casarões antigos ao burburinho do público que aproveita a via fechada para os carros aos domingos, a trajetória e as surpresas da Paulista, nosso mais querido cartão-postal. Confira algumas curiosidades.

Parque Siqueira Campos: resquício remanescente da Mata Atlântica original e um dos parques centrais mais pesquisados da cidade. Foto: SVMA.

O Parque Trianon não é o único recanto arborizado da avenida mais movimentada da capital. Determinados locais que contribuíram para formar a identidade cosmopolita da via mantêm amplos jardins e bosques em seus terrenos, alguns deles meio escondidos do público.

Os jardins da casa, recheados de rosas – como bem diz o nome – são um deleite para os visitantes. Foto: André Hoff.


Casa das Rosas: O casarão convertido em centro cultural recebeu esse nome em razão do jardim florido em seu terreno.
Citibank: Desde 2015 possui um jardim suspenso com mais de oitenta espécies de plantas da Mata Atlântica ameaçadas de extinção.
Hospital Osvaldo Cruz : um bosque de 1 600 metros quadrados era área de lazer de imigrantes alemães no século XIX.
Hospital Santa Catarina: É a segunda maior área verde da via, com 3 925 metros quadrados e mais de 180 tipos de árvore.
Shopping Cidade de São Paulo: Mantém uma área verde aberta ao público na esquina com a Rua São Carlos do Pinhal.

Arranha-céu pioneiro

Fachada do Edifício Anchieta, que fica na esquina da Rua da Consolação e as avenidas Paulista e Angélica. Foto: Fernando Moraes/Veja SP.

Muita gente nem se lembra de que o trecho entre a Avenida Angélica e a Rua da Consolação também faz parte da Avenida Paulista. Lá foi erguido o prédio pioneiro no estilo modernista que viria a marcar a paisagem da via. Inaugurado em 1941, o Edifício Anchieta mantém muitas das características do
projeto original, como elevadores revestidos de mogno e uma área de serviço comum aos moradores de cada andar. Ali funcionou por 56 anos o lendário bar Riviera, reinaugurado em 2013 pelo empresário Facundo Guerra.


De banda em banda

Os espetáculos são organizados livremente e variam a cada domingo. Foto: Divulgação.

Desde a abertura da via para os pedestres aos domingos, em 2016, aumentou o número de artistas que transformam a Paulista em palco. Basta caminhar algumas quadras para ouvir boa música de todos os estilos.


Mudança radical

Avenida Paulista no sentido Paraíso em 1902: ao fundo, o pico do Jaraguá e, à direita, a mansão dos Matarazzo. Foto: Guilherme Gaensly/ Biblioteca Nacional.

A Paulista foi a primeira via da América Latina a ser asfaltada, em 1909. Mas recebeu esse nome dezoito anos antes, ao ser inaugurada de forma oficial. A avenida de duas pistas e terrenos arborizados projetada pelo uruguaio Joaquim Eugênio de Lima logo atraiu a nobreza cafeeira e os que fizeram dinheiro com a expansão econômica na região. A partir dos anos 30, os casarões tiveram de abrir espaço para construções mais modernas e verticalizadas.

O plano de 1972, consistia em dar seguimento a um projeto intitulado “Rodovias urbanas” mas foi descartado na administração de Miguel Colasuonno, prefeito de São Paulo entre 1973 e 1975.

Na década de 60 ocorreu a mudança mais expressiva, que moldou a paisagem atual. sob o comando do prefeito Faria Lima, começou a ser construída uma ligação subterrânea com a Avenida Rebouças, a Avenida Doutor Arnaldo e a Rua da Consolação. Nessa época, o espaço para circulação de veículos
triplicou. De lá para cá, a avenida transformou-se em um calçadão por onde circulam cerca de 1,5 milhão de pessoas todos os dias, quantidade que seria suficiente para encher o Estádio do Morumbi por 22 partidas.

Sessentão moderno

Mies van der Rohe observando a maquete do Conjunto Nacional. Foto: Edusp.

Idealizado em 1955 por um empresário argentino para funcionar como um misto de shopping e complexo hoteleiro, o Conjunto Nacional é um dos principais símbolos das transformações da Avenida Paulista.

O projeto do arquiteto David Libeskind, então com 26 anos, demorou três anos para sair do papel, e sua inauguração contou com a presença do então presidente Juscelino Kubitschek. De passeio sofisticado ao período de decadência nos anos 80, o edifício teve uma trajetória de altos e baixos.

Conjunto Nacional em 1964. Arquiteto: David Libeskind. Foto: José Moscardi / Edusp.


1958: inauguração do edifício, localizado no número 2073 da Avenida Paulista.
1961: abertura do Cine Astor, o mais luxuoso da época.
1968: em crise, o Fasano fecha as portas e passa o ponto para a Liquigás.
1978: grande incêndio destrói a fachada, marcando a época de decadência do
imóvel.
1992: o relógio é reformado e passa a mostrar a temperatura da cidade.
2007: a Livraria Cultura abre a maior loja de livros do país no prédio.

Avenida das Instituições Culturais

Em setembro de 2017 o Instituto Moreira Salles inaugurou seu centro cultural na Avenida Paulista, o coração de São Paulo. Foto: Vinicius Andrade.

MASP: situado desde 7 de novembro de 1968, na Avenida Paulista, O Museu possui a mais importante e abrangente coleção de arte ocidental da América Latina e do hemisfério sul.

SESC Paulista: inaugurado em 2018, o Centro cultural tem biblioteca, exposições de arte e restaurante, além de um mirante na cobertura com vista para a cidade.

Casa das Rosas: A Casa é um casarão no estilo clássico francês, com programação dedicada a diversas manifestações culturais, com enfoque em literatura e poesia.

Centro Cultural FIESP: A arquitetura moderna do edifício-sede da Fiesp o tornou ponto de referência no skyline da cidade. O local oferece uma programação artística e cultural o ano todo.

Japan House: A construção de 2017, possui uma fachada feita com hinoki, cipreste japonês, com mais de 70 anos de idade, e painéis em malha coberta com washi, papel japonês artesanal.

IMS Paulista: Inaugurado em 2017, além dos andares para exposições, o Instituto conta também com a Praça IMS (um ambiente de espaço e convívio), restaurante, biblioteca de fotografia e cineteatro.

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Edição: São Paulo São.

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