As mulheres e a ‘mobilidade do cuidado’

No Brasil, cerca de um terço da população usa transporte coletivo, outro terço anda a pé e o terço restante vai de carro, modal responsável pela emissão da maior parte dos poluentes (segundo pesquisa do IEMA feita em São Paulo).

Foto: Jurien Huggins / Unspash.

A parcela feminina é a maioria nas ruas a pé ou no transporte coletivo. E por isso mesmo é também a mais afetada pela falta de segurança urbana e pela ausência de equipamentos e serviços públicos adequados, especialmente nas periferias. 

Cumprindo duplas e até triplas jornadas, as mulheres e mães precisam contar com cidades planejadas para suprir suas necessidades: com boa iluminação nas ruas, calçadas decentes e acessíveis e transporte coletivo de qualidade, entre outras demandas do direito constitucional de ir e vir. 

Será logicamente fundamental reduzir os limites de velocidades das vias, respeitar as pessoas que têm necessidade de mais tempo para se locomover e atravessar as ruas, como gestantes, mães com crianças, idosos e cidadãos com algum tipo de limitação de locomoção, e investir também em ciclovias, que estimulam o transporte ativo, sustentável e saudável. 

Foto: Charisse Kenion /  Unsplash.

A mulher ainda é muito negligenciada no planejamento urbano – a cidade parece não ser feita para elas. Em São Paulo, por exemplo, a lógica do trânsito com sua pressa, estresse, sinfonia de buzinas e violência é nada acolhedora para mães e seus filhos.

No último domingo, dia 10 de maio, em que se comemorou o Dia das Mães, foi bom lembrar como as grandes responsáveis pela mobilidade dos filhos devem ser mais respeitadas. Aquelas que levam à escola, ao médico, à aula de balé ou futebol… Que buscam na casa da avó, nas festinhas de aniversário, no curso de inglês, merecem ter cidades amáveis, saudáveis e seguras onde seus filhos podem aprender (com bons exemplos de mobilidade, civilidade e urbanismo) e se desenvolver. 

Foto: Estadão Conteúdo.

Mais sensíveis às pautas ambientais, de acordo com pesquisas, as mulheres se mostram também dispostas a mudar o comportamento para preservar o meio ambiente – e, consequentemente, a saúde de seus filhos. Assim, tendem a enxergar a volta à rotina na pós-pandemia de uma forma mais simples e sustentável. Há quem considere, por exemplo, procurar um curso para o filho mais próximo de casa, para ir a pé. Ou programar um sistema de carona com as mães da escola. A mãe terra agradece. Afinal, como disse já o grande Mahatma Gandhi, “a natureza pode suprir todas as necessidades do homem, menos a sua ganância.”

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Artigo assinado pelo Pro Coletivo, blog parceiro de conteúdo, especializado em assuntos da multimodalidade. 

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