Bicicleta e transporte público são focos das cidades mais habitáveis

Usei como ponto de partida o ranking mais recente da revista norte-americana “Metropolis”, publicada no último 13 de setembro, que dá o seguinte ranking: Copenhage, Berlim, Helsinque, Cingapura, Viena, Tóquio, Oslo, Melbourne, Toronto e Portland. Essas são as mais habitáveis do planeta, de acordo com os avaliadores, que levaram em conta habitação, transporte, sustentabilidade e cultura.

Analisando os projetos recentes dessas cidades, dá para ver a tendência de apostar na melhoria da mobilidade urbana, em diversos tipos de iniciativa, com grande destaque para o transporte público e as ciclovias.

Copenhage tem duas metas emblemáticas que se conectam. Quer ser a melhor cidade do mundo para bicicleta e a primeira capital livre de emissões de carbono até 2050. A infraestrutura para as bikes é prioridade, já que cerca de 45% dos deslocamentos da capital da Dinamarca são feitos por esse meio de transporte. Um programa de longo prazo, que começou em 2011 e vai até 2025, incluiu um cicloanel que conecta todo o espaço urbano e alcança as zonas costeiras e o porto. O anel faz parte de uma rede de 26 ciclovias planejadas e já diminuiu o tempo de viagem médio da cidade em meia hora.

Berlim já tem mais ciclistas que motoristas faz tempo (em 2014, a cada mil moradores, 324 dirigiam carros e 721 pedalavam, segundo a Environmental Awareness Study). Um grupo de ativistas e arquitetos planeja fazer a primeira ciclovia coberta, no projeto “Radbahn“, embaixo da linha ferroviária elevada U1, um dos ícones da cidade alemã.

O longo percurso de 9 km ligando bairros importantes protegeria os ciclistas da neve e das chuvas e faria florescer pequenos comércios e espaços de recreação. Hortas urbanas ao longo da rota forneceriam ar fresco. A energia para iluminação e outras instalações no Radbahn viria de materiais de superfície sensíveis à pressão, transformando o atrito dos pneus dos ciclistas em eletricidade.

No projeto para o Seestadt Aspern, um enorme bairro em construção em Viena para abrigar cerca de 20 mil pessoas e ter 20 mil postos de trabalho, a proximidade da natureza, da vida cultural e as práticas esportivas são fundamentais. Para garantir a conexão entre trabalho, lazer e moradia, o projeto de mobilidade incluiu ciclovias, vias exclusivas para pedestres, bike trailers, duas linhas de metrô, trens e ônibus. Já há 2.600 unidades habitadas, segundo o consórcio construtor.

A alta capacidade da ligação de transportes públicos reduziu a previsão inicial de vagas de estacionamento em favor da qualidade da vida e da acessibilidade universal. Uma parte das economias obtidas pelo corte na construção de garagem reverteu para um fundo de mobilidade, usado para manter formas alternativas de transporte.

O Japão é o terceiro país com mais bicicletas no mundo e, em Tóquio, muitas empresas incentivam o uso de bicicletas para o trabalho, o que é conhecido como tsuukin-isuto (tsuukin significa trabalho). Com os preparativos para os Jogos Olímpicos em 2020, a cidade quer ser exemplo de sustentabilidade. Quando esteve no Brasil no encerramento dos Jogos do Rio, em agosto, a governadora da cidade, Yuriko Koike, disse que os 3Rs –reduzir, reutilizar e reciclar– norteiam a preparação.

A Noruega quer ser neutra em carbono até 2050. Ao longo dos próximos três anos, o centro de Oslo deve estar livre de carros. O governo planeja retirar os investimentos de fundos de pensão em negócios da cadeia da exploração de combustíveis fósseis e investir cerca de US$ 1 bilhão na construção de ciclovias nas dez maiores cidades do país.

Melbourne, na Austrália, tem estado no topo do ranking da “The Economist” nos últimos seis anos, como cidade mais habitável do planeta. A revista “Metropolis” destaca o investimento em transportes públicos da cidade, que incluem a mais extensa de rede de trens elétricos da Austrália, como ponto forte.

A mudança de paradigma da cultura do carro para a cultura do pedestre é o destaque em Toronto, no Canadá. Nos últimos anos, a cidade tem sido considerada uma das cidades mais habitáveis e diversificadas do mundo. Metade dos residentes nasceu fora do país e a região atrai 100 mil novos moradores por ano, para empregos nas áreas de tecnologia, artes e educação. A construção de novas linhas de bondes e ampliação da infraestrutura para os ciclistas fazem parte da política para acomodar o crescimento populacional.

Em décimo lugar do ranking da “Metropolis” vem Portland, no Estado de Oregon, Estados Unidos. Ela já é a principal cidade norte-americana em uso de bicicleta, e 7% da população pedala para ir ao trabalho. A prefeitura espera que, até 2035, 25% das viagens da cidade seja feita por bike.

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Por Mara Gama em sua coluna na Folha de S.Paulo.

 

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