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São Paulo São Causas


O Abraço Cultural – Curso com Refugiados está com inscrições abertas para sua 4ª edição que acontece de 11 de janeiro a 5 de fevereiro de 2016.  O curso intensivo de férias acontecerá às segundas, quartas e quintas-feiras - totalizando 36 horas/aula – e terá como encerramento a 2ª edição da festa Aquele Abraço Cultural - o evento celebrará a cultura dos professores refugiados do curso, no dia 13 de fevereiro de 2016. 

Ministrado por professores em situação de refúgio no Brasil, o curso de idiomas (francês, inglês, espanhol e árabe) atrela o aprendizado da língua à vivência cultural junto a refugiados vindos de países Africanos, Árabes, Latino-Americanos.

A iniciativa teve início em julho de 2015 e reuniu até agora 290 alunos, 50 voluntários, dando oportunidade de inserção no mercado brasileiro a 28 professores refugiados.

 

Foto: Ilana Goldsmid

Abraço Cultural – Curso com Refugiados:  Idealização e Método

O projeto Abraço Cultural - Curso com Refugiados foi desenhado pela plataforma social Atados – Juntando Gente Boa e a associação Adus - Instituto de Reintegração do Refugiado Brasil e tem hoje como parceiros também a SP Escola de Teatro e a Escola da Cidade. O principal objetivo é promover a troca de experiências, a geração de renda, e a valorização pessoal e cultural de refugiados residentes no Brasil e, ao mesmo tempo, possibilitar aos alunos do curso o aprendizado de idiomas, a quebra de barreiras e a vivência de aspectos culturais e festivos de outros países.

Em sala de aula, ou fora dela os professores conduzem os alunos por uma jornada de cultura-experiência por seus países de origem. Além das aulas formais o aprendizado do idioma se dá por meio do compartilhamento das histórias de cada professor e elementos culturais de seus países de origem como músicas, filmes, culinária, arte, história, política e festas típicas. 

O curso pretende ser replicável, podendo ser aplicado em outras cidades e países.

Atados

O ‘Atados – Juntando Gente Boa’ é uma plataforma – online e off-line - que conecta empresas, organizações sociais e cidadãos em uma rede de transformação social por meio do trabalho voluntário e projetos inovadores.

Com sede em São Paulo, Brasília, Curitiba e no Rio de Janeiro conta com uma rede de 39 mil pessoas, 400 ONGs e 30 empresas, mobilizando cidadãos para mais de 800 oportunidades de voluntariado e co-criando projetos sociais inovadores.

Com quase 40 mil usuários, a plataforma online www.atados.com.br funciona como uma rede social conectando ONGS e cidadãos por meio de oportunidade de trabalho voluntário ou engajamento social.

Adus

Fundado em 2010 por internacionalistas e pesquisadores do tema do refúgio, o Adus – Instituto de Reintegração do Refugiado recebeu o título de OSCIP em 2012.O Adus realiza diversas ações voltadas à conscientização, diminuindo os casos de preconceito contra solicitantes de asilo e refugiados. Desde 2010 diversos postos de trabalho foram criados; vagas em cursos foram logradas; muitos voluntários foram incluídos ao grupo de colaboradores e contribuem efetivamente na ações e projetos da organização. 

Parceiros:

SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco

Uma instituição gratuita que dá plenos poderes ao pensamento e às ações de renomados criadores da cena teatral brasileira. Desde 2010 oferece formação profissional para 8 áreas do teatro, a saber: atuação, cenografia e figurino, direção, dramaturgia, humor, iluminação, sonoplastia e técnicas de palco. A instituição conta também com cursos de Extensão Cultural que incluem outras áreas artísticas como a dança e o circo, residências artísticas com companhias de teatro e artistas nacionais e internacionais. Além disso, a Escola acolhe projetos sociais e está aberta à população que pode utilizar a biblioteca para consultar seu acervo, conferir palestras, debates e workshops. www.spescoladeteatro.org.br

Escola da Cidade

A Escola da Cidade é um centro de estudos que – por meio de relações entre arquitetura, história, cultura, território e natureza – procura introduzir e reinterpretar as diferentes formas de ocupação do espaço. Somos uma instituição de ensino superior que, reconhecida pelo MEC em 2001, reúne um conjunto de profissionais multidisciplinares e procura formar arquitetos e urbanistas criativos e críticos àcidade.

Mais informações também no https://www.facebook.com/abcultural?fref=ts

Serviço

 Intensivo de Férias 2016 - Curso de Cultura e Idiomas com Professores Refugiados.
Curso: de 11 de janeiro a 5 de fevereiro de 2016 (36 horas).
Segundas, quartas e quintas-feiras.
Inscrições:www.abracocultural.com.br
Horários de atendimento: Segunda a Sexta a partir das 11h.
Festa Aquele Abraço Cultural 2ª edição: 13 de fevereiro de 2016.

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Fonte: Nany Gottardi - Assessoria de Imprensa / Locomotiva Cultural.


A praça Acibe Ballan Camasmie, no Brooklin Novo, na zona sul de São Paulo, é um daqueles espaços que convidam quem passa pela área a entrar para desfrutar de momentos de tranquilidade em meio ao verde. O local de 10 mil m² é simples, mas bem cuidado, limpo, tem onde sentar, quadra poliesportiva e é iluminado à noite.

Mas esse cenário era bem diferente há cerca de três meses, quando havia muita sujeira espalhada pelo lugar, lixeiras quebradas e postes sem funcionar. Tudo começou a mudar depois que a praça foi "adotada" pelos moradores das proximidades, que passaram a sugerir melhorias para o local e até chegaram a organizar cinco mutirões para tornar o lugar mais agradável.

O "ponto de encontro" deles para trocar ideias sobre como melhorar a praça é virtual. Os moradores lançam propostas, debatem, votam e marcam os mutirões, tudo pela internet. Quem ajuda a promover encontros como esses e articula parcerias para financiar a realização das melhorias é o projeto "Praças".

Criada há três meses, a iniciativa conseguiu reunir 345 pessoas em torno de uma mesma causa: transformar essa praça do Brooklin Novo em um espaço de lazer para a comunidade.

Esses moradores acessaram o site do projeto, aceitaram se tornar "amigos da praça" e começaram a participar das discussões e a escolher o que queriam mudar no local. Ações como limpeza, revitalização do mobiliário, pintura da quadra e instalação de espaço cercado para os cães foram feitas por eles mesmos durante mutirões.

Já problemas de falta de lixeiras e postes apagados, que só podem ser resolvidos pelo poder público, ficaram a cargo da equipe do site, que repassou as demandas para os órgãos responsáveis, que instalaram novas lixeiras e consertaram os postes de iluminação.

Também coube à equipe do projeto convencer pessoas e empresas a ajudar a financiar o material usado durante os mutirões, como sacos plásticos e tintas. Dois patrocinadores doaram R$ 23.500,00 para a reforma da praça, em troca da exibição de suas marcas tanto na praça quanto no site do projeto.

Uma praça em cada bairro

O idealizador do "Praças", o urbanista Marcelo Rebelo, 29, deseja que outras praças da capital paulista passem pela mesma transformação que a feita na Acibe Ballan Camasmie. E a meta dele é ambiciosa: "Queremos revitalizar uma praça em cada bairro de São Paulo; queremos dar a mesma qualidade de praças tanto para bairros ricos como pobres".

Para concretizar essa missão, ele espera contar com a ajuda da população, que pode indicar no site que locais quer que sejam recuperados e participar dos debates e ações para a melhoria das praças.

Apaixonado por espaços públicos, o urbanista conta que o projeto é resultado de uma inquietação que ele tinha durante os cinco anos que foi funcionário público na prefeitura. "Eu tive péssimas experiências em audiências públicas, que não conseguem fazer com que as pessoas contribuam. Daí surgiu a ideia de mudar esse modelo de audiência pública para online", lembra.

Para colocar o site no ar, Rebelo contou com o apoio da Social Good Brasil, organização sediada em Florianópolis que ajuda a viabilizar projetos que usam tecnologias e novas mídias para promover mudanças sociais. 

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Fabiana Maranhão do UOL em São Paulo.

 

 
No pátio da escola Maestro Pixinguinha, na zona norte do Rio, um grupo de alunos do 9º ano manejam latas de spray e pincéis para colorir o muro interno com mensagens contra a violência doméstica.
 
Pouco antes, Ana, 14, Renata, 15 e Paula, 14, (nomes fictícios) estavam reunidas na oficina promovida pela Rede Nami para debater questões de gênero. Ao final, as estudantes se dirigem à assistente social para fazer uma denúncia de abuso.
 
"Todo dia quando o pai da nossa amiga a traz para escola, ele dá um beijo na boca dela. Meu pai não faz isso", incomoda-se uma delas. O caso foi encaminhados ao conselho tutelar.

Situações como essa são rotineiras no trabalho de campo que a Nami, associação sem fins lucrativos, que usa as artes urbanas para promover os direitos das mulheres, já realizou em mais de 40 escolas públicas do Rio. 
 
Formalizada em 2012 por um grupo de 30 feministas, a rede de grafiteiras tem a artista plástica Panmela Castro, 34, como líder e 500 integrantes de várias partes do país. 
 
Um grupo de mulheres engajadas para tentar mudar um cenário desafiador: cinco mulheres são espancadas a cada dois minutos no Brasil, de acordo com dados da Fundação Perseu Abramo, de 2011. É no ambiente doméstico que acontecem 27,1% dos homicídios de mulheres, de acordo com Mapa da Violência 2015 - Homicídio de Mulheres no Brasil. 
 
Para atuar nesse campo minado, a Rede Nami promove as oficinas do projeto Grafite pelo Fim da Violência Doméstica Contra a Mulher. 
 
Comandadas por Panmela e grafiteiras capacitadas pela Nami e com a participação de uma assistente social, os encontros duram uma hora. 
 
O bate-papo aborda percepção de gênero, tipos de violência e ferramentas da Lei Maria da Penha, marco legal para responsabilização de agressores. Os temas são depois transpostos para os muros como atividade final da oficina. "O grafite é uma solução nova para antigas demandas, é revolucionário, é como a arte sempre foi usada", diz Panmela. 
 
A iniciativa de Panmela tem o "carimbo" de aprovação de Maria da Penha, farmacêutica bioquímica que inspirou "a carta de alforria das mulheres brasileiras", como a cearense define a regra. 
 
"A Nami se utiliza da arte urbana para, em um primeiro momento, esclarecer sobre a história da submissão da mulher durante séculos", considera Maria. "Depois multiplica os conhecimentos através da arte dessas mulheres, agora mais conscientes sobre os direitos que nós temos de viver numa sociedade com equidade de gênero", completa. 
 

Panmela Castro após oficina de sobre questões de gênero em escola pública no Rio de Janeiro. Foto: Na Lata.
 
Impacto
 
De 2012 a 2014, 5.000 pessoas participaram das oficinas. Outras 50 mil foram impactadas por campanhas via internet. O total é de 5.000 m² muros grafitados em ações da Nami, processo no qual foram consumidas cerca de 5.000 latas de spray. 
 
Muitas delas manejadas por Alexandra Fonseca, 41, a Mel Graffiti. Abusada sexualmente por um vizinho dos 10 aos 16 anos, ela se redescobriu na arte urbana.

"Eu me libertei dessa situação e passei a falar sobre há pouco tempo, após entrar na Nami e estudar sobre a Lei Maria da Penha", conta. "O grafite mudou a minha vida." 
 
E de outras companheiras de rede. "A Nami dá oportunidade para as mulheres terem independência. Elas têm a autoestima de volta, são abraçadas e valorizadas", diz Alexandra. 
 
A ONG mantém um diálogo ativo também com o poder público. "Sugeri que a Prefeitura do Rio criasse um decreto que determinasse os espaços na cidade onde os grafiteiros poderiam intervier de forma livre", conta Panmela. Desde 2014, colunas, muros (que não sejam de patrimônio histórico), paredes cegas, pistas de skate, postes e tapumes de obras são livres para os artistas de rua.
 
Quem passa ao longo da linha 2 do metrô, pode ver os efeitos da norma. É na extensão desses 40 km, em Irajá, zona norte do Rio, que mora e grafiteira Jennifer Borges, ou simplesmente J-Lo, 27. 
 
Formada em história pela Universidade Federal Fluminense (UFF), ela integra o Afrografiteiras, projeto de promoção do protagonismo de mulheres negras. 
 
Por meio do programa da Nami, J-Lo teve duas obras expostas na Galeria Scenarium, no Rio, uma delas, a mais cara, à venda por R$ 10 mil. "Sempre quis ser artista, mas nunca imaginei que uma menina preta, pobre, periférica e sapatão conseguiria um dia estar em uma galeria de arte.

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Olivia Freitas enviado especial ao Rio de Janeiro na Folha de S.Paulo.
 
 


Barcelona, na Espanha, possui cada vez mais moradores de rua, apesar de ser uma cidade que continua a crescer como destino turístico, sendo nos dias de hoje a quarta cidade mais visitada da Europa.

Como juntar esses dois fatos e transformar isso em algo bom? Foi nisso que a agência Hidden City Tours pensou quando resolveu entrar em contato com instituições de caridade que lidam com moradores de rua. Afinal, quem melhor para te apresentar a verdadeira cidade e suas coisas escondidas, do que uma pessoa que teve a falta de sorte de precisar morar nas ruas dela?

Com essa oportunidade, pessoas sem-teto podem trabalhar e caminhar novamente para uma vida melhor.

Os guias são recrutados nos serviços sociais, refeitórios e instituições de caridade de sem-teto. No treinamento são aplicados alguns filtros: o inglês, alemão ou francês tem que ser fluentes, eles tem que ter boa apresentação, tem que ser livres dos vícios do álcool e drogas, ser bons oradores e ter um desejo de trabalhar e fazer parte de uma equipe pequena, mas ambiciosa.

Cada guia segue um programa de treinamento completo que vai de 60 a 80 horas, liderada pela fundadora da agência, Lisa Graça, e uma historiadora local, Natalia Baque. E para aqueles guias que precisarem de suporte adicional em Inglês, eles também oferecem aulas semanais do idioma. Por isso é muito difícil encontrar bons guias, segundo a Hidden City Tours.

E eles tem um conhecimento incrível da cidade e podem levar as pessoas não só para mostrar as áreas turísticas conhecidas mas também para lugares onde há segredos e histórias desconhecidas que a cidade quer compartilhar.

Então, se você for pra Barcelona ou estiver de férias aí no momento, que tal dar uma chance para essa agência e conhecer Barcelona de uma forma completamente diferente?

Confira nesse link o vídeo oficial do tour como os guias moradores de rua.

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Com informações de Lila Varo no Mistura UrbanaHidden City Tours.


Abigail Pellegrini mora há 28 anos no Jardim Felicidade, favela na zona sul de São Paulo. A casa onde mora com quatro filhos e uma sobrinha é própria, mas os sinais de que precisa de uma boa reforma estão por toda a parte. 
"Tem goteira no telhado. Lá no meu quarto até escorre água pela parede e eu não tenho janela. A única que tinha foi fechada pelo vizinho", conta ela, apontando ainda para a escada enferrujada.

Desempregada, ela está sem condições de trabalhar devido a uma obesidade mórbida, não poderia pagar uma reforma apenas com o salário da filha e o Bolsa Família, que somados geram uma renda familiar que não chega a R$ 1.000.

A oportunidade de ter um novo banheiro surgiu quando o Programa Vivenda, negócio social que realiza reformas de baixo custo e alto impacto social em favelas da capital, bateu em sua porta depois da indicação de uma amiga.

Com o subsídio do Instituo Azzi, parceiro do programa, Abigail pode reformar o único banheiro da casa. "Era feio, sujo, só tinha o vaso e o chuveiro. O piso era de cimento grosso." Hoje, ela fala com orgulho de seu novo cômodo.

"Eu até faço questão de deixar a porta aberta para todo mundo ver. Você olha branquinho, bonitinho, não faz vergonha pra ninguém."

Abigail foi uma das 134 reformas realizadas pelo Vivenda desde o início de 2014. O negócio social foi fundado pelo administrador Fernando Assad, 32, finalista do Prêmio Empreendedor Social de Futuro e concorre também na categoria Escolha do Leitor; vote.

Leia a seguir o depoimento de Abigail à Folha de S.Paulo.

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Sou carioca, de mãe baiana e pai pernambucano e moro aqui no Jardim Felicidade [zona sul] há 28 anos. Divido minha casa com meus quatro filhos e uma sobrinha.

Quando eu me separei, eu fui morar de aluguel e meu ex-marido ficou aqui. Depois ele alugou para um pessoal que destruiu a casa. Antes não era assim.

A fiação está toda para fora, não tem piso. Eles quebraram tudo.

Quando eu voltei, minha ex-sogra comprou o azulejo, mas eu ainda não consegui colocar. Já estava doente e os meninos eram pequenos.

Eu tenho obesidade mórbida devido a problemas na minha última gravidez. Recentemente, consegui o tratamento adequado pelo SUS e já perdi 20kg.

Também tenho problemas respiratórios e minha filha de 16 anos tem bronquite e rinite. A casa é abafada, toda fechada desse jeito. É escura. A gente tem que estar sempre com luz acesa durante o dia.

Não tenho janela. A única que tinha foi fechada pelo vizinho.

Quando chove, a casa fica cheia de goteira. No meu quarto até escorre água pela parede.

O lugar mais claro é a cozinha porque tem janela. O resto da casa não tem. A escada está quebrando e eu tenho medo porque, afinal de contas, perdi 20kg, mas ainda tem 140kg aqui. Eu tenho medo de ela arrebentar comigo.

O banheiro era feio, sujo, só tinha o vaso e o chuveiro. O piso era cimento grosso, a porta era 'portátil' [risos]. A gente tirava para entrar e escorava para usar o banheiro.

Não tinha o que fazer para limpar e, se jogava um cloro, cheirava demais e me prejudicava. Eu morria de vergonha porque é a parte da casa que uma vista mais visita.

 

No antigo banheiro de Abigail, não havia piso e a fiação era exposta. Foto: Na Lata.


Surpresa

Uma amiga, que me acompanha há muito tempo e conhece minhas dificuldades, soube do Vivenda porque outra conhecida nossa fez a reforma com eles. Ela perguntou se poderia me indicar e fez essa surpresa.

Em uma semana já estava todo mundo aqui. Foi tudo bem feito e de maneira rápida, dentro do prazo de cinco dias.

O pedreiro que estava fazendo o banheiro viu o piso que minha ex-sogra comprou e fez mais esse favor, colocou esse pedaço [em frente ao banheiro].

O banheiro está 'nos trinques'. Não queima mais o chuveiro, eles trocaram o fio e o banho agora é sempre quentinho. Por mim, o banheiro agora tem que ser limpo toda hora para continuar brilhando.

Eu até faço questão de deixar a porta aberta para todo mundo ver. Você olha branquinho, bonitinho, não faz vergonha pra ninguém.

Crédito facilitado

Eu consegui reformar porque a proposta de pagamento ficou bem dentro do orçamento. Só uma filha minha trabalha e recebo R$ 150 do Bolsa Família por dois que estão na escola. Mesmo assim ainda aperta um pouquinho

Começo a pagar agora em novembro. O valor do banheiro seria de R$ 3.900, mas eles reduzem e eu vou pagar R$ 900, dividido em dez prestações.

Conversei com minha filha, a gente apertou um pouquinho e vamos tirar do Bolsa Família e do salário dela e pagar assim.

É difícil conseguir crédito [fora]. Eu não tenho renda, desempregada, só tenho uma filha trabalhando. O meu filho de 19 anos também está desempregado há pouco tempo.

Então fica muito difícil conseguir crédito, principalmente quando se ganha menos de R$ 1.000 como ela pra manter a casa.

O sonho

Quando eu consegui o crédito [com o Vivenda], eu fiquei feliz. Quando eu vi o banheiro pronto, eu fiquei feliz duas vezes. Conseguindo arrumar a casa toda, pode ter certeza, que eu vou ficar mais feliz ainda. Elas [as filhas] também estão contentes. Graças a Deus.

A prioridade agora seria o meu quarto e a escada. Depois, o resto da casa porque está pingando, a calha já está começando a dar defeito.

Meu sonho de moradia seria uma casa térrea, para eu abrir a porta e ter um quintal para sentar na minha cadeira e tomar um ventinho.

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Depoimento a Eliane Trindade, editora do Prêmio Empreendedor Social.  Com Patricia Pamplona de São Paulo.

 


Barragem é o bairro mais extremo da capital paulistana, a 48 quilômetros do centro. Apenas uma linha de ônibus, com o sugestivo nome de Terminal Parelheiros, chega ao local que ainda não tem nem imagem disponível no Google Street View.

Um simples pedido de uma aluna, no entanto, fez três voluntárias ignorarem o distanciamento e irem até a única escola do bairro.

Jéssica Rodrigues, 16 anos, assumiu a presidência do primeiro grêmio oficial da Escola Estadual Joaquim Alvarez Cruz. Uma das bandeiras da chapa, só de mulheres, era o combate ao machismo e ao racismo. E ela encontrou uma forma de trazer a pauta para a escola em apenas duas semanas.

Por indicação de uma amiga nas redes sociais, ela encontrou o site Quero na Escola, canal para qualquer aluno de escola pública pedir o que quiser aprender além do currículo obrigatório. Em meio a outros pedidos como fotografia, cerâmica e quadrinhos, fez o seu: uma palestra contra racismo e machismo.

No mesmo dia em que a solicitação apareceu no site, usuários começaram a marcar pessoas com engajamento nos temas e três voluntárias se cadastraram. Uma delas, a jornalista Marcella Chatier, avisou que não ia sozinha. “Estamos organizando um bonde para atender a aluna”.

A organização do site conversou com a direção da escola para saber se a palestra poderia ocorrer na instituição ou se teria de ser em outro lugar. Com a intermediação do grêmio, a escola não apenas aceitou receber as visitas, como liberou todos os alunos e professores do período noturno para assistir.

Na quarta-feira passada, as feministas Marcella e Martha Lopes, jornalistas sócias na empresa de curadoria criativa Cobogó, e a presidente da ONG de empoderamento feminino Casa de Lua, Vanessa Rodrigues, saíram da Vila Madalena às 16h55 para a missão. Chegaram pontualmente às 19h na escola.

Os rostos desconhecidos foram logo reconhecidos pelos alunos. “Chegaram as palestrantes”, gritou um rapaz pela grade para que o portão fosse aberto. Jéssica e as demais integrantes do grêmio receberam as voluntárias, seguidas pela coordenadora pedagógica do período noturno, Benedita Pereira Martins.

Escolhido o espaço do pátio, as alunas avisaram nas salas e um a um 170 alunos trouxeram suas cadeiras e se enfileiraram em frente ao palco. Nove professores ficaram de pé nos fundos ou na lateral.

Foi tanta gente, que fez falta um microfone. “A gente tem, mas alguém esqueceu a bateria dentro e oxidou”, disse a coordenadora. Durante todo o ano o equipamento não havia sido usado.

ee joaquim alvarez cruz quero na escola protagonismo estudantil participação

Chegada das feministas na escola estadual Joaquim Alvarez Cruz.
 

A palestra incluiu vídeos de campanhas por igualdade de gênero, falou de diferença de acesso à educação e ao esporte, de direito a sexualidade, gravidez, da necessidade de gênero aparecer nos planos educacionais e de racismo. Quando iam encerrar, umas das meninas tomou coragem e falou que queriam abordar o Top 10, bullying comum na periferia de São Paulo que também ocorreu naquela escola.

Vanessa Rodrigues, usou um tom de voz mais elevado para repudiar a agressão. “Isso pode acabar com a vida de uma menina ou deixar marcas muito sérias”. Diante das voluntárias, as jovens tomaram coragem e impressionaram as feministas experientes.

comentou Martha. “Queremos voltar e falar mais vezes com elas, foi muito enriquecedor e pode ser ainda mais em grupos menores”, completou Marcella.

Jéssica contou que se organiza com outras mulheres na luta contra o machismo na região. A família dela sofre com a questão desde que a irmã era adolescente e sofreu um bullying que venceram com a família unida. “Não é um assunto fácil de abordar, vocês aqui dão muita força para a gente seguir firme”, agradeceu.

Saiba mais:
www.queronaescola.com.br

 - Carta na Escola.

 

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