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São Paulo São Causas


De acordo com Odaymara Cuesta, da Krudas Cubensi, uma banda cubana de hip-hop formada por lésbicas, há uma pessoa homossexual em cada família de Cuba.

Mas muita coisa precisa mudar em Cuba antes que seus cidadãos lésbicos, gays, bissexuais e transexuais (LGBT) possam expor suas verdadeiras identidades sem medo de discriminação, em um país no passado notoriamente hostil a eles, disse Cuesta.

"Cuba é um país muito misógino, e é difícil ser uma pessoa lésbica ou gay aqui", disse Cuesta à Fundação Thomson Reuters, em entrevista por telefone, de Havana.

"Ainda que a nova geração seja mais aberta e tolerante, precisamos nos educar melhor sobre os relacionamentos homossexuais e os direitos dos LGBT", ela acrescentou. Nos primeiros anos da revolução iniciada em 1959, a homossexualidade era vista como contrarrevolucionária, e os líderes socialistas de Cuba enviavam homossexuais a campos de trabalho para reeducação. 

Mas os direitos dos homossexuais fizeram grandes avanços no país nos últimos anos. Em 2010, o ex-presidente Fidel Castro disse lamentar a discriminação sofrida pelos homossexuais cubanos depois de sua revolução, afirmando que ela foi "uma grande injustiça".

Sua sobrinha Mariela Castro, filha de Raúl Castro, esteve na vanguarda da luta pelos direitos dos homossexuais e no ano passado liderou ativistas em um casamento em massa simbólico, para promover a aceitação dos cubanos gays e transexuais. 
Em 2014, a Assembleia Nacional cubana aprovou uma lei trabalhista que proíbe a discriminação por orientação sexual, e cirurgias gratuitas de mudanças de sexo estão disponíveis desde 2008. 

Para Cuesta e Olivia Prendes, do Krudas Cubensi, a música é outra maneira de promover os direitos dos homossexuais. "A música é uma ferramenta muito importante para educar o nosso povo e informá-los sobre quem somos e o que fazemos", disse Prendes. "Por meio da música, lutamos pelos nossos direitos".
 
Prendes disse que quando a banda lançou seu primeiro álbum, em 2003, a comunidade do hip-hop em Cuba ficou chocada, porque era a primeira vez que alguém falava de lésbicas ou de feminismo. "A comunidade do hip-hop é em geral heterossexual e se concentra em questões sociais", ela disse. "Os héteros de Cuba não compreendem que pessoas como nós existem". 

Prendes admitiu que, para ela e Cuesta, que agora dividem seu tempo entre Cuba e os Estados Unidos, a fama tornou mais fácil ser gay. 
 
"A maioria das pessoas nos conhecem, nos admiram e sentem curiosidade sobre quem somos", ela disse. Mas, nas cidades menores e no campo, os cubanos que se identificam como homossexuais não tratam abertamente de sua sexualidade, disse Prendes. 

"Não é fácil ser abertamente homossexual, e muitas pessoas vivem no armário", ela disse. "A realidade privou nosso pessoal do orgulho e da liberação sexual. O discurso do ódio é onipresente". 

Prendes disse esperar que mais amantes da música cubanos mudem suas atitudes para com os LGBT por ouvirem a música de sua banda. "Continuamos a lutar por nossos direitos, ainda estamos lutando pela igualdade no casamento, pelos direitos iguais para os LGBT", ela disse. 

Na América Latina, a Argentina e o Uruguai legalizaram o casamento homossexual, e o mesmo se aplica à Cidade do México, mas em Cuba o casamento gay continua a ser um objetivo distante.

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Magdalena Mis da Fundação Thomson Reuters, em Londres. Tradução de Paulo Migliacci para a Folha de S.Paulo.
 


Todos sabemos o quanto é revoltante ver cães e gatos abandonados, largados, sem receber o carinho que merecem. Pior ainda é saber que a maioria destes animaizinhos não conseguirão sobreviver muito tempo por conta das graves doenças ou, infelizmente, do maltrato humano. Um dos fatores que mais favorecem essa realidade é a superpopulação desses animais, já que assim mais bichinhos ficam expostos a estes problemas. É por isso nós do Instituto MAPAA proporcionaremos castração e cuidados veterinários com segurança a estes animais. Pelo bem estar dos bichinhos, clique ao lado e contribua!

Nosso projeto é atender os animais das regiões mais carentes da cidade de São Paulo/SP em uma clínica itinerante adaptada de um ônibus. Ofereceremos castrações gratuitas e de qualidade para que haja um importante controle populacional e, consequentemente, de zoonoses e verminoses. Em um trabalho pioneiro vamos criar indicadores para campanhas de castração, conscientizaremos a sociedade e construiremos análises sobre as mudanças do local. Clique ao lado e mostre seu suporte a esta causa tão importante!

Inúmeros cães e gatos precisam do nosso apoio, mas antes precisamos do seu!
 
Participar é muito, muito fácil. São dois passos:

1. Escolha o valor da sua contribuição e sua recompensa ao lado.
2. Escolha a forma de pagamento, boleto ou cartão de crédito (parcele em até 6x com parcela mínima de R$ 25).

 
O projeto  acontecerá assim:
 

Kickante é um site seguro e é um dos maiores sites de crowdfunding do mundo arrecadando fundos para causas nobres no Brasil afora e tirando muito projeto sensacional do papel.

O ônibus-clínica já está quase pronto, então o dinheiro arrecadado aqui será destinado à compra dos equipamentos que faltam. Serão adquiridos: autoclave, termômetro para geladeira, um computador, colchões térmicos, sistema de provisão de oxigênio e ventilação mecânica, anestesia inalatória, monitor multiparâmetros cirúrgico, aspirador cirúrgico, equipamentos de entubação, adesivação do ônibus, pneus dianteiros e um gerador de energia.

Com este projeto vamos educar a sociedade enquanto teremos a oportunidade de conhecer a realidade ainda mais de perto, realizando triagens e castrações doze meses por ano. Temos como objetivo educar a sociedade sobre as demais espécies com quem dividimos o nosso dia a dia e a nossa habitação. Os relatórios que emitiremos com essa parceria nos possibilitará prever os resultados das castrações, que só terão efeito a médio e longo prazo. Levaremos também palestras e peças de teatro a comunidades e escolas para que os cidadãos tenham plena consciência da situação dos animais.

Ainda precisamos de vários equipamentos, nos dê seu suporte!
 

 

Um pouco sobre o Instituto

O MAPAA foi fundado em 2011 como uma entidade com forças voltadas ao combate das origens sistêmicas dos problemas de descaso e maus-tratos aos animais. Trabalhamos pelo bem estar e pelo direitos dos animais ainda a serem conquistados. Somos uma organização sem fins lucrativos e nossa missão é trabalhar para que os animais e os recursos naturais sejam tratados com atenção, respeito e consciência.

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Instituto MAPAA no Kickante. Acesse o site e saiba como contribuir.
 


Em abril de 2012, o executivo Rudi Fischer largou uma bem-sucedida carreira no Banco Itaú para trabalhar em casa e ficar mais próximo da primeira filha, Anna Laura, então com três anos de idade. Um mês depois, no entanto, a menina morreu tragicamente em um acidente de carro.

A dor da perda seria parcialmente aplacada naquele mesmo ano, durante uma viagem a Israel, quando Fischer fez uma espécie de imersão nos preceitos do judaísmo. “Aprendi que deveria realizar algo positivo em nome dela para ajudar a elevar sua alma”, lembra. Faltava o formato para implementar o plano, que foi encontrado em Jaffa, a 50 quilômetros de Jerusalém, quando ele conheceu um escorregador adaptado para crianças com deficiência (possuía uma rampa em vez de escada).

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O primeiro parquinho infantil acessível da cidade de São Paulo, inaugurado em unidade da AACD. Foto: divulgação.


Nasceu ali a ideia de construir o primeiro parquinho infantil acessível da cidade de São Paulo, que foi inaugurado no dia 25 de janeiro último em uma unidade da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), no Parque da Mooca, na Zona Leste.

Batizada de Anna Laura Parques para Todos, a iniciativa conta com a colaboração da própria AACD, que disponibilizou terapeutas para ajudar a projetar os brinquedos, ao lado de engenheiros e arquitetos voluntários. Ao todo são quinze peças no local, como balanços para crianças com dificuldades motoras e equipamentos com recursos para o uso por cadeirantes.

O investimento total foi de 120 mil reais, bancados integralmente por Fischer, hoje aposentado do mercado financeiro. A ação será levada adiante com a inauguração de mais espaços semelhantes, o próximo no Parque do Cordeiro, em Santo Amaro, ainda neste ano. Outros devem ser implantados em cidades como Recife e Porto Alegre. “É emocionante poder ajudar o próximo por meio de uma homenagem à minha filha”, diz. Ele ainda pretende lançar um livro com a história da menina nos próximos meses e fundar uma ONG de auxílio a pais em luto.

O parque fica na rua Taquari, 549, e abre para o público às segundas, quartas e sextas, das 10h às 12h e terças e quintas, das 15h às 17h.
 
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Fonte: Fisioteraloucos.

 


No primeiro sábado de março, dia 5, várias cidades do hemisfério sul realizarão mais uma edição da World Naked Bike Ride (WNBR), conhecida no Brasil como 'Pedalada Pelada'. No hemisfério norte, a ação acontecerá em 11 de junho, aproveitando o verão naquela parte do globo.

'Naked Bike Ride' em Southampton. Foto: Peter Elliott.

 

Não entendeu por que tantas pessoas pedalarão nuas nesse dia? Entenda:

O que é a Pedalada Pelada

O objetivo da manifestação é chamar atenção para a situação de fragilidade e quase invisibilidade do ciclista no país, tanto por parte dos motoristas como pelo poder público.

Várias razões levam as pessoas a participarem da Pedalada Pelada, seja aqui ou lá fora: reivindicar melhores condições para o uso das bicicletas nas cidades, denunciar o descaso e a omissão do poder público, promover a visibilidade dos ciclistas, celebrar o corpo e a bicicleta, estimular reflexões sobre a cultura do automóvel, alertar sobre os perigos do aquecimento global e outras mais.

Nus ou seminus, os manifestantes costumam pintar os corpos com frases de efeito, passando cada qual sua mensagem.

 

'Pedalada Pelada' em São Paulo, 2015. Foto: Silvia Ballan. / Vá de Bike.

E por que sem roupa?

A nudez representa a fragilidade do ciclista em meio à agressividade do trânsito. Também é uma forma de chamar atenção para a invisibilidade dos ciclistas nas ruas, que só passam a ser notados por muitos motoristas, parte da imprensa e especialmente pelo poder público ao pedalar sem roupa.

Tirar a roupa pra protestar não é novidade e nem faz parte só do universo das bicicletas. Veja neste linkalguns protestos feitos pelo Brasil e pelo mundo usando o corpo como arma política e forma de expressão.

É preciso ficar totalmente nu?

O princípio da WNBR é “o quão nu você ousar”. Ou seja: a nudez total não é obrigatória, mas é encorajada ao menos parcialmente.

Dúvidas?

Neste endereço há respostas para perguntas frequentes e muitas dicas para quem pretende participar. Nesta página há um “tutorial jurídico”.

Converse também com os demais participantes na página de cada evento, no Facebook (logo abaixo há os endereços).

Quando e onde

As cidades brasileiras que já confirmaram a realização do protesto são Rio de Janeiro, São Paulo e Blumenau (siga os links para saber local e horário de saída). Florianópolis ainda decide se realizará no primeiro final de semana, acompanhando o evento mundial, ou se seguirá seu calendário tradicional, com a ação acontecendo no outro sábado, dia 12.

Enquanto Blumenau adere ao protesto internacional pela primeira vez, no Rio a manifestação está em sua segunda edição. Em Florianópolis os manifestantes pedalam nus pela quinta vez e São Paulo tá tem a ação como uma tradição na cidade, sendo realizada pelo nono ano consecutivo.

Para saber horário e local de concentração da Pedalada Pelada em cada cidade, acesse as páginas dos eventos no Facebook: Blumenau/SCFlorianópolis/SCRio de Janeiro/RJ e São Paulo/SP

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William Cruz no Vá de Bike.

 


Todo médico diz que andar faz bem para a saúde. A atividade previne doenças, melhora a pressão arterial e até queima calorias. Mas caminhar também traz benefícios para as cidades, em especial para as metrópoles. É que o transporte a pé aproxima as pessoas da cidade e tem um grande potencial de transformação urbana. Esse foi um dos aprendizados do SampaPé, movimento que quer melhorar a experiência do deslocamento a pé pela cidade. Desde 2012, o grupo faz passeios por São Paulo e incentiva a criação de políticas públicas a favor dos pedestres. A abertura da avenida Paulista para pessoas aos domingos, em 2015, é uma de suas grandes conquistas.

A primeira ação do projeto foi um passeio cultural pelo bairro do Bixiga, na região central da capital, em 2012. A ideia era bem simples: levar as pessoas para andar pelas ruas e mostrar atrativos e curiosidades do bairro. A caminhada terminava na Festa de Nossa Senhora Achiropita, uma comemoração tradicional que traz o melhor da culinária italiana para as ruas da região. “A festa já tem essa lógica de ocupação do espaço público, então tinha tudo a ver”, conta Letícia Sabino, que fundou o projeto com mais três amigos. Eles saíram, mas ela ficou e hoje conta com duas parceiras, Ana Carolina Nunes e Nara Rosetto, além de fazer mestrado na área de planejamento urbano na University College London (UCL), na Inglaterra.

 

Pernadas pela cidade

O início do movimento foi inspirado nas andanças de Letícia pela Cidade do México, onde fez intercâmbio por seis meses. Foi a primeira vez que ela deixou de lado o carro, seu principal meio de transporte em São Paulo. A mudança no ir e vir fez Letícia viver a Cidade do México com mais intensidade. “Por mais que usasse ônibus e metrô, a maior parte do deslocamento no meu bairro era a pé, e eu tive uma relação muito próxima com a cidade, me encantei por ela. Depois entendi que foi porque estava caminhando”.

Na volta para São Paulo, resolveu desistir de vez do carro. “Foi muito mágico. Eu estudava na Avenida Paulista e nunca tinha reparado na arquitetura dos prédios. Foi uma sensação diferente, de que agora eu conheço a minha cidade, e quero me empoderar, ver o que eu posso fazer pela minha cidade”, lembra. A vontade de passar essa experiência para mais pessoas foi a inspiração para criar o SampaPé. “No começo eu não tinha consciência de que andar a pé era um meio de transporte. Mas um mês depois a gente entendeu que estava dentro de toda uma discussão de deslocamento em uma cidade tão grande”.

Os primeiros passeios tinham um viés mais cultural e os participantes não interagiam muito com os espaços durante o caminho. Letícia conta que eles só paravam e observaram os lugares apontados por ela. Para desconstruir essa postura passiva e abrir os olhos das pessoas para a cidade, o jeito foi inventar ferramentas simples e divertidas, como as molduras de papel coloridas que foram entregues em uma caminhada no seminário Cidades a Pé, em novembro de 2015.

Antes de bater perna pelo bairro de Pinheiros, onde aconteceu o evento, Letícia entregou dois tipos de molduras que deveriam ser usadas nos registros fotográficos. A vermelha sinalizaria problemas e obstáculos: lixo na rua, buraco na calçada, carros bloqueando a faixa de pedestres. Já a verde mostraria pontos positivos: um canteiro de flores, grafites nos muros, bancos para descansar. “Porque o caminhar não é uma coisa entre o ponto A e o ponto B, mas sim os infinitos pontos no meio do caminho que você vai percorrendo”, reflete.

 

Ruas para pessoas

“Você já interagiu com a sua cidade hoje? Você já experimentou seus caminhos, segredos e histórias?” O convite estampado na página oficial do SampaPé resume bem a proposta do grupo de explorar o espaço urbano com um olhar mais atento, tanto para os problemas quanto para as possíveis soluções. “A gente acredita que o caminhar torna as pessoas mais cidadãs”, diz Letícia. Transformar o espaço público em uma área de convivência desperta a consciência das pessoas para a necessidade de lugares melhores para se caminhar.

Essa mudança de mentalidade é a maior conquista do grupo. Antes de pensar na transformação efetiva dos espaços, o foco é conscientizar as pessoas sobre a importância de pensar na “caminhabilidade” da cidade. Um dos momentos mais importantes para o projeto foram as manifestações de junho de 2013 contra o aumento da passagem de metrô e ônibus, que trouxeram à tona a discussão sobre transporte, ocupação das ruas e o direito de ir e vir. “Foi quase uma chavinha que virou na cabeça das pessoas. Quando eu falava: ‘quero que as pessoas andem mais na rua’, diziam que eu era louca, que a cidade não estava planejada para caminhar”. A loucura passou a ser uma solução não só possível como necessária.

Outra grande vitória do SampaPé, compartilhada com a rede de mobilização Minha Sampa, foi a abertura da Avenida Paulista para pedestres aos domingos, decisão do prefeito Fernando Haddad que passou a valer em 18 de outubro de 2015. Três anos antes, o grupo tinha pedido autorização da CET para abrir a via para as pessoas no Dia Mundial Sem Carro, comemorado em 12 de setembro, sem sucesso. Na mesma época, outro grupo organizou a Praia na Paulista, também no Dia Mundial Sem Carro, com a mesma proposta de ocupar o espaço.

As negociações para abrir a avenida continuaram no ano seguinte, sem sucesso. “Então a gente foi invadindo, conseguiu fechar só uma parte da via, para fazer essa discussão de que a rua é um espaço publico também.” Em 2014, o SampaPé se uniu ao Minha Sampa e começou uma movimentação na internet para reunir mais pessoas e pressionar as autoridades pela abertura da Avenida Paulista. “A gente ia todo domingo e ficava na calçada mesmo. Fizemos reuniões com as secretarias de Transportes, de Esporte, de Turismo, mas ninguém comprou muito a ideia”.

O cenário só mudou com a inauguração da ciclovia na avenida, no dia 28 de junho de 2015. O evento fez com que a via fosse fechada para carros pela primeira vez, para atender à demanda de pedestres e ciclistas que estariam circulando por ali. Mais de 50 mil pessoas prestigiaram o primeiro dia da Paulista aberta para as pessoas, e quem passou em frente ao conhecido antigo casarão próximo à rua Ministro Rocha Azevedo viu e interagiu com uma série de atividades preparada pelo SampaPé e seus parceiros para a ocasião, como roda de leitura para crianças, intervenções com tinta spray e mesa de ping-pong do Ping Point. “Foi o gancho para as pessoas perceberem que precisavam de mais espaços de lazer. O apoio cresceu exponencialmente, de todo mundo e da própria Prefeitura”, lembra Letícia.

A decisão foi alvo de críticas e está sendo questionada pelo Ministério Público, que decidiu multar a Prefeitura pelo fechamento da via para carros. “Se tornou um tema muito polêmico, sendo que são três quilômetros de via numa cidade desse tamanho”, pondera Letícia, questionando o argumento de que é preciso manter a Avenida Paulista aberta para carros o tempo todo. Com ou sem polêmica, essa ação é um modelo a ser seguido pelo SampaPé, segundo sua fundadora. “A gente tem muito essa visão da abertura das vias, algo mega inspirado pelo movimento dos ciclistas em São Paulo. Eles começaram com a ciclovia de lazer, e daí surgiu uma infraestrutura adequada, uma discussão. A rua de lazer leva a essa nova consciência, que vai reivindicar uma melhor estrutura para caminhar na cidade todos os dias.”

Mais de três anos depois de dar os primeiros passos, o SampaPé contribui para melhorar a vida do pedestre paulistano e mostra que é possível e necessário andar pela cidade. Agora a iniciativa passa por um momento de reestruturação para descobrir formas de financiamento além dos passeios pagos, e se aproximar mais do poder público para investir em ações de grande impacto como a Paulista Aberta. “O alcance ainda é pequeno dentro da realidade da cidade. A gente precisa converter mais gente para esse movimento da melhoria urbana”, conclui Letícia.

 

Como se sustenta financeiramente: A principal fonte de renda do movimento são os passeios pagos, mas a ideia é se transformar em ONG para vender projetos, poder receber doações e fazer convênios com secretarias municipais.

Dificuldades: Tamanho da cidade, relação com poder público e falta de consciência das pessoas sobre a importância da mobilidade a pé

Planos para o futuro:

- Fazer mais pessoas andarem pela cidade

- Criar formas divertidas e simples de aproximar as pessoas do espaço público

- Apoiar e incentivar a abertura de vias como a Avenida Paulista aos domingos

- Se aproximar mais do poder público, por exemplo promovendo caminhadas com Prefeito, Subprefeitos e secretários de áreas correlatas à mobilidade a pé.

Saiba mais e assista o vídeo aqui.

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Texto e fotos  em Formigueiro

 

 

Você já parou para pensar o porquê de quase não haver árvores frutíferas nas cidades? Urbanistas e governantes afirmariam ser uma forma de evitar a sujeira das frutas caídas e não atrair tantos animais. Mas por outro lado não seria incrível poder colher frutas em sua própria rua?

 

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A equipe do Guerrilla Grafters que faz intervenções secretas pelas ruas de São Francisco, Califórnia. Foto: Nicolas Zurcher.
 

Em São Francisco, nos EUA, uma nova forma de intervenção urbana tem chamado a atenção: um grupo que se intitula Guerrilla Grafters (Guerrilheiros Exertadores em tradução livre) está fazendo usando partes de árvores frutíferas como enxertos em plantas ornamentais. A técnica consiste em fazer uma incisão na planta e amarrar a ela um galho vivo da laranjeira, maciera ou seja qual for a árvore frutífera. Assim, as árvores podem começar a dar frutos, mudando de vez o cenário urbano e, provavelmente, tirando o sono das autoridades.

A flowering apple tree in Oakland, Calif. with two successful grafts from an apple tree which bears fruit.A flowering apple tree in Oakland, Calif. with two successful grafts from an apple tree which bears fruit.

Fazer enxertos nas árvores é fácil e usa o mínimo de ferramentas . Foto: Thomas Levy.
 

Estima-se que por lá existam mais de 10 mil árvores frutíferas plantadas pela prefeitura. O detalhe é que elas são intencionalmente estéreis, ou seja, não dão frutos. O grupo tem se aproveitado disso para criar os enxertos e torná-los difíceis de serem detectados.

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Deliciosas peras asiáticas surpreendem os passantes em um dia quente de verão. Foto: David W. Crane.

De olho na escassez de alimentos e nos preços das frutas e verduras praticados por mercados e frutarias da região, o Guerrilla Grafters deixa seu recado: “Com o tempo, deliciosas e nutritivas frutas tornam-se disponíveis aos cidadãos por meio desses enxertos. Nós queremos provar que uma cultura de cuidado pode ser cultivada no solo. Nós queremos transformar as ruas da cidade em florestas de frutas, e desfazer a civilização galho por galho.“
 
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Integrante da equipe em ação. Foto: Margaretha Haughwout.
 
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