Causas - São Paulo São

São Paulo São Causas


Com doações que superaram R$ 120 mil em 45 dias, projeto de jornalismo independente obtém financiamento para estruturar site com reportagens pelo Brasil com foco em direitos humanos, justiça social e democracia.

A rede Jornalistas Livres, um projeto coletivo e independente, nasceu de maneira rápida e urgente. No dia 11 de março de 2015, um grupo de jornalistas - da “velha e da jovem guarda” – decidiu cobrir as manifestações nas ruas programadas para o dia 15 de março, quando diversos movimentos encabeçaram um “Fora Dilma”. Diante da leitura que faziam da cobertura geral da mídia e do que consideraram ser uma “narrativa única”, esses profissionais se organizaram para fazer reportagens na web e oferecer um conteúdo alternativo ao apresentado pelos veículos tradicionais. “Depois, sentimos que não podíamos desmobilizar aquele grupo e continuamos trabalhando, já com o sentido de formar uma rede de coletivos de comunicação”, conta Eduardo Nunomura, jornalista e professor de comunicação que faz parte do projeto.





Em curto tempo, o grupo ganhou a adesão de profissionais independentes e coletivos (formado por repórteres, redatores, fotógrafos, cinegrafistas, editores, artistas, comunicadores, hackers, ativistas), todos unidos por conceitos que são a luta pela ampliação dos direitos humanos e sociais e a defesa irrestrita da democracia. O projeto tem a colaboração de mais de 50 produtores de conteúdo. A grande maioria são profissionais de São Paulo. Mas surgiram mais dois núcleos dos Jornalistas Livres: no Paraná e em Minas Gerais. E outras praças estão em formação, esclarece o grupo.

Os Jornalistas Livres divulgam suas reportagens pela mídia social. O projeto está hospedado também no Mediumuma plataforma para publicação de conteúdo. Mas para crescer era preciso mais. Assim, lançaram uma proposta de crowdfunding via Catarse. A meta era arrecadar R$ 100 mil para bancar, entre outras coisas, um site para veicular as reportagens produzidas em rede. Mas o grupo conseguiu mais do que pretendia nos 45 dias de ação no Catarse (ela se encerrou no dia 8 de julho). São mais de R$ 120 mil arrecadados, o que servirá para ajudar a expandir o conteúdo e ampliar a rede. Mesmo sem ainda ter fechado oficialmente a arrecadação, a rede já havia enviado repórteres para Brasília para cobrir desde uma manifestação de povos indígenas até a votação do projeto de redução da maioridade penal.

O grupo define como uma de suas metas seguir os atributos clássicos do melhor jornalismo (ineditismo das histórias, caráter provocador, abordagem original, excelência de textos, imagens e edição). Um dos desafios, a partir da criação do site, será encontrar meios de se viabilizar financeiramente. Por sinal, desafio de outros veículos, inclusive os tradicionais. “O crowdfunding foi, a um só tempo, a possibilidade de iniciar um movimento com recursos e provar que a força que nos move são as pessoas que ainda têm esperanças por um jornalismo de qualidade”, afirma Nunomura.

'Jornalistas Livres' - assista o video e saiba mais: https://youtu.be/qLmfVUvvsfs

A página no Facebookhttps://goo.gl/VtJdfN

Fonte: Meio & Mensagem. 

As aves tem vida difícil na cidades. Elas colidem com arranha-céus e com linhas de energia e, por vezes, perdem a noção em seus vôos pois a iluminação brilhante à noite impede que naveguem se orientando pelas estrelas.

Uma intervenção urbana, em Londres, foi projetada para tornar a vida das aves um pouco mais fácil ao fornecer alguns habitats extras para elas. As pessoas podem colocar casinhas para pássaros em postes ou faróis de rua durante a época de nidificação para que as aves tenham um novo lugar para morar.

"Eu vivo em Londres há cerca de 10 anos, mas eu realmente cresci no campo", diz o designer Robin Howie, que criou o Nest Project (Projeto Ninho). "Então, eu acordava todos os dias ouvindo o canto dos pássaros e cercado pela natureza. Depois de alguns anos vivendo na cidade, me dei conta de que algumas coisas estavam faltando."

Além de fornecer um habitat temporário, as casinhas para os pássaros também são destinadas a assinalar a falta da natureza nas cidades. "Eles podem se tornar casas para as aves, mas também destacar que a natureza poderia ser encontrada no meio urbano", diz ele. "Elas são um tipo de intervenção urbana e casa ao mesmo tempo."

O projeto também exige um pouco de trabalho lúdico e voluntário: o suporte no fundo do ninho funciona como um apontador de lápis. Howie espera que aqueles que comprarem uma casinha possam passar uma semana apontando o lápis e usar as aparas para preencher o fundo do ninho.

"Qualquer um pode comprar essa casa de passarinho e colocá-la pela cidade, mas eu quero que as pessoas envolvidas com o projeto sintam como que estão contribuindo para a construção dela", diz ele. "Quando a pessoa apontar o lápis, deve pensar que isso é uma pré etapa para preencher o ninho, fazê-lo mais acolhedor e confortável."

Ao contrário da maioria das intervenções urbanas, esta pode precisar de autorização oficial. "Você não vai querer ter trabalho, subir o ninho para o passaro começar uma vida nova, e depois algum autoridade da cidade vir retirá-lo e levar embora", diz Howie. Por conta disso, o Projeto Ninho vem com um conjunto de instruções que explica como pendurá-lo e como lidar com as autoridades da cidade.

Os novos protótipos ainda não foram testados pois passou a época de nidificação em Londres. E no futuro, Howie vai promover duas variações adicionais: uma casinha que mostre fotos dos pássarinhos bebês em seu interior e outra que monitore a poluição do ar local.

O site do projeto: http://goo.gl/h7rsLj


Você deixaria uma moeda para facilitar o troco de um desconhecido? Para agilizar o pagamento nas catracas dos ônibus e também para evitar que mais moedas voltem aos passageiros, nasceu o projeto ‘Troco Coletivo’, desenvolvido em Pelotas, no Rio Grande do Sul pela agência Mark+ para a Unicred Integração.

O método é extremamente simples: adesivos, que são colados em paradas de ônibus e dentro dos coletivos, servem como um depósito para as pessoas guardarem ali pequenos trocos que podem ser úteis a quem precisa. Ramon Ballverdú faz parte do projeto e explicou: "A ideia veio ao notar que muitas vezes acumulamos moedas em casa ou no carro que ficam apenas pegando poeira. Moedas que poderiam ter utilidade para outras pessoas. O propósito é incentivar a integração entre as pessoas na cidade. Mesmo sendo uma forma bem simples, por que não tentar gerar uma mudança de hábito mostrando que com cooperação a vida pode ser melhor."

De fato, as moedas estão a cada ano que passa mais desvalorizadas, tanto que é muito raro que o consumidor receba de troco menos do que cinco centavos. Moedas ocupam espaço, pesam mais do que cédulas e valem muito pouco na atuação situação econômica do país. O próprio comércio sofre com a falta de moedas e acaba, às vezes, prejudicando o cliente com um tradicional “vou ficar te devendo ‘x’ centavos” ou “pode ser um chiclete para completar?”, o que é errado, segundo a orientação do Procon, mas que não deixa de ser amplamente praticado.

Mas como confiar que as pessoas realmente usarão as moedas para o fim determinado? Bem, o projeto mesmo descreve a ação como um experimento social que tem o intuito de integrar a cidade através da cooperação. Se funcionará de acordo com o planejado ou não só o tempo irá dizer. Que o ‘Troco Coletivo’ é um projeto inteligente não há duvida, basta saber se as pessoas também o usufruirão com inteligência. É um projeto de pessoas que acreditam em pessoas.

Assista o video e entenda a iniciativa: https://goo.gl/ls3twj

Por  no La Parola. 

 


Uma blusinha está sobre o livro “50 Tons de Cinza”. Em cima de um “Diário de um Banana“, algumas saias. Logo abaixo da saga “Harry Potter”, sapatos de diferentes modelos e tamanhos.

Em Paraisópolis, uma das maiores favelas de São Paulo, na zona sul, os 12 mil livros disponíveis na biblioteca Becei passaram a dividir espaço com roupas e acessórios.

Depois de perder o convênio com uma empresa belga, que garantia grande parte da sustentabilidade financeira do local, Alexandre Cabral, 34, fundador do espaço, passou a realizar brechós e, inclusive, uma “vaquinha” virtual, para não fechar as portas.

Prestes a completar duas décadas de existência, em setembro, a primeira biblioteca comunitária montada em uma favela no Brasil, segundo Cabral, anda mal das pernas. A internet e o telefone foram cortados. Um dos computadores, que garantia conexão à rede para os visitantes, foi colocado à venda.

No último sábado (11), foi realizado o primeiro brechó. Bem sucedido, a segunda edição, ainda sem data marcada, já está garantida. Do total arrecadado, 10% será destinado à vaquinha virtual, que busca angariar R$ 17 mil, até o dia 8 de agosto.

“Não podemos deixar que a biblioteca seja fechada. Primeiro, por ser um espaço dedicado à reflexão no centro de uma das favelas mais populosas do país. Segundo, porque ela é importante para abrandar os estigmas cultivados pelas classes mais abastadas de que os bairros mais vulneráveis são exclusivamente reduto da marginalidade”, conta Cabral, que é graduado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero.

Aos 15 anos de idade, e com apenas 15 livros nas mãos, o pernambucano radicado em São Paulo deu vida ao local, que funciona de domingo a domingo.

“Esse sufoco acontece de tempos em tempos. Os patrocinadores e apoiadores vão se tornando mais escassos. As contas vão sendo postergadas, assim como o conserto das infiltrações nas paredes. Como a ajuda passa a ser esporádica, o futuro da biblioteca acaba sendo incerto”, lamenta.

Se de um lado o presente parece tempestuoso e o futuro uma incógnita, a história de Cabral e da biblioteca Becei vem sendo marcada pela conquista de prêmios. Em 2005 e 2008, venceu o prêmio Empreendedor Social, concedido por uma entidade localizada no Morumbi; e em 2006, recebeu Medalha de Honra ao Mérito do Livro, do Ministério da Cultura.

“Pagar as contas é fundamental, afinal, nos permite pensar em como fazer mais e melhor. Mas investir no sonho de uma vida diferente para os moradores é o que faz a biblioteca existir. Temos o orgulho de ter recebido mais de um milhão de visitas ao longo desses anos”, sentencia Cabral.

Confira a página da biblioteca Becei. Interessados em contribuir: http://goo.gl/eAg3wN

Vagner de Alencar, de Paraisópolis no Mural.

 

O objetivo do projeto #arvorescaidas, criado pela AlmapBBDO para a Panamericana Escola de Arte e Design, é alertar e conscientizar a população sobre o problema da queda de árvores em São Paulo.

Quem vive na maior cidade da América Latina sabe os problemas causados pelas árvores caídas. As ruas ficam interditadas, casas destruídas, hospitais sem energia elétrica e o trânsito ainda mais infernal.

No verão de 2014, caíram 1700 árvores, cerca de 700 em apenas 4 dias.

Pensando nisso, a agência AlmapBBDO e a Escola Panamericana de Arte e Design convidaram o artista plástico Eduardo Srur para criar uma instalação no Parque Ibirapuera.

O objetivo é mostrar como o poder transformador da arte pode ajudar a chamar a atenção e conscientizar a população sobre o problema, assim como informar como a sociedade pode ajudar a cidade a evitá-lo.

O “replantar” é figurativo, pois trata-se de uma instalação de arte, fixada no chão, que tem um manequim hiper-realista de cabeça para baixo agarrado ao tronco. Com ele, Srur faz uma metáfora sobre a relação invertida do homem com a natureza. O projeto também pretende pedir ao público para ajudá-lo a mapear árvores em perigo, fotografando-as e postando com a hashtag #arvorescaidas nas redes sociais.

Paula Macedo no UpdateOrDie.

 

Uma ONG informal, que trata viciados em crack com café e limão, corre o risco de ser despejada e ter de devolver às ruas 60 pessoas em recuperação.

O Projeto Crack Zero tem dois endereços na zona sul de São Paulo: uma casa emprestada, no Ipiranga, com 20 internos, e outra invadida, no Sacomã.

Nesse último local vivem 60 pessoas, entre crianças, homens, mulheres –duas delas grávidas– e idosos que resolveram buscar ajuda para largar o crack.

O imóvel estava desocupado havia cerca de três anos e foi inicialmente invadido por um morador de rua. No último um ano e meio, a ONG abriu ali uma "filial". A proprietária da casa, porém, obteve na Justiça uma ordem de reintegração de posse, que pode ser cumprida nesta semana.

As condições no local são precárias. Mesmo assim, os moradores afirmam que não querem abandonar o projeto que lhes deu teto, roupa, comida e perspectiva. À frente da ONG está Luciano Celestino da Silva, 39, antigo líder comunitário de Heliópolis, uma favela da região. Ele começou o projeto há três anos e meio, no endereço do Ipiranga, após ver uma conhecida definhar pelo crack.

Silva diz que o método veio da experiência. Todos acordam às 7h, não podem dormir de dia, passam por consultas no SUS e só podem sair da casa com um supervisor – algum outro interno que esteja em um nível mais avançado do tratamento. 

Quando considerados "recuperados" –segundo Silva, 20 estão nessa condição–, recebem ajuda para achar trabalho e voltar para a família. 

Foi assim com José Allan Rosa de Melo, 33, que passou nove meses na casa. Ele diz ter recebido alta no SUS e hoje trabalha como motorista em uma pequena distribuidora. 

"O projeto te deixa livre, mas sempre com outro [interno]. Se você fraqueja, o outro dá a mão", diz Melo, que voltou recentemente a viver com a mulher e as três filhas. A coordenação do projeto admite, porém, que nem todos completam o tratamento. 

Café e limão

A comida é obtida por doações –toda semana os moradores vão buscá-las na Zona Cerealista, no centro. Café e limão não podem faltar. 

"O limão tira a abstinência, e o café descontamina [o organismo]", afirma Silva. Os moradores assentem. Relatam que, durante as crises, tomam o caldo do limão puro, o que os acalma. 

Recentemente, a entidade procurou a prefeitura, a fim de conseguir financiamento. Uma equipe da Secretaria Municipal da Saúde fez uma visita informal em maio. 

"Viram que o trabalho é legítimo. Claro que eles falaram que, se viesse a Vigilância [Sanitária], ia fechar, mas a condição que eu tenho é essa", diz Silva. 

A secretaria informou, em nota, que está "aberta ao diálogo", mas não detalhou o que poderá ser feito pela entidade. O grupo não tem CNPJ, necessário para se inscrever em editais públicos. 

De acordo com Ivan Mario Braun, psiquiatra do Hospital das Clínicas, da USP, não há na literatura médica nenhum registro de que limão e café possam ajudar dependentes de crack. 

Porém Braun afirma que acolher os usuários e motivá-los a viver sem drogas pode, sim, dar resultado para algumas pessoas. Além disso, segundo o especialista, limão e café, em quantidade moderada, não fazem mal à saúde. 

O Projeto Crack Zero aceita doações de alimentos, roupas e produtos de higiene.

Reynaldo Turollo para a Folha de S.Paulo.

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