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São Paulo São Causas

"Não é não". Quem é mulher sabe exatamente do que se trata essa frase. Mas, caso você ainda não esteja familiarizado com ela, é melhor se acostumar: essas palavras prometem tomar conta dos blocos de rua de São Paulo no Carnaval deste ano. A mensagem estará estampada em tatuagens temporárias no ombro, no braço, no decote e, se for preciso, na testa das mulheres para mostrar a importância do respeito à liberdade de escolha.

No dia 18 de novembro de 2017, o programa humorístico Zorra, da Rede Globo, levou ao ar uma esquete em que havia uma plateia composta só por homens, assistindo a pronunciamentos de pessoas numa bancada composta por vários homens e uma única mulher. Toda vez que um homem falava, todos se calavam e ouviam atentamente. Toda vez que a mulher falava, havia conversas paralelas, desatenção e interrupções sucessivas à fala dela. O desfecho do quadro é a personagem acabando por colocar um bigode para se fazer ouvir.

No século 21 – na arte da esquete humorística; na realidade das eleições americanas de 2016 protagonizadas por Trump e Hillary; no palco do VMA 2009 com Kanye West interrompendo Taylor Swift e tomando o microfone dela; no Brit Awards 2012, em que James Corden interrompe Adele; nos tantos programas jornalísticos no Brasil, nos Estados Unidos e no mundo ou nas salas de reunião e nas reuniões sociais que frequentamos – ainda temos que presenciar o fenômeno chamado manterrupting: mulheres tendo sua fala sistematicamente interrompida por homens.

Por que será que isso acontece com tanta frequência? E por que muitas vezes os homens não percebem? E por que será que as mulheres não reagem?

Cultura. A palavra cultura vem de cultivo. E temos sido cultivados, há séculos, tanto homens como mulheres, em uma cultura machista. Por isso, com frequência, fenômenos como esse passam despercebidos no nosso dia a dia.

Bem, mudanças culturais acontecem de tempos em tempos e, felizmente, estamos vivendo uma mudança importante para as mulheres de todo o mundo. No caso do Brasil, é especialmente inadmissível que uma mulher ainda tenha de aturar violência – sim, a interrupção sistemática da fala também é um tipo de violência. Mulheres são a maioria dos micro e pequenos empreendedores e dos formandos universitários no Brasil.

Para ajudar a comprovar a extensão e a gravidade desse problema, no ano passado, a equipe da nossa agência BETC São Paulo resolveu estudar o manterrupting. Descobrimos que se tratava de um fenômeno global, já tendo sido objeto de estudos acadêmicos, como na George Washington University, Harvard, Princeton e outras universidades. Esses estudos revelaram, por exemplo, que 75% das reuniões são dominadas por vozes masculinas e que as mulheres são interrompidas 2,5 vezes mais que os homens.

Como somos uma empresa fundada sobre a igualdade de gêneros, pensamos em fazer algo que ajudasse as mulheres a avançarem nessa questão, vencendo esse tipo de preconceito. Primeiro, pensamos numa campanha – mas campanhas passam, e queríamos fazer algo que fosse uma ferramenta permanente de intervenção contra essa prática. Surgiu então a ideia de lançar o Woman Interrupted App, ou o App Mulheres Interrompidas (Leia matéria do São Paulo São em março de 2017).

Durante sete meses nos preocupamos em desenvolver uma ferramenta com tecnologia de alta precisão, juntamente com a produtora Brave, e conseguimos. Funciona assim: a mulher calibra a própria voz no app e, ao acioná-lo durante uma reunião, ele mede quantas vezes ela foi interrompida por vozes masculinas. Independente do tom da voz, o app é capaz de distinguir quando se trata de uma voz masculina ou feminina. Isso é possível porque a faixa de voz masculina costuma variar entre 80 Hz e 150 Hz (hertz é a unidade de medição da frequência e da vibração das ondas, incluindo as sonoras, como a voz), enquanto a voz feminina varia entre 150 Hz e 250 Hz. Por conta dessas características, já me fizeram perguntas do tipo: “Mas se fosse o Anderson Silva conversando com a Ana Carolina, também funcionaria?” :-) A resposta é: sim!

Imagem: Divulgação.Imagem: Divulgação.

O sucesso da nossa iniciativa foi surpreendente! Nos últimos oito meses, o Woman Interrupted App foi baixado em 154 países e efetivamente utilizado em 145 países (lembrando que a ONU considera que há 193 países no mundo). Ganhou destaque em matérias de televisão, tendo aparecido quatro vezes na TV aberta dos Estados Unidos – aliás, país que mais baixou o app. Além disso, ganhamos as páginas de importantes jornais, como The New York Times, revistas, blogs e redes sociais de 21 países. Vale lembrar que o app é gratuito e não grava as conversas, apenas afere a modulação da voz durante a conversa.

Esse alcance e essa escala de uso permitiram uma visão inédita sobre o problema. Por exemplo: em 80.000 minutos gerais de registro até o momento, os países onde as mulheres foram menos interrompidas foram Luxemburgo, Eslováquia e Estônia. Se considerarmos o bloco de países membros do G20, o ranking traz Coreia do Sul, Alemanha e Canadá. No ranking geral, o Brasil aparece em 56º lugar, mostrando que, apesar de não estarmos entre aqueles que mais se destacaram negativamente, ainda precisamos avançar muito nessa questão. Em várias reuniões de que eu e minha equipe participamos, observei que o simples fato de as pessoas saberem que o app existe já faz com que os homens se deem conta do ato, muitas vezes involuntário, e não interrompam as mulheres.

Gal Barradas, uma das idealizadoras do app. Foto: Rogerio Cassimiro / Folhapress.Gal Barradas, uma das idealizadoras do app. Foto: Rogerio Cassimiro / Folhapress.Vale lembrar que os resultados são dinâmicos, pois o app continuará disponível na App Store e no Google Play.

Se contra fatos não há argumentos, baixemos e divulguemos esse app para que os números do manterrupting no Brasil tornem-se cada vez menores. No fim das contas, esperamos um dia dar risada de termos criado um app com essa finalidade.

Assista o vídeo Woman Interrupted App - Um aplicativo que detecta Manterrupting. 


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Gal Barradas é sócia e co-CEO da BETC/Havas e Vice-Presidente da ABAP (Associação Brasileira das Agências de Propaganda). *Artigo publicado originalmente na Revista Marie Claire.

A consultoria de inovação Fábrica de Criatividade vai inaugurar o "auditório mais criativo do mundo" no Capão Redondo, considerado um dos bairros mais violentos de São Paulo.

O auditório abrigará uma série de atividades culturais voltadas aos jovens do bairro, como TEDx Capão, saraus e palestras sobre empregabilidade e inovação. A ideia é que empresas também possam usar o espaço para interagir com a comunidade.

Denilson Shikako, diretor da Fábrica de Criatividade e idealizador do auditório, explica que cada evento nesse auditório vai ser uma imersão no universo da criatividade. “O auditório por si só é uma experiência, mas os eventos que vão acontecer ali prometem fazer história e proporcionar aos convidados a oportunidade de transformar o papel de espectador em ‘vivenciador’ e cocriador das experiências artísticas e culturais”, diz.

Shikako desenvolve um projeto social no Capão Redondo desde 2000. Ele nasceu e cresceu no bairro e incentiva ações que ampliem o acesso à educação para os moradores da região. Entre as iniciativas estão aulas de inglês, dança e música. Na sede da Fábrica de Criatividade, também funcionam oficinas sobre empoderamento feminino, robótica, fotografia, cinema, entre outros temas.

O "auditório mais criativo do mundo" tem soluções que nunca foram usadas em um ambiente desse tipo. A porta de entrada é toda feita com bolinhas de gude. Nos banheiros, há lousas de giz, para que os espectadores possam registrar ali inscrições e desenhos. Há massageador de pés em cada lugar, cadeiras numeradas para jogar Batalha Naval, plástico-bolha para relaxar enquanto os espetáculos não começam e compartimentos secretos.

A data também marcará a inauguração do “Clube da Criatividade”. Foto: iStock.A data também marcará a inauguração do “Clube da Criatividade”. Foto: iStock.

O show “Invenções que fizeram a História - uma viagem pela essência da criatividade” marcará a inauguração do espaço. Os espectadores poderão percorrer escadas levadiças e terão acesso a passagem secreta do “The happy experience”, no labirinto no sub-solo com experiencias sensoriais que aumentarão o nivel de endorfina e felicidade. O personagem Dr. Emmet Brown, do filme “De volta para o futuro”, vai estar presente, em forma de holograma, como apresentador do evento.

A data também marcará a inauguração do “Clube da Criatividade”, um clube de vantagens criado por Denilson para quem quer – e precisa – aprender a inovar para aumentar as chances de conseguir um emprego.

“A proposta do clube é oferecer um curso completo de criatividade à distância, em que os integrantes também terão insights exclusivos sobre points criativos em São Paulo, dicas para transformar uma ideia em inovação, técnicas de gamification para acelerar o pensamento criativo, além de um market place de produtos criativos e uma agenda de eventos de inovação”, conclui Denilson.

O "auditório mais criativo do mundo" tem soluções que nunca foram usadas em um ambiente desse tipo. Imagem: Reprodução / Fábrica de Criatividade.O "auditório mais criativo do mundo" tem soluções que nunca foram usadas em um ambiente desse tipo. Imagem: Reprodução / Fábrica de Criatividade.Serviço

Abertura do “Auditório mais criativo do mundo“
Fábrica de Criatividade.
Dia 14 de dezembro, às 20h.
Endereço: Rua Dr. Luís da Fonseca Galvão, 248, Capão Redondo, São Paulo.

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Com informações de Renata Binotto da FSB Comunicação. 

Em 2013, Mateus, Maria e Pedro, apoiados pela mãe Susana Foz Caltabiano, decidiram fazer uma ação de Natal. Os jovens resolveram aproveitar o período das férias de verão para fazer algo que fosse ao mesmo tempo divertido e inspirador, ao invés de mais uma viagem puramente turística. Eles queriam percorrer o interior do Brasil para levar livros à escolas e comunidades vulneráveis.

Os filhos - na época estavam com 16, 14 e 12 anos - conseguiram arrecadar, junto a parentes e amigos, quase 5000 em 40 dias de campanha. O material foi organizado em caixas-bibliotecas, com cerca de 170 volumes cada, que foram acomodadas em quatro veículos, sendo um deles com uma barraca no teto. Enquanto se organizavam para a viagem, decidiram inventar um nome para a expedição e daí surgiu o LêComigo.

Saíram no dia 20 de dezembro 2013 pelo interior de São Paulo, com o desejo de chegar até o Maranhão, estado com um dos menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do país. Passaram por Minas Gerais, Bahia e Tocantins e uma tonelada de livros foi distribuída ao longo do trajeto.

As bibliotecas escolares são a maior fonte de acesso a livros para crianças e adolescentes, contudo, apenas 53% das escolas do país têm um espaço reservado para a leitura, de acordo com dados do Censo Escolar 2014. Pelo interior, o retrato é ainda mais triste, com pouco ou quase nenhum contato de crianças e jovens com os livros.

A LêComigo, desde 2013, já distribuiu três toneladas de livros e realizou diversos encontros entre jovens de vivências, regiões e cotidianos muito distintos. Foto: Reprodução / LêComigo.A LêComigo, desde 2013, já distribuiu três toneladas de livros e realizou diversos encontros entre jovens de vivências, regiões e cotidianos muito distintos. Foto: Reprodução / LêComigo.

O grupo ficou 36 dias na estrada, visitando escolas públicas, estaduais e municipais. A expedição passou por quilombolas, aldeias indígenas e comunidades ribeirinhas, encontrando pessoas inspiradoras e paisagens deslumbrantes. Na volta para casa, a família teve a certeza de ter vivido algo inédito e marcante e isso se revelou de maneira mais evidente no filho mais velho, Mateus, que havia encontrado um Brasil novo em diversidade, jeitos, riquezas e necessidades. Teve a certeza que gostaria de compartilhar destas descobertas com seus amigos e com o maior número possível de pessoas: “Nenhuma história merece ficar parada em uma estante. Muitos brasileiros ainda não têm acesso a livros. Ler é uma viagem”, diz o estudante.

A expedição passou por quilombolas, aldeias indígenas e comunidades ribeirinhas, encontrando pessoas inspiradoras e paisagens deslumbrantes. Foto: Reprodução.A expedição passou por quilombolas, aldeias indígenas e comunidades ribeirinhas, encontrando pessoas inspiradoras e paisagens deslumbrantes. Foto: Reprodução.Os irmãos Mateus e Maria resolveram fazer disso uma missão. Os jovens, que eram menores de idade, foram apoiados pela mãe e criaram uma Organização da Sociedade Civil sem fins lucrativos (OSC), a LêComigo, além de desenvolver uma metodologia própria para criar parcerias customizadas entre escolas públicas e particulares a fim de promover muito mais do que campanhas e doações, mas um intercâmbio entre jovens de realidades diferentes. “Nosso desafio é conectar os jovens por meio dos livros” destaca Susana.

"Sentimos na pele como a vida corrida nas cidades grandes isola de novas possibilidades e encontros e o quanto o Brasil precisa dos livros e de mais leitores. Estamos convocando todas as escolas e jovens de São Paulo para experimentar dessas mesmas emoções. Participar ajuda não apenas a quem recebe os livros, mas a quem os doa", explica Maria.

Comprometidos com o sonho de contribuir para que o Brasil tenha uma educação de excelência para todos, a LêComigo, desde 2013, já distribuiu três toneladas de livros e realizou diversos encontros entre jovens de vivências, regiões e cotidianos muito distintos: “A educação é o que vai levar o Brasil para frente. A LêComigo nos mobiliza a fazer nossa parte. Podemos agir, sermos cidadãos com compromisso e sempre de maneira divertida”, comenta Susana.    

Parceria entre escolas públicas e entre escolas públicas e particulares

Alunos dos Colégios Estaduais Padre Antão e Major Cosme de Farias Ermelino (Jardim Guaianases) em São Paulo. Foto: Lêcomigo / Divulgação.Alunos dos Colégios Estaduais Padre Antão e Major Cosme de Farias Ermelino (Jardim Guaianases) em São Paulo. Foto: Lêcomigo / Divulgação.A LêComigo tornou-se OSC em 2015 e desenvolveu uma metodologia que usa os livros para gerar encontros e transformações, apostando no protagonismo dos jovens. O projeto une alunos de escolas públicas e também de escolas particulares para que, juntos, promovam uma ação transformadora. 

Recentemente (no último 1 de dezembro),  a Escola Estadual Padre Antão da Penha, em São Paulo - já beneficiada pela metodologia da LêComigo -  replicou o aprendizado e fez uma vivência em outros dois locais: na Instituição Casa de Apoio à criança com câncer Vida Divina ( http://www.cavd.org.br/ ) e na escola estadual Major Cosme de Farias Ermelino (Jardim Guaianases). Juntas, as duas escolas levaram os livros e o afeto a uma terceira escola pública. Foram doados 700 livros e a ação contou com a participação de 62 jovens, de 2 a 18 anos.

O primeiro case foi implementado em Trancoso, no Sul da Bahia, em 2015. A LêComigo ajudou a organizar encontros entre os jovens do Instituto Trancoso e os alunos da Escola Graded de São Paulo, promovendo uma ação transformadora na Escola Municipal da Sapirara, na área rural da cidade. Os encontros já beneficiaram centenas de estudantes. 

Para a LêComigo, “A  juventude é fonte de criatividade e vitalidade. E o jovem é capaz de agir na sociedade já.“ Foto: LêComigo / Reprodução.Para a LêComigo, “A juventude é fonte de criatividade e vitalidade. E o jovem é capaz de agir na sociedade já.“ Foto: LêComigo / Reprodução.Atualmente, apoiados pela OSC, os jovens do Instituto Trancoso estão ampliando o encontro entre estudantes ao fomentarem a leitura em outras escolas da região, como a Escola Municipal Maria dos Anjos. Na grande São Paulo, alunos de escolas públicas estão vivenciando a metodologia LêComigo e também temos as que se conectam com o projeto através da arrecadação e doação de livros infanto-juvenis. “Essa é a ideia: uma rede de jovens se conectando para incentivar a leitura e ajudando a fazer chegar livros aonde não tem”, reforça Susana.

O projeto atua em escolas da grande São Paulo, tais como: E. E. Padre Antão na Penha, E. E. Fernando Gasparian no Capão Redondo, E. E. Alfredo Paulino, entre outras.  Passou também por muitas regiões do Brasil entregando as “bibliotecas LêComigo” em lugares como Jalapão (TO), Fernando de Noronha (PE), Chapada da Diamantina (BA), Vale do Jequitinhonha (MG), Vale do Ribeira (SP), Serra Catarinense (SC), Jericoacoara, Fleixeiras, Guagiru, Gijoca (CE), Lençóis Maranhenses (MA), Comunidade do Anã (PA), Avaraes (AM), entre tantas outras. São 68 escolas visitadas e contempladas com as “ Bibliotecas LêComigo”. Atualmente, cinco escolas vivenciam o processo completo de nossa metodologia.

Tem livros para doar? A gente pode doar para você ou levarmos juntos! Venha viver uma experiência LêComigo. Foto: Reprodução / LêComigoTem livros para doar? A gente pode doar para você ou levarmos juntos! Venha viver uma experiência LêComigo. Foto: Reprodução / LêComigoOs jovens engajados na LêComigo arrecadam livros infanto-juvenis usados, mas em ótimo estado de conservação e formam as “Bibliotecas LêComigo”, para crianças de 2 a 16 anos. Também se organizam para potencializar a leitura na sua comunidade ou em alguma região do Brasil.

Com foco em despertar consciência e ação cidadã, a organização tem desenvolvido sua metodologia por meio de conceitos e práticas ligadas ao empreendedorismo social, protagonismo juvenil e desenvolvimento de competências socioemocionais. A LêComigo consolida-se em torno do modelo de comunidades criativas da organização internacional “Parceiros para o empoderamento de jovens”.

Conheça a LêComigo www.lecomigo.org.br e saiba como ajudar!

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Com informações de Flávia Meirelles / Forma RP.

Oficina, eleito o melhor teatro do mundo na categoria ‘projeto arquitetônico‘ pelOficina, eleito o melhor teatro do mundo na categoria ‘projeto arquitetônico‘ pelo The Guardian. Oficina, eleito o melhor teatro do mundo na categoria ‘projeto arquitetônico‘ pelOficina, eleito o melhor teatro do mundo na categoria ‘projeto arquitetônico‘ pelo The Guardian.

Teatro Oficina lançou esta semana um movimento envolvendo artistas e demais cidadãos para a preservação do emblemático edifício projetado por Lina Bo Bardi e seu entorno tombado. O grupo de teatro convida todos os interessados a enviarem pedidos de veto ao Governo do Estado de São Paulo conta a construção de altas torres residenciais no bairro do Bixiga - proposta liberada nesta segunda-feira pelo CONDEPHAAT.

Através de uma publicação no site oficial do Teatro Oficina, o grupo chama "a força da multidão para que direcione, através de textos e vídeos" ao governador do estado e autoridades do patrimônio, "pedidos de veto ao empreendimento do Grupo SS e um clamor pela destinação pública desse terreno."

Localizada em um dos últimos terrenos vazios do bairro do Bixiga, a companhia de teatro já travou outras batalhas para permanecer neste local. A reivindicação dessa e de outras lutas é a mesma - nas palavras do grupo: "Não queremos construir edificações, desejamos a poética do vazio como uma construção, num exercício de imaginação, criando bolsões de respiro no tecido urbano de São Paulo, permitindo ao terreno que se mantenha verdejado, permeável à luz, à chuva, ao tempo."

Leia o manifesto completo da companhia de teatro, aqui.

Para lembrar: o Oficina, foi eleito o melhor teatro do mundo na categoria "projeto arquitetônico" pelo The Guardian.

Imagem: The Guardian / Reprodução.Imagem: The Guardian / Reprodução.

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Fonte: Arch Daily.

Depois de ganhar as redes sociais do Brasil com a hashtag #MeuPrimeiroAssedio e #MeuAmigoSecreto, as denúncias de abuso sexual sofrido por mulheres ganharam o  mundo a partir da hashtag #MeToo ("eu também").

Essas duas palavras vêm sendo compartilhadas nas redes sociais por mulheres e homens que sofreram algum tipo de agressão sexual. A iniciativa teve início depois das alegações de estupro contra o poderoso produtor cinematográfico americano Harvey Weinstein.

Weinstein, um dos mais poderosos nomes de Hollywood, foi acusado de estupro e agressão sexual por mais de duas dezenas de mulheres - incluindo as atrizes Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow e Rose McGowan. O produtor alega que todas as relações sexuais que teve foram consensuais.

Desde que as acusações vieram a público, várias personalidades usaram as redes sociais para falar sobre o assunto, algumas detalhando o assédio que sofreram.

Atriz Alyssa Milano pediu a vítimas de assédio que se pronunciassem, em demonstração de solidariedade. Foto: Getty Images.Atriz Alyssa Milano pediu a vítimas de assédio que se pronunciassem, em demonstração de solidariedade. Foto: Getty Images.

A hashtag, porém, surgiu quando o jornal The New York Times publicou um artigo de opinião assinado por Mayim Bialik, da série The Big Bang Theory, afirmando que as mulheres são assediadas com base em um “nível hierárquico” de beleza, além da forma como se vestem.

O termo ganhou força depois de a atriz Alyssa Milano pedir as vítimas de assédio sexual que se pronunciassem, em demonstração de solidariedade. O caso teve ainda maior repercussão com a participação da senadora democrata Elizabeth Warren, que publicou em sua conta no Facebook um pedido semelhante para que vítimas de assédio utilizassem a hashtag em seus perfis. A hashtag já foi mencionada mais de 1.7 milhões de vezes nas redes.

Celebridades responderam, incluindo Debra Messing, Anna Paquin, Lady Gaga e Monica Lewinsky.

Milhares de outros usuários nas redes sociais, inclusive no Brasil, compartilharam histórias de quando foram vítimas de assédio.

No Twitter, uma usuária, que decidiu permanecer anônima, escreveu: "Tinha 19 anos. Ele me encheu de álcool, forçou um beijo de língua e tocou meus seios. Me culpei por estar bêbada. #MeToo."

Homens e transexuais também expressaram apoio à campanha, incluindo o ator e cantor Javier Munoz.

Alguns deles chegaram, inclusive, a falar sobre suas experiências pessoais.

A usuária Cortney Anne Budney postou no Facebook: "O 'eu também' é para os homens também. Não devemos nos esquecer dos homens e dos meninos. O eu também deles é igualmente importante e muitas vezes frequentemente encoberto."

 Já para o escritor Charles Clymer, que foi vítima de estupro, afirmou que, embora ambos os gêneros sofram abuso, "há um componente misógino específico na cultura do estupro".

"Faz sentido gastar tempo para destacar a misoginia especificamente e amplificar a voz das mulheres", postou ele.

Os principais argumentos falam sobre a importância de não responsabilizar a vítima de assédios e abusos sexuais, além de ressaltar que todas as mulheres estão passíveis de sofrer esse tipo de agressão. 

Campeã olímpica em Lodres-2012, a ginasta americana McKayla Maroney também usou a hashtag para contar sua própria história de abuso e mostrar que o assédio e o abuso sexual contra mulheres não se restringem a Hollywood.

"Começou quando eu tinha 13 anos, em um dos primeiros campeonatos nacionais, no Texas, e não parou até que eu me aposentasse", afirmou a jovem de 21 anos, que parou de competir em 2016. O acusado, o médico Larry Nasser, é apontado como o abusador de dezenas de atletas, homens e mulheres, ao longo de duas décadas de carreira.

"Nosso silêncio deu poder às pessoas erradas por muito tempo. É a hora de retomarmos nosso poder. E lembre-se: nunca é tarde para denunciar!"

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Fonte: BBC Internacional.