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Brandon Stanton, responsável pelo blog Humans of New York, conseguiu um feito natalício: recolheu mais de milhão de dólares (cerca de 505 mil euros) em donativos apenas num dia. A verba recolhida vai beneficiar 11 famílias de refugiados sírios que abandonaram o seu país de origem e se preparam para recomeçar a vida nos Estados Unidos.

No início de dezembro, Stanton – que tem fotografado pessoas de todo o mundo com o apoio da ONU – publicou o perfil de cada uma das 11 famílias no blogue. E na véspera de Natal lançou uma campanha decrowdfunding na plataforma Generosity.com para ajudar as famílias sírias a estabelecerem-se nos Estados Unidos, onde conseguiram entrar com o estatuto de refugiados. A campanha foi lançada com a duração de 48 horas (24 e 25 dezembro) e no final do primeiro dia, já tinha conseguido mais 554 mil dólares (cerca de 505 mil euros) refere o site Mic. O dinheiro arrecadado vai ser distribuído pelas famílias e cada uma vai receber cerca de 40 mil dólares (cerca de 36 mil euros). 

Os números, em especial números grandes não são estranhos ao fotógrafo. A página que criou na rede social Facebook com o mesmo nome Humans of New York  também conhecida pelo acrónimo HONY – já atingiu quase 16 milhões e meio de likes e 382 mil seguidores no Twitter.

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O norte-americano começou por fotografar pessoas em Nova Iorque no verão de 2010. Inicialmente, a sua ideia era criar um “catálogo exaustivo” dos habitantes da Grande Maçã, e começou o projeto com o objetivo de retratar 10.000 nova-iorquinos. As fotografias que publica são sempre acompanhadas de um episódio contado pelos retratados – muitos deles de caráter pessoal.

Esta não foi a primeira vez que Brandon Stanton se envolveu numa campanha de recolha de fundos. Em janeiro deste ano, uma das fotos que publicou na página do Facebook gerou uma onda de solidariedade que permitiu angariar mais de 365 mil dólares (cerca de 325 mil euros),que permitiram a uma turma do 6º ano de uma escola de Brooklyn (num dos bairros mais pobres dos EUA) visitar a Universidade de Harvard.

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Elsa Araújo Rodrigues no Observador.

 


Em 1992, na região de Argyll, Escócia, Magnus MacFarlane-Barrow estava em um bar com seu irmão Fergus quando notícias e imagens da guerrana Bósnia invadiram o noticiário. Emocionados, os dois decidiram juntar doações para ajudar as famílias afetadas pela violência do conflito.

Com os mantimentos estocados, foram à Bósnia entregar o que arrecadaram e lá passaram alguns dias. Ao retornarem para a Escócia, a surpresa: amigos e vizinhos continuavam a levar doações. Como resultado, Magnus acabou deixando o trabalho para trás e viajou 23 vezes para a região apenas naquele ano.

Os irmãos fundaram uma entidade beneficente chamada Scottish Relief Fund (SRF), que se expandiu e acabou por virar a Mary’s Meals (Refeições de Maria, em português) em 2002, iniciativa que oferece uma refeição por dia escolar a crianças em situação de vulnerabilidade.

Esse projeto deu tão certo que ultrapassou em 2015 a impressionante marca de um milhão de crianças atendidas em 12 países da ÁfricaÁsia e América Latina.

Um milhão de crianças em idade escolar agora são alimentados por refeições da Mary's Meals. / Imagem: Third Force News.

 

Da Escócia, Magnus conversou com EXAME.com sobre a Mary’s Meals, os planos para o futuro da entidade e também sobre a crise humanitária que envolve imigrantes e refugiados da África, Ásia e Oriente Médio. Veja abaixo os principais trechos da entrevista.

EXAME.com – Vocês hoje alimentam mais de um milhão de crianças em todo o mundo. Essa é uma marca impressionante. Como você se sente sabendo que muitas delas sobrevivem por causa desse trabalho?

Magnus – Eu ainda fico surpreso em saber que mais de um milhão de crianças em escolas de todo o mundo estão comendo as refeições da Mary’s Meals. Sou muito grato em ver as maneiras como esse movimento cresceu e pelos esforços da nossa família global, cujos atos de amor tornaram esse trabalho possível.

Todas as pessoas envolvidas na Mary’s Meals devem se orgulhar, desde aquelas que nos ajudaram a arrecadar os primeiros fundos até as mães e avós que acordam cedo todos os dias para cozinhar e servir as refeições nas escolas. Nossa crença de que toda criança merece uma refeição no local onde recebe educação nos une e nos motiva a sempre seguir em frente.

EXAME.com – Como surgiu a ideia de fundar a Mary’s Meals? 

Magnus – Em uma viagem ao Malawi em 2002, um garoto chamado Edward me contou que seu sonho era ir para a escola e ter comida o suficiente para sobreviver. Sua mãe, Emma, estava morrendo de Aids e ele tinha outros cinco irmãos mais novos.

O fato de que esse era um sonho dele e também a sua esperança mexeram comigo. As palavras de uma criança de 14 anos despertaram em nós a missão de atrair crianças para a escola ao oferecermos uma refeição por dia. Mary’s Meals é uma ideia simples que funciona.

EXAME.com – Qual a importância de se oferecer uma refeição por dia para essas crianças?

Magnus - Trabalhamos com crianças em situação de vulnerabilidade em muitos dos países mais pobres do mundo. Na maioria das vezes, a refeição que oferecemos é a única que eles têm acesso durante todo o dia.

A comida permite que necessidades imediatas dessas crianças sejam atendidas, reduzindo a fome, contribuindo para o aumento da concentração e da aprendizagem e melhorando a saúde e o bem-estar. Testemunhei os impactos dos nossos programas e temos registros que mostram que melhoramos as taxas de matrícula nas escolas, de frequência escolar e de progressões entre séries. 

O programa de alimentação encoraja o apoio à educação pela população local e contribui para a economia, já que adquirimos a comida de produtores locais. Ainda deixamos os governos observarem os benefícios da merenda escolar e como é o funcionamento de um programa eficiente e barato.

A Mary’s Meals permite que crianças em todo o mundo saibam que elas são importantes. A educação traz esperanças de um futuro melhor e investir nisso contribuirá para que gerações futuras tenham os meios para se sustentar e atingir todo o seu potencial.

EXAME.com – Como é uma refeição típica da Mary’s Meals?

Magnus – Oferecemos uma variedade de refeições, dependendo do local no qual estamos atuando, e tentamos sempre garantir que ela seja adequada à cultura daquela região. Todas elas são escolhidas por seus valores nutricionais, popularidade e facilidade no preparo. Quando possível, preferimos apoiar as economias locais e compramos os ingredientes direto com os produtores. 

Somos uma caridade de baixo custo e gastamos 93% das nossas doações nessas atividades. O custo de uma refeição em âmbito global é de cerca de 9 centavos de dólares (em média 40 centavos de real) e o custo médio anual de se alimentar uma criança é de cerca de 19,50 dólares (cerca de 78 reais). 

EXAME.com – Quais os planos para o futuro da Mary’s Meals?

Magnus – Vamos continuar trabalhando para espalhar a nossa mensagem, incentivando o movimento global e alcançando cada vez mais crianças que precisam de uma refeição diária para aprender e para crescer.

Ainda há 59 milhões de crianças fora das escolas em todo o mundo e milhões delas passam fome. Então, embora estejamos felizes de ter alcançado a marca de um milhão de crianças atendidas, consideramos que esse é “nosso primeiro milhão”. O trabalho está apenas começando e ainda há muito para ser feito.

EXAME.com – Você já trabalhou ajudando refugiados a retornaram para seus lares. Como enxerga a crise de refugiados que acontece no mundo hoje?

Magnus – Toda a sociedade foi profundamente impactada por essa crise, que é a emergência humanitária mais grave da atualidade. Com isso em mente, Mary’s Meals está explorando a possibilidade de lançar um programa de alimentação para as crianças afetadas. Esperamos que isso possa ajudar a aliviar a pressão em suas famílias nesse momento tão difícil. 

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Gabriela Ruic no canal Mundo de EXAME.com


Incomodada em ver pessoas passando fome enquanto há desperdício de comida, uma professora universitária decidiu recolher legumes e frutas descartados por supermercados para preparar refeições para moradores de rua de Brasília. A ideia surgiu há quatro anos, e desde então Lisa Minari Hargreaves dedica uma hora de três dias da semana para a coleta. Ela conta que também se alimenta com os itens, além de distruibuí-los para a família e vizinhos.

Lisa costuma ir aos supermercados e feiras na hora em que as caixas com os vegetais não comercializados são esvaziadas. Ela analisa um a um e separa os que não estão extremamente maduros e não têm mofos, cortes e estragos. Pesquisas feitas pela professora apontam que 30% de tudo o que é produzido acaba indo para o lixo.

"[Há] Muito desperdício. Fico muito triste, vendo tantos que precisam", afirma a mulher, que defende o reaproveitamento. "Também como o que cato, porque acho que sobras são para todos, não só para as pessoas mais necessitadas."

Em média, Lisa consegue 25 kg de alimentos nos dias de coleta. As frutas e legumes são então higienizados e guardados na geladeira. A sopa é feita na casa dela, e a distribuição acontece às 20h30, na calçada em frente à Rodoviária do Plano Piloto. Ela também leva pães – que se não fosse pela iniciativa, iriam para o lixo – doados por uma padaria.

Sopa feita por professora do DF para moradores de rua (Foto: Lisa Hargreaves/Arquivo Pessoal)Sopa feita por professora do DF para moradores de rua (Foto: Lisa Hargreaves/Arquivo Pessoal)

Sopa feita por professora do DF para moradores de rua. Foto: Lisa Hargreaves / Arquivo Pessoal.

"Eu faço o caldo. É na minha casa, demoro três horas. Coloco em recipiente térmico", explica a professora, que mora a dez quilômetros do ponto onde faz as doações. "Às vezes [essa] é a única refeição do dia [desses moradores de rua]. Nas distribuições, atendo cinco, seis famílias. Às vezes [há] mais."

Lisa conta com a ajuda de uma amiga no transporte e distribuição dos alimentos. Há algumas semanas, outra pessoa se inspirou na atitude dela e passou a catar alimentos de um supermercado para distribuir em uma creche, um abrigo de deficientes e a famílias pobres de Águas Lindas, no Entorno do DF.

"As pessoas ficam impressionadas com a ideia, gostam e geralmente apoiam. Os beneficiados só agradecem. [...] As doações de alimentos são raras, mas às vezes algum amigo doa uma cesta, um pacote de feijão", diz.

Lisa afirma que gostaria que o projeto se expandisse. Para ela, o ideal seria que as pessoas catassem alimentos perto de casa ou do trabalho e os distribuíssem a quem tivesse necessidade. A professora também destaca a importância de olhar o que está na geladeira e não vai ser usado.

"E quem precisa pode ser seu vizinho de casa, um amigo doente, um colega de trabalho sozinho. A comida se torna um pretexto para olhar e se aproximar do outro. Eu distribuo também para uma vizinha e para os dois porteiros do prédio onde moro. Vivemos um momento de solidão crônica, e precisamos pensar em estratégias criativas e sustentáveis para cuidar mais um do outro", defende. "[Quando doo me sinto] Muito feliz e satisfeita. Missão cumprida."

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Raquel Morais  / Do G1 DF.

 


Um arco-íris e uma bandeira totalmente negra estão no alto da imagem criada por Fel, 28, grafiteiro ligado à enorme tradição paulistana de pichadores. É uma alegoria sobre a anarquia, mas também representa a causa LBGT e as populações indígenas latino-americanas. O traço não é para ser – e não é - apuradamente bonito nem esteticamente perfeito. Vale mais a provocação. O trabalho, que toma uma das faces de um conjunto do Cingapura Água Branca, na subprefeitura da Lapa, zona oeste de São Paulo, coloca a juventude negra para brincar no alto dos prédios. É o que Fel vê como primeira necessidade. E ele parece não estar só.
 
A missão do Revivarte, com apoio do projeto 'Tudo de cor para você’, das Tintas Coral, é levar aos moradores um respiro no dia a dia, ainda que a estética não seja exatamente a maior das prioridades. “A arte em si não vai mudar a vida das pessoas. A opressão policial, a ausência efetiva de dinheiro, a carência de políticas públicas... A arte não vai alterar isso. Mas ela estreita a própria comunidade dentro de si. É um passo para que eles ganhem capital político e humano para se mobilizarem diante de outras demandas”, explica Fel. Se o papel do grafite é esse, as coisas definitivamente estão caminhando lá no Cingapura. De 14 de setembro - quando começaram as pinturas - para cá, conta ele, o efeito das tintas e do spray começa a florescer. “Antes as crianças ficavam atentas se havia um (policial) civil à paisana por aí. Agora elas param, conversam, falam, aproveitam o dia”, completa o artista.
 

Pelas esquinas, o que se ouve é que o grafite teve um efeito imediato na ostensiva presença policial. As abordagens têm se tornado menos agressivas, ainda que velhos hábitos não se alterem com tanta velocidade. “A comunidade é muito próxima da Marginal Tietê e é bem pequena. Então é fácil para (os policiais) chegarem de surpresa. E eles estão aqui diariamente”. A fala é de Subtu, grafiteiro com trabalhos espalhados por grande parte da capital e idealizador do Revivarte. “A própria comunidade quer que a gente fique. Como estamos aqui, a polícia está pegando bem mais leve. Eles vêem que tem gente tirando fotos... Aí eles chegam de outra forma”. Subtu ainda não colocou seu trabalho em prática, mas a ideia já está definida: “Vai ser um palhaço fazendo malabares com a palavra paz. Porque aqui a polícia é muito repressora”.

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O beco agora é motivo de orgulho. André Murched / HuffPost Brasil.

São oito empenas grafitadas. As obras têm entre oito e dez metros de altura. Com tudo pronto, são 850 metros quadrados de área transformada em arte. Chama a atenção a disposição de quatro obras, que não foram produzidas para serem vistas por quem chega à comunidade ou está de passagem, mas para fazerem parte da paisagem de quem vive por ali. O que apareceu como sugestão dos grafiteiros, bateu como um alívio para os moradores. “É que o beco já teve umas histórias trágicas”, disse Subtu. Ana Carolina Pereira dos Santos, 30, cabeleireira e representante da Associação de Moradores, confirma a história. “Na verdade, já tivemos usuários de drogas e outras pessoas que morreram ali. Era um beco que todo mundo até evitava passar. Agora já estão até colocando nome. Chamam de ‘Beco da Arte’, de ‘Beco da Alegria’”.

Os artistas só foram parar ali após convite dos moradores. A comunidade ficou sabendo do sucesso da empreitada da passagem dos grafiteiros pelo Parque do Gato, outro conjunto de baixa renda periférico, e tentou a sorte. Era a chance de fazer uma parceria para incluir cores nas instalações deterioradas pelo tempo e pelo esquecimento do poder público. Já são quase 20 anos sem o reboco do Cingapura Água Branca qualquer pintura. A proposta soou como música aos ouvidos de Mundano, Fel, Subtu e RMI, os residentes do projeto. Cada um já tinha garantido um espaço para seus traços. Eles e a comunidade queriam mais. Para os demais trabalhos foi aberto um edital, que contou com a participação popular e a inscrição de vários interessados. Só uma demanda parecia irremediável. Entre os contemplados precisava haver uma grafiteira. “Todas queriam uma mulher. Era geral. Não eram só as jovens. Todas diziam: precisa ter mulher”, conta Carol. A felizarda foi a artista Suzue, que foi estudar no Japão os traços orientais para agora deixá-los à mercê do tempo na gueixa grávida que registrou na parede do tal beco que um dia foi mais do que assombrado. Além da inclusão feminina, outras etapas do processo foram ratificadas democraticamente. Eleição é para ser respeitada, certo? “Foram 700 votos para os quatro desenhos principais”, lembra a representante da comunidade.

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Ítalo e a viagem (quase) psicodélica da periferia. André Murched / HuffPost Brasil.

Ítalo, 24, grafita desde 2008 e é outro que acabou selecionado diretamente pela comunidade. “Não sou daqui. Sou da zona leste. Então observei o que rola. A minha imagem tem um pouco do que é a estrutura dos prédios. E fala das pessoas que estão esperando para ir além do dia, para escapar de onde vivem. É uma janela aberta para outros mundos”. Diz ele que a aproximação e troca de experiências aconteceu também enquanto colocava a mão nas tintas. “As daqui pessoas querem entender o que está acontecendo. Todos dão bom dia, trocam ideia... O povo se conhece. E eles dão um suporte dentro do que elas podem”. O tal suporte inclui comida, suco, incentivo e papo. Muito papo.

Um simpático senhor de boné e sacola plástica confundiu a reportagem com os integrantes do Revivarte. Do Fel, cobrou os retratos "que estavam faltando". O grafiteiro Mundano havia levado uma máquina fotográfica de revelação instantânea alguns dias antes e ele agora quer ter uma imagem em frente de todos os painéis.

A Severina Josefa Cardoso, 50, que toca o boteco colado na comunidade não se cansa de sugerir a fachada de seu comércio para os rabiscos. "É muito bonito, né? Vamos ver se quando eles terminarem dá um tempinho para fazer alguma coisa por aqui".

 

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Mundano e a seca que já chegou para quem nada tem. André Murched / HuffPost Brasil.

Com a faísca acesa nos moradores, é hora de passar o bastão. A ideia é que moradores passem de espectadores a produtores de arte. Quem sabe não sai dali mais um grafiteiro dos bons para combater o cinza monótono da maior cidade da América Latina? Os pincéis já estão com a comunidade para revitalizar a quadra local. A missão é das meninas, meninos, mulheres e homens que moram por ali. “Nosso objetivo é claro: queremos a transformação social por meio da arte”, metralha Fel. “O grafite é um braço armado do hip hop. Armado de tinta e de ideias. E a ideia quando é expressa plasticamente é muito mais direta. Nós atacamos o olho, a visão”. E se a ideia do grafite é iniciar uma nova fase por ali, vai ser difícil encontrar alguém que tenha dúvidas de que o plano está dando certo.
 
 

Bruno Perê gasta o spray no beco. André Murched / HuffPost Brasil.


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Rafael Nardini no HuffPost Brasil.

 


O Abraço Cultural – Curso com Refugiados está com inscrições abertas para sua 4ª edição que acontece de 11 de janeiro a 5 de fevereiro de 2016.  O curso intensivo de férias acontecerá às segundas, quartas e quintas-feiras - totalizando 36 horas/aula – e terá como encerramento a 2ª edição da festa Aquele Abraço Cultural - o evento celebrará a cultura dos professores refugiados do curso, no dia 13 de fevereiro de 2016. 

Ministrado por professores em situação de refúgio no Brasil, o curso de idiomas (francês, inglês, espanhol e árabe) atrela o aprendizado da língua à vivência cultural junto a refugiados vindos de países Africanos, Árabes, Latino-Americanos.

A iniciativa teve início em julho de 2015 e reuniu até agora 290 alunos, 50 voluntários, dando oportunidade de inserção no mercado brasileiro a 28 professores refugiados.

 

Foto: Ilana Goldsmid

Abraço Cultural – Curso com Refugiados:  Idealização e Método

O projeto Abraço Cultural - Curso com Refugiados foi desenhado pela plataforma social Atados – Juntando Gente Boa e a associação Adus - Instituto de Reintegração do Refugiado Brasil e tem hoje como parceiros também a SP Escola de Teatro e a Escola da Cidade. O principal objetivo é promover a troca de experiências, a geração de renda, e a valorização pessoal e cultural de refugiados residentes no Brasil e, ao mesmo tempo, possibilitar aos alunos do curso o aprendizado de idiomas, a quebra de barreiras e a vivência de aspectos culturais e festivos de outros países.

Em sala de aula, ou fora dela os professores conduzem os alunos por uma jornada de cultura-experiência por seus países de origem. Além das aulas formais o aprendizado do idioma se dá por meio do compartilhamento das histórias de cada professor e elementos culturais de seus países de origem como músicas, filmes, culinária, arte, história, política e festas típicas. 

O curso pretende ser replicável, podendo ser aplicado em outras cidades e países.

Atados

O ‘Atados – Juntando Gente Boa’ é uma plataforma – online e off-line - que conecta empresas, organizações sociais e cidadãos em uma rede de transformação social por meio do trabalho voluntário e projetos inovadores.

Com sede em São Paulo, Brasília, Curitiba e no Rio de Janeiro conta com uma rede de 39 mil pessoas, 400 ONGs e 30 empresas, mobilizando cidadãos para mais de 800 oportunidades de voluntariado e co-criando projetos sociais inovadores.

Com quase 40 mil usuários, a plataforma online www.atados.com.br funciona como uma rede social conectando ONGS e cidadãos por meio de oportunidade de trabalho voluntário ou engajamento social.

Adus

Fundado em 2010 por internacionalistas e pesquisadores do tema do refúgio, o Adus – Instituto de Reintegração do Refugiado recebeu o título de OSCIP em 2012.O Adus realiza diversas ações voltadas à conscientização, diminuindo os casos de preconceito contra solicitantes de asilo e refugiados. Desde 2010 diversos postos de trabalho foram criados; vagas em cursos foram logradas; muitos voluntários foram incluídos ao grupo de colaboradores e contribuem efetivamente na ações e projetos da organização. 

Parceiros:

SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco

Uma instituição gratuita que dá plenos poderes ao pensamento e às ações de renomados criadores da cena teatral brasileira. Desde 2010 oferece formação profissional para 8 áreas do teatro, a saber: atuação, cenografia e figurino, direção, dramaturgia, humor, iluminação, sonoplastia e técnicas de palco. A instituição conta também com cursos de Extensão Cultural que incluem outras áreas artísticas como a dança e o circo, residências artísticas com companhias de teatro e artistas nacionais e internacionais. Além disso, a Escola acolhe projetos sociais e está aberta à população que pode utilizar a biblioteca para consultar seu acervo, conferir palestras, debates e workshops. www.spescoladeteatro.org.br

Escola da Cidade

A Escola da Cidade é um centro de estudos que – por meio de relações entre arquitetura, história, cultura, território e natureza – procura introduzir e reinterpretar as diferentes formas de ocupação do espaço. Somos uma instituição de ensino superior que, reconhecida pelo MEC em 2001, reúne um conjunto de profissionais multidisciplinares e procura formar arquitetos e urbanistas criativos e críticos àcidade.

Mais informações também no https://www.facebook.com/abcultural?fref=ts

Serviço

 Intensivo de Férias 2016 - Curso de Cultura e Idiomas com Professores Refugiados.
Curso: de 11 de janeiro a 5 de fevereiro de 2016 (36 horas).
Segundas, quartas e quintas-feiras.
Inscrições:www.abracocultural.com.br
Horários de atendimento: Segunda a Sexta a partir das 11h.
Festa Aquele Abraço Cultural 2ª edição: 13 de fevereiro de 2016.

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Fonte: Nany Gottardi - Assessoria de Imprensa / Locomotiva Cultural.


A praça Acibe Ballan Camasmie, no Brooklin Novo, na zona sul de São Paulo, é um daqueles espaços que convidam quem passa pela área a entrar para desfrutar de momentos de tranquilidade em meio ao verde. O local de 10 mil m² é simples, mas bem cuidado, limpo, tem onde sentar, quadra poliesportiva e é iluminado à noite.

Mas esse cenário era bem diferente há cerca de três meses, quando havia muita sujeira espalhada pelo lugar, lixeiras quebradas e postes sem funcionar. Tudo começou a mudar depois que a praça foi "adotada" pelos moradores das proximidades, que passaram a sugerir melhorias para o local e até chegaram a organizar cinco mutirões para tornar o lugar mais agradável.

O "ponto de encontro" deles para trocar ideias sobre como melhorar a praça é virtual. Os moradores lançam propostas, debatem, votam e marcam os mutirões, tudo pela internet. Quem ajuda a promover encontros como esses e articula parcerias para financiar a realização das melhorias é o projeto "Praças".

Criada há três meses, a iniciativa conseguiu reunir 345 pessoas em torno de uma mesma causa: transformar essa praça do Brooklin Novo em um espaço de lazer para a comunidade.

Esses moradores acessaram o site do projeto, aceitaram se tornar "amigos da praça" e começaram a participar das discussões e a escolher o que queriam mudar no local. Ações como limpeza, revitalização do mobiliário, pintura da quadra e instalação de espaço cercado para os cães foram feitas por eles mesmos durante mutirões.

Já problemas de falta de lixeiras e postes apagados, que só podem ser resolvidos pelo poder público, ficaram a cargo da equipe do site, que repassou as demandas para os órgãos responsáveis, que instalaram novas lixeiras e consertaram os postes de iluminação.

Também coube à equipe do projeto convencer pessoas e empresas a ajudar a financiar o material usado durante os mutirões, como sacos plásticos e tintas. Dois patrocinadores doaram R$ 23.500,00 para a reforma da praça, em troca da exibição de suas marcas tanto na praça quanto no site do projeto.

Uma praça em cada bairro

O idealizador do "Praças", o urbanista Marcelo Rebelo, 29, deseja que outras praças da capital paulista passem pela mesma transformação que a feita na Acibe Ballan Camasmie. E a meta dele é ambiciosa: "Queremos revitalizar uma praça em cada bairro de São Paulo; queremos dar a mesma qualidade de praças tanto para bairros ricos como pobres".

Para concretizar essa missão, ele espera contar com a ajuda da população, que pode indicar no site que locais quer que sejam recuperados e participar dos debates e ações para a melhoria das praças.

Apaixonado por espaços públicos, o urbanista conta que o projeto é resultado de uma inquietação que ele tinha durante os cinco anos que foi funcionário público na prefeitura. "Eu tive péssimas experiências em audiências públicas, que não conseguem fazer com que as pessoas contribuam. Daí surgiu a ideia de mudar esse modelo de audiência pública para online", lembra.

Para colocar o site no ar, Rebelo contou com o apoio da Social Good Brasil, organização sediada em Florianópolis que ajuda a viabilizar projetos que usam tecnologias e novas mídias para promover mudanças sociais. 

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Fabiana Maranhão do UOL em São Paulo.

 

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