Cidade Tiradentes fica mais colorida com a Barro Bronx, galeria de arte urbana a céu aberto

No ano passado, o coletivo Operação Tinta no Muro começou as intervenções artísticas na região, que já concentra uma quantidade considerável de murais, ainda pouco conhecidos por moradores de outros bairros da cidade. O OTM surgiu há cerca de seis anos, de forma espontânea. O grupo de artistas já fazia parte de atividades culturais que aconteciam na Cidade Tiradentes e o universo do grafite sempre esteve presente entre suas ideias. “Acreditamos que a cena atual do grafite na Cidade Tiradentes é bem densa, apesar de ter poucas pessoas que pintam por aqui. Nós somos um dos únicos coletivos do tipo dentro do bairro, mas que vem se organizando e articulando encontros com diversos artistas do Brasil e do mundo, tornando essa cena cada vez mais forte”, disseram, em entrevista ao São Paulo São.

Atualmente, são nove integrantes que colocam a mão na massa e na tinta: Eder Sandro (Sow), Jonathan  (Nojon), Thiago (Icone K), Enrique (Rocket), Bruno Moraes (Bil), Bruno Marques (TDS), Marcos (Quinho), Eduardo (Credo) e Cledson (Game). Além dos painéis, que incluem grafiteiros da cidade toda – e segundo o grupo, muitos deles até então nem sabiam da existência do bairro -, foi criada uma sede nas proximidades da galeria, onde os artistas de fora são recebidos. O espaço também funciona como um ateliê compartilhado e ponto de articulação de todos os projetos realizados pelo grupo.

Foto: Henrique Madeira / divulgação-OTM.

Entre os principais focos do grupo estão os projetos que valorizam a arte e o bairro. Em 2015 conquistaram o apoio do programa VAI, idealizado pela Secretaria de Cultura da Cidade. Assim, produziram cinco murais temáticos, baseados na cartilha de Direitos Humanos, como forma de levar cor e informação para a população da Cidade Tiradentes. No dia da inauguração oficial, um festival tomou conta da rua, com arte urbana, música, recreações infantis, projeções, apresentações de dança e música, incluindo nomes como Jé Versátil, Prince Hi-Fi e Rincon Sapiência

A arte urbana em São Paulo ganhou bastante fôlego na última década e vem permeando as veias da metrópole, que pulsa cada vez mais dentro de toda a efervescência cultural paulistana. Foi traçado um caminho sem volta onde, mesmo diante o efêmero, há a resistência. “Como coletivo temos diversos objetivos e diversas missões que ainda nem saíram do papel. Mas o que leva nos a continuarmos pintando e sonhando, é o amor que temos pelo grafite e a cultura Hip-Hop. Devemos sempre acreditar no nosso potencial, tanto como coletivo ou individual”, afirmou o grupo que, de tão unido, responde junto.

Foto: Henrique Madeira / divulgação-OTM.

Por ser uma região periférica e afastada do centro, é claro que existem outras demandas e lacunas a serem preenchidas em prol do aumento da qualidade de vida regional e até de necessidades básicas. Para eles, que moram ali, é notável a falta de atenção do Poder Público nas áreas de saúde, educação, saneamento e cultura. “Não parece ser legal, mas tudo isso se reflete nos nossos trabalhos, tornando-se mais um motivo para continuarmos o que já fazemos. Acreditamos que não só aqui como em outras periferias os artistas respiram arte sem ter que sair da sua quebrada, isso sim é muito legal e inspirador.”

 

Foto: Henrique Madeira / divulgação-OTM.

Sobre o futuro do cenário da arte de rua, que parece um tanto borrado pelo cinza, o grupo não parece tão preocupado. “Não sabemos o que a nova gestão pode ou venha fazer em prol da arte urbana nas periferias, vendo a cidade ser pintada de cinza, preferimos não criar expectativas sobre o assunto. Com ou sem ele, a arte urbana nas periferias sempre irá existir.“

Foto: Henrique Madeira / divulgação-OTM.

“Não só a arte urbana como o movimento Hip-Hop em si. São disciplinas que deveriam estar mais presentes nas escolas públicas, com palestras e oficinas sobre o movimento que estejam  diferenciando este sistema arcaico de ensino que vivemos na atualidade”, alfinetaram.

A crítica é uma das grandes ferramentas do grafite e de empoderamento das comunidades, que não só coroa a liberdade de expressão, mas também propõe avanços sociais em variadas formas. Os muros não só colorem; eles falam, protestam, inspiram transformações que começam no spray e não traçam um fim. O céu é o limite para tantos sonhos coloridos.

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Por Brunella Nunes / São Paulo São.

 

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