Cidades, mobilidade, poluentes: momento de decisão

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada ano a poluição do ar causa 7 milhões de mortes prematuras. No Brasil, ela mata mais de 100 mil pessoas anualmente. Segundo o Banco Mundial, a poluição custa à economia global estimados 5,11 trilhões de dólares em perdas sociais. Nos 15 países com os maiores volumes de emissões de gases do efeito estufa, os impactos de saúde da poluição do ar são estimados a um custo de mais de 4% do Produto Interno Bruto (PIB).

Em Copenhague, capital da Dinamarca, famílias com crianças, executivos e até políticos se deslocam diariamente de bicicleta. Foto: Visit Copenhage.

Em vários países europeus, esses índices e dados têm feito os governos tomarem decisões importantes para garantir a redução da poluição. Investir em carros elétricos e novas tecnologias, ampliar a malha cicloviária e o transporte sobre trilhos e estimular o transporte ativo (bicicleta e caminhada) são ações comuns lá fora no combate a esse mal silencioso e invisível.

A cidade pretende ser, até 2050, a primeira capital neutra em emissões de carbono do mundo. Foto: Visit Copenhage.

Em Copenhague, capital da Dinamarca, famílias com crianças, executivos e até políticos se deslocam diariamente de bicicleta. Com 390 quilômetros de ciclovias e semáforos especiais adaptados ao ritmo da circulação ciclista, a cidade pretende ser, até 2050, a primeira capital neutra em emissões de carbono do mundo. 50% dos habitantes andam diariamente de bicicleta e já há mais bikes do que pessoas. A ciclovia mais movimentada da cidade tem 40 mil passagens por dia. Comparativamente falando, em São Paulo, o recorde de ciclistas aconteceu na ciclovia da Faria Lima na semana de 21 a 26 de maio de 2018, durante a greve dos caminhoneiros: foram 33.487 viagens, um aumento de 17,5% em relação à semana anterior.

No Brasil, Fortaleza, no Ceará, é exemplo

Outros países também se mexem para melhorar a mobilidade e diminuir os poluentes em suas cidades. Na Alemanha, o Bundesrat, conselho federal alemão, já votou pela proibição dos motores de combustão interna até 2030. 

Madrid quer banir carros do seu centro até 2020, e planeja transformar as ruas em vias mais lentas, nas quais pedestres e ciclistas têm prioridade. E a França e a Inglaterra programam acabar com a venda de carros movidos a diesel e gasolina em 2040. 

Mapa colaborativo indica aos ciclistas as ciclofaixas, estações, oficinas e bicicletários em Fortaleza. Imagem: Google Maps.

Até 2020, Oslo, a capital da Noruega, promete deixar o centro da cidade livre de carros, o que irá favorecer pedestres e ciclistas, além de lojistas e comerciantes. Está provado que o comércio melhora quando as pessoas podem andar a pé livremente e com segurança. 

No Brasil, um caso louvável é Fortaleza – a capital cearense tem o objetivo de se tornar a cidade mais ciclável do Brasil. Hoje sua rede cicloviária soma 204,6 km, resultado de crescimento de 180% desde 2012, quando contava com 72,9 km. Além do aumento dessa malha, a cidade investiu em travessias elevadas,faixas de pedestre em X, corredores exclusivos para ônibus, áreas de trânsito calmo e estações de bicicletas compartilhadas. Um exemplo inspirador.

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Conteúdo semanal assinado pelo Pro Coletivo, blog parceiro de conteúdo, especializado em assuntos da multimodalidade.

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