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Gilberto Dimenstein e a namorada Anna Penido em 2018. Foto: Divulgação.Gilberto Dimenstein e a namorada Anna Penido em 2018. Foto: Divulgação.

A partir da segunda metade da década de 1980, todo estudante de jornalismo no país sonhava trabalhar na Folha de S.Paulo, o “jornal das Diretas-Já”, e ser o Gilberto Dimenstein (1956-2020). Com este sobrenome marcante de origem polonesa que muita gente fala errado até hoje, Gilberto se tornara o epíteto do repórter intrépido perseguidor de “furos”, o Carl Bernstein (https://en.wikipedia.org/wiki/Carl_Bernstein) brasileiro para toda uma geração de jornalistas. Bernstein, Dimenstein. Até rima (mas a pronúncia é diferente: “bernstín” e “dimenstáin”).

Na pós-pandemia, cerca de cem cidades já anunciaram seus planos para aumentar ciclovias, construir outras temporárias e abrir espaço para pedestres. Caso o Brasil não atente para isso, estaremos mais uma vez na contramão da história.

O Governo Português fixou que é “obrigatório manter o distanciamento social de dois metros”. Foto: Ambitur.O Governo Português fixou que é “obrigatório manter o distanciamento social de dois metros”. Foto: Ambitur.

Os dias começam a ficar mais quentes em Portugal, literalmente. E para quem mora em cidade de praia, a temporada de caminhada na areia e banho de mar parece que já está aberta. Mas de qual praia estamos falando? Aquela praia “normal” do último verão ou da “nova” praia, dos “novos tempos”, da nossa “nova” vida? Pois é. Algumas coisas não mudaram, ok. A água segue fria como antes do vírus e o vento também não dá uma aliviada. Fora essas coisas “normais” das praias do Atlântico acima do Equador, já não iremos mais à praia como íamos antigamente. Eu e a família já nos empolgamos com um dia bem ensolarado no Furadouro, praia ao lado de casa, e, ainda que as regras oficiais para frequentar a praia sejam válidas só a partir do começo de junho, pisamos numa praia em que a máscara, por exemplo, ganhou tanta importância quanto os biquínis e sungas. Aliás, acho até que serão mais importantes: imagino que em praia de nudismo as pessoas possam ficar peladas, mas de máscaras... (haja fetiche). Mantivemos uma distância razoável dos vizinhos (a praia não estava cheia ainda e foi fácil), mas vimos muita gente agindo como antigamente, em grupos grandes, lado a lado e, como nos velhos tempos, deixando um rastro de latinhas de cerveja, garrafas e outras tranqueiras. Sim, estamos no chamado primeiro mundo, mas ainda nos deparamos com esse tipo de coisa (e para registro, saímos da praia com um saco plástico cheio de lixo dos outros...). Mas essa é outra história.
Na praia de Furadouro pisamos numa praia em que a máscara, por exemplo, ganhou tanta importância quanto os biquínis e sungas. Foto: Guia da Cidade, Ovar / Divulgação.  Na praia de Furadouro pisamos numa praia em que a máscara, por exemplo, ganhou tanta importância quanto os biquínis e sungas. Foto: Guia da Cidade, Ovar / Divulgação.

Fora o vento, o lixo de alguns e o mar meio geladinho, as praias realmente não são mais “normais”. Já nas próximas semanas, as novas regras vão nos obrigar a encarar uma série de mudanças na nossa rotina. E a vigilância promete ficar de olho, principalmente do dia 6 de junho em diante, data em que fica aberta oficialmente a “época balnear”. Até um aplicativo para celular (ou telemóvel, como dizemos aqui) deve ser usado para ajudar a organizar o entra e sai nas areias, indicando se a praia está lotada ou se ainda há espaço para mais gente. Em um primeiro momento, não deverão ser tomadas medidas mais drásticas para proibir a entrada em praias lotadas, mas o governo conta com o bom senso dos banhistas para evitar as aglomerações e aposta na sinalização para ajudar as pessoas. Os códigos de cores – vermelho, amarelo e verde – serão as indicações utilizadas. Quer dar um pulinho na praia? Cheque antes de dá pra entrar. Mas como tudo ainda é muito novo para todos nós, vamos ver como vai funcionar, principalmente porque o entra e sai nas praias é grande. Ou seja, se for rigoroso, em praia cheia só entra gente quando sair gente... A medida para definir a sinalização de cada praia é a possibilidade de se manter a distância de pelos menos dois metros entre as pessoas (não vale para as famílias ou amigos que estão juntos). Se já não houver espaço para que seja mantida essa distância, a praia ganha bandeira vermelha.

 Foto: BeM4gic. Foto: BeM4gic.Ana Carolina Gouveia, de 23 anos, é bailarina, pianista e dona de uma escola de artes em São Paulo, chamada Oficina Musical. Paulistana usuária do transporte coletivo e amante das caminhadas, ela fez um ensaio no metrô e na avenida Paulista com os fotógrafos do Be M4gic – antes de eclodir a covid-19. Agora em quarentena, Ana conversa com o Pro Coletivo sobre a cidade, a mobilidade e o que pretende fazer quando o vírus estiver sob controle. A seguir, os principais trechos do bate-papo.

Corpo em movimento

A parcela feminina é a maioria nas ruas a pé ou no transporte coletivo. Foto: Sai de Silva / Unsplash.A parcela feminina é a maioria nas ruas a pé ou no transporte coletivo. Foto: Sai de Silva / Unsplash.

São as mulheres e mães que mais levam seus filhos à escola. Seja a pé, de ônibus, metrô, trem ou carro, elas se locomovem mais com a família do que os homens. Em geral, e esse é um dado que envolve estudos mundiais, três vezes mais do que os pais. Esse tipo de deslocamento é chamado de “mobilidade do cuidado”, pois diz respeito às saídas feitas para acompanhar e cuidar de outras pessoas.

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