Colunistas - São Paulo São

São Paulo São Colunistas

O homem precisa ser estudado, especialmente os rapazes das gerações Baby Boomer e da X, nascidos entre 1945 e 1984. O primeiro grupo é assim denominado porque está diretamente ligado ao retorno dos soldados que estiveram nas trincheiras aos seus respectivos países e promoveram um ciclo histórico de nascimentos. Há diversas teses a respeito desse fenômeno pós-embate campal, mas não vamos nos ater a isso aqui.

Foi numa noite musical – de voz e violão de Reinaldo –, na casa de minha amiga Paola, que após ouvir clássicos de Vanzolini como Praça Clovis, Samba Erudito, Cravo Branco e o eterno Mulambo, fui surpreendida com uma declamação animada de “Pobrema de Habitação”:

A Batalha do Tuiuti cujo início foi em 24 de maio de 1866, ocorreu nos pântanos que circundavam o lago Tuiuti, no Paraguai e é considerada por historiadores como uma das mais importantes batalhas da Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870).A Batalha do Tuiuti cujo início foi em 24 de maio de 1866, ocorreu nos pântanos que circundavam o lago Tuiuti, no Paraguai e é considerada por historiadores como uma das mais importantes batalhas da Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870).

Tradicionalmente maio é conhecido como o mês das noivas e das mães, duas comemorações com forte apelo para o consumo e para alavancar as vendas do comércio e de serviços.

Houve um tempo em que era desejado casar neste mês que, em tese, coroava o enlace matrimonial perfeito: cerimônia na igreja, centenas de convidados, festa de arromba e viagem de núpcias.

Já a celebração em homenagem às nossas queridas genitoras sempre ocorre no segundo domingo do mês, e é uma das datas do ano com maior faturamento para os lojistas.

Não por acaso, diversas empresas de produtos de consumo preparam potentes campanhas promocionais e de propaganda a fim de fisgar filhos e maridos para aquisição daquela lembrancinha planejada ou de última hora.

Manequins com vestidos em lojas. Foto: Dulce Soares / Acervo IMS.Manequins com vestidos em lojas. Foto: Dulce Soares / Acervo IMS.Em Buenos Aires, maio é a praça na qual as mães se reuniam para protestar contra a ditadura militar e cobrar o regime pelo desaparecimento dos seus filhos.

Em Sampa, a Rua 24 de Maio, cujo nome relembra a “Batalha do Tuiuti”, da Guerra do Paraguai (1864-1870), ocorrida em 1866, e que foi considerada a mais sangrenta do conflito, vencido pela tríplice aliança (Brasil, Argentina e Uruguai), contra o Paraguai. Nos dias atuais essa Rua do Centro Velho da cidade abriga a famosa Galeria do Rock e, cada vez mais, reúne nos seus andares as turmas do skate, das tatuagens, da moda surf, e dos salões de beleza.

E o 1º de maio foi de luta e de comemoração no Dia o Trabalhador e as batalhas continuam. Estamos apenas no início e muitas águas vão rolar. Não são as de março fechando o verão, mas, quem sabe, seja o prenúncio de que a próxima estação nos trará mais esperança. Por aqui, fico. Até a próxima.

***
Leno F. Silva é diretor da LENOorb - Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Escreve às terças-feiras no São Paulo São.

A Urbe é sinistra quando paro no farol e vejo tantos ambulantes, que vendem de rosas a panos de prato, guarda-chuvas, passando por carregadores de celulares, frutas variadas, tudo na barganha que começa em R$ 25,00, mas dependendo do tempo do farol chega a R$ 10/15, 00 e o vendedor ainda sai feliz.

A urbe é sinistra quando vejo a velocidade dos carros – que um diminui e outro aumenta... E já foi comprovado que nesse quesito menos é mais segurança.

A urbe é sinistra quando vejo que as famílias que habitavam o entorno da Praça 14 Bis estão sumindo. E indo para onde? Quando vejo que há prédios e mais prédios desocupados no centrão e ninguém resolve. Aí tem invasão e depois é outra luta.

A urbe é sinistra quando vejo meninos – moleques de tudo – no túnel que liga a Dr. Arnaldo à Paulista, atravessando feito zumbis pelos carros, e que vem roubar meu celular com arma na mão.

A urbe é sinistra quando vejo amigos com mais de 45 anos que não conseguem mais se empregar. Muita experiência ou salário alto é a alegação do mercado. Precisam trabalhar, mas não podem mais estar no quadro de nenhuma empresa. Não resta alternativa, eles têm que se reinventar.

A urbe é sinistra quando vejo as crianças que vivem em abrigos para serem protegidas dos próprios pais. Mãe e pai que maltratam não têm vez. E estas crianças, crescem com qual identidade?

A urbe é sinistra quando vejo os idosos nos lares que chamam de clínica de retaguarda. Eles não têm condições de voltar para casa nem chance de recuperação física e psicológica. Dependem dos médicos, enfermeiras, cuidadoras, pois a família, além da visita para dar amor e atenção, só pode rezar.

A urbe é sinistra quando vejo tantos pernetas e cadeirantes sem condições de trabalhar fazendo a vida como pedintes de uma vida inteira.

A urbe é sinistra quando há tantas bibliotecas na cidade que poderiam ser melhor utilizadas se programassem atividades para todas as faixas etárias, como poucas fazem. Querem aumentar a leitura, mas elas não chegam à grande maioria carente, que mal sabem os tesouros que têm por lá.

A urbe é sinistra, mas acolhe muitos migrantes e imigrantes que conquistam outra vida por aqui, ralando muito, é claro, mas que dão tudo por viver em SP.

A urbe é sinistra, mas oferece museus, cinemas, shows para quem pode e quem não pode. Muitos não sabem dos seus direitos e das coisas boas que SP dá sem pedir nada em troca.

A urbe é sinistra, mas os apaixonados se encontram no jardim da Casa das Rosas, na Paulista, e ficam felizes só pela presença no local mais romântico da famosa avenida.

A urbe é sinistra, mas quase todos os finais de semana ouço um “parabéns a você” cantado por crianças e jovens na minha vizinhança.

A urbe é sinistra, mas adoro quando estou no chuveiro e ao invés de cantar, ouço do andar de baixo um casal fazendo vocalize para ensaiar a voz.

A urbe é sinistra, mas é um prazer enorme ir ao Ibirapuera e ver o final de semana de várias famílias em busca do verde, tão raro.

A urbe é sinistra, mas fico feliz quando vejo um engravatado de 30 e poucos anos caminhando na chuva sem proteção e assobiando uma melodia deliciosa, sem se preocupar com o aguaceiro em seu terno.

SP é uma urbe sinistra do bem e do mal. Mais que nunca Carlito Maia estava com a razão quando disse “Amo SP, mas com todo ódio!”

***
Marina Bueno Cardoso, jornalista, trabalhou na imprensa em São Paulo e na área de Comunicação Corporativa de empresas. É autora do livro “Petit-Fours na Cracolândia”, Editora Patuá. Publica crônicas quinzenalmente no São Paulo São que são replicadas no site literário www.musarara.com.br

Gramado e trilha no interior do parque. Foto: Áreas Verdes das Cidades.Gramado e trilha no interior do parque. Foto: Áreas Verdes das Cidades.

Conheci a então Praça Buenos Aires em 1981, quando iniciei o curso de comunicação social na FAAP – Fundação Armando Álvares Penteado.

APOIE O SÃO PAULO SÃO

Ajude-nos a continuar publicando conteúdos relevantes e que fazem a diferença para a vida na cidade.
O São Paulo São é uma plataforma que produz conteúdo sobre o futuro de São Paulo e das cidades do mundo.

bt apoio