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Nunca antes na história deste ou de qualquer outro país a volta às aulas foi um assunto tão emocionante, tão polêmico, tão cheio de críticas, com tantos novos “especialistas” e palpiteiros. Mas o dia chegou. Cerca de 1,3 milhão de alunos retornam para a rotina das salas nesta semana por aqui. E estamos encarando com uma mistura de sensações. Nós, pais de dois, e todos os outros pais dos nossos grupos de whatsapp. A nossa ansiedade já vinha crescendo nas últimas semanas, com algumas pequenas pistas que iam sendo dadas em pílulas sobre o grande dia de volta às salas. E quando digo nossa, é a dos pais mesmo: os pequenos estudantes do meu convívio ainda não se mostram muito preocupados, apesar de bem cientes do que deveriam fazer, ou melhor, não fazer.

'Carona a Pé' durante trajeto rumo à escola antes da pandemia. Foto: Daniel Hunter / WRI Brasil.'Carona a Pé' durante trajeto rumo à escola antes da pandemia. Foto: Daniel Hunter / WRI Brasil.

Ainda incerta e polêmica, a volta às aulas presenciais remete não apenas ao cuidado com medidas de higiene e segurança sanitária, fundamentais para evitar o contágio nessa fase atual, mas também ao essencial ir e vir do dia a dia. Como os alunos irão para a escola, uma vez que o transporte coletivo não é tão recomendado?

No dia 2 de setembro DE 2018, o Museu Nacional foi consumido por um incêndio de grandes proporções, no que já é considerado a maior tragédia museológica do Brasil. Foto: AFP. No dia 2 de setembro DE 2018, o Museu Nacional foi consumido por um incêndio de grandes proporções, no que já é considerado a maior tragédia museológica do Brasil. Foto: AFP.

Na manhã do dia 31 de agosto, sexta-feira, a última de agosto de 2018. Juntei me equipamento, flashes, câmeras, tripés, lentes – como diz o Nelson Vasconcellos, uma parafernália de traquitanas e parti com a Carla Dels, uma assim guru-assistente, astróloga, artista plástica e mais uma montanha de predicados, para a Quinta da Boa Vista.

Na pandemia, novas práticas e novos comportamentos estão sendo gradualmente incorporados. Foto: Getty Images. Na pandemia, novas práticas e novos comportamentos estão sendo gradualmente incorporados. Foto: Getty Images.

A Pandemia é triste. Amigos se foram. E também nos deixaram tantos outros que não conheço, mas por quem também me angustio. Famílias destroçadas. Mandos e desmandos. Oportunismo. Abusos. Notícias falsas. A pandemia tem sido uma grande tristeza. Dito isto, sinto-me mais à vontade para trazer algum sopro de “efeito colateral” positivo no meio desse caos sem fim, sem achar que estou sendo leviano com a dor alheia. Pois é, parece que para grande parte das pessoas (nem todas, infelizmente) e de alguns governos (não aquele, claro) algumas novas práticas, novos comportamentos, estão sendo gradualmente incorporados. Um deles é o uso da bicicleta como opção para a locomoção diária nas grandes cidades. Aqui em Portugal, não há semana em que o assunto deixe de estampar as páginas dos grandes jornais e mesmo da imprensa local e regional.

Como ficam os semáforos da sua cidade após os estragos de um temporal? Use QZela para relatar o funcionamento da sinalização. Foto: QZela / Instagram.Como ficam os semáforos da sua cidade após os estragos de um temporal? Use QZela para relatar o funcionamento da sinalização. Foto: QZela / Instagram.

Como você vê e fiscaliza a sua cidade? Quando depara com uma calçada quebrada ou uma ciclovia esburacada você apenas passa por ela e lamenta ou procura levar esses problemas adiante, ajudando a melhorar o lugar onde vive? Em geral, o individualismo recorrente nos faz apenas seguir nosso solitário caminho. Felizmente, as coisas vêm mudando nesse quesito. Em alta, valores como coletividade e solidariedade têm impulsionado as pessoas a desenvolver a empatia, a exercitar a cidadania. Desde o início da pandemia, em São Paulo, tem sido exemplar a mobilização de moradores que arregaçam as mangas para fazer e distribuir marmitas na cidade, ajudando a combater a fome nessa fase crítica.

E lá da prefeitura brada o alcaide, determinando que, praia agora, só com hora marcada pelo app, diz ele, gratuitamente ou de quem chegar primeiro. A famosa ordem de chegada. Tudo começará numa segunda e, com certeza, como cinzas, se acabará na quarta-feira.

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