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Setembro chegou. Com ele, o feriado da Independência, a Primavera, e as celebrações de aniversários dos virginianos e dos nascidos no primeiro decanato do signo de Libra.

Labaredas tomam conta do Museu Nacional no Rio de Janeiro, provocando danos irrecobráveis. Foto: Ricardo Moraes / Reuters.Labaredas tomam conta do Museu Nacional no Rio de Janeiro, provocando danos irrecobráveis. Foto: Ricardo Moraes / Reuters.

Bem-vindo ao #GringoViewSão ("olhar gringo sobre São Paulo"), uma nova coluna quinzenal do São Paulo São que, esperamos, vai envolvê-lo com as perspectivas de um gringo que passou as últimas duas décadas, como dizem meus amigos, como um quase-brasileiro que vive e trabalha em São Paulo. É uma cidade, como a minha grande maçã nativa, para amar e odiar, com o amor vencendo a maior parte do tempo.

O americano Irving Penn foi um dos grandes responsáveis pela construção da imagem da mulher ocidental da segunda metade do século XX.

A moda de Issey Miyake por Irving Penn. 'White and Black', Nova York, 1990.A moda de Issey Miyake por Irving Penn. 'White and Black', Nova York, 1990.

Tendo ingressado na Vogue ao final da década de 40 pelas mãos de Alexander Liberman (com a função de “dar ideias para as capas”), acabou por se firmar como talentoso criador de imagens de moda, repletas do glamour e da sensualidade aos quais aspirava a sociedade americana do pós-guerra. Se por um lado seu olhar quase aristocrático privilegiava poses de rígido formalismo – que remetiam às fotografias das décadas anteriores – por outro lado o minimalismo e o despojamento percebidos nas imagens que criava mostravam, sem dúvida, o caráter inovador de seu trabalho. Mesmo quando a própria moda era construída por excessos, pelo olhar sensível de Penn filtrava-se o supérfluo, e o resultado eram sempre imagens de grande elegância e sofisticada simplicidade.

Ele voltou, e não foi o boêmio retratado na canção eternizada pela voz aveludada de Nelson Gonçalves, nem o personagem que “voltou para ficar, porque aqui é o seu lugar”, da canção romântica do rei Roberto Carlos. E embora desejado de muitos fãs, também não foi o Belchior que retornou do seu descanso eterno para essa existência.

Tempo muda em SP no fim de semana com passagem de frente fria. Foto: Rafael Bruno / Clima Tempo.Tempo muda em SP no fim de semana com passagem de frente fria. Foto: Rafael Bruno / Clima Tempo.

Quem deu as caras no último domingo em São Paulo foi o frio, com temperaturas de 10° C, e sensação térmica de um dígito nos pontos extremos dessa metrópole que reviveu por algumas poucas horas o “charme” da terra da garoa e a neblina dos filmes europeus de arte.

Sabemos que essa situação atípica dura pouco, e segundo as previsões dos institutos de meteorologia, o próximo final de semana promete muito calor, e será ideal para, emprestando a voz inconfundível de Tim Maia, ouvir, cantar e dançar ao som de “Primavera”, a canção, e usá-la como um teaser da próxima estação que faz a alegria das plantas e das flores, e daqueles que têm condições de viajar para as praias do Nordeste em condições vantajosas de preços.

Como lidamos o tempo todo com o imprevisível, tudo isso poderá mudar no intervalo de 24 horas. A fim de garantir a sua circulação apropriada pelas ruas da cidade, convém, antes de sair de casa, consultar os serviços especializados em pesquisa do clima para evitar passar frio, calor ou tomar chuva sem necessidade. Por aqui, fico.

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Leno F. Silva é diretor da LENOorb - Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Escreve às terças-feiras no São Paulo São.

Esses dias recebemos pessoas muito queridas do Brasil aqui em casa. Não nos víamos desde que chegamos, em janeiro. E família reunida tem conversa na sala noite adentro, um bom vinho, queijos, risadas. As noites quentes de agosto ficaram ainda mais calorosas nessas duas semanas de encontro. E apesar de não ter tdo roda de samba no apartamento ou pancadão na madrugada, um dos vizinhos não gostou muito. Um bilhetinho anônimo debaixo da porta na manhã seguinte nos alertava que nós, “brasileiros que fugíamos do Brasil”, deveríamos respeitar mais a vizinhança, sob pena de a polícia ser chamada, em caso de reincidência. Sem nome, sem identificação e sem uma ligadinha no interfone, se era algo que incomodava tanto. O fato, vale frisar, é bem isolado e não representa a maneira como temos sido tratados desde a nossa chegada. Gentileza e acolhimento marcam a nossa passagem por aqui, principalmente com os nossos outros todos queridos vizinhos. Mas trouxe o exemplo porque posso até imaginar que essa enxurrada de brasileiros, para aqueles mais rabugentos, possa mesmo incomodar um pouco.

A ideia começou a ser concebida há 10 anos, em um jantar entre estudantes de psicologia e terapia corporal, no Dans Le Noir, em Paris. Com inspirações artísticas das obras de Lygia Clark, Manoel de Barros, Alberto Caeiro, Clarice Lispector, Rumi, Marina Abramovich, o Ateliê cresceu como um lugar de encontro dos repertórios sensoriais da gastronomia, música, poesia, aroma, cultura para o despertar de novas percepções humanas no escuro.

Dans Le Noir – 'Dinner in the dark' em Paris. Foto: Trip Advisor.Dans Le Noir – 'Dinner in the dark' em Paris. Foto: Trip Advisor.